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28 junho, 2019

BARBACENA

20.06.2019

Saímos cedo de Macaé rumo a Barbacena em Minas Gerais.

Estou fazendo uma espécie de volta ao passado, o que não é algo que eu goste de fazer, principalmente se tive momentos especiais nesse lugar. Quando retornamos depois de um longo tempo, nesse caso há exatos quarenta anos, acho que quebra um certo encanto que só a distância preserva. Acredito no que diz a canção "Nada será como antes, amanhã". Mesmo que o lugar não tenha passado por muitas mudanças, eu mudei, as pessoas com quem eu convivi também mudaram, nada é como antes. Minhas companheiras naquelas viagens da década de setenta, Goretti e Lucia,  estiveram em Barbacena outras vezes, apenas eu demorei tantos anos.

Vamos em dois carros, o de André e o de Goretti, por uma estrada alternativa que passa por várias pequenas cidades, sugestão de André que entende do assunto e nos disse que a estrada está boa, exceto um pequeno trecho de cinco quilômetros que tem muito buraco. Ele segue no seu carro nos guiando, vão com ele sua esposa Eliete e sua irmã Ana Maria. No outro carro Goretti, Lucia, Eu e a fofuxa Lavínia (neta de Goretti). A viagem é longa, de sete a oito horas. Perto de Conceição de Macabu, André parou para comprar beiju e tapioca pra levar pros mineiros, nossos anfitriões. Aproveitamos e compramos beiju doce com coco, para ir beliscando pelo caminho. Um delicia!!! O carro vai ficar cheio de farofa de beiju, não tem jeito de comer isso sem fazer sujeira.

Foi tudo muito bem, até chegarmos em Cantagalo e enfrentarmos a estrada mais esburacada que eu já vi na minha vida. Por sorte não havia muito trânsito, eu até desconfio qual é o motivo, então íamos ziguizagueando para procurar o melhor lugar, ou seja, o menor buraco. De repente uma pancada:

-Ai Meu Deus!!! Disse Goretti, achando que tinha rasgado algum dos pneus.

Não rasgou nada, ainda bem, mas começamos a desconfiar que aquela informação de cinco quilômetros rendeu, tá mais pra quinze.

Paramos pra almoçar no restaurante Silvanda em Dona Eusébia, já em Minas Gerais. Um lugar muito agradável e comida bem mineira. Me fartei de torresmo bem crocante!

Chegamos em Barbacena no final da tarde. No caminho até o bairro onde moram nossos amigos, fui reconhecendo alguns lugares: o pontilhão de pedras conhecido como Arcos Centenários ou Imperiais (não me lembro bem do nome) a igreja São José Operário, que ficava bem destacada no alto de um morro e hoje está cercada de outras construções que diminuíram sua visibilidade, uma esquina onde encontramos no passado Zé Maria e Célio Mazoni saindo de um baile de carnaval. Pelo visto a cidade não passou por grande transformação.

Arcos Imperiais

Basílica de São José Operário

Escola de Cadetes do Ar
Encontramos a família reunida, nos esperando. Que bom reencontrar Leacir, a matriarca que está com oitenta e nove anos, pequenina e magrinha, com meia e gorrinho na cabeça parece uma criança. Lembrou-me minha mãe, que também tinha esse perfil. Marli, que era nossa companheira nos passeios pela cidade, Nice e Débora, crianças naquela época, Vilson e Luizinho eram quase adolescentes. Faltou o Hermes, que hoje mora em Conselheiro Lafaiete. Conheci uma nova integrante dessa família, a Fernanda, que nem era nascida quando perambulávamos por essas ladeiras, enfrentando o frio e o sereno.

Fomos tomar um café na casa da Nice. A casa fica numa ladeira, e a descida até a casa dela é para quem está sóbrio, bebum corre sério risco de chegar na porta da sala rolando. Não é muito diferente da minha casa, meu marido que é chegado a uma "branquinha" já levou alguns escorregões. Encontramos a mesa do café arrumada com pão, queijo, biscoitinho de polvilho, broa de milho e um cafezinho...precisa mais pra estar feliz ?

Dudu e Lavínia
Lavínia resistiu bravamente a longa viagem e agora está se acabando, andando e correndo, gastando a energia reprimida. Encontrou um companheiro, Dudu, que tem a maior paciência com ela. Ele é sobrinho de Eivander (Mozinho, para a família) marido da Nice. Dudu é o chamego da família toda e não é pra menos, é um garoto simpático, carinhoso e com uma carinha de sedutor. Vai fazer sucesso com as meninas.

Entre uma cervejinha e outra começamos a lembrar dos tempos que perambulávamos por essas ladeiras atrás de novidades, novas emoções, novos amores. Conversa vai conversa vem, descobrimos que Mozinho conhece Célio Mazoni, Zé Maria Picareta e Rubinho, nossos amores daquela época, ou melhor, pra ser mais atual o certo é classifica-los como “peguetes” ou no máximo “ficantes”. Mozinho disse que vai marcar com Célio e Zezé para nos encontrarmos no sábado pela manhã num café que eles frequentam no centro da cidade. Mozinho, que trabalhou com Célio quando ele foi prefeito de Barbacena, disse que ele derrotou nas urnas as duas famílias mais importantes da política da cidade, os Bias Fortes e os Andradas. Ganhou, mas não conseguiu fazer um bom governo. É assim mesmo, os bem intencionados quando conseguem romper o esquema instalado no poder e se eleger, não conseguem o apoio necessário para governar.
Mozinho falou que os dois estão bem “acabadinhos” e que nós estamos muito melhor que eles. 

Sei não, acho que é melhor que esse encontro não aconteça. Acho que prefiro lembrar do Célio no seu Dodge Dart azul, bigodão, óculos de grau, e um cheirinho gostoso de colônia Embassy. Zezé, moreno e baixinho, alegre e romântico, gostava de cantar pra mim “Meu mundo Caiu” e “Castigo”. Rubinho era o mais novinho e também o mais bonito, “peguete” de Lucinha. 

De volta à casa de Leacir, sentamos todas em volta da mesa, tomamos um caldo verde e conversamos até tarde. Goretti lembrou de uma viagem que ela fez pra Barbacena em que seu namorado Carlos apareceu sem avisar, na casa de Leacir. Ele achava que Goretti estava encontrando com algum homem aqui de Barbacena e veio conferir. E não é que ele estava certo? Chegou quase junto com as flores que o tal homem tinha mandado pra ela. Segundo Goretti, eu tive que assumir “as flores” e leva-las comigo pra Macaé. Meu Deus!!! Não lembro de nada disso. Marli e Lucia lembraram que numa noite, quando saímos do Gino’s, havia um pequeno tumulto na porta do restaurante. Ficaram olhando a confusão e quando me procuraram não me encontraram. Resolveram ir embora, me deixaram pra trás porque eu estava junto com um bonitão. Quando cheguei em casa elas estavam nervosas:

- O que houve? Porque não veio logo pra casa? 

- Como eu viria se estava vestida apenas com um colarzinho de pérolas.

Minha Nossa Senhora dos Desmemoriados, será que o alemão está querendo me visitar? Não consigo me lembrar de nada disso, só me lembro vagamente da confusão na porta do Gino’s. Matutei um pouco e lembrei que na última vez que estive aqui em 1979, Goretti nem conhecia Carlos. Elas estão querendo me endoidecer.

Hora de dormir. Espalhamo-nos pela casa, ao todo dez pessoas, e antes de adormecer ainda ficávamos ouvindo as conversas e risadas do quarto ao lado. Acredito que estamos atrapalhando o sono do pessoal da casa, principalmente Leacir e Fernanda que acorda cedo pra trabalhar.

21.06.2019

Prados

Eliete vem com frequência a Barbacena porque tem uma loja virtual onde vende artesanato daqui dessa região de Minas. Ela hoje vai fazer compras pra loja e nós vamos acompanhá-la nessa tarefa desagradável para as mulheres, que é entrar em um monte de lojas e fazer algumas comprinhas. Eu só vou passear, nada de compras. Começamos pela cidade de Prado, um lugarzinho bem bucólico que também tem no comércio de artesanato uma de suas principais fonte de renda. Eu ainda não conhecia essa parte da cidade; quando venho a Tiradentes vou sempre a Bichinho, que é Distrito de Prados, visitar os Ateliês de lá. Logo descobri na primeira loja, algumas coisinhas que eu preciso comprar pro sítio. Quando saí da loja com algumas sacolinhas, Débora me sacaneou:

- Ué, não é você que não ia fazer compras? Foi a primeira a aparecer com as sacolinhas. Kkkkkk!

- Lembrei-me que no sítio (tentei disfarçar) eu preciso.... Nada disso, a carne é que é fraca mesmo.

Tapeçaria feita em Tear

Seguimos para Resende Costa, a cidade que produz o melhor artesanato feito em tear aqui dessa região. Venho sempre aqui na época do festival gastronômico de Tiradentes. Hoje não vou comprar nada, só um tapetinho. Eu juro.

Nice cuidou de Lavínia durante quase todo o passeio, nem quer mais saber da avó. Lembro-me da Nice pequena, moreninha com uma franja caindo em cima dos olhos negros. Acho que das filhas é a que mais se parece com a mãe. Débora era ainda neném na última vez que estive aqui, hoje encontrei-a transformada em uma mulher bonita e inteligente. Fernanda é a caçulinha simpática e paciente, atura nossa conversa ruidosa até tarde da noite. Marli não muda, conserva a mesma fala mansa e a mesma generosidade. É uma amiga que o tempo e a distância não afastam. Família grande...ainda tem o Luizinho, Wilson, Hermes. E não há como não lembrar do Benício, o pai dessa turma, que estaria muito contente com a nossa visita se ele ainda estivesse entre nós.

Resolvemos encerrar o passeio passando por Tiradentes, tomaremos um café e retornaremos a Barbacena. Eliete ainda vai voltar a Prado pra pegar umas encomendas e de lá vai pra Tiradentes, onde no reuniremos. Combinamos de seguir o carro de Débora, que conhece bem essa região. Goretti foi dirigindo devagar pela rua principal, procurando pelo carro da Débora. Logo vimos o carro saindo do acostamento e fomos seguindo. Uns trinta minutos depois passamos pela placa que indicava a entrada pra Tiradentes. Ué...Débora passou direto, será que não viu a entrada? Goretti seguiu o carro piscando o farol várias vezes para chamar a atenção, e nada. Lucinha alertou:

- Na hora que o carro saiu pra pista nós só olhamos o carro, mas não conferimos quem era o motorista. Será que não seguimos o carro errado?

- Puta que pariu! Vamos ligar pra elas – disse Goretti.

Paramos no acostamento e ligamos pra todas elas, mas ninguém atendia, na verdade não tinha sinal naquele lugar. Resolvemos seguir adiante porque ainda tem outra entrada pra Tiradentes depois de São João Del Rey. Logo adiante avistamos o dito cujo carro. Eram elas mesmas, não seguimos o carro errado. Ainda bem, senão ia ser a maior zoação.

Chegamos a Tiradentes no finalzinho da tarde. Escolhemos a casa Rocambole & Cia para tomar um café e, talvez, comer o delicioso rocambole que dá nome a casa. Estava lotado, por sorte conseguimos uma mesa no pátio dos fundos. Nesse momento do dia, quando começa a anoitecer, nada me dá mais prazer do que um pão com queijo quente, um café forte e uma fatia de broa. O atendimento foi bem ruim, quase desisti do café. A cidade está lotada de turistas, mas é sempre assim em todo feriado, já deviam estar preparados pra isso. Ana Maria pensou em comprar um queijo, mas desistiu, estava carérrimo. Realmente os preços não fazem jus à qualidade do produto e do atendimento.

Amanhã é dia de ir à feira, bater perna pelo centro, e terminar o dia num churrasco na casa de Nice. Devíamos deitar um pouco mais cedo, mas a conversa nunca se esgota.

Na madrugada acordei e fui ao banheiro e logo que me deitei novamente ouvi um barulho de alguém caindo. Era Leacir. Todo mundo acordou e corremos pra ajudar a leva-la pra cama. Ela logo melhorou e disse que ficou tonta e que isso já aconteceu antes. Segundo Marli ela já teve queda de pressão outras vezes. Amanhã as filhas vão levá-la ao médico.

Começamos pela feira, comprei pimenta biquinho e queijo. A feira é grande, morro acima, o que me fez lembrar que o que eu comprar tenho que carregar morro abaixo e ainda caminhar até o estacionamento bem antes de comprar. Depois fomos até a igreja matriz, tirar fotos nos mesmos lugares que tiramos há tantos anos atrás. Passamos pela Praça dos Andradas e notamos que já não há mais os macacos que habitavam aquelas árvores. Pouca coisa mudou por aqui, as mesmas casas antigas e bem preservadas, alguns prédios novos, acho que nós mudamos mais que a cidade.

Descemos a primeira ladeira depois da praça e chegamos ao restaurante Gino’s Il Candelabro, lugar que frequentamos com Célio e Zezé. Na entrada no prédio vimos uma placa com o ano da inauguração, 1957. Acho que em Macaé não há um restaurante sequer com mais de quarenta anos, o Gino’s tem sessenta e dois anos e conseguiu resistir bravamente a passagem do tempo. Entramos e escolhemos uma mesa na parte lateral, onde as mesas ficam num nicho que dá certa privacidade, talvez a mesma mesa da década de setenta. Pedimos um chopp e ficamos ali recordando “velhos tempos, belos dias”. De repente resolvemos dar uma pesquisada na internet e ver ser encontramos alguma foto mais atual dos nossos amigos, não deve ser difícil porque um foi prefeito e o outro candidato. Encontramos. Jesus! O tempo é cruel. Dois velhinhos. Lucia não concordou, disse que eles estão muito bem e que Zezé está com uma pele linda nessa foto. Acho que ela tá precisando de um óculos de grau, até porque já não é novinha, a visão tá falhando. E não é só a visão.

- Gente, perdi meu celular. Será que o deixei em algum lugar?

- Lucinha, se têm três celulares aqui sobre a mesa e nós somos apenas três pessoas na mesa, acho que há uma grande probabilidade de um desses ser o seu telefone – disse eu.

- Ai, Graças a Deus!

É difícil nessa fase da vida, quem não comete uma distração vez ou outra. Eu faço isso com frequência.

Nosso amigo Célio e o italiano Gino (ao centro)
propietario do restaurante Gino's il Candelabro

Esse restaurante era bem tradicional na cidade, frequentado pela elite local, políticos e turistas. Hoje talvez já não tenha a mesma clientela de outrora.

Encerramos o dia na casa de Nice e Mozinho. Lá pelas tantas alguém falou em ir até a Basílica de São José Operário, acho que foi Ana Maria. Eu topei, vou lá rever a igreja, já nem lembro como ela é. Débora ligou o GPS, mas depois de um tempo vimos que estávamos andando em círculos. Débora desistiu do GPS e enfim chegamos lá, porém a igreja estava fechada. Que pena, nem lembrava como ela é grande e imponente, aqui no alto desse morro com uma vista privilegiada da cidade.

Voltamos pra casa de Nice e pouco depois fomos embora. Subimos os inúmeros degraus até a rua e Goretti, que já tinha bebido todas, pegou uma penca de chaves na mão e disse que a chave do carro não estava ali. Começou a procurar em volta do carro, perto do portão...Débora desceu até a casa pra ver se encontrava a chave. Eu olhei as chaves na mão dela e vi a caixinha preta onde ficam os comandos de abrir/fechar o carro.

- Goretti, essa caixinha não é da chave que fica escondida dentro? Aperta o botãozinho. 

- Kkkkkk. Não acredito que eu fiz isso.

Muito doidinha.

23.06.2019

Acordamos e o café com pão de queijo fresquinho que Débora já tinha comprado estava sobre a mesa. Depois do café fomos acomodar toda a bagagem no carro. Cheguei a pensar que não caberia, mas conseguimos, só tem que ter cuidado na hora de levantar a tampa do porta malas, pode cair tudo no chão. 

Tá um sol morninho, dá vontade de ficar esquentando aqui. Sentei ao lado de Leacir que estava pegando um solzinho e conversamos sobre meus pais. Ela conheceu toda minha família, meus pais, avós, meus tios, quando eles ainda moravam na Boa Vista, lá perto de Glicério. Me contou alguns episódios daquela época, da minha irmã do coração, Julieta, do meu avô Pietro. Muito bom conversar com alguém que tem uma memória sobre a sua família anterior a você mesmo, são coisas que a gente só fica sabendo por alguém que viveu aquela época. 

Hora de partir, nos despedimos de todos e prometemos não demorar tanto pra voltar. Goretti acomodou Lavínia, que se comportou muito bem nessa viagem, não reclamou, não fez pirraça...uma lady, e partimos rumo a Macaé.

ANTES                                                                                      DEPOIS







































FAMILIA SILVA

Nice, Mozinho, Lucia, André e Goretti
   
Leacir e Vilson






Goretti, Débora, Marli, Fernanda e Nice
Nice e Lavínia



Vilson e Lavínia

Débora, Lavínia e San
Marli


17 setembro, 2017

TIRADENTES-2017

Há uns três meses atrás minha amiga Thayz disse-me que iria, junto com Carlos, ao festival gastronômico de Tiradentes. Perguntou se eu gostaria de ir também. Pensei um pouco...já fui lá umas cinco vezes, mas nunca na época do Festival. Aceitei o convite. Thayz me passou o telefone de Renato e Magali, os organizadores desse passeio. Liguei e Renato informou que não havia mais vagas. Que pena! Faltando uns quinze dias para a viagem o Renato me ligou dizendo que houve uma desistência e que eu poderia ir, se quisesse. Topei.



24.08.2017

Cheguei ao local marcado para a saída do ônibus às 06:00 h. Não tinha a menor noção de quem fazia parte do grupo nem de quem iria dividir o quarto comigo. Gosto de surpresas.
As pessoas foram chegando e vi que conhecia a maioria. Antigos colegas de trabalho, todos aposentados como eu, conhecidos de infância e outros que eu conhecia “de vista”. Josânea e Marcus, Lurdinha , Soraia, minha prima Lídia e Armando, Gripp e Carmem Lucia, Fátima e Marcus, Dna Hilda, Paulo, e meus amigos Thayz e Carlos, que me convidaram para esse passeio gastronômico.
Dna. Hilda
Magali me comunicou que vou dividir o quarto com Dna Hilda. Eu já conheço essa senhora de outras viagens e sei que é boa companheira: alegre, destemida e boa de copo. Apesar dos oitenta anos, topa qualquer programa. Uma vez, lá em Gramado, eu não quis descer de tirolesa e ela, apesar dos oitenta anos, não arregou, se jogou na tirolesa e deslizou morro abaixo na maior alegria. Ô véia doida!!!
Chegamos no final da tarde. Viagem demorada e cansativa, mas eu dormi um pouco o que ajudou bastante. Alguns reclamaram que o motorista é muito lento. Também achei, mas é melhor assim do que viajar com algum apressado irresponsável. 
Marcas Mineiras

Deixamos as malas no hotel e partimos para a primeira loja, Marcas Mineiras, recomendação de Lourdinha que conhece bem o artesanato local. A loja 
tem coisas maravilhooooosas. Peças bordadas com perfeição, trabalhos em patchwork, toalha de banho lindíssimas, cristais, cerâmica, essências, etc....Tudo de muito bom gosto. Atrás da loja, numa grande área verde, tem uma pequena loja de “coisas de antigamente” e ao fundo uma cafeteria coberta com um grande telhado de vidro, que permite tomar o café ao ar livre protegido da chuva, mas sem perder de vista o movimento das árvores acima do telhado. Que lugar simpático! Vamos ter que voltar aqui porque hoje a cafeteria estava fechada.
Marcas Mineiras















Saímos para caminhar, mas antes fizemos um “pit stop” em outra loja com cafeteria, Empório Maria Monteiro. Aqui também a tentação dos doces nos persegue. Resisti e tomei um cafezinho com pão de queijo, mas Carlos quebrou a corrente e me deu um bombom artesanal. Cai em tentação, a carne é fraca.
Seguimos pelas ruas de pedra, entramos nas lojinhas pra admirar o artesanato, os doces, aproveitar a cordialidade dos mineiros.
Já é noite e estamos cansados. Entramos no Mandalun para encerrar o dia com alguma comida quente porque a noite está muito friiiiiia. Depois de tomar um caldo de batata baroa e um copo de vinho, me senti pronta pra cair nos braços de Morfeu.
Vamos a duas cidades importantes para quem quer fazer compras: Santa Cruz de Minas e Resende Costa. Thayz e Carlos não irão. Disse Thayz que Carlos não queria ir porque tinha um encontro com Sueli. Acho que é um código, segredinho deles.
Saímos de Tiradentes seguindo pela Estrada Real até Santa Cruz, cidadezinha pequena ao pé da Serra de São José e banhada pelo Rio das Mortes. Aqui se faz muito móvel artesanal e artesanato em ferro, bem típico dessa região. Achei os preços melhores que em Tiradentes. 
Durante o trajeto o guia foi nos contando a história da Estrada Real que liga Diamantina, em Minas, ao porto de Paraty no Estado do Rio, construída para ser rota de transporte de ouro e diamantes. Hoje virou rota turística. O guia é um homem muito magro e alto, com uma bonita voz de barítono e com um vasto conhecimento da história daquela região e dos “causos” que justificam alguns ditados e costumes. Um bom desodorante e algumas aulas de gramatica o tornariam um guia quase perfeito. Eu, Lurdinha e Soraia, que estávamos sentadas nos primeiros bancos, fomos as que mais sofremos com a “inhaca” do guia falante. E lá foi ele contando histórias e estórias de escravos, padres, igrejas, etc.:
- Porque se diz  “fulano lavou a égua” quando alguém tem um grande lucro ou uma grande satisfação?  Os donos do garimpo juntavam as pepitas e o ouro em pó em cavalos para o transporte até a capital. Os escravos pegavam o ouro em pó e esfregavam no pelo do cavalo. Depois de descarregar a carga eles iam literalmente lavar a égua e pegar o ouro roubado do dono do garimpo. Foi dessa forma que eles conseguiram, por exemplo, colocar ouro na construção da Igreja do Rosário.
- Em Tiradentes foi construída a igreja dos brancos, a igreja dos mulatos e a igreja dos pretos. A igreja dos pretos é a Nossa Senhora do Rosário. Os brancos diziam que essa era a santa de devoção dos pretos porque o Rosário é composto originalmente por três terços, cada terço com cinco mistérios. Cada mistério recorda uma parte importante da história da salvação. Enfim, levavam mais de duas horas rezando, o que era bem apropriado porque os pretos tinham mais pecados, diziam os brancos.
- Porque Santo Antonio é conhecido como o santo casamenteiro? Porque Fernando de Bulhões, nome de batismo de Santo Antonio, quando decidiu seguir a vida religiosa achou por bem doar o seu patrimônio as moças da sua cidade que não tinham dote para se casar. Sem dote, nada de casamento, era ficar pra “titia” e pronto.
- O dote era colocado em baús de madeira. Os pais iam colocando ali joias, dinheiro, objetos de arte. As amigas vigiavam entre si os baús de cada uma, com o propósito de informar para os irmãos ou primos, a existência de algum baú que estivesse “bem recheado”. De posse dessa informação o rapaz se adiantava e pedia a moça em casamento, antes que outro o fizesse. Daí a expressão “deu o golpe do baú”.
- Como distinguir de longe a diferença entre uma igreja e uma capela? A igreja tem duas ou mais torres com sino e a capela pode ter uma torre ou nenhuma.
- Qual a diferença entre sobrado e solar? Sobrado tem um comércio na parte de baixo e um lar na parte de cima. O Solar é só lar, embaixo e em cima.
- Até 1802, em Minas Gerais, os mortos eram enterrados dentro das igrejas (só os mortos tá? Os vivos não). Perto do altar ficavam os mais ricos, que contribuíam mais para igreja. No meio do caminho entre o altar e a porta ficavam os pobres. Perto da porta de entrada da igreja ficavam os mais pecadores (os pretos, as adúlteras, os assassinos, etc), para que fossem “pisados” por todos que entravam na igreja.
Essa é uma pequena amostra das curiosidades que o guia apresentou. Sempre que ele perguntava “vocês sabem a diferença entre...”, ninguém sabia responder. Um passageiro levantou e disse:
- Cambada de ignorantes, ninguém sabe nada! Vão na igreja todo dia e não sabem nada de religião! O moço aí sabe mais do que o padre.
Em determinado momento, no meio de uma das histórias, o guia falou que antigamente as pessoas não tinham o hábito de tomar banho todos os dias. Soraia não se conteve:
- Esse hábito não acabou não, tem gente que ainda hoje leva diiiiiias sem tomar banho
Ela estava falando dele, mas com certeza ele não entendeu. Mais tarde Magali disse que a mulher o havia abandonado recentemente e que talvez por isso estivesse tão magro. Tá explicado!!! A maioria dos homens é muito dependente da mulher para os afazeres domésticos. Ele deve estar lavando a própria roupa, lavando muito mal, pelo visto.
O guia foi um intervalo cultural no meio de tantas compras. Viva a cultura! Abaixo o consumismo!
Resende Costa
Chegamos a Resende Costa, almoçamos e em seguida começamos a maratona das compras. O forte do comércio aqui é arte têxtil. A maioria das lojinhas e oficinas fica concentrada numa única rua onde se encontram: redes, colchas, conjuntos americanos, almofadas, mantas, tapetes, bonecos de tecido, etc.
Já estava cansada de tanto andar, comprei rapidamente o que necessitava e voltei para o ponto de encontro. Só encontrei os maridos, a mulherada estava enfiada nas lojinhas. A tarde estava bonita e ensolarada, perfeita para uma bebida gelada. Do outro lado da rua tinha um barzinho que está vazio naquele momento. Entrei no bar e pedi uma cerveja. Sentei numa mesinha na calçada, fiquei bebericando a cerveja super gelada e tomando um solzinho. 
Algumas pessoas que trabalhavam em frente ao bar ficaram me olhando com curiosidade. Acho que não estão acostumadas a ver uma mulher, ou melhor, uma senhora bebendo sozinha numa mesa de bar.
De repente alguém grita o meu nome. É Amós, meu amigo maluquinho. Ele veio com a família e alugou um imóvel em Tiradentes. A esposa e as noras estão comprando, ele e os filhos vieram pro bar. Ficamos papeando e aguardando que as compras acabassem ou que o dinheiro acabasse, ou os dois juntos.
Retornamos a Tiradentes e próximo ao hotel encontrei meus amigos Carlos e Thayz numa sorveteria. Thayz contou que aproveitou para conhecer alguns ateliês, a cidade tem vários, e em um deles conheceu o artista. Ficou encantada com o trabalho dele. 
Resolvi acompanhá-los no sorvete e escolhi o de café. Gostei, mas sorvete não faz parte dos meus doces favoritos, nem lembro a última vez que tomei um. Ouvimos uma cantoria vindo lá da rua e saímos para a calçada para ver o que se passava. Era um grupo de jovens, alguns usando roupas folclóricas, carregando estandartes e bandeirolas. Parece uma Folia de Reis, mas não sei do que se trata.
Resolvemos voltar àquela loja linda que visitamos no primeiro dia e usufruir daquela cafeteria ao ar livre, cercada de verde. Tomamos um café e compramos um pedaço de bolo de chocolate com recheio de doce de laranja. Levamos o bolo pra comer depois porque precisamos preservar nosso apetite para o jantar. Fizemos reserva no “Tragaluz”, um bom restaurante que eu já conheço. A noite promete.


Logo que anoitece a temperatura cai bastante. Saímos para uma curta caminhada até o restaurante, que fica na mesma rua do nosso hotel. Carlos estava todo encasacado e com um gorro:
- Podem me chamar de Carlos Down (por causa do gorro).
O restaurante tem móveis de madeira e uma parede de pedra. O ambiente é muito agradável, velas na mesa numa penumbra na medida certa, e a temperatura gostosa bem diferente do frio que faz lá fora. Tem uma aparência bem tradicional, mas não é antiquado.
O restaurante estava lotado, se não tivéssemos feito a reserva não conseguiríamos comer aqui. Ficamos numa mesa bem situada, num cantinho sem muita circulação de garçons. O garçom que nos atende é bem baixinho e tem um topete grande todo arrumadinho. Carlos gosta de brincar com os garçons que nos atendem, e perguntou:
- Você faz parte de alguma dupla sertaneja? Vc tem cara de quem sabe cantar.
- Sou só garçom mesmo e canto mal "dimais".
Thayz perguntou ao garçom se os cardápios poderiam ser comprados. Era o cardápio dos pratos do festival gastronômico e tinha um formato parecido com os livrinhos de literatura de cordel. 
-Não está à venda não senhora.
Carlos olhou o garçom e falou:
-Ela costuma levar sem avisar. Hoje ela resolveu pedir, é melhor vender, viu?
O rapaz do topete riu e continuou atendendo.
Carlos pediu um Badejo com molho de cachaça, purê de banana da terra e legumes grelhados. Aliás, o molho de cachaça ele dispensou. Thayz preferiu a tradicional galinha d'angola, símbolo dessa cidade. Eu escolhi costela de Angus prensada, com vagens cozidas e nhoque de ora pro nobis. E um bom vinho pra acompanhar essa comida deliciooosa!
Já nos sentíamos mais que satisfeitos, mesmo assim nos rendemos à tentação dos doces. Pedimos duas sobremesas bem conhecidas: Queijo com Goiabada e Doce de Leite Quente com Sorvete de Queijo Minas e uma farofinha de nozes

Não é uma goiabada qualquer. Goiabada cascão prensada na castanha de caju granulada, frita na manteiga, deitada em cama  de catupiry, acompanhada de delicioso sorvete de goiaba.
Ulalá!




Logo depois do café partimos para o distrito de Bichinho, reduto de artesãos, lugarejo muito conhecido nestas paragens. Pegamos um táxi que nos levou até lá por um preço justo, em mais ou menos vinte minutos. Atravessamos toda a rua principal, onde fica concentrado o comércio de artesanato, e fomos até a parte mais alta, onde estão a igrejinha e o restaurante famoso por aqui “Tempero da Ângela”. 
Resolvemos voltar caminhando, morro abaixo, entrando nas lojas e ateliês. Como a descida era longa, combinamos com o taxista Lanusse um valor para que ele ficasse a nossa disposição. Lalá (apelido que Thayz propôs para Lanusse) ofereceu um acordo para ficar por duas horas. Topamos. Carlos ficou batendo papo com Lalá, enquanto eu e Thayz vasculhávamos as lojas, olhando mais do que comprando, é claro. Não entramos nos lugares apenas para comprar, gostamos de admirar o trabalho bem feito, a originalidade das peças, o inusitado.
Ateliê Artes Flores Zezinho
Thayz estava à procura do Ateliê de Seu Zezinho, um artista na confecção de flores de papel. Quando finalmente encontramos o local, subimos os pequenos degraus num morrinho onde fica o Ateliê do Zezinho. A casa parece uma cabana: barro, tijolo, madeira, pedra, bambu....e flores de papel.
Realmente um artista o Seu Zezinho, as flores são lindas. O trabalho dele já fez parte de várias novelas e minisséries da Globo. Pena que ele não estivesse lá, gostaríamos de conhecê-lo. Tinha saído pra almoçar e quem nos atendeu foi uma mulher, comerciante e artesã também, dona da loja que fica em frente ao Ateliê. Muito legal essa solidariedade entre os artesãos, não há competição o que é bom e inteligente também. Quanto mais sucesso o seu vizinho faz, maior o número de turistas que virão conhecer o lugar, o que é bom para todos. 
Thayz ficou encantada com as flores e comprou algumas.


Passamos por outras lojas e terminamos o passeio visitando o ateliê Oficina de Agosto. Não lembro o nome do artista que é dono desse ateliê, mas me recordo que em outra viagem que fiz aqui falaram sobre a preocupação que ele tem com o meio ambiente e por isso trabalha sempre com materiais recicláveis. Tem muita coisa interessante aqui e realmente ele trabalha com uma grande diversidade de materiais.
Voltamos para almoçar em Tiradentes. As ruas estão apinhadas de gente, a cidade tranquila que não tem cadeia por falta usuário, parece ferver nesse final de tarde. Resolvi subir uma pequena ladeira que termina em uma igrejinha. Ou será capela? Esqueci o que o guia ensinou.
Em outras vezes que aqui estive também senti vontade de subir essa rua, mas nunca sobrou tempo. A subida é íngreme e eu sem preparo físico, sofri. Olhando lá do alto, a paisagem fica ainda mais bonita nesse final de tarde. O sol vai bordando de dourado as folhas das árvores, o telhado das casas, a igreja matriz... Na encosta do morro da igrejinha muitos jovens sentados na grama fazem piquenique, namoram, fumam maconha... tudo na maior tranquilidade, combinando com o pôr do sol.
Sentei na grama e descansei um pouco. Quase sempre, na hora de levantar do chão me arrependo de ter sentado. As pernas parecem pesar trinta quilos cada uma, uma merda. Vou para o hotel me preparar para o jantar dessa noite num restaurante que eu gosto muito, o “Atrás da Matriz”.
A noite estava muito fria, perfeita para um bom jantar e um vinho pra brindar. Iniciamos a subida e Carlos não demorou muito, reclamou:
- Isso não é uma caminhada, é uma via crucis! Onde fica esse restaurante, gente?
- Atrás da matriz – respondi
- Não é o nome do restaurante que eu quero saber, é onde fica.
- O restaurante fica atrás da matriz, por isso o nome dele é Atrás da Matriz – explicou Thaiz.
Chegamos. Ufa!!!

Restaurante cheio, pra variar. Ficamos na varanda lateral, lá dentro não tem lugar, mas a temperatura está agradável aqui fora, bem diferente da última vez que estive aqui, quando foi preciso colocar um aquecedor ao lado da mesa e uma manta para cobrir as pernas.
Uma moça nos atendeu e avisou que estava apenas começando a trabalhar nessa atividade. Morava em outra cidade e estava desempregada. Portanto, caso cometesse alguma falha, pedia nossa paciência.
Bacalhau com molho de amêndoas
Bacalhau é a especialidade desse restaurante. Então, escolhemos um lombo de bacalhau frito no azeite, com molho de amêndoas e arroz crocante. Thayz comia e suspirava, saboreando o bacalhau que estava divino. Carlos, como sempre, antes de escolher o prato principal já está pensando na sobremesa.  Comentei sobre isso:
- Carlos, você é uma formiguinha pra doce, né?
- Sou. Uma vez me perguntaram: “se lhe fosse oferecido uma mulher de perna aberta e um doce, o que você comeria primeiro?”. Não tive dúvida, respondi imediatamente “a mulher e em seguida comia o doce”.
Carlos gosta de contar “causos”. Lembra-me os irmãos do meu pai, todos gostavam de contar piadas, inclusive as irmãs. Meu pai, apesar de muito discreto,  não perdia uma oportunidade de contar um "causo" engraçado.
Como é bom comer uma comida gostosa com boa apresentação, num ambiente limpo e tranquilo. Sem música alta, sem pressa e se a bebida for boa e a companhia agradável, é perfeito. O preço pode até ser salgado, mas vale a pena porque esse breve instante ficará pra sempre gravado em nossa memória.
Fazendo o caminho de retorno para o hotel, fomos encontrando os muitos turistas que curtiam a noite de sábado. Em uma rua, um grupo de pessoas assistia a três homens de aparência humilde que tocavam e cantavam para arrecadar algum dinheiro. A música era boa, eles mereciam uns trocados.
Nossa última noite aqui, amanhã sairemos pela manhã. Já sinto vontade de voltar, sempre fico com a sensação que falta conhecer alguma coisa interessante. Quem sabe? Talvez na próxima vez essa sensação de incompletude se desfaça.


28 outubro, 2015

POÇOS DE CALDAS - MG


Meses atrás Graça e Valdéa me convidaram para ir a em encontro da “Feliz Idade” em Poços de Caldas. 

Recusei. Não me vejo participando de bailes da terceira idade, onde boa parte das pessoas andam arrastando os pés pesados, meio desequilibrados. Ou então dançando ao som de músicas mais atuais, tentando acompanhar as coreografias como se jovens fossem, numa alegria meio senil.

Oh céus!!! Como é difícil envelhecer. Já estou mais pra lá do que pra cá, mas ainda resistindo em entrar para o grupo dos “idosos”.

Agora, depois que soube que Rolando Boldrim fará um show no evento decidi: vou ao encontro da Feliz Idade (eu chamaria de Pior Idade). Gosto dele, dos causos e das músicas.

POÇOS DE CALDAS

28.09.2015
Estou sofrendo há dias com um furúnculo. Ontem à noite resolvi ir à emergência do hospital da Unimed para tentar resolver esses problemas porque esse companheiro inoportuno só aparece em local impróprio: nádegas, virilha, sovaco.... Viajar assim é um suplício.
Quase desisti da viagem, as 23:00 h ainda estava arrumando minha mala para viajar hoje, bem cedinho.

Tive febre durante quase todo o dia. Por um lado, foi bom, dormi quase que a viagem inteira, coisa que nunca acontece. 

À noite, no show de abertura do evento, já me sentia melhor.
Ricardo Bombarda, o cantor dessa noite, é um gato com voz de cantor erudito. Fez uma apresentação com um excelente repertório, vários ritmos, ótimos recursos áudio visuais (um painel de LED com excelente definição, canhões de iluminação, equipamentos de som perfeitos). Só não dança muito bem, mais quem se importa? Com aquela estampa e a linda voz, dançar é o de menos.
Quando ele descia do palco e andava entre o público, era atacado pela mulherada. É muita velhinha tarada querendo tirar foto abraçada, passando a mão nas suas costas suadas, querendo beijá-lo. Foi hilário.
Entre uma apresentação e outra, o cantor trocava de roupa conforme o personagem que ia interpretar. Numa dessas trocas, uma senhora foi atrás dele tentando alcançá-lo para abraçar ou agarrar, sabe-se lá. Não alcançou, ele foi mais rápido e entrou no camarim.

São muitos idosos, ou melhor, idosas. A mulherada domina quando se trata de lazer e diversão. As mulheres de hoje se jogam na vida, não ficam em casa chorando as mazelas da idade.
Os homens, ao contrário das mulheres, vestem logo o pijama e ficam arrastando as chinelas pela casa, vendo televisão, dormindo durante a tarde toda. É assim que meu marido se comporta quando não está no sítio. Em casa passa o dia na frente da TV ou dormindo. Já falei com ele que vai acabar criando raízes como o personagem Tibério da novela Saramandaia. Só abre exceção para a ida ao boteco nos Cajueiros para tomar uma “birita” no início da noite. 

Chegamos ao hotel por volta das 23:30 h e resolvemos esticar a noite num bar perto do hotel, o Boteco Dom Pedro. Quando chegamos o garçom avisou que a cozinha já estava fechada, só poderia servir bebidas. Estranhei, depois lembrei que é uma segunda-feira e que talvez aqui a noite termine mais cedo. Bebemos e rimos, somente.

 29.09.2015
Essa é a terceira vez que venho a Poços. Na primeira vez eu era bem jovem, vinte e um anos. Na segunda vim com meu marido e um casal de amigos, numa excursão. Coincidentemente esse mesmo casal, Penha e Brasil, também vieram agora; uma agradável surpresa. Várias amigas estão nesse grupo: Valdea, Graça, Vilma, Deise, Sueli. Estamos entre as mais jovens do grupo e, por isso, um senhor do nosso grupo nos chama de “bebê”. Parece querer agradar, mas não consegue. Um chato!













A praça principal da cidade está linda, toda florida. A cidade toda é bem arborizada, os ipês roxos estão por toda parte. O casario antigo muito bem conservado contribui para embelezar a cidade. Nas vezes anteriores que aqui estive não tive essa mesma sensação. Acho que dessa vez, com mais tempo livre para caminhar pela cidade, estou podendo aproveitar melhor a tranquilidade e o clima agradável desse lugar.


Os eventos durante o dia acontecem no Palace Hotel e no Cassino. Fomos caminhando até lá. Na programação temos: Ginástica na cadeira, biodança, ginástica cerebral, yoga e meditação, dança de salão e zumba, caminhada e oficina do corpo e várias palestras.

Pelo luxo dessas duas construções, o Hotel e o Cassino, percebe-se que essa cidade já teve seus dias de muita prosperidade. Tempos de jogos liberados e muitos bailes devem ter ocorrido nesses salões. Dizem que Getúlio Vargas tinha uma suíte especial no Hotel Palace. Imagino o gordinho Getúlio mergulhando naquela piscina térmica circundada por colunas de mármore de Carrara. Que maraviiiiilha!!!! 

Hoje assistimos à palestra Renovar o Corpo e, em seguida, levamos nosso corpo renovado para curtir melhor a cidade.

Depois do almoço fomos junto com o grupo ao Jardim Japonês e depois a cachoeira Véu de Noiva. Já conhecia esses locais, mas nada é igual “do jeito que já foi um dia”, então sempre há algo de novo a ver ou fazer. No jardim japonês pagamos o aluguel de alguns quimonos japoneses para tirar fotos. Fiquei uma japonesa bem estranha, acho que porque estou loura. Como diz uma amiga a vida das mulheres é difícil porque além de dar conta da dupla jornada, ainda temos que estar todo tempo “linda, loura e japonesa”.

 À noite a programação é o Baile da Primavera. Resolvi ficar no hotel e dar um descanso ao meu furúnculo que ainda me incomoda muito.

30.09.2015

Chegamos no Hotel Palace e fomos direto para as massagens. Eu e Váldea fizemos massagens nos pés, ou melhor, fomos massageadas. Deise preferiu a massagem nas costas.Uma delícia!!!

Voltamos para almoçar no hotel. No caminho paramos no prédio Thermas Antônio Carlos que oferece vários tratamentos corporais a base de águas termais. O prédio é imponente e as águas curativas e o jogo foram certamente fatores preponderantes para o progresso dessa cidade. Ainda hoje o turismo deve ser uma das principais fontes de renda de Poços, mesmo sem jogo e sem a utilização das águas sulfurosas como tratamento de doenças.

Acho que hoje os idosos gostam do clima, das águas mornas, da tranquilidade e dos jardins floridos. Mudou o público, sumiram os ricos e chegaram os turistas da classe média. Vi no hotel alguns casais que pareciam em viagem de lua de mel. Deve ser outro público que frequenta a cidade.


O show de hoje é com Rolando Boldrim. Cantor, ator, poeta, escritor e um contador de causos. Gosto dele desde os tempos do programa Som Brasil na rede Globo. Um programa de músicas regionais que era bem interessante.
O show foi razoável. Gostei dos causos, ele sabe contá-los com competência.

01.10.2015












Começamos o dia participando da ginástica na cadeira. O enorme salão estava lotado. No alto de um tablado, uma mulher alta e fortinha ensinava os movimentos. Maria Alice Corazza, a professora de ginástica de setenta e um anos com aparência de cinquenta, é muito simpática e cheia de disposição e logo conquistou a todos. E fomos seguindo os comandos delas ao ritmo da música. Diga-se de passagem, a trilha sonora era muito boa e bem apropriada. E íamos alongando, quase dançando. Não gosto de ginástica, principalmente porque acho difícil acompanhar as coreografias. Nesse caso, não tive dificuldade, e gostei.

Muitos fotógrafos estão presentes nesse evento, vendendo o material produzido durante os eventos. No meio dessa turma de fotógrafos um  se destaca pela simpatia e bom humor. Na ginástica das cadeiras ele dançava e fotografava. Um palhaço!!! Já estava íntimo de um monte de gente. 

Assistimos outra palestra, Ginástica Cerebral. Depois fomos bater perna. Fui procurar uma bolsinha de fumo para Vilson no Mercado Municipal. Não achei a bolsinha mas gostei muito do mercado.

Temos tomado café a tarde em alguns cafés próximos aqui do hotel. São muitos por aqui e alguns bem bonitinhos. Aproveito para comer bastante pão de queijo. Nada como comer pão de queijo na terra do queijo, e se for acompanho por café com leite, melhor ainda. Mais mineirin do que isso só uma dosezinha de purinha (cachaça).

À tarde fomos visitar uma fábrica dos famosos cristais de Poços. São lindos, mas não são para o meu bolso.

Na última noite, pra fechar muito bem, um baile de gala com a Big Band Tupy Orquestra. A mulherada caprichou no figurino: renda, longos, salto alto, muita biju. Eu destoei do grupo: vestido Jeans e bota. Estou mais para festa sertaneja do que para baile com orquestra. É que arrumei minha mala na última hora, ainda na dúvida se poderia viajar.  
A banda é animadérrima. Tem três cantores que revezam no vocal. Um deles, uma biba de topete arrepiado, parece um calopsita. Como o número de homens é muito inferior ao número de mulheres, alguns rapazes foram contratados para dançar com a mulherada. Só fica na cadeira quem quer. O que me convidou para dançar é uma graça de rapaz, bem alto e cheiroso. 

Quando retornamos ao hotel, resolvemos conhecer o bar em frente.
Bem bonitinho, algumas árvores não foram retiradas e atravessam o telhado. Dão uma aparência bem rústica ao bar. Penha e Brasil também nos acompanharam. Brasil de terno e Penha com um longo rendado, de muito bom gosto. Ela se veste muito bem.

A noite foi muito boa e a caipirinha estava óóóótima!

02.10.2015
Após o café parte do grupo voltou ao Centro de Convenções para uma missa de Ação de Graças.
Eu e Sueli preferimos passear pelo bairro. Passamos primeiro pela igreja Matriz Nossa Senhora da Saúde. Uma grande construção de paredes avermelhadas, austera e simples. Várias colunas em arco circundam toda a nave e o púlpito. O teto em madeira com entalhes bem trabalhados e os lustres, também de madeira, reforçam o estilo despojado da construção. Achei linda essa igreja. Não sou católica, mas se eu morasse aqui e tivesse cantos gregorianos na missa dessa igreja, eu assistiria algumas missas, com certeza.
Partimos para Macaé após o almoço. São mais ou menos 12 h de estrada. Como eu gostaria de dormir e não ver o tempo passar.