07 junho, 2026

ENCONTRO DE CORAIS DA PETROBRAS EM SALVADOR - 2010

Criei esse Blog há uns dezesseis anos e talvez ele seja o Blog menos acessado no mundo. Algumas amigas que teimam em lê-lo, dizem que a leitura dele no celular não é boa e que preciso "modernizar" essa ferramenta.

Esse processo de modernização feito por mim, com meus parcos conhecimentos de informática, deu errado. Não consegui modernizar nada e ainda dei sumiço em várias postagens. Eu poderia ter recuperado o que exclui procurando na lixeira do Blogger, mas levei tanto tempo para fazer isso que as postagens fora eliminadas também da lixeira.

Conversando recentemente com minha amiga Janete sobre os Encontros de Corais da Petrobras, falei desse sumiço das postagens, inclusive das postagens que fiz no Blog sobre os Encontros de Corais que participamos. Ela me enviou um jornalzinho feito por ela sobre o Encontro que aconteceu em Salvador, usando como fonte o material que estava escrito no Blog. Graças a Janete vou reescrever parte desse Encontro que foi uma delícia.

ENCONTRO DE CORAIS DA PETROBRAS EM SALVADOR - 2010 

Por trás da cortina estão ocultas as cenas dos bastidores desse encontro e, a partir desse momento, vamos revelar alguns momentos de pura descontração.

Cantar é muito bom e rir é melhor ainda, por isso essas memórias são apenas dos momentos mais descontraídos que eu presenciei. Qualquer semelhança com pessoas ou  fatos reais NÃO é mera coincidência.

SAÍDA

Nossa saída marcada para às 08 h foi motivo de alguma reclamação: 

“É muito cedo”; “ o vôo só sai às 16 h prá que sair tão cedo? “. 

A reclamação faz parte e já começa bem antes do evento, isso é normal.

Chegando próximo a Casimiro de Abreu encontramos um enorme engarrafamento. A fila de carros só crescia e o trânsito completamente parado. Depois de muitas informações desencontradas soubemos que um grave acidente obstruía a estrada e tão cedo o trânsito não seria liberado. Tivemos que retornar e vir pela Via Lagos. Ainda bem que saímos cedo.                 

Chegando em Salvador nos hospedamos no HOTEL PESTANA no Bairro do Rio Vermelho. Ele já pertenceu a rede de hóteis Le Méridien, hoje está meio decadente, mas é um bela construção.

 HOTEL PESTANA

CENA 1 – ÂNGELA E VALDÉA CONVERSAM NO HALL DO HOTEL PESTANA

- Tenho uma novidade prá te contar. Alguém me disse que blá, blá, blá... Foi você que me contou Váldea?

- Eu não!!! Você é que está me contando. Então blá, blá, bla´... O que mesmo que estávamos falando, Ângela?

- Sei lá. Mas daqui a pouco eu lembro.

Acho que todo idoso sofre desse "branco", ou "delay" para ficar mais chique. 

CENA 2 – NICE E VALDÉA

- Nice, vou ficar no quarto com uma médica. Como vou fazer se eu quiser soltar um pum!!!! Na hora certa, as 06 e às 15 horas, não tem jeito. 

- Se preocupa não miguinha, ela vai entender. Dizem que nosso próximo encontro será no Oriente Médio e aí vai ser tranquilo por que nós vamos prá “Faixa de Gases”.

CENA 3 - GRAÇA 

Na fila da tapioca, no café da manhã, Graça pergunta para a funcionária do hotel que preparava a tapioca.

- Vem cá moça, essa fila tá enorme. Não tem fila prá melhor idade?

- Minha senhora, mas aqui só tem melhor idade.

CENA 4 – ÂNGELA, ROSANI E VALDÉA

 A HORA DO BRASIL 1

Na mesa do jantar Angela pergunta:

 - Rosani, que hora é? Ela responde:

  - Nove horas.

Meia hora depois...

-Rosani, que hora é?

-Você não sabe que eu não uso relógio então porque que me pergunta a hora?

A HORA DO BRASIL 2

Meia-noite e Valdéa e Angela estava assistindo uma reportage na TV sobre os problemas pessoais das prostitutas de Salvador e o assunto estava pra lá de interessante. Valdea resolve ligar para o quarto de Rosani e avisá-la sobre a reportagem, mas antes de falar sobre o assunto principal, perguntou:

-Rosani, que hora é?  

Tonta de sono ela responde:

- Vai tomar no... E vai passando!!!!!  

E bate o telefone furiosa.

CENA 5 – VALDÉA E NEVES

- Você se parece com uma cigana. Também Lê a mão ?

- Claro!!! Passado presente e futuro. Quer arriscar ???

- Só ser for 0 800.

CENA 6 – MANOEL  - MADRUGOU...

06 horas da manhã...

- E aí “Manel” . Já malhando essa hora? 

- É prá manter a boa forma.

 Que ele está saradinho não há dúvida, mas a barriguinha é teimosa...

CENA 7 – SUELI, VALDEA, ANGELA E ROSANI

O Hotel fica sobre uma rocha à beira mar e o visual aqui do alto, no Hotel, é lindo.

As quatro amiguinhas faziam um tour noturno por uma área de jardim num pátio do hotel. Enquanto Sueli e Rosani foram olhar o mar batendo nas pedras, Angela e Valdéa  atravessaram o jardim, entraram pela porta negra do puxadinho e foram para o quarto. Sueli e Rosani, que não conheciam o puxadinho, ficam espantadas com o desaparecimento repentino das duas.

 - Onde elas foram? Como é possível alguém desaparecer assim, na nossa frente?

Procuraram por todo térreo do hotel, e nada. Depois de mais de uma hora procurando resolveram ligar para o apartamento.

- Aqui é Valdea. O que ? Nós desaparecemos? Éh, vocês estão certas,  fomos abdusidas e reaparecemos no apartamento 014. São os alienígenas que andam rondando esse hotel.

Imagine se a bebida não estivesse proibida.

CENA 8 – ROSANI E ÂNGELA

Rosani chega no bar e encontra Ângela

-Ué você está tomando uma caipirinha, num tá broibido.

- Tem perigo não. Eu bêbada dou menos vexame do que Arêbola sóbrio.

CENA 9 – FLÁVIO E GILBERTO

Flávio reclamou que chega no quarto e encontra Gilberto de bundinha prá cima, cuequinha branca e abraçado no travesseirinho de pelo de urso. 

-Assim não dá!!! Dormir em cama de casal com esse negão vai acabar com minha reputação. 

TEATRO CASTRO ALVES

CENA 10 – VIDA DE ARTISTA E MODELO É QUASE IGUAL...

 No camarim feminino a troca de roupa foi um terror. Não havia privacidade e a porta era aberta toda hora. 

De repente alguém abre a porta e dá de cara com umas perninhas de tesoura que sustentava um enorme bundão virado prá cima. A dona do bundão é uma nossa colega aposentada. Uma outra, mostrava as pernas brancas como a neve e a cara enrolada no meio da saia que,  muito apertada, não queria entrar. 

Era um festival de bundas e pernas, uma visão do inferno!!!

CENA 11 – O APRESSADINHO OCULTO

Quem terá sido o baixo que antes que o maestro Machadinho desse a entrada para Carmina Burana, soltou o vozeirão que mais parecia o urro de um boi indo para o matadouro? Será que a criatura é do coral da Bacia de Campos?

Aceitamos denúncias anônimas.

CENA 12 – TEREZINHA E O SUTIÃ PERDIDO

No camarim, a Terezinha do coral do Rio procurava pelo sutiã e não encontrava. 

Alguém perguntou se ela não havia perdido também a calcinha.

- Calcinha não porque eu não uso.

Cruzes!!!!!

CENA 13 – TEREZINHA 2 – TCHÊ 

A Terezinha, aquela da calcinha, disse que estava doida prá chupar um pau quente.

- Como é que é?????

- Gente, eu estou falando do chimarrão.

Ah, Bom!

CENA 14 – MÍRIAM, ANGELA E A MULHERADA DE PEQUENO PORTE

Miriam diz para Ângela:

- Essa mulherada de pequeno porte fica reclamando que não vê o maestro por nossa causa.

Vamos combinar uma coisa? Daqui prá frente só na beiradinha...

- Hãããn ???

- Na beiradinha do palco, vamos ficar lá pra não atrapalhar ninguém. 

- Então tá combinado.

MOSTEIRO DE SÃO BENTO

CENA 15 – VALDÉA, LINA, SUELI E LASSALETT

Rosani assistia compenetrada a fala da representante do Mosteiro quando atravessou à sua frente Sueli com um enorme rabo de cavalo – parecia uma debutante. Logo em seguida atravessa Lassalet com uma rabão todo crespo – parecia Daniela Mercure. 

Já completamente espantada, Rosani avista Lina com um rabo que não era o dela e logo atrás lá vem Valdéa, com uma asa de graúna pendurada na cabeça.

(Obs.: infelizmente não temos registro fotográfico do rabão da Lassalett.)

CENA 16 – ETELMAR E MANOEL 

- Manel, o que você achou do rabo das meninas?

- Gostei não! E você Etelmar, o que achou?

- Acho que elas ficaram deliciosas

 Meu Deus!! Meu Deus!! Totó, Totó!!!!

CENA 17 – JANETE E A DURA VERDADE

Uma coralista chegou prá Janete e perguntou:

- Porque será que não tem mulher no mosteiro. Só homem pode ser monge? 

- É que os monges beneditinos fazem votos de silêncio.....

Que maldade!!!

CENA 18-  CLÁUDIA E OS MONGES

Cláudia ficou revoltada quando viu tantos monges bonitinhos.

- Isso é um absurdo, onde andam os homens dessa terra, quando não é veado é monge!!!

CENA 19 – GRAÇA E A PORTA DA ESPERANÇA

 Graça toda animadinha já ia abrindo a porta da clausura quando um monge a interpelou:

- Aí não pode entrar. Só os monges podem.

- Ah me perdoe, seu monge, eu não sabia. Bença, seu monge.

 Pegou na mão dele e deu um looooongo beijo. 

CENA 20 – A MAESTRINA 

A maestrina... Estava super agitada. Elétrica, eu diria. 

Regeu a Suíte dos Pescadores no “nivel 5” do funk. Quase ao final da música parecia que ia ter uma síncope. Loucura, loucura, loucura.... 

Alguém comentou que ela se esqueceu de tomar o Revotril. 

Pura maldade, ela é uma gracinha. 

PREFEITURA DE SALVADOR

CENA 21 – MEU CARO BARÃO

O Barão, superelegante, comprou um chapéu panamá branquinho para proteger sua calvície do sol do meio-dia. 

Foi a sorte, porque além do sol ele escapou da cagada de um pombo que com pontaria certeira  atingiu seu chapéu branquinho. 

 CENA 22 – O GRIPP, (BRONZEADO???)

Gripp ficou todo bronzeado do sol que pegou durante a apresentação.

- E agora, como vou explicar prá mulher que esse vermelho não é de praia ? Ela não vai acreditar. 

- Rapaz, só tem um jeito. Levante o braço e deixa queimar até ficar a marca da manga da camisa.

Não basta ser correto, é preciso parecer correto. E se a mulher é ciumenta você precisa de evidências.

CENA 23 - O BÊBADO E O CORALISTA

– Um bêbado que passava pela prefeitura, ao ver tanta gente vestida de preto, perguntou:

- De quem é o enterro ?

O coralista explicou que tratava-se de um coral.

- Ah é ? De que igreja vocês são ?

REFINARIA RLAM

CENA 24 – É PROIBIDO FUMAR

Rosani e Valdéa por pouco não tocam fogo na refinaria. Quando acenderam o cigarro foram interpeladas por um nativo. 

- Vocês não estão vendo que aqui é área proibida para fumantes?

Vixe!!!

CENA 25 – MAIS GILBERTO E FLÁVIO

Gilberto reclamando.

- Não consigo dormir. Parece que estou deitado com uma britadeira do lado. De vez em quando o barulho vai diminuindo, diminuindo... quase some. Mas em seguida o tanque de guerra volta com força total.

Ué, o Flávio também disse que não consegue dormir. O que será que ficam fazendo a noite toda.?

CENA 26– CAE E SUAS URGÊNCIAS

Logo após o almoço Caê sentiu uma contração gostosa lá no fundo de suas entranhas. Pegou o elevador e se dirigiu calmamente para o quarto já antevendo o momento de alívio que teria à seguir. 

Qual não foi a sua surpresa quando, ao adentrar nos seus aposentos, escuta a voz de Wilson cantando embaixo do chuveiro. Chamou por Wilson em alto e bom som. Wilson nada ouvia. O que era apenas uma sensação gostosa se tornou um momento de puro terror. Seus olhos se reviravam  nas órbitas e um arrepio gelado subia por suas costas. Suas entranhas latejavam e se contraíam. ão suportando mais, gritou: 

- Wilson, eu quero cagaaaaarrr. Apreeessa, Wilson!!!!!

 HOTEL PESTANA – Jantar de encerramento

CENA 27 – OS QUIETINHOS...

Inês e....... Estavam tomando um café após o jantar quando Gilberto passou todo prosa conversando com uma louraça. Inês e ..... chamaram por ele que, quando viu que tinha sido pego em flagrante, subiu as escadas de fininho fingindo que não tinha visto ninguém.

Como diz o velho deitado “Os quietinhos são os piores”

CENA 28 – IRRESISTÍVEL!!!

Inês tentou a noite toda escapar de Gilbertinho mas não teve jeito. Bobeou, ele a tirou prá dançar. Não sabemos como a noite terminou, mas, é sabido por todos que na véspera ele não apenas beijou sua mão como também todo o restante do braço.

Soubemos também que Machadinho ficou com um certo ciúme de Inês quando a viu conversando com um outro coordenador alto, grisalho, bem bonitão. Aliás, esse coordenador fez sucesso!!! 

CENA 29 – AI, QUE VONTADE QUE DÁ!

Rosani estava com um desejo arretado de comer acarajé.

- Preciso comer um acarajé prá me sentir na Bahia. Com esse jantar aqui do hotel não dá. Num dia é frango grelhado, bife e peixe. No outro dia é peixe, bife e frango grelhado. Será que no jantar de confraternização vai ter alguma surpresa?

- Acho que só terá comida típica, baianas vestidas à caráter e, quem sabe? Ivetinha prá animar a festa...

Como Rosani é otimista!!!!

CENA 30 – GILBERTO QUE NÃO É GIL, MAS DÁ SHOW!

Gilberto deu show na pista de dança.  Foi até convidado pelos músicos a mostrar seus dotes no palco. Não se fez de rogado, colocou a peruca preta e arrasou.

CENA 31 – NORTE, SUL, LESTE, OESTE...

Rosani, impaciente com a demora na saída.

-Cadê o pessoal do Sudoeste?

- Ué Rosani, até onde eu sei Sudoeste é vento e não região geográfica.

Meu Deus, Meu Deus!!!! Totó, Totó !!!!


CENA 32 –  O SUMIÇO DOS DOCUMENTOS  QUE SÓ QUERIAM ATENÇÃO

Barão estava desesperado porque não encontrava seus documentos.

- Amós, vou ligar para a polícia. Que transtorno, perdi todos os meus documentos.

- Não liga não Barão, eu vou procurar. Devem estar no meio das suas roupas, vou sacudir tudo.

Enfim encontraram os documentos. Nada como um companheiro de quarto tranquilo e calmo.

CENA 33 – A GATOSA 

Encontramos,  no hall do hotel, a curitibana Ilva, uma “coroete” que foi a nossa “anja” no encontro de Curitiba. Perguntamos pelo seu namorado de vinte e poucos anos (ela já tem 62), se ainda estavam juntas e apaixonados. Ela disse que sim, cada vez mais apaixonados. Nossas coleguinhas que ainda não conheciam a Ilva pediram a receita prá arrumar garotão.

Manel fica revoltado. Diz que isso não está certo. A implicância dele com Ilva já começou em Curitiba. E só faz piorar.

Que moço implicante, gente, isso é discriminação!!!!

CENA 34 – PARAFUSOS???

Rosemeri contou que estava com uma chave de fenda na bolsa no momento do embarque no  aeroporto. Foi barrada e a companhia aérea ficou com sua chave. Um coralista abusado falou para ela.

-Você poderia ter ficado com a chave. Era só dizer que você usa para apertar seus parafusos.

Filho de uma ronca e fuça.

CENA 35 – GRAÇA FAZENDO GRAÇA

Graça fazendo graça para Jorgão, coralista de Aracaju. Foi flagrada, toda lânguida, numa conversa com o dito cujo.

Abre o olho Rosani, sabemos que você não está interessada, mas que ela está querendo te passar a perna, isso tá!!


AEROPORTO DE SALVADOR 

CENA 36 – QUEM SABE FAZ AO VIVO

Funcionários da Gol pediram que o Coral fizesse uma apresentação no saguão do aeroporto, enquanto aguardava o voo. O maestro do coral da..........  disse que era arriscado, teríamos que cantar à capela, não daria certo. Refugou! 

Nosso maestro Wilson matou no peito e chutou. Vamos arriscar.

Catamos todos os coralistas que estavam ali por perto, fizemos nossa formação habitual e soltamos a voz. Cantamos “Aquarela do Brasil” e foi um sucesso.

Ponto para nosso Maestro!!!  

CENA 37 –  FEIJÃO, FEIJÃO, FEIJÃO...

Nice já não comia feijão há alguns dias. Quando viu o feijão no refeitório da RLAM caiu dentro. Comeu muito e com pimenta. O efeito foi rápido. No meio da apresentação não teve jeito, disparou para o banheiro. Depois de aliviada, voltou para o coral e se juntou lá atrás, às vozes masculinas. 

Daí há pouco, nova corrida ao banheiro. Ufa!!!

Chegando ao aeroporto, quando tudo já parecia terminado, nova contração, seguida de uma arrancada sensacional e o record dos 50 m rasos em direção ao banheiro.

Quando chegou na nossa mesa, com uma cor pálida de um amarelo mostarda, falou:

-Fiz para hoje, amanhã e depois de amanhã

CENA 38 – O MAESTRO... BATUTA

O maestro... fez sucesso com as coralistas. Ele tem a cor marrom bombom que agrada a 9 entre 10 coralistas e um jeitinho tímido que desperta o lado maternal da mulherada.

Foi um tal de foto prá lá, foto prá cá. O maestro resistiu bravamente e não deu mole prá ninguém.

Ele está certo, misturar trabalho com prazer é encrenca quase certa.

Obs.: Por falta de maiores informações, não foi possível colocar a foto do citado maestro.

CENA 39 – ROSANI E O BERIMBAU DO ETELMAR

Rosani tentando ajudar Etelmar, que estava carregado de compras, segurou o berimbau que ele havia comprado. O safado ficou falando alto para que todos ouvissem:

- Rosani está segurando o meu berimbau e não quer soltar. Solta o meu berimbau que está preso nas suas pernas, Rosani!!!

Esse Etelmar, com essa carinha de santinho é um perigo.

CENA 40 –  A PEGADORA

Inês e Valdéa nasceram em Campos dos Goitacazes. Recentemente Inês descobriu que vários primos seus passaram pelas mãos de Valdéa.  A partir de agora Valdéa atende pela alcunha de “A Pegadora”.

Obs: em 1900 e antigamente “passar na mão” significava apenas um namorinho tipo mão na mão, beijinho na boca. Só isso, eu acho.

CENA 41 - ESCONDIDINHOS

Nota da Edição:

Morram de curiosidade... Talvez no próximo número. 

Matéria até que tem... O problema é que eu sou um túmulo... 

14 maio, 2026

MEU BAIRRO


Passei minha infância e adolescência no bairro Cajueiros, em Macaé. Ainda hoje frequento o bairro pois é lá que tomo o café do final da tarde na casa de Biriba, meu cunhado. 

A nossa casa tinha um quintalzinho, pequeno para o padrão daquela época. Tinha uma horta onde minha mamãe plantava alface, almeirão, couve, tomate, alfavaca, cebolinha. Havia também um quarador - alguém ainda sabe o que é isso? – onde mamãe estendia a roupa ensaboada sobre a grama para esquentar ao sol. No fundo do quintal, um barracão, cheio de quinquilharias e uma mesa de carpinteiro. Essa era a área de lazer do meu pai e minha também. Era lá que eu e algumas amiguinhas, brincávamos de casinha nos dias de chuva. Mais tarde, quando já adolescente, eu passava horas no barracão deitada em uma rede, lendo fotonovelas e sonhando acordada com os namorados que um dia eu teria.

Algumas vezes eu acordava de madrugada com o tropel de cavalos. Corria para a janela da sala e abria um pouquinho para ver a boiada que passava pela Rua Teixeira de Gouveia, pouco antes do amanhecer. Era uma barulhada e muita poeira que subia do chão de terra.

Quando as primeiras televisões chegaram em nossa rua, foi um alvoroço. Inicialmente só três moradores possuíam televisão: Seu Waldimiro, Catarina e Dna Conceição.

Seu Waldimiro liberava geral. À noite, na hora da novela “O Homem Proibido”, sua casa ficava cheia. Tinha gente sentada no chão da sala, assistindo das janelas, em pé na porta....era uma festa.

Catarina não dava muita abertura. Sua sala era pequenina e a porta de entrada quando a televisão estava ligada, ficava sempre fechada. Quando a lotação da casa de seu Waldimiro esgotava, íamos para a varandinha de Catarina e assistíamos a televisão por uma fresta da porta fechada. Ôôôô sacrifício!!!!

Essas dificuldades aproximavam as famílias vizinhas e essa intimidade nos tornava mais afetuosos, mais solidários.

O tempo passou, a horta e o quarador desapareceram, a boiada já não atravessava a cidade pela nossa rua. Em compensação a televisão virou o centro das atenções em todos os lares, afastando os vizinhos das calçadas onde o bate-papo rolava solto nas noites de verão. Hoje nossas portas vivem fechadas e visita só com hora marcada. E os vizinhos ? Só “bom dia” e “boa noite”, é o máximo de intimidade que temos com aqueles que moram anos ao nosso lado.


SEM FOTOS

Percebi há pouco tempo que não tenho fotos dos meus amigos de infância, nenhuma fotozinha embaçada, desfocada, carcomida...nada. Só lembranças.

A única exceção é uma foto com Verinha, uma amiguinha que faleceu aos oito anos de idade numa cirurgia de garganta, retirada das amigdalas. 

Esse fato influenciou minha vida por uns cinco anos, porque minha mãe não tinha coragem de fazer essa mesma cirurgia que os médicos recomendavam pra mim. Passei esse tempo sofrendo quando tinha infecção de garganta, o que era frequente. Minha tia Laura esfregava em minha garganta a pena, de alguma ave que não sei qual é. Essa pena era besuntada com dois remédios pavorosos. Era tão apavorante pra mim, que foi impossível esquecer o nome dos remédios: Colubiazol e Azul de Metileno.                                                                            

Eu e Verinha na Rua da Praia

Se tivéssemos fotografado aqueles momentos eu teria uma foto com Cacilda colocando barquinhos de papel na enxurrada e tomando banho de mar na praia da Pedras. Fotos com Rosângela, Penha, Regina, Lena, jogando Queimado no poeirão em frente à casa de Seu Waldimiro. Uma foto minha e de Elisa sentada no meio-fio conversando sobre sua paixão por Toninho. Eu teria várias fotos com Alcione, sentadas no murinho em frente à igreja Presbiteriana, dançando no quarto com piso de madeira no andar

de cima da casa dela, cantado no Coral da Igreja Batista.

Eu e Paulinho, neto de Seu Arnulfo
Reza a lenda que o primeiro beijo a gente nunca esquece. Se não fosse pela foto eu já teria esquecido. 

No início da nossa juventude surgiram as máquinas fotográficas com aqueles rolinhos de filme. Algumas fotos foram aparecendo, mas ainda eram poucas e raras. A maioria ‘’queimava’’.

Sem as fotos, só mesmo o que a memória registrou, esse equipamento poderoso que guarda mais imagens do que a “nuvem”,  e que agora, na melhor idade, só funciona quando quer.




 

11 maio, 2026

TRILHA SONORA

Parece-me que cada pessoa tem sua trilha sonora da vida.

A da infância com as musiquinhas que aprendeu a cantar na escola, na brincadeira com os amiguinhos, na igreja, etc. Nos dias atuais as fontes são outras: o que se ouve na TV, no Tik Tok, YouTube, etc.

Na adolescência as músicas dançantes e as românticas que no futuro vão fazer parte da sua memória das baladas e dos namoros.

Na idade adulta a gente vai aumentando o repertório e refinando o gosto, ou não.

Na fase dos 60+ a gente costuma só lembrar da trilha sonora antiga, dificilmente entra uma música nova, até porque nessa fase só conseguimos decorar o refrão.

A minha trilha sonora começou com o Atirei o Pau no Gato Tô Tô e outras similares. Na minha casa eu ouvia de tudo, querendo ou não. A noite, meu irmão Vanderlei chegavam do colégio colocava sua música preferida na vitrola, apagava a luz, deitava-se no sofá e ficava ouvindo música clássica até o sono chegar. Eu tbm me habituei com esse ritual e por muitos anos ouvi música clássica até adormecer. Um dia Vilson entrou em cena e me privou desse prazer, a música atrapalhava o sono dele. Duvido, ele hoje dorme com a TV e o celular ligados, todos dois ao mesmo tempo.

https://www.youtube.com/watch?v=9E6b3swbnWg

No período da minha adolescência e início da vida adulta, meu irmão comprava discos de música francesa e italiana (era moda na época), música da jovem guarda e bossa nova. Da esquina em frente a nossa casa, no Bar de Zé Café, vinha o som que eu mais gostava: música americana. Eu adorava quando acordava pela manhã ouvindo I Starded The Joke, Ben, If e outras tantas. Zé Luiz caprichava na play list.

https://www.youtube.com/shorts/ZYo80tLgWnY

https://www.youtube.com/shorts/DXSwx7bhTZA

https://www.youtube.com/shorts/SZHzdLUePDA

E a Jovem Guarda também se fazia presente

https://www.youtube.com/watch?v=-FapXL-5I3I

https://www.youtube.com/watch?v=ULcBDlSvn4A

https://www.youtube.com/watch?v=wozUCY3rRzE

No outro lado da rua ficava o boteco de Valdo, e ali os bebuns do Cajueiros, e eu na minha casa, ouvíamos Nelson Gonçalves, Ataulfo Alves, Vicente Celestino, Dalva de Oliveira.

https://www.youtube.com/watch?v=gbAL2hmQLX0

https://www.youtube.com/watch?v=gtlStNzzlzw

https://www.youtube.com/watch?v=gbAL2hmQLX0

E tinha também a trilha sonora da igreja, como não: Quão grande és Tu, Deus cuidará de ti, Oh Mestre o mar se revolta, Vamos nós louvar a Deus, etc.

https://www.youtube.com/watch?v=xE-UjFSmDCQ

 

‘’Parece-me que mesmo depois que tudo se acabar e mesmo que eu fique senil, essas memórias sobreviverão guardadas em alguma gavetinha do meu cérebro, esperando apenas que algum perfume ou alguma música abra a gaveta”.

 

 

 

10 maio, 2026

SENILIDADE

 Minha mãe encarava com bom humor as limitações que a idade foi lhe trazendo, exceto nos dois últimos anos, quando a doença tornou a vida um fardo pesado demais para ela.

Diariamente nos encontrávamos em sua casa: eu, meu cunhado e minhas sobrinhas e mais alguns eventuais que apareciam por lá para tomar café e conversar fiado. Por volta das 18 h quando eu entrava na casa, mamãe me olhava com cara de espanto, levantava as mãos para o alto e dizia:

 – “Graças a Deus você chegou, Maria Jesuína”.

 _ " Mamãe, eu sou Ângela, sua filha "

Jesuína era minha tia, uma irmã da minha mãe que morreu antes mesmo que eu houvesse nascido. Mamãe já não sabia quem eu era, mas ficava aguardando ansiosa pela minha chegada.

Algumas vezes ríamos muito das “loucuras dela”. Um dia quando entrei na cozinha - ela estava fazendo café - veio me contar toda agitada que alguém tinha dito que ela teve três filhos, mas ela não lembrava de nada disso. Confirmei que isso era verdade e que eu, Vanderlei e Pedrinho éramos filhos dela e Julieta era filha do coração. Ela fez cara de espanto:

- Pedrinho também é meu filho? Será que ele sabe disso? Acho que ele não vai gostar.

Ela tinha por hábito passar boa parte do dia na janela da sala, que fica em frente à rua. Várias pessoas que passavam pela calçada paravam para conversar com ela, o que era muito bom porque ajudava a preencher as inúmeras horas solitárias que normalmente os idosos têm.

Algumas vezes eu a ouvia conversando animadamente com alguém, beijando pra despedir-se e pedindo pra voltar mais vezes.

- Com quem a senhora estava conversando? Eu perguntava.
- Sei não, mas deve ser conhecida, porque parou prá conversar comigo.

Algumas vezes penso nela e é estranho como não consigo me lembrar da sua fisionomia quando mais jovem. Na imagem que sempre me vem à cabeça, ela está debilitada, com o olhar ausente e um sorriso meio sem graça, como se estivesse esforçando-se para sorrir.

TEMPESTADE

 Sentei-me no tronco que fica atravessado na parte alta do terreiro, um pouco abaixo do morrinho que fica por trás da nossa casa no sítio. Estou esperando chegar a chuva que se anuncia no horizonte. Adoro ficar olhando a tempestade assim de longe. Sinto-me segura nessa distância.

- “Vem prá dentro “mulhe”. Vai “acaba” caindo um raio na sua cabeça!!!

Meu marido tem medo de tempestade. Enfurna-se dentro de casa, desliga a televisão, veste a camisa e mantem distância de espelho.

Lá longe um monte de relâmpagos clareia o céu. E os raios? São lindos os raios. Perigosos mas lindos. Um vento frio bate no meu rosto levando prá longe o calor desse final de um dia de verão. A chuva chega e os pingos batem forte no chão de terra fazendo pequenos buracos e enlameando tudo. Resolvo entrar na casa.

É gostoso ficar aqui, enroscada no sofá, tomando um café quentinho com leite e canela, ouvindo o barulho da chuva que bate no telhado com força. Lá fora já é noite e a chuva lava tudo.

Quando cheguei aqui no sítio hoje pela manhã estava me sentindo aborrecida, angustiada. As horas foram passando e o meu espírito foi ficando mais sossegado, como se o tempo fosse levando as contrariedades, da mesma forma que a chuva vai arrastando as folhas que estão espalhadas pelo terreiro.   

O quintal está lavado e minha alma também.

ENTENDENDO CLARICE

 Quando eu era bem jovem ganhei um livro de Clarice Lispector. Não me lembro o nome do romance só lembro que achei muito chato e abandonei a leitura pela metade. Naquela época gostava de ler Ernest Hemingway, Frederick Forsyth, Jorge Amado...aquele texto muito introspectivo de Clarice era pesado demais prá mim.

Dias atrás minha amiga Núbia deu-me de presente uma coletânea de contos "Clarice na cabeceira". Meio de má vontade fui lendo e aos poucos ela foi me pegando até me encantar por completo.
Dizem que só somos capazes de apreender aquilo que no nosso íntimo, já sabemos. Acho que aconteceu isso comigo com relação à Clarice. Só agora eu estou preparada para entender o que ela quer dizer. Entender....é muita pretensão minha. Pensando melhor, acho que essa leitura é um convite a reflexão. Cada um vai encontrar certa verdade, a sua verdade, entre muitas indecifráveis.
Acho que preciso ler esse livro aos poucos, em doses homeopáticas. Uma dose muito grande de realidade pode ser perigosa. A ignorância, em alguns casos, é benéfica. Algumas vezes chego a achar que é mais fácil ser feliz quando não nos aprofundamos muito em algumas questões. Basta sentir e não procurar entender.

PERDER UM AMIGO

 Hoje soube que uma amiga de infância está com câncer. De repente me veio o pensamento, cada vez mais recorrente, de que o tempo está correndo rápido demais e que agora são os amigos que estão partindo.

Quando eu era criança apenas parentes já idosos morriam e essas mortes, para a criança que eu era, tinha um quê de divertimento, de brincadeira. Era quando os parentes se reuniam e os primos se juntavam nas brincadeiras, no corre-corre pelo terreiro ou em frente à igreja. 
Lembro-me de um vizinho que cometeu suicídio, tomando remédio para matar rato. Foi um bochicho danado na nossa rua. Será que foi por causa de alguma mulher? Foi por causa de alguma dívida? À noite, durante o velório, não se falava em outra coisa. Naquela época a nós, crianças, não era permitido dormir muito tarde exceto em situações especiais como o velório de um parente ou amigo da família. Fiquei acordada até tarde naquela noite, velando o morto, tomando café com rosca, ouvindo o disse-me-disse das fofoqueiras de plantão.
Agora é tão diferente!!! Quando os amigos de longa data morrem, morre também um pouco do que vivemos. É como se nossa história de vida ficasse mais pobre, com menos conteúdo. É isso, o amigo morre e uma parte da nossa vida morre com ele.

Lembro-me de minha mãe que ao morrer, aos 95 anos, já tinha perdido todos os irmãos, cunhados, a maioria dos amigos. Fico imaginando como ela se sentia quando relembrava algum fato antigo da sua vida. Ninguém para confirmar a história, ninguém para rir ou se emocionar ao relembrar, ninguém que pudesse acrescentar algum detalhe esquecido. Sozinha com suas lembranças. Até que o Alzheimer chegou e o caos se instalou.

Alguns costumam chamar a velhice de melhor idade. Melhor coisíssima nenhuma. Dizem que ganhamos sabedoria. Grande consolo, o que fazer com tanta sabedoria se já não temos muito tempo para aproveitá-la? A velhice é uma merda, mas como a outra opção é a morte, melhor aproveitar do jeito que der.

OS RESSUSCITADOS

Dizem que sonhamos todas as noites. Se sonho, raramente me lembro e quando lembro, é só bobagem.

Tive um desses sonhos malucos ontem à noite.  

“As pessoas que morriam em Macaé estavam todas sendo enterradas em Quissamã (sabe-se lá por que).
Eu estava no sítio da minha sogra, em Quissamã, e de repente um menino, cria da casa, entra correndo e me avisa que acabara de chegar à igreja próxima ao sítio, o corpo de uma colega do meu trabalho.

Subi correndo rua acima até a igreja. Minha cunhada Eliana estava arrumando os castiçais ao lado do caixão de uma mulher desconhecida.
- Paulinho disse que chegou o corpo de uma amiga minha...
- Deve ser a que está no quarto aí ao lado. O caixão ainda não chegou.
Entrei no quartinho que tinha apenas uma cama e uma mesinha. Olhei o corpo que estava na cama. Era Rosimara, uma colega de trabalho. Notei que ela estava vestida com a mesma roupa que usou na nossa festinha de final de ano: um short jeans e uma blusa larguinha que caía no ombro. Segurei na mão dela e de repente.....ELA SENTOU-SE NA CAMA!!!!
Olhou-me e disse:

-Nossa, estou cansada de tanto dormir. Tô com fome!
Virgi Maria, que troço é esse!!!

-Vamos até a casa da minha sogra. É aqui pertinho e sempre tem um café.
Peguei na mão dela com cuidado – podia estar gelada – e ajudei-a a descer da cama.

Chegando na casa, encontramos minha sogra sentada na varanda. Ela já estava meio caduca e ficou olhando Rosimara com uma cara de poucos amigos.
Minha cunhada Edinete estava fazendo bolinho de chuva. Peguei o café e alguns bolinhos e levei pra Rosimara na varanda. Entrei de novo na casa e tentei ligar para o marido dela pra avisar que ela não havia morrido ou ressuscitado, sei lá.

De repente, vem o menino correndo de novo e gritando que a outra defunta “tinha revivido”.
- A outra também? Que diacho é isso, gente! Cadê a mulher?

- A muié fico desarvorada quando viu que tava nu caxão!

Olhei pela janela a tempo de ver a defunta correndo pela estradinha, morro abaixo. Tem bom preparo físico, pensei.
Virei para o meu marido, que estava ao meu lado, e disse:

Quando eu morrer quero ser enterrada em Quissamã”.
Acordei em seguida, com o barulho do meu marido mexendo nas panelas da cozinha. O calor do dia que começava encerrou meu sonho.

FESTA DE ANIVERSÁRIO

 Sou uma distraída incurável.

Erro data, troco nomes, já peguei objetos de amigas pensando que eram os meus (óculos, bolsa, celular, máquina fotográfica,etc...). Já fui a casamento errado e já velei morto desconhecido achando que era um amigo falecido que estava em outra capela.
Nos últimos tempos tenho me comportado razoavelmente bem, até que na última semana tive uma recaída.
Há uns vinte dias atrás recebi por e-mail o convite de aniversário da netinha de minha amiga Rosani. Deixei o convite na minha caixa de entrada para não esquecer. Na semana passada ligo para Valdéa para conversar sobre um cruzeiro que faremos em fevereiro. No final do papo Valdéa me pergunta:
-Vc vai ao aniversário de Thais?
- Vou. Que dia é mesmo?
- Sábado agora, as 17 h.
- Tá legal, nos vemos lá.
Liguei para minha nora e avisei que no sábado levaria minha neta Maria Alice na festinha.
Conforme combinado peguei minha neta e fui para o salão de festas. Maria, três aninhos, está naquela fase que adooooora festa. Foi pulando pelo caminho até chegarmos ao local da festa. Entrei e vi que apenas um casal de idosos ocupava uma mesa, todas as demais estavam vazias. Maria disparou em direção ao pula-pula.
Quando uma mulher que trabalhava no Buffet saiu da cozinha, perguntei:
Estranho já passa das 18 h e até agora não chegou nenhum familiar?
- A festa está marcada para as 19.
- É isso! Enganei-me com o horário, achei que fosse as 17 h. 

Culpa de Valdéa, filha da mãe, me informou a hora errada. Liguei pra ela:
- Valdéa, ainda está em casa? Estou aqui na festa e não chegou ninguém.
- Estou na casa de Valéria. Já tô chegando aí. 

As pessoas foram chegando. Maria arrumou uma amiguinha e estava se esbaldando nos brinquedos. Reparei que o tema da decoração era o Batman, tudo preto e azul – que estranho, festa do Batman para uma menina de um ano? 

Sento-me em uma mesa, o garçom me entrega um copo de cerveja, e fico aguardando Valdéa. Uma moça simpática se aproxima e me pergunta:

- Vc é mãe de alguma das crianças da creche?
- Não, sou amiga da avó de Thais.

A moça se afasta com uma cara estranha.

Gente, e eu lá tenho cara e idade pra ser mãe de criança que ainda frequenta creche? 

Meu Deus!!!! Thais não está em creche, à festa começava as 19 h, decoração do Batman. Tô no lugar errrraaaado!!!!! Ligo pra Rosani:

Rosani, qual o local da festa de Thais?
- Num salão de festa na rua em frente ao salão M Beauty. Buffet da Fátima.
Pensei um pouco – o salão fica numa esquina, a rua que estou fica em frente ao salão, mas tem uma rua ao lado. Deve haver outro salão na rua ao lado. 

- Rosani? Acho que já sei, tô indo pra lá.
- Hellooooo  Ângela. O aniversário é amanhã. Tá maluca? 

Puta que pariu!!!! Vou matar Valdéa!!!
E lá vem Valdéa toda faceira. Saia de cintura alta, muitas pulseiras, sorriso até a orelha. No caminho até a mesa pega um sanduíche e um refrigerante. Tenho uma crise de riso e não consigo nem falar. Só consigo chorar, de rir. A dona da festa nos olha meio espantada. Deve estar pensando “quem é essa outra estranha?”  Valdéa não está entendendo nada. Quando enfim consigo contar o equívoco, Valdéa arregala os olhos, olha para o sanduíche, olha para a cara da dona da festa, olha pra mim.
- Que merda!! E agora ?
Chamei a dona da festa e nos explicamos, pedimos mil desculpas e disse que ia pegar minha neta e no retirarmos. A mãe do aniversariante, um menino de quatro anos, foi muitíssimo simpática. Convidou-nos para continuar na festa porque o que ela mais queria era que houvesse muitas, muitas crianças na festa e como minha neta já estava brincando, gostaria que ela permanecesse na festa. O pai do menino também foi muito atencioso e reforçou o convite.

Fiquei meio sem graça e tentei tirar Maria da brincadeira. Quem disse que ela aceitou sair? Tinha arrumado uma amiguinha pra lá de levada. Queria ficar e dançar o funk das poderosas. É, não vai ser fácil arrancar ela daqui.
Resolvi ficar, já tinha dado vexame mesmo, um pouco mais um pouco menos, não faria diferença. Valdéa também ficou, acho que com pena de me deixar sozinha. Passou alguém na mesa e perguntou: 

– Quer que coloque os presentes na caixa?
- Nãããooooo! É para uma menina de um ano.

Tivemos que explicar. O que esse pessoal vai pensar, quando formos embora levando os presentes? Duas loucas. 

Rosani ligou: - Ângela, onde vcs estão?
- Na festa do menino fã do Batman.
- Tá brincando, vcs ainda estão aí? Vcs são malucas e eu sou ainda mais louca por andar com vcs!!!

Saímos da festa depois dos “parabéns”. Maria ainda entrou na fila da lembrancinha e ganhou um monte de brinquedinhos e doces. Minha neta, estava suada, pé todo sujo de andar descalça, cabelo todo desarrumado. Valeu o vexame.

No dia seguinte voltei ao mesmo local para a festa de Thais. A moça da cozinha me olhou meio sem entender. Deve ter pensado:- Essa mulher aqui de noooovo?????

DEUS ESTÁ NO CONTROLE

 As vezes sinto inveja de quem acredita na frase "Deus está no controle".

A fé é um consolo e tanto.

Minha mãe era religiosa, sem exageros, mas com uma fé genuína em Deus. Na década de quarenta meu pai perdeu todo o dinheiro que tinha guardado em um Banco. O Banco (não lembro o nome) quebrou e o dinheirinho que ele economizou durante anos para comprar um caminhão, foi pro ralo. E lá se foi o sonho de deixar o trabalho na roça e se tornar motorista de caminhão.
Minha mãe disse:

- Se Deus não permitiu é porque ele sabe o que é melhor pra nós.

E pronto, tudo resolvido sem choro nem vela.
Eu jamais saberei se ele foi mais feliz porque não se tornou motorista de caminhão. Ela tinha certeza de que foi melhor assim.
Parece-me tão simplista acreditar que tudo que deu errado foi porque "Deus sabe o que é melhor" e tudo que deu certo foi "Graças a vontade de Deus".

Parece que somos meros joguetes na mão do todo poderoso e que ele escolhe caminhos bem tortuosos para chegar ao lugar certo.

Gostaria de acreditar, mas não é fácil.

FILHOS

 20.08.2016

Meus Filhos
Quando os meus filhos nasceram eu imaginava que o papel dos pais seria o fator mais importante na formação do caráter deles. Sabia que o ambiente em que eles viveriam também era importante. Porém, naquela época, eu ainda não tinha a dimensão da influência decisiva da carga genética transmitida pelos pais, trazidas de outras gerações da nossa família.

A idéia de que os recebemos como uma folha em branco e que, recebendo uma educação adequada, irão corresponder a nossa expectativa, é totalmente equivocada. Há momentos em que me surpreendo com nossa total impotência diante do que a natureza determina. Eles serão, sem sombra de dúvida, uma mistura do que eles já trouxeram quando chegaram nesse mundo mais o que esse mundo oferecerá a eles. Só não sei qual será o fator predominante.

Analisando uma situação que ocorre em uma família, fico a imaginar como a personalidade de um filho pode ser completamente diferente dos pais e avós? É como se todos os valores transmitidos pelos pais durante anos não tivessem encontrado chance de penetrar na formação do caráter do filho. Parece que apenas os traços genéticos e os instintos naturais sobreviveram. E esses traços negativos ainda foram acentuados pelo meio onde passou a viver depois de adulto (profissional e familiar). Vejo nos demais irmãos traços da educação que receberam. No entanto, em um deles, não consigo reconhecer nenhum desses valores transmitidos pelos pais. Talvez alguma parte tenha sido absorvida por ele, porém é imperceptível para os outros integrantes da família.

Bom, não sei por que ainda me surpreendo. É assim, segundo reza a lenda, desde os tempos de Caim e Abel.

O PODER

 17.04.2016

Estive acompanhando pela televisão a votação sobre o impeachment da Presidenta Dilma, e observando aquela estranha fauna que trabalha (muito menos do que deveria) naquele ambiente. Depois de algum tempo de observação lembrei-me de uma palestra que assisti em um evento de RH, que falava sobre instintos básicos do ser humano: o desejo sexual, a busca do prazer, a agressividade, anseio pelo poder e outros que não me lembro. Segundo o palestrante esses instintos, que todos nós temos, visam à perpetuação da espécie, a preservação da própria vida, etc.

O anseio pelo poder, que me parece estar relacionado à autoestima, fica bem evidente nesse grupo. O ser humano é um bicho interessante. Na empresa onde trabalhei, ficava frequentemente boquiaberta diante da atitude de algumas pessoas que almejavam ocupar cargos ou para se perpetuarem neles. E ficava pensando por que uns desejam tanto o poder e outros não. 

Com o passar dos anos fui entendendo (a idade avançada serve pra alguma coisa) que o desejo de poder está em todos nós. Porque são vários tipos de poder e certamente já fomos afetados por algum deles: político, material, intelectual, físico, estético, etc. Possuímos esse desejo de poder, esse prazer em ser superior ao outro. O prazer de ser mais rico, o mais inteligente, o mais bonito, o mais corajoso, o melhor amante, o mais poderoso, o mais caridoso entre todos os caridosos do seu convívio, o mais cruel entre todos os bandidos, e por aí vai. E esse poder é sempre exercido sobre outro semelhante: filhos, marido, esposa, pais, amigos, empregados, etc.

Muitas vezes esse desejo pelo poder é bem disfarçado. Tive um exemplo claro desse tipo de disfarce utilizado, talvez inconscientemente, por uma colega de trabalho na Petrobras, que utilizava a caridade para alimentar seu ego, seu desejo de ser notada. Talvez por não ser bela ou inteligente ou rica, a bondade foi o seu recurso para ser notada, ser admirada. Sempre tenho um pé atrás com pessoas muito bondosas, faz parte da minha cota de preconceito. 

Quanto a conheci, mantive minha descrença habitual naqueles que são muito caridosos, muito religiosos, muito pudicos. Algumas vezes, com o passar do tempo, percebo que em algumas pessoas essa bondade é genuína, mas é raro. 
Fiquei a observá-la e tempos depois, no episódio da morte de uma cunhada que foi acompanhada por ela durante o período da doença, percebi a verdadeira motivação: poder e vaidade. Enquanto descrevia com detalhes minuciosos o sofrimento pelo qual padecia a enferma nos seus últimos dias, percebi o prazer em seu olhar. O que ela desejava não era minorar a dor da cunhada, mas obter a gratidão de toda a família, criar uma dívida impagável, a dependência da família em relação a ela. A super caridosa.

Não é de se admirar que nas altas esferas de poder todos os pudores sejam abolidos. Se não tivermos instituições fortes e atuantes, não há quem coloque freio nesse desejo incontrolável de poder. Não tenho muita esperança de ver o meu país livre dessa gang que se instalou no governo, em todos os níveis da estrutura.

Não somos muito melhores que os políticos, a diferença é que para os "sem poder" o estrago pode ser menor. Que bicho estranho somos nós !

SHOW DE JAMES TAYLOR E ELTON JOHN

 

Em Janeiro Rosani surgiu com essa ideia de irmos ao show de Elton John e James Taylor no Rio, em abril. Rosani é conhecida no nosso grupo como "juíza", por causa do seu temperamento decidido e um pouco briguento, então quando ela decide não dá trégua. 

Aí, Graça, nossa guia turística predileta, sai em campo para viabilizar os delírios de nossa companheira.

Sou fã dos dois artistas, mas nunca tinha cogitado assistir um show dos dois. Rock in Rio nunca esteve nos meus projetos, tenho um pouco de medo de multidão, prefiro assistir essas apresentações em teatro, quando é acessível ao meu bolso.

Depois de alguma divulgação nos grupos do ZAP, montamos a turma de quatorze pessoas.

01.04.2017


Encontramo-nos na casa de Graça por volta das nove horas pra partimos para o Rio. Somos quatorze: Angela, Rosane, Valdea, Maura, Vera, Claudia, Cleuza, Marcia, Rosani, Fátima, Ito, Tânia, Lina e Graça. Tudo gente boa.

Combinamos passar primeiro na Feira de São Cristóvão e depois do almoço iremos para o Sambódromo, local do show. 
Chegamos ao Rio por volta das 12:00 h. A temperatura estava agradável, um ventinho amigo nos recebeu. Comentei com Rosani que havia previsão de chuva para a hora do show:

- Não vai chover, cinquenta por cento de previsão de chuva não é chuva, não chove pode ter certeza.

Juíza falou tá falado, não discuto com autoridades. Mas na minha bolsa tem uma capa de chuva, uma blusa de manga comprida para o caso da outra molhar e um calçado extra. As autoridades as vezes se enganam feio.

Apesar do clima ameno, aqui dentro do pavilhão onde funciona a Feira faz um calor danado. Caminhamos um pouco pelas lojinhas e as companheiras já começaram a fazer umas comprinhas, como é de praxe.  Eu comprei o fantoche de um fantasminha, pra ver se assusto meu neto. Desconfio que ele não se assustará e vai destruir o fantasma em alguns segundos.

Chegamos perto de um dos palcos e já estava rolando um forró. Alguns casais já se arriscavam na dança embaixo do sol de meio dia. Uma velhinha desinibida dançava sozinha no melhor estilo “tô nem aí”. Aquela é Claudinha amanhã. Esse forró deve bombar no finalzinho da tarde, quando o sol dá uma trégua.

Procuramos logo um lugar mais fresquinho num dos restaurantes. No local onde escolhemos pra sentar tinha um ventilador bem grande, turbo, jogando um vento delicioso em cima das nossas costas. Imediatamente me veio uma vontade incontrolável de tomar um chope. Começamos os trabalhos e a turma caiu de boca no torresmo, baião de dois, aipim frito, bolinho de bacalhau, etc.

Depois de toda comilança, saímos do restaurante e fomos andando devagar, desgastando o almoço para enfrentar a segunda jornada. Um céu azul sem nuvens me fez pensar que aquela capa de chuva só serviria para fazer uma sauna, se eu desejasse. Ah, se eu soubesse....

Chegamos cedo, o portão ainda não estava aberto. Entramos na fila (ô sina, essa de enfrentar fila). Um calor danado e a turma que vende capa de chuva já estava a postos.

- Olha a capa de chuva! Tá a dez real, mas quando cumeça a chuvê dobra o preço.

Ninguém se animou. Logo o anjo da guarda dos ambulantes que vendem guarda-chuva, sombrinha e capa, começou a trabalhar e uma nuvenzinha preta começou a surgir lá no horizonte.

- Olha lá, chuva tá vindo! Não sou eu que tá falando, foi a Maju que avisou. O preço da capa vai aumentar - anunciou o vendedor de guarda-chuvas.

O pessoal da fila começou a se movimentar e a venda de capas se intensificou. Logo chegaram os primeiros pingos de chuva. Falei pra juíza:

- E aí, não vai comprar uma capinha?

- De jeito nenhum, cinquenta por cento de previsão não é chuva, é só uma garoinha.
 
Depois de um bom tempo abriram o portão e entramos. Chegamos à arquibancada e escolhemos o lugar que achamos melhor, sem disputa com ninguém porque ainda era bem cedo. Estendi minha almofada de silicone, empréstimo da nossa amiga Rose pra mim e Rosani. Comecei a maldizer a almofada, que parecia pesar uma tonelada. Tentei encher a infeliz, soprei, soprei...e nada. Desisti, mas mesmo meio vazia ela cumpria sua função. Será que o silicone que botam no peito e na bunda pesam assim?  Imagino que não, caso contrário ninguém ia aguentar carregar essas próteses.

E começou a espera pelo show e comecei a pensar “podíamos ter chegado mais tarde, é tão ruim esperar”. Mal sabia eu que “esperar” seria o menor dos problemas, o pior estava por vir. 

De repente o anjo da guarda dos ambulantes que vendem - vcs já sabem o que eles vendem - abriu a torneira dos céus e “tome chuva”. Como é proibido entrar no local com sombrinhas, todo mundo sacou sua capa de chuva para enfrentar a intempérie.

Pontualmente, com um pequeno atraso de oito minutos, James Taylor surgiu no palco. O atraso foi perfeitamente aceitável até porque ele é americano e não britânico como Elton John. Agora, Sir Elton tem que ser rigorosamente pontual pra manter viva a fama de pontuais dos britânicos.

James está com cara de terceira idade, mas sua voz continua maravilhosa, macia, aveludada. Falou um pequeno texto em português onde dizia que estava feliz por estar novamente no Brasil e explicava que não poderia tocar seu violão porque tinha quebrado o dedo. E xingou “merda”. Começou a cantar seus sucessos. Quando cantava "You’ve got a friend'' a chuva despejou. Mesmo assim todos nós cantamos em coro junto com ele. Liiiiindo!!!

E tome chuva. Minhas pernas já estavam totalmente molhadas porque a capa apesar do número GG não chegavam nem a cobrir os joelhos. Quem manda ser alta!

Parou a chuva e surgiram algumas estrelas no céu. Que bom, a chuva vai parar! Quando James terminou de cantar "Fire and Rain" a chuva voltou a cair. Que ironia, nessa música ele fala que viu o fogo e a chuva. Hoje só viu chuva. No telão ele olha pra cima e seus olhos azuis escuro como os do meu pai, transmite tranquilidade.

A chuva voltou e voltou pior.  E aí começamos a ver os estragos: capas com vazamento, outras que rasgam com facilidade, almofadas de tecido que ficaram encharcadas molhando a bunda de quem estava em cima delas. Valdea trouxe um cachecol para se aquecer e ele virou uma esponja. Ela enxugava a capa com ele e torcia em seguida:

- Vim aqui para lavar roupa. Quem quer estender essa roupa pra mim?

Por fim eu já estava desejando que James Taylor se retirasse (tadinho) pra desocupar o lugar pra Elton John começar logo o show, antes que a gente congelasse. Aí ele canta a música que fez em homenagem ao Rio de Janeiro depois que participou do primeiro Rock in Rio. Ele merece nosso sacrifício!

Haja bom humor pra enfrentar esse contratempo. A chuva estava de sacanagem, parava e recomeçava, parava e recomeçava... A gente tentava se enxugar um pouco, tirava a capa, sacudia e logo em seguida chovia de novo. Num desses intervalos comi um pedaço de pizza, comi rápido antes que chovesse novamente. Pizza molhada ninguém merece.

Fiquei preocupada com Rosani. Nesse momento ela era quase a verdadeira imagem do pinto molhado. Digo “quase” porque a imagem verdadeira seria a do próprio pinto, o animal, molhado. Mas ela não se aperta, desceu e comprou uma camisa do show e conseguiu a última capa de um ambulante.

Comecei com uma tremedeira incontrolável e decidi sair da chuva. O show de James já tinha acabado então fui para a área do banheiro que é coberta.

- Elton que se foda. Desculpa aí Sir Elton, vc embalou meus sábados à noite, mas não tenho mais idade pra enfrentar temporal só pra ver meus ídolos da juventude. Aliás, vc se cuide que essa chuvinha aí no palco pode lhe resfriar, vc também já está velhinho.
Já encontrei Claudinha e Tânia lá na área coberta. Depois chegou Cleuza. Fui ao banheiro e verifiquei que minha calça estava encharcada. Não havia o que fazer. Enxuguei a capa pra tentar pelo menos me aquecer um pouco. Lá de baixo ouvi quando Elton disse “muito obrigado por resistirem a chuva, é um privilégio tocar pra vocês”.

A chuva deu uma trégua e subimos correndo para o alto da escada. Elton vestido num paletó cintilante, que faria inveja a Cauby Peixoto, dedilhava o piano com a vitalidade que lhe é peculiar. Outro estilo, completamente diferente do seu antecessor no palco. James é Zem, doce. Elton é pura energia. Que show, valeu o sacrifício.

Começou a chover novamente, descemos a escada e fomos pra área coberta.   Pouco depois Vera veio nos chamar, disse que Graça estava propondo sairmos um pouco antes de terminar pra evitar o tumulto da saída. Concordamos com ela, exceto Rosani que junto com seu irmão e sua cunhada ficaram até o final.

Saímos pelo portão à esquerda e nos deparamos com as ruas interditadas. Graça ligou para o motorista da Van e ele combinou de nos pegar em frente ao prédio do Batalhão de Polícia. No caminho nos perdemos de Creuza e Taninha. Acho que nos perdemos de Lina também.

Aos poucos os retardatários foram chegando. Quando entramos na Van começamos a fazer o inventário do estrago. Valdea molhou até o dinheiro que estava na carteira, vai ter que pendurar pra secar e ver se salva algum. Márcia, que estava com a roupa na mochila, ficou decepcionada quando viu que estava tudo molhado. A solidariedade das amigas a salvou: uma emprestou uma calça leging e outra uma blusinha. Tânia disse que até a pepeca estava resfriada. Eu estava usando uma bolsa de praia, toda furadinha, molhou tudo que estava dentro. Ainda bem que eu deixei tudo na Van e pude vestir um pulôver quentinho e um calçado seco. Maura ainda me emprestou um casaquinho para cobrir minhas pernas. Enfim parei de tremer.

Parece que na viagem de volta, dentro do carro quentinho, todos dormiram. Não vi ninguém reclamar pela Van não ter parado pra fazer xixi e comer. Não parar pra comer? Estavam desmaiadas, com certeza.

É TUDO MENTIRA, HISTÓRIA DE PRIMEIRO DE ABRIL. 
SÓ QUE NÃO