19 abril, 2025

Viajante

Gostaria de ser uma viajante mas me falta espírito aventureiro. Sou só uma turista. Turista é um ser estranho, acha graça em coisas que normalmente não vê nenhuma graça no seu dia a dia. Não visita os pontos turísticos da sua própria cidade, não vai aos museus, não contribui para conservar a cultura de sua própria terra...enfim, nosso olhar está direcionado para outras coisas.

Explico porque.

Moro numa cidade pequena que não é uma cidade turística mas tem suas belezas naturais. Tem praia, tem restinga, serra, um pequeno arquipélago, etc... Nasci aqui há 56 anos atrás e só agora recentemente conheci uma cachoeira linda que fica há pouco mais de uma hora de carro da minha casa. E tem outras cachoeiras que ainda não conheço. Nunca fiz uma trilha na Pedra do Frade, essa montanha que eu via da janela da casa da fazenda onde nasci (mas já subi ao cume do monte Etna para ver a cratera do vulcão). Não prestigio os eventos sobre a obra do compositor Benedito Lacerda, nascido em Macaé.

Fora da minha cidade, em outro país, faço questão de visitar todos os pontos turísticos, ir aos museus, igrejas, comer comidas típicas. Acho que a gente acaba olhando tudo com outros olhos, como se tudo fosse realmente uma novidade. Bobagem.

Se eu tivesse realmente espírito de viajante olharia minha própria terra com mais curiosidade. Ia percorrer cada cantinho da minha rua, do meu bairro, da minha cidade, município, e dai por diante.

01 abril, 2025

A Sombra

Lembro-me das noites de domingo, quando criança, em que acompanhava meus pais pelas ruas mal iluminadas do meu bairro, para assistir ao culto da Igreja Batista. Eu ia pulando sobre a sombra deles que mudava de posição à medida que se aproximavam de um novo foco de luz. Eu ficava intrigada e com um pouco de medo, sem entender direito o motivo pelo qual aquela coisa se arrastava pelo chão e mudava de direção a todo instante. Uma hora estava atrás deles, em seguida na frente, algumas vezes ameaçava desaparecer, para em seguida ir aumentando de tamanho assustadoramente. Pensava que a sombra nos acompanhava mesmo quando não era visível, não a víamos, mas ela estava em algum lugar nos vigiando sempre, fazia parte de nós e aparecia quando queria.

Minha mãe em algum momento explicou-me o porquê da existência da sombra, mas duvidei, achei que ela queria apenas me tranquilizar. Dúvida? O seu nome é Ângela.

Já não tenho medo da sombra, mas ainda desconfio que ela nos espreita silenciosamente e aparece de vez em quando para nos assombrar. São aqueles sentimentos incontroláveis que surgem contra a nossa vontade, brotam talvez do nosso inconsciente. No meu caso, a Dúvida (ou devia chama-la de Desconfiança?) com certeza faz parte dessa sombra que habita meu inconsciente. 

Pensando um pouco mais sobre esse assunto, observei que a sombra é resultado desse dualismo “luz e escuridão” duas realidades antagônicas que produzem uma terceira coisa que..... viajei...Será que é assim também com Consciente e Subconsciente, Guerra e Paz, Amor e Ódio, Corpo e Alma?  Será que quando essas ideias antagônicas se confrontam, produzem sempre alguma reação?