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22 dezembro, 2017

CONSERVATÓRIA - 2017


O Coral do Sindipetro foi inscrito no Festival Nacional de Corais de Conservatória. Então, vamos juntar o útil ao agradável, honrar nosso compromisso com o Sindicato que nos patrocina e curtir essa cidadezinha tão pitoresca.

24.11.2017 

Saímos de Macaé às 10h com a turma de Graça. Uma parte dos coralistas vai num ônibus fretado pelo Sindicato no final da tarde. Resolvemos ir mais cedo porque a viagem é longa e queremos aproveitar bem o dia de hoje porque amanhã teremos ensaio e apresentação do Coral. Essas apresentações às vezes são bem demoradas e costumamos prestigiar a apresentação dos outros participantes. Sendo assim, melhor garantir a noite de sexta para curtir as serestas, serenatas, etc.
Além da turma do Coral temos algumas amigas que também estão nessa viagem: Sônia e Célia.
Sônia mora em Joinville, mas todo ano vem passar parte do verão em Macaé, fugindo do calorão arretado que faz em Joinville. Célia mora em Macaé e é uma amiga de longuíssiiiiiima data. Ambas são macaenses como eu e também trabalharam na Petrobras.
Chegamos ao Hotel Vilarejo por volta das 16h. Nem sentimos o tempo passar distraída que estávamos com a conversa entre nós quatro. Cheguei a ficar com dor no pescoço por ficar tanto tempo olhando para o lado esquerdo.
Deixamos as malas no quarto e já partimos para o centro. Trouxe várias roupas de frio, mas desconfio que serão inúteis, só servirão para comprovar que em se tratando de mala de viagem, menos é mais. 
Com essa temperatura agradável a caminhada fica mais interessante. Vamos admirando as flores, uns pés de couve lindos, um espantalho, o Túnel que Chora.... Quando surgem as primeiras casas antigas, todas muito bem cuidadas, Sônia não se contém:
- Que maravilha, não imaginava que essa cidade fosse tão bonitinha!!!


Acho que ela pensou que Conservatória estava mais para Carapebus ou Conceição de Macabu do que para Tiradentes, guardadas as devidas proporções.
Passamos pelo Teatro Sonora e vimos que tem show hoje e amanhã. Hoje o show é um mix de outros shows apresentados pelo time da casa. Compramos os ingressos para hoje. Amanhã é “tributo a Elis Regina” que gostaríamos muito de assistir, mas nossa noite estará comprometida com o Encontro de Corais. 
Teatro Sonora
Retornamos ao hotel caminhando, como sempre fazemos por aqui, o que fez aumentar a minha fome. Depois do banho descemos para o restaurante já prontas para o show. A comida nesse hotel está ainda melhor, o que é péssimo pra minha cintura.
O Teatro Sonora é uma casa dedicada a MPB e é também uma escola musical gratuita para a comunidade. O espaço é pequeno, mas confortável. As cadeiras são aquelas que encontrávamos nos cinemas antigos, algumas máquinas de escrever e telefones antigos fazem parte da decoração. Tem um ar meio retrô que combina bem com o clima romântico da cidade. 
Juliana Maia
A cantora Juliana Maia entrou vestida com uma roupa de época, mais precisamente uma vestimenta do final do século XIX e cantou alguns chorinhos, músicas populares daquela época. Em seguida retornou ao palco com um vestido reto e justo, cabelos soltos e crespos, bem anos cinquenta. Soltou a voz cantando músicas das grandes divas do rádio.  Nova troca de roupa e veio vestida de Carmem Miranda. Arraaaasou!!!!
Voz maravilhosa acompanhada de ótimos músicos (sax, violão e percussão), iluminação perfeita e a presença de palco da Juliana, sua simpatia e bom humor, fizeram do show um espetáculo. Enquanto apresentava os músicos, brincava com eles. O rapaz do violão, muito tímido e encabulado quando os olhares se voltavam pra ele, tentava esconder o rosto. Juliana tentava provocá-lo:
- Rapaz, cadê o sorriso pras fotos! Mostra esse bigodinho de ajudante de pedreiro.
Ao final do show, abriram a portas da sala e Juliana saiu pra calçada cantando marchinhas de carnaval. Saímos atrás da cantora, formamos um cordão e fomos cantando junto com ela. A noite terminou em carnaval.
Terminou o show e saímos em direção a Rua do Meio. No caminho passamos por alguns bares, todos com música ao vivo. Aqui é assim, tudo gira em torno da música. Não encontramos nenhuma mesa vazia na praça, o que é uma pena porque aqui ficam os violeiros. Seguimos em frente e paramos num barzinho pequeno para tomar uma cerveja e, para quem ainda estava com fome, um caldinho.
Voltamos a pé pelas ruas já meio vazias naquela hora. Atravessamos o túnel que chora na maior tranquilidade, sem medo de assaltos ou coisa parecida. Como faríamos isso na nossa cidade?

25.11.2017

O dia amanheceu ensolarado. Que delicia, não esperava por isso!! Não esperava, mas vim preparada, trouxe maiô, filtro solar...só esqueci o chapéu. Depois do café da manhã partimos pra piscina. Agora, na área da piscina, tem lanche, drinques, cerveja, tudo incluso no nosso pacote. Muito bom.
Chegou o pessoal da hidroginástica e a mulherada correu pra água. Dois marmanjos vestidos de meninas faziam a coreografia. 
Depois do almoço, tem ensaio marcado e o ônibus do Sindicato vem nos buscar. Ficamos esperando e nada do ônibus aparecer. Ligaram avisando que o ônibus ficou sem bateria e não seria possível buscar-nos. Sugeriram que fossemos a pé.- Subir morro a pé depois do almoço? Nem pensar!
Depois de alguma discussão resolvemos pedir um carro para sete pessoas e ir até o hotel. O carro chegou e nos acomodamos no interior de um carro já bem sofrido, antiguinho. Perguntei pra motorista:
- O carro aguenta uma subida carregando essa turma?- Ele tá acostumado a carregar peso, olha só pra mim.
Ela é bem gordinha e bem simpática. No caminho para o hotel, que fica no alto de um morro, passamos por ruas que não conhecíamos. Muitas residências modernas e bonitas e algumas pousadas. A pousada A Violeira, onde alguns coralistas estão hospedados, é simples, mas parece agradável e a vista da cidade é linda.
Outros corais estão hospedados nessa pousada e assistiram nosso ensaio. Alguns chegavam à janela dos quartos e aplaudiam. A acústica ali era muito favorável e mandamos muito bem. Tomara que a noite na igreja a apresentação seja tão boa quanto foi o ensaio. Quando caminhamos para o ônibus um casal vinha descendo a rua e me perguntaram:
- Vcs é que estavam cantando agora há pouco?- Sim. Estamos ensaiando para o festival de Corais.- Nós moramos aqui perto e ouvimos vcs cantando. Tava tão lindo que resolvemos sair e vir mais pra perto. Pena que acabou o ensaio.
Ulalá, abalou Bangu (eu pensei).
Chegamos à igreja por volta de 08:00h. Nosso Coral deve se apresentar as 09:00h, mas viemos antes pra prestigiar os outros grupos. Pra variar estão atrasados, muito atrasados. Pra ser sincera, não gosto muito de ouvir corais cantando, eu gosto mesmo é de cantar. Gosto dos ensaios, das risadas, das apresentações. Então logo me senti entediada, e nada da nossa hora chegar. 
Notei que um grupo estava com um uniforme bem diferente dos que usualmente os corais usam. Usavam calça branca, blusa azul royal, uma echarpe de tricô vermelha e azul, sapato branco e um chapeuzinho com fita vermelha e azul. Olhei na programação e vi que representam a Aliança Francesa de Friburgo. Ah! Tá explicado o uniforme diferente e a escolha das cores (bleu,blanc,rouge) da bandeira francesa. Vão cantar em francês, certamente. Oba!!!  Adoro francês. A língua, claro.
Quando subiram ao palco vi que era um coral só de mulheres. Cantaram “Non, Je Ne Regrette Rien”, música que Edith Piaf cantava lindamente.
“ Non, rien de rien, non, je ne regrette rien  Ni le bien qu'on m'a fait, ni le mal… “
Valeu a noite.
Quando nos apresentamos era quase onze horas. Ufa!Depois da apresentação tinha um lanchinho pra cada Coral. Quando sai da sala do lanche me estabaquei no chão. Foi um verdadeiro mergulho, tipo o peixinho que os jogadores de vôlei da seleção brasileira fazem depois da vitória. Vieram me socorrer:
- Vc está bem?- Sim, pelo menos por enquanto.
Às vezes é assim que acontece, na hora não se sente nada, mas depois aparecem os hematomas, torções e outras desgraças, principalmente pra quem já passou dos vinte anos.
Saindo da igreja avistamos a turma da serenata, cantando e recitando poemas. Resolvemos acompanha-los. Seguimos caminhando, ouvindo as canções românticas que combinam tão bem com as casas de fachadas coloniais. Quem vem a Conservatória vai encontrar tranquilidade, clima ameno em boa parte do ano, muita música. Luxo e agitação não fazem parte desse cenário.
Retornamos ao hotel depois da meia-noite. Pretendia dormir logo em seguida, estava bem cansada, mas encontramos a turma do Coral da Aliança Francesa na varanda do hotel, com um estoque de cerveja (o bar do hotel já estava fechado) e na maior cantoria. Fomos convidadas a juntar-nos ao grupo e não resistimos, cantamos até a madrugada. Ô turma boa!

26.11.2017

Dia de ir embora, então temos que aproveitar cada minuto. Esperava por um dia de sol e piscina, mas o dia amanheceu nublado. Melhor assim, vai sobrar tempo para ir ao centro comprar uma das peças da artesã Cristina Maria. Suas peças em madeiras são pintadas, na sua maioria, com motivos florais. É uma releitura do barroco mineiro de muito bom gosto. As peças não são baratas, mas acho que o preço é justo. Comprei um oratório pequeno e dois santinhos pra guardar dentro dele: São Judas Tadeu e Nossa Senhora da Conceição. Não entendo nada de santos, mas sei que esses dois são santos de devoção do meu marido e da minha sogra. Embora não seja devota admiro o trabalho artísticos dessas peças e da simbologia que elas trazem.

 
 

Voltei ao hotel e já encontrei o Ronaldinho do Cavaquinho se apresentando. Já assisti algumas de suas apresentações e sempre gostei. Provavelmente ele repete algumas histórias, mas isso não é problema pra mim. Minha memória não é tão boa, então tudo parece novidade. Ele estava contando como se transformou no instrumentista de sucesso que é hoje.  Na verdade, ele não é somente músico, pode se dizer que é também um showman e acredito que boa parte do seu sucesso pode ser creditado a esse talento para o humor. Algumas histórias que ele contou são bem interessantes: - “Eu me casei e fui morar em Irajá. Alguém aqui mora ou nasceu em Irajá? Ninguém? Ótimo! Ô lugarzinho feio! Muito feiiio! Fiquei desempregado e morando naquele lugar fe... deixa pra lá. Procurava emprego todo dia e nada, nada acontecia. Um dia, enquanto abastecia meu carro com uns dez reais de gasolina (não podia deixar o carro muito tempo sem sentir o gosto do combustível porque corria o risco dele não funcionar nunca mais) vi um carro todo enfeitado e reluzente, enchendo o tanque. Era um carro funerário. Puxei conversa com o dono de carro e descobri que esse negócio de carregar defunto pode render uma boa grana. - Ulala, vou entrar de cabeça nesse negócio. Procurei o dono da casa funerária, combinei tudo direitinho, voltei pra casa e tomei as providências necessárias. O sogro me emprestou o dinheiro pra reforma do carro, que ficou uma belezinha. Tudo certo pra começar o trabalho do dia seguinte, só tinha um pequeno detalhe: eu morro de medo de fantasma. Nem consegui dormir na noite anterior, tamanho o pavor de ficar sozinho com um morto dentro do meu carro. O dia foi passando, passando... e nada de receber nenhuma comunicação de falecimento. -Ufa! Que alivio, não morreu ninguém. Os dias foram passando e nada de morrer ninguém naquela área. Fui ficando desesperado. –Meu Deus, eu já fiz a minha parte, quando o senhor vai fazer a sua? No final de vinte dias o dono da funerária me chamou: - Você está despedido, nunca vi alguém tão pé frio como você. Fiquei arrasado, alta estima lá embaixo: - Pé frio, eu? Depende do ponto de vista, quem não morreu certamente não pensa assim. O mundo perdeu um papa-defunto que tem medo de fantasma, mas ganhou um músico apaixonado”.- “Sempre fui apaixonado pelas músicas de Waldir Azevedo. Gravei algumas fitas cassetes só com músicas do meu ídolo e vendia nos meus shows, que na época ainda não eram muitos. Uma médica que tinha consultório em Copacabana comprou uma de minhas fitas pra tocar em sua sala de espera. Um dia a viúva de Waldir Azevedo foi se consultar com essa médica e, chegando lá, ouviu a minha fita e pensou que era seu falecido marido tocando. Quando a médica disse que não era Waldir e sim Ronaldinho ela ficou muito surpresa e resolveu me procurar. A partir daí muitas oportunidades surgiram na minha carreira.”

Ele sabe cativar o público.
Terminado o show, é hora de almoçar e nos prepararmos para o caminho de volta.
Já no ônibus, todos acomodados, Graça vira pra Sônia e pergunta se ela vai ao show de Wando:
- Acho que não, nem sei onde ele está morando. Está no céu ou no inferno?
Caímos na risada. Essas poderosas estão cada dia mais doidas. Continuando nesse ritmo dentro de algum tempo nossos encontros acontecerão num hospício.


17 setembro, 2017

TIRADENTES-2017

Há uns três meses atrás minha amiga Thayz disse-me que iria, junto com Carlos, ao festival gastronômico de Tiradentes. Perguntou se eu gostaria de ir também. Pensei um pouco...já fui lá umas cinco vezes, mas nunca na época do Festival. Aceitei o convite. Thayz me passou o telefone de Renato e Magali, os organizadores desse passeio. Liguei e Renato informou que não havia mais vagas. Que pena! Faltando uns quinze dias para a viagem o Renato me ligou dizendo que houve uma desistência e que eu poderia ir, se quisesse. Topei.



24.08.2017

Cheguei ao local marcado para a saída do ônibus às 06:00 h. Não tinha a menor noção de quem fazia parte do grupo nem de quem iria dividir o quarto comigo. Gosto de surpresas.
As pessoas foram chegando e vi que conhecia a maioria. Antigos colegas de trabalho, todos aposentados como eu, conhecidos de infância e outros que eu conhecia “de vista”. Josânea e Marcus, Lurdinha , Soraia, minha prima Lídia e Armando, Gripp e Carmem Lucia, Fátima e Marcus, Dna Hilda, Paulo, e meus amigos Thayz e Carlos, que me convidaram para esse passeio gastronômico.
Dna. Hilda
Magali me comunicou que vou dividir o quarto com Dna Hilda. Eu já conheço essa senhora de outras viagens e sei que é boa companheira: alegre, destemida e boa de copo. Apesar dos oitenta anos, topa qualquer programa. Uma vez, lá em Gramado, eu não quis descer de tirolesa e ela, apesar dos oitenta anos, não arregou, se jogou na tirolesa e deslizou morro abaixo na maior alegria. Ô véia doida!!!
Chegamos no final da tarde. Viagem demorada e cansativa, mas eu dormi um pouco o que ajudou bastante. Alguns reclamaram que o motorista é muito lento. Também achei, mas é melhor assim do que viajar com algum apressado irresponsável. 
Marcas Mineiras

Deixamos as malas no hotel e partimos para a primeira loja, Marcas Mineiras, recomendação de Lourdinha que conhece bem o artesanato local. A loja 
tem coisas maravilhooooosas. Peças bordadas com perfeição, trabalhos em patchwork, toalha de banho lindíssimas, cristais, cerâmica, essências, etc....Tudo de muito bom gosto. Atrás da loja, numa grande área verde, tem uma pequena loja de “coisas de antigamente” e ao fundo uma cafeteria coberta com um grande telhado de vidro, que permite tomar o café ao ar livre protegido da chuva, mas sem perder de vista o movimento das árvores acima do telhado. Que lugar simpático! Vamos ter que voltar aqui porque hoje a cafeteria estava fechada.
Marcas Mineiras















Saímos para caminhar, mas antes fizemos um “pit stop” em outra loja com cafeteria, Empório Maria Monteiro. Aqui também a tentação dos doces nos persegue. Resisti e tomei um cafezinho com pão de queijo, mas Carlos quebrou a corrente e me deu um bombom artesanal. Cai em tentação, a carne é fraca.
Seguimos pelas ruas de pedra, entramos nas lojinhas pra admirar o artesanato, os doces, aproveitar a cordialidade dos mineiros.
Já é noite e estamos cansados. Entramos no Mandalun para encerrar o dia com alguma comida quente porque a noite está muito friiiiiia. Depois de tomar um caldo de batata baroa e um copo de vinho, me senti pronta pra cair nos braços de Morfeu.
Vamos a duas cidades importantes para quem quer fazer compras: Santa Cruz de Minas e Resende Costa. Thayz e Carlos não irão. Disse Thayz que Carlos não queria ir porque tinha um encontro com Sueli. Acho que é um código, segredinho deles.
Saímos de Tiradentes seguindo pela Estrada Real até Santa Cruz, cidadezinha pequena ao pé da Serra de São José e banhada pelo Rio das Mortes. Aqui se faz muito móvel artesanal e artesanato em ferro, bem típico dessa região. Achei os preços melhores que em Tiradentes. 
Durante o trajeto o guia foi nos contando a história da Estrada Real que liga Diamantina, em Minas, ao porto de Paraty no Estado do Rio, construída para ser rota de transporte de ouro e diamantes. Hoje virou rota turística. O guia é um homem muito magro e alto, com uma bonita voz de barítono e com um vasto conhecimento da história daquela região e dos “causos” que justificam alguns ditados e costumes. Um bom desodorante e algumas aulas de gramatica o tornariam um guia quase perfeito. Eu, Lurdinha e Soraia, que estávamos sentadas nos primeiros bancos, fomos as que mais sofremos com a “inhaca” do guia falante. E lá foi ele contando histórias e estórias de escravos, padres, igrejas, etc.:
- Porque se diz  “fulano lavou a égua” quando alguém tem um grande lucro ou uma grande satisfação?  Os donos do garimpo juntavam as pepitas e o ouro em pó em cavalos para o transporte até a capital. Os escravos pegavam o ouro em pó e esfregavam no pelo do cavalo. Depois de descarregar a carga eles iam literalmente lavar a égua e pegar o ouro roubado do dono do garimpo. Foi dessa forma que eles conseguiram, por exemplo, colocar ouro na construção da Igreja do Rosário.
- Em Tiradentes foi construída a igreja dos brancos, a igreja dos mulatos e a igreja dos pretos. A igreja dos pretos é a Nossa Senhora do Rosário. Os brancos diziam que essa era a santa de devoção dos pretos porque o Rosário é composto originalmente por três terços, cada terço com cinco mistérios. Cada mistério recorda uma parte importante da história da salvação. Enfim, levavam mais de duas horas rezando, o que era bem apropriado porque os pretos tinham mais pecados, diziam os brancos.
- Porque Santo Antonio é conhecido como o santo casamenteiro? Porque Fernando de Bulhões, nome de batismo de Santo Antonio, quando decidiu seguir a vida religiosa achou por bem doar o seu patrimônio as moças da sua cidade que não tinham dote para se casar. Sem dote, nada de casamento, era ficar pra “titia” e pronto.
- O dote era colocado em baús de madeira. Os pais iam colocando ali joias, dinheiro, objetos de arte. As amigas vigiavam entre si os baús de cada uma, com o propósito de informar para os irmãos ou primos, a existência de algum baú que estivesse “bem recheado”. De posse dessa informação o rapaz se adiantava e pedia a moça em casamento, antes que outro o fizesse. Daí a expressão “deu o golpe do baú”.
- Como distinguir de longe a diferença entre uma igreja e uma capela? A igreja tem duas ou mais torres com sino e a capela pode ter uma torre ou nenhuma.
- Qual a diferença entre sobrado e solar? Sobrado tem um comércio na parte de baixo e um lar na parte de cima. O Solar é só lar, embaixo e em cima.
- Até 1802, em Minas Gerais, os mortos eram enterrados dentro das igrejas (só os mortos tá? Os vivos não). Perto do altar ficavam os mais ricos, que contribuíam mais para igreja. No meio do caminho entre o altar e a porta ficavam os pobres. Perto da porta de entrada da igreja ficavam os mais pecadores (os pretos, as adúlteras, os assassinos, etc), para que fossem “pisados” por todos que entravam na igreja.
Essa é uma pequena amostra das curiosidades que o guia apresentou. Sempre que ele perguntava “vocês sabem a diferença entre...”, ninguém sabia responder. Um passageiro levantou e disse:
- Cambada de ignorantes, ninguém sabe nada! Vão na igreja todo dia e não sabem nada de religião! O moço aí sabe mais do que o padre.
Em determinado momento, no meio de uma das histórias, o guia falou que antigamente as pessoas não tinham o hábito de tomar banho todos os dias. Soraia não se conteve:
- Esse hábito não acabou não, tem gente que ainda hoje leva diiiiiias sem tomar banho
Ela estava falando dele, mas com certeza ele não entendeu. Mais tarde Magali disse que a mulher o havia abandonado recentemente e que talvez por isso estivesse tão magro. Tá explicado!!! A maioria dos homens é muito dependente da mulher para os afazeres domésticos. Ele deve estar lavando a própria roupa, lavando muito mal, pelo visto.
O guia foi um intervalo cultural no meio de tantas compras. Viva a cultura! Abaixo o consumismo!
Resende Costa
Chegamos a Resende Costa, almoçamos e em seguida começamos a maratona das compras. O forte do comércio aqui é arte têxtil. A maioria das lojinhas e oficinas fica concentrada numa única rua onde se encontram: redes, colchas, conjuntos americanos, almofadas, mantas, tapetes, bonecos de tecido, etc.
Já estava cansada de tanto andar, comprei rapidamente o que necessitava e voltei para o ponto de encontro. Só encontrei os maridos, a mulherada estava enfiada nas lojinhas. A tarde estava bonita e ensolarada, perfeita para uma bebida gelada. Do outro lado da rua tinha um barzinho que está vazio naquele momento. Entrei no bar e pedi uma cerveja. Sentei numa mesinha na calçada, fiquei bebericando a cerveja super gelada e tomando um solzinho. 
Algumas pessoas que trabalhavam em frente ao bar ficaram me olhando com curiosidade. Acho que não estão acostumadas a ver uma mulher, ou melhor, uma senhora bebendo sozinha numa mesa de bar.
De repente alguém grita o meu nome. É Amós, meu amigo maluquinho. Ele veio com a família e alugou um imóvel em Tiradentes. A esposa e as noras estão comprando, ele e os filhos vieram pro bar. Ficamos papeando e aguardando que as compras acabassem ou que o dinheiro acabasse, ou os dois juntos.
Retornamos a Tiradentes e próximo ao hotel encontrei meus amigos Carlos e Thayz numa sorveteria. Thayz contou que aproveitou para conhecer alguns ateliês, a cidade tem vários, e em um deles conheceu o artista. Ficou encantada com o trabalho dele. 
Resolvi acompanhá-los no sorvete e escolhi o de café. Gostei, mas sorvete não faz parte dos meus doces favoritos, nem lembro a última vez que tomei um. Ouvimos uma cantoria vindo lá da rua e saímos para a calçada para ver o que se passava. Era um grupo de jovens, alguns usando roupas folclóricas, carregando estandartes e bandeirolas. Parece uma Folia de Reis, mas não sei do que se trata.
Resolvemos voltar àquela loja linda que visitamos no primeiro dia e usufruir daquela cafeteria ao ar livre, cercada de verde. Tomamos um café e compramos um pedaço de bolo de chocolate com recheio de doce de laranja. Levamos o bolo pra comer depois porque precisamos preservar nosso apetite para o jantar. Fizemos reserva no “Tragaluz”, um bom restaurante que eu já conheço. A noite promete.


Logo que anoitece a temperatura cai bastante. Saímos para uma curta caminhada até o restaurante, que fica na mesma rua do nosso hotel. Carlos estava todo encasacado e com um gorro:
- Podem me chamar de Carlos Down (por causa do gorro).
O restaurante tem móveis de madeira e uma parede de pedra. O ambiente é muito agradável, velas na mesa numa penumbra na medida certa, e a temperatura gostosa bem diferente do frio que faz lá fora. Tem uma aparência bem tradicional, mas não é antiquado.
O restaurante estava lotado, se não tivéssemos feito a reserva não conseguiríamos comer aqui. Ficamos numa mesa bem situada, num cantinho sem muita circulação de garçons. O garçom que nos atende é bem baixinho e tem um topete grande todo arrumadinho. Carlos gosta de brincar com os garçons que nos atendem, e perguntou:
- Você faz parte de alguma dupla sertaneja? Vc tem cara de quem sabe cantar.
- Sou só garçom mesmo e canto mal "dimais".
Thayz perguntou ao garçom se os cardápios poderiam ser comprados. Era o cardápio dos pratos do festival gastronômico e tinha um formato parecido com os livrinhos de literatura de cordel. 
-Não está à venda não senhora.
Carlos olhou o garçom e falou:
-Ela costuma levar sem avisar. Hoje ela resolveu pedir, é melhor vender, viu?
O rapaz do topete riu e continuou atendendo.
Carlos pediu um Badejo com molho de cachaça, purê de banana da terra e legumes grelhados. Aliás, o molho de cachaça ele dispensou. Thayz preferiu a tradicional galinha d'angola, símbolo dessa cidade. Eu escolhi costela de Angus prensada, com vagens cozidas e nhoque de ora pro nobis. E um bom vinho pra acompanhar essa comida deliciooosa!
Já nos sentíamos mais que satisfeitos, mesmo assim nos rendemos à tentação dos doces. Pedimos duas sobremesas bem conhecidas: Queijo com Goiabada e Doce de Leite Quente com Sorvete de Queijo Minas e uma farofinha de nozes

Não é uma goiabada qualquer. Goiabada cascão prensada na castanha de caju granulada, frita na manteiga, deitada em cama  de catupiry, acompanhada de delicioso sorvete de goiaba.
Ulalá!




Logo depois do café partimos para o distrito de Bichinho, reduto de artesãos, lugarejo muito conhecido nestas paragens. Pegamos um táxi que nos levou até lá por um preço justo, em mais ou menos vinte minutos. Atravessamos toda a rua principal, onde fica concentrado o comércio de artesanato, e fomos até a parte mais alta, onde estão a igrejinha e o restaurante famoso por aqui “Tempero da Ângela”. 
Resolvemos voltar caminhando, morro abaixo, entrando nas lojas e ateliês. Como a descida era longa, combinamos com o taxista Lanusse um valor para que ele ficasse a nossa disposição. Lalá (apelido que Thayz propôs para Lanusse) ofereceu um acordo para ficar por duas horas. Topamos. Carlos ficou batendo papo com Lalá, enquanto eu e Thayz vasculhávamos as lojas, olhando mais do que comprando, é claro. Não entramos nos lugares apenas para comprar, gostamos de admirar o trabalho bem feito, a originalidade das peças, o inusitado.
Ateliê Artes Flores Zezinho
Thayz estava à procura do Ateliê de Seu Zezinho, um artista na confecção de flores de papel. Quando finalmente encontramos o local, subimos os pequenos degraus num morrinho onde fica o Ateliê do Zezinho. A casa parece uma cabana: barro, tijolo, madeira, pedra, bambu....e flores de papel.
Realmente um artista o Seu Zezinho, as flores são lindas. O trabalho dele já fez parte de várias novelas e minisséries da Globo. Pena que ele não estivesse lá, gostaríamos de conhecê-lo. Tinha saído pra almoçar e quem nos atendeu foi uma mulher, comerciante e artesã também, dona da loja que fica em frente ao Ateliê. Muito legal essa solidariedade entre os artesãos, não há competição o que é bom e inteligente também. Quanto mais sucesso o seu vizinho faz, maior o número de turistas que virão conhecer o lugar, o que é bom para todos. 
Thayz ficou encantada com as flores e comprou algumas.


Passamos por outras lojas e terminamos o passeio visitando o ateliê Oficina de Agosto. Não lembro o nome do artista que é dono desse ateliê, mas me recordo que em outra viagem que fiz aqui falaram sobre a preocupação que ele tem com o meio ambiente e por isso trabalha sempre com materiais recicláveis. Tem muita coisa interessante aqui e realmente ele trabalha com uma grande diversidade de materiais.
Voltamos para almoçar em Tiradentes. As ruas estão apinhadas de gente, a cidade tranquila que não tem cadeia por falta usuário, parece ferver nesse final de tarde. Resolvi subir uma pequena ladeira que termina em uma igrejinha. Ou será capela? Esqueci o que o guia ensinou.
Em outras vezes que aqui estive também senti vontade de subir essa rua, mas nunca sobrou tempo. A subida é íngreme e eu sem preparo físico, sofri. Olhando lá do alto, a paisagem fica ainda mais bonita nesse final de tarde. O sol vai bordando de dourado as folhas das árvores, o telhado das casas, a igreja matriz... Na encosta do morro da igrejinha muitos jovens sentados na grama fazem piquenique, namoram, fumam maconha... tudo na maior tranquilidade, combinando com o pôr do sol.
Sentei na grama e descansei um pouco. Quase sempre, na hora de levantar do chão me arrependo de ter sentado. As pernas parecem pesar trinta quilos cada uma, uma merda. Vou para o hotel me preparar para o jantar dessa noite num restaurante que eu gosto muito, o “Atrás da Matriz”.
A noite estava muito fria, perfeita para um bom jantar e um vinho pra brindar. Iniciamos a subida e Carlos não demorou muito, reclamou:
- Isso não é uma caminhada, é uma via crucis! Onde fica esse restaurante, gente?
- Atrás da matriz – respondi
- Não é o nome do restaurante que eu quero saber, é onde fica.
- O restaurante fica atrás da matriz, por isso o nome dele é Atrás da Matriz – explicou Thaiz.
Chegamos. Ufa!!!

Restaurante cheio, pra variar. Ficamos na varanda lateral, lá dentro não tem lugar, mas a temperatura está agradável aqui fora, bem diferente da última vez que estive aqui, quando foi preciso colocar um aquecedor ao lado da mesa e uma manta para cobrir as pernas.
Uma moça nos atendeu e avisou que estava apenas começando a trabalhar nessa atividade. Morava em outra cidade e estava desempregada. Portanto, caso cometesse alguma falha, pedia nossa paciência.
Bacalhau com molho de amêndoas
Bacalhau é a especialidade desse restaurante. Então, escolhemos um lombo de bacalhau frito no azeite, com molho de amêndoas e arroz crocante. Thayz comia e suspirava, saboreando o bacalhau que estava divino. Carlos, como sempre, antes de escolher o prato principal já está pensando na sobremesa.  Comentei sobre isso:
- Carlos, você é uma formiguinha pra doce, né?
- Sou. Uma vez me perguntaram: “se lhe fosse oferecido uma mulher de perna aberta e um doce, o que você comeria primeiro?”. Não tive dúvida, respondi imediatamente “a mulher e em seguida comia o doce”.
Carlos gosta de contar “causos”. Lembra-me os irmãos do meu pai, todos gostavam de contar piadas, inclusive as irmãs. Meu pai, apesar de muito discreto,  não perdia uma oportunidade de contar um "causo" engraçado.
Como é bom comer uma comida gostosa com boa apresentação, num ambiente limpo e tranquilo. Sem música alta, sem pressa e se a bebida for boa e a companhia agradável, é perfeito. O preço pode até ser salgado, mas vale a pena porque esse breve instante ficará pra sempre gravado em nossa memória.
Fazendo o caminho de retorno para o hotel, fomos encontrando os muitos turistas que curtiam a noite de sábado. Em uma rua, um grupo de pessoas assistia a três homens de aparência humilde que tocavam e cantavam para arrecadar algum dinheiro. A música era boa, eles mereciam uns trocados.
Nossa última noite aqui, amanhã sairemos pela manhã. Já sinto vontade de voltar, sempre fico com a sensação que falta conhecer alguma coisa interessante. Quem sabe? Talvez na próxima vez essa sensação de incompletude se desfaça.


15 outubro, 2013

RIO DE JANEIRO - 2013

13.09.2013

Ultimamente só tenho ido ao Rio a trabalho. Abri uma exceção no último final de semana e fui junto com minhas amigas Conceição e Cláudia, para um passeio ao Rio sem compromisso, sem nada programado, sem obrigações a cumprir.
Ficamos hospedadas na casa de Jackie, amiga de Conceição, que mora na Tijuca com o filho e dois cachorrinhos. Não a conhecia, mas de cara me senti à vontade com ela. Jackie é desencanada, amorosa e sem frescura. E temos algo em comum: a tendência a “pagar mico”.  Diz que o filho fala com os amigos que “minha mãe não paga mico, paga king kong”. Ela me contou que um dia desses, passando ao lado do Teatro Municipal, viu que uma grande fila se formava. Pensou: – com tanta gente assim na fila deve ser um espetáculo interessante e barato...

Resolveu entrar na fila. Em seguida perguntou a alguém qual era o espetáculo que estava sendo vendido. A mulher fez uma cara de espanto e disse:
- Minha senhora, essa fila é para o velório de Chico Anísio.

Essa é a Jackie.
Deixamos nossas malas no Sindicato onde Jackie trabalha e fomos para Santa Teresa. Já vim tantas vezes ao Rio e ainda não conheço o Bairro de Santa Tereza. É imperdoável.

Pensávamos que o Bondinho estava funcionando, mas que pena ele ainda está fora de combate, fomos de ônibus mesmo. Quando entramos no ônibus o motorista estava discutindo aos gritos com uma passageira. Durante todo o trajeto ele rosnou, estava pra lá de mal humorado. Quando a passageira desceu do ônibus, ele jogou beijinhos. Puro deboche!
Largo dos Guimarães
Subindo a colina tenho a impressão que estou em outra cidade, mais antiga, mais bucólica. Tantas casas antigas, algumas bem conservadas e outras nem tanto. E fomos subindo, subindo, esperando surgir um local interessante para descer. De repente entramos pelo meio da mata atlântica e logo em seguida vi uma placa escrita UPP do Morro dos Prazeres e do Escondidinho. Uai! Se tem uma UPP isso aqui é uma favela!
- Conceição, acho que já passamos de Santa Teresa.
- Deus do Céu, onde fomos parar?

Olhei para trás e vi que já não havia ninguém no ônibus, só nós e o motorista raivoso. Perguntamos ao carcará se já tínhamos passado de Santa Teresa. Ele disse que sim e que já estávamos chegando ao ponto final. Olhamos em frente e vimos que o ponto final ficava na favela de Dna Marta. Olhamos pra cara uma da outra e caímos na risada.
- Ceição, já pensou se Vilson e Val souberem que vimos parar na favela?

- Do jeito que Val tem medo de entrar por engano em uma favela, imagine?
Esperamos por algum tempo no ponto final e retornamos para o ônibus. Quando o motorista entrou resolvemos indagar sobre o melhor lugar para descermos em Santa Teresa.

- Tem lugar bom lá não, é tudo uma merda. Só tem gente ruim, blá, blá, blá.....
A criatura descarregou toda sua revolta. Falou que a passageira que brigou com ele provavelmente ia contar para o marido e provavelmente o marido viria tomar satisfação com ele. Mas que ele não tinha medo porque é da baixada e já fez muito serviço sujo para o bicheiro Anísio Abraão.

Deduzi que ele era de Nilópolis. Cláudia perguntou qual era o nome dele:
- Gabriel.
- Ah! O anjo Gabriel!
- Anjo? Que anjo dona, eu einh?

Melhor ficar calada, ele não está pra conversa.

Quando chegamos ao Largo dos Guimarães ele nos disse que era melhor descer ali. Escolhemos um bar simpático e fomos logo tomar uma cerveja por que o calor estava demais. Aliás, cerveja só para mim e Cláudia. Conceição tem um grave defeito: não bebe cerveja, apenas um vinhozinho e olhe lá.
Passamos por vários bares, restaurantes e alguns ateliês, mas já estava anoitecendo e sobrou pouco tempo para conhecer o bairro. O tour pelas favelas nos atrapalhou.


Voltamos para o centro e junto com Jackie passamos no PT para cumprimentar o Vereador Reimont, amigo de Jackie e Conceição. Em seguida paramos num bar para um merecido happy hour.



14.09.2013

Madureeeeeira, lá lá laiá, Madureiraaaaa....
Hoje fomos conhecer o bairro que Arlindo Cruz canta em verso e prosa. O visual é feio, mas com tanta escola de samba, em cada esquina um bar, mercadão e agora o parque, digamos que Madureira tem os seus encantos.
Parque de Madureira
É gente demais andando pra cima e pra baixo. Se o falecido avô do meu marido visse aquela gente toda provavelmente diria – “Essa gente não tem o que fazer não? É só batendo perna o dia inteiro?”

Eu imaginava o mercadão como um lugar quente, desconfortável e tumultuado. Enganei-me. O mercadão é organizado e a temperatura é agradável. Agora, vir aqui em véspera de Natal, nem morta! Só mesmo para quem gosta muito de aperto e multidão.
Saímos do mercadão e fomos almoçar no Shopping Madureira. Em seguida fomos conhecer o Parque Madureira que fica ao lado do shopping. Cláudia estava cansada, resolveu ficar num barzinho na entrada do parque, tomando uma gelada. Eu, Conceição e Jackie seguimos em frente.
Parque de Madureira
Paramos para ver um casal que fazia uma apresentação de dança moderna, tipo dança de rua. Mais a frente um palco com uma concha acústica de concreto, enorme. Em volta do palco, um grande largo rodeado por alguns degraus formando uma pequena arquibancada. Um espaço excelente para shows e hoje estava sendo usado para transmitir ao vivo os shows do Rock in Rio. Andamos um pouco mais e vimos uma cascata onde as crianças tomavam banho e na parte alta, uma pista de skate. Achamos que o parque terminava ali, mas quando vimos um quadro com a nossa localização, descobrimos que não tínhamos percorrido nem um terço do parque.
Alugamos uma bicicleta de três lugares e fomos pedalar pelo resto do parque. Senti-me voltando a infância quando andava de bicicleta sem freio. Ela tinha freio, mas era um pouco difícil de manobrar. O movimento de gente a pé, de bicicleta e de skate, era grande. Gritávamos com que estivesse na frente para sair e por pouco não atropelamos alguns.

Quando chegamos ao final do parque, no teatro Fernando Torres, fizemos uma curva e quase capotamos. Pedalamos de volta até ao ponto de entrega das bicicletas, cansadas e felizes.
Não encontramos Cláudia. Ligamos e ela informou que cansou de esperar e foi a um shopping popular que fica em frente ao parque. Estava fazendo umas tranças afro no cabelo. Fomos até lá e conhecemos duas moças do Congo que fazem as tranças com muita habilidade. Uma delas se chama Hula e é uma negra linda. Disse que veio para trabalhar no Brasil há três anos. No início tinha muito medo da violência do Rio, mas agora já se sentia tranquila.

Tínhamos ingresso para uma peça de teatro, o musical Casa Grande e Senzala que está sendo exibido no Teatro Ziembinsk, na Tijuca.  Pretendíamos passar em casa, tomar um banho e em seguida ir ao teatro e depois encerrar a noite em algum bar da Lapa.
Quando descemos do ônibus estranhamos o local. Perguntamos a Jackie e ela nos respondeu que como já estávamos atrasadas achou melhor irmos direto para o teatro.

Deus do céu! Estávamos suadas, descabeladas e Jackie estava de bermuda e chinelo. Que jeito! Não dava pra voltar atrás agora e lá fomos nós. Ainda bem, não me perdoaria se perdesse um espetáculo daqueles por causa de um desejado banho. Adorei a peça Casa Grande e Senzala. Os atores-cantores do grupo de teatro Os Ciclomáticos fizeram um musical de excelente qualidade.
Caffecito Bar
15.09.2013


Voltamos a Santa Teresa pra trocar um sapato que Cláudia comprou e o os pés foram trocados. Aproveitamos para passear com mais calma pelas ruas do bairro. Paramos em uma feirinha de artesanato ao lado de uma igreja antiga que infelizmente está mal conservada. O interior é bem bonito, mas o exterior precisa de uma restauração. Paramos no Bar do Mineiro que serve uma feijoada famosa. Seguimos em frente entrando em algumas lojas de artesanato e ateliers.

A fome apertou, paramos em um restaurante simpático e optamos pela feijoada, afinal hoje é sábado, dia de feijoada. 
Parque das Ruínas
Continuamos nosso passeio, dessa vez pelo Parque das Ruínas, um casarão antigo em ruínas, mas o que restou do palacete está sendo muito bem utilizado. Na parte interna poucas paredes e escadas de ferro fazem a ligação entre os andares. Ficou uma combinação bonita, o tijolo aparente e o ferro preto. Lembrei-me de quando assisti na televisão uma entrevista com o ator Osmar Prado, que foi filmada nesse local. Achei tão lindo o lugar, fiquei com vontade de conhecer, mas depois esqueci. Só agora, quando cheguei aqui, reconheci o local da entrevista.

Na entrada do parque tem um jardim e na parte alta um largo com uma lanchonete e algumas mesas ao ar livre. Um grupo afinava os instrumentos para uma apresentação. Tem um violoncelo, que eu adoro. Acho que vai ser agradável ouvir música de qualidade, cercada de verde e lá embaixo a vista da enseada de Botafogo, que é linda.
Fomos até ao Museu da Chácara do Céu, que fica ao lado do parque. Uma casa antiga, mas com uma arquitetura que ainda me parece moderna. Em volta da casa, um jardim de Burle Max. Estranhei a quantidade de guardas no museu, em todas as salas onde entramos tinha sempre um guarda por perto. Um deles nos falou que esse museu já foi roubado algumas vezes e os bandidos levaram várias obras de arte.

Esse palacete pertenceu a um milionário que amava as artes. Era muito amigo de Portinari e por isso tinha um grande número de quadros do nosso pintor mais famoso. O museu tem móveis antigos, louças, uma biblioteca e várias obras de arte que pertenciam ao milionário. É uma viagem pelo Rio antigo. Uma das salas possui um grande armário de gavetas fininhas com gravuras de Debret e Taunay. Todos aqueles desenhos que estavam nos livros de História do Brasil dos meus tempos de escola, estão aqui, nessas gavetas. Gostaria de ver todos, mas o tempo, esse inimigo cruel, não vai permitir. Temos que voltar para Macaé.

Voltamos à casa de Jackie, pegamos nossas malas e partimos para Macaé.

Acho que quero passar as férias no Rio. Nada de trabalho, nada de visitar a família, casamento, formatura, enterro, aniversário de amigas, etc. Quero só passear, como qualquer turista.