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28 novembro, 2016

GRAMADO - 2016

No início do ano combinamos uma viagem a Gramado no mês de novembro. Vamos novamente assistir a programação do Natal Luz. É a terceira vez que vou a Gramado e a segunda no período das festividades de Natal. Da última vez quase morri de frio na noite do desfile natalino. Dessa vez vim mais preparada que um esquimó, não vou tremer de frio de jeito nenhum. Graça contratou uma VAN para nos levar ao aeroporto. Valdea, Célia, Dayse, Graça, Sabrina, Ana Clara, Rosane e eu, prontas para uma semana de relax.


09.11.2016 

Por volta das 06:00 da manhã, fizemos uma parada técnica (pipi e cafezinho) no restaurante Sabor Rural, em Rio Bonito. Logo avistei na mesa ao lado dois colegas da Petrobras que ainda estão na ativa. Toda vez que paro aqui sinto uma sensação estranha, como se ainda estivesse trabalhando. Foram tantas vezes que estive aqui nas viagens a trabalho que ainda não consegui desassociar a imagem desse lugar da minha vida laboral.

Na televisão do restaurante escuto a notícia da vitória de Trump na eleição presidencial nos Estados Unidos. Fiquei bege!!! Daqui a pouco a Europa também vai ser contaminada por essa loucura. O mundo está enlouquecido.
Chegamos bem cedo ao aeroporto. Quando entramos na fila do check-in e abri minha carteira, fiquei apaaaaaavorada. Não tinha trazido nenhum documento. Vixe, isso nunca me aconteceu! Lembrei-me que quando levei meu carro na Citroen há duas semanas, o rapaz que me atendeu colocou minha identidade e carteira de motorista dentro da carteira de documentos do carro. Deveria ter tirado de lá de imediato, mas me distrai. Resultado, há duas semanas estou andando por aí sem documentos.

E agora, o que fazer? Expliquei para o atendente da Gol o meu problema e ele foi categórico: 

- Não é possível embarcar sem documentos, não há o que fazer.
Pensei em ligar para o meu filho e pedir que ele levasse meus documentos até o Rio. O horário que o atendente disse que poderia trocar a passagem não era viável, Vicente não chegaria a tempo com meus documentos. Já estava desistindo quando Graça me chamou e falou baixinho:
- Se vc for a Policial Civil e disser que perdeu seus documentos eles darão um jeito de vc embarcar.

Saímos andando rápido a procura da sala da Policia Civil. Ainda bem que chegamos cedo ao aeroporto, caso contrário essa opção talvez não resolvesse a situação. Chegando lá, falei com o policial que havia perdido meus documentos na parada que fizemos na estrada. Ele apenas perguntou quais documentos eu havia perdido, me deu um formulário e pediu-me pra preencher os dados solicitados. Preenchi tudo, o policial ficou com uma via, carimbou e assinou outra via e me entregou. Pronto, estou com um documento com todos os meus dados pessoais e a informação que os meus documentos foram extraviados.  Foi só apresentar o documento e embarcar. Santa Graça, se não fosse por ela eu teria que voltar pra Macaé com uma mala cheia de roupa de lã e um calor de 30 graus.







Nosso hotel Serra Nevada fica em Canelas, é agradável e razoavelmente confortável. Descansamos um pouquinho e saímos para jantar. Fomos ao Cara de Mau, um restaurante com uma temática de navio pirata. Chovia um pouco e noite estava fria, mas suportável. Quando descemos do carro um pirata nos esperava com um guarda-chuva. Nossa amiguinha Ana Clara, neta de Graça e filha de Sabrina, mas que depressa pediu para tirar uma foto com o gatinho pirata. Valdea fez o mesmo, abrindo concorrência com Ana. Isso rendeu brincadeira entre Ana e Valdea, pelo resto da viagem. O restaurante é bem movimentado, tem um clima alegre e descontraído e os atendentes são todos jovens simpáticos e vestidos de piratas. Valdea pediu a um deles que tirasse um retrato com ela. O simpático falou: - Não é retrato, é foto. Ihhhh! Chamou de velha! Exatamente como ela fala conosco quando falamos as palavras: retrato, poltrona, caiu a ficha. A pizza não foi nenhuma maravilha, mas o ambiente compensou.

10.11.2016

Chicão, nosso guia no passeio de hoje

Acho que para descansar e relaxar não basta apenas estar fisicamente distante da nossa rotina. É preciso se desligar dos problemas, das pessoas, das tarefas diárias. Viver novas experiências, conhecer coisas e pessoas novas e rir muito, são ingredientes imbatíveis para um merecido descanso. Dormi como um anjo e acordei descansada e bem disposta. Estou dividindo o quarto com Dayse, pela primeira vez. Acho que nunca tive problema com companheira de quarto e espero que continue assim. Descemos para o café e encontramos o hotel repleto de adolescentes. Essa não me parece uma cidade atraente para adolescentes, ou pode ser que tenha alguma atração que eu desconheça.

Começamos pela Catedral de Pedra em Canelas. Ela é rústica, gótica, linda.

Cascata do Caracol

Seguimos em direção a cachoeira do Caracol. Na estrada passamos primeiro pelo Parque do Caracol, onde estive da última vez que vim a Gramado, os bondinhos ficam mais adiante.

São três bondinhos, todos fechados, o que dá uma sensação maior de segurança, e levam oito pessoas. Descemos até a primeira plataforma.

São três plataformas. Na primeira encontramos algumas lojinhas, lanchonete, sanitários e daqui já se pode ver a cachoeira. Na segunda é possível tirar algumas fotos com profissionais e na terceira chegamos bem mais perto da cachoeira. A natureza quando intocada é sempre linda. A floresta com a cachoeira ao fundo, forma uma dupla atração. Lembrei que quando fui a parque do Caracol, anos atrás, tinha uma trilha de onde se podia chegar lá embaixo, pertinho da cachoeira. Deve ser um belo passeio, mas acho que já não tenho pique, a idade pesa. Nosso guia Chicão falou que esses bondinhos são iguais aos do complexo do alemão. Ele conhece bem as favelas do Rio e falou em vários passeios pelo Alemão, Dona Marta, Rocinha, Vidigal... Disse que quando quisermos fazer algum desses passeios é só avisar. Tô fora! Acredito que tem muito programa interessante nas favelas, mas com a violência descontrolada no Rio de Janeiro eu não tenho coragem de arriscar. 

O parque tem mais duas atrações: uma trilha pelo meio da mata nativa com placas com informações sobre a flora e o nome dos animais que habitam aquela mata e um pequeno museu com esculturas de animais. A trilha é curta, mas é bem agradável andar pelo meio da mata sentindo aquele cheirinho característico de mato e terra úmida. No final da trilha vimos uma planta com um formato fálico, o que nos lembrou uma amiga nossa que sente muita falta da presença de um bilau na sua vida. Valdea tirou uma foto da planta e mandou pra ela matar saudades.

No Museu, as esculturas feitas por um imigrante japonês, tem pequenos ressaltos no seu corpo que, quando passamos um rolinho de madeira sobre eles, produzem o som característico emitido por aquele animal. As crianças devem gostar.

Seguimos para o Mini Mundo. Esse também é um passeio para criança, na minha opinião. Estive aqui a primeira vez há mais de vinte anos.  Há cinco anos atrás, quando retornei a Gramado, preferi passear pelas ruas no entorno do Mini Mundo. São ruas arborizadas com lindas casas e jardins mais lindos ainda. Hoje vou visitar essa atração novamente, ver as miniaturas de vários prédios, castelos, estações que existem na Alemanha. Vários desses prédios eu já visitei o original em uma viagem que fiz pela Alemanha. 

Lago Negro

atração, Lago Negro. Esse é um lugar apropriado para um momento de descanso. Os pedalinhos com formato de cisne passeando pelo lago, a floresta em volta do parque, o solzinho morno, tudo isso é um convite à preguiça. Fomos caminhando devagar em volta do lago. De repente passa um rapaz com camiseta vermelha onde estava escrito em letras grandes o nome "JORGE". Esse nome é sempre lembrado porque é o ex-marido de uma de nossas amigas e Valdéa não permite que o "falecido" descanse em paz. Aliás, Guilherme Mauricio, outro "falecido" também não tem descanso. Quando estive nesse parque em 2010, comprei pra minha mãe uma guirlanda que tinha um casal de velhinhos, ele vestido de papai noel,  sentados entre as flores. Minha mãe, que tinha mais de noventa anos, sofria com o mal de Alzheimer e já não sabia exatamente quem ela era.

- Mãe, trouxe essa guirlanda pra você enfeitar sua porta para o Natal. Achei essa velhinha parecida com você.

-E quem é esse velho que está comigo? Eu não conheço esse gordo não. 

Eu me divertia com as bobagens que ela falava e entrava no ritmo para que ela também se divertisse. Nessa fase ela ainda não sofria tanto com essa terrível doença. 

A noite fomos assistir ao Desfile de Natal. Agora o desfile acontece dentro de um grande pavilhão que nos protege do frio. Os turistas agradecem!!! 

Desfile de Natal

O desfile esse ano conta a história de uma menina que deseja conhecer a história de seus pais e reviver a alegria do Natal. O desfile todo gira em torno das memórias natalinas dos seus pais. As músicas são lindas, os figurinos também, mas o som é ruim, a acústica é péssima o que impede um melhor entendimento da história. Tô legal de desfile, esse é o segundo que assisto e provavelmente também será o último. Na volta descemos próximo ao hotel e fomos procurar um restaurante. Já era tarde e o único que encontramos aberto foi o Galangal, de comida asiática. Gostei do ambiente, da caipirinha e da comida.

No Mini Mundo

Na madrugada acordei com uma ventania entrando pela janela aberta bem ao lado da minha cama. O vento forte jogava a cortina em cima de mim, mas a preguiça era tanta que achei melhor esperar o vento parar, virei as costas para a janela e dormi. 


11.11.2016

O motorista da Van que vai nos levar para o tour de hoje, contou sobre a ventania da madrugada. Disse que foi um pequeno tornado e que esses ventos fortes tem sido frequentes nessa região. Visitamos algumas lojas de malhas, sapatarias, fábrica de cristais e de chocolate.
As companheiras fizeram um estrago nas lojas de sapato. Em uma das lojas, que vendia objetos para decoração natalina, um homem procurava por Papai Noel com roupa azul. Não entendi nada...nunca vi com roupa azul. A atendente disse que já tinha acabado, mas que ia chegar mais. Alguém perguntou ao homem o porquê desse pedido.- Sou gremista, na minha casa não entra Papai Noel colorado. Ah! O futebol, essa paixão que alguns levam tão a sério. A fábrica de chocolates Caracol é bem interessante. Você começa a visita observando uma pequena fábrica de chocolate do outro lado do vidro, numa linha de produção que começa na preparação básica do chocolate e termina na decoração dos bombons. Alguns empregados trabalham enquanto os turistas observam. A visita continua por um espaço temático que conta a história do chocolate, com figuras que parecem bonecos de cera que executam alguns movimentos. Célia, que é medrosa, não gostou dos bonecos e foi saindo de fininho. Onde você acha que termina a visita? Se você respondeu que foi numa lojinha, acertou. Uma tentação ao olfato, a visão, ao paladar. Difícil de resistir! Terminamos o passeio nas lojas do centro de Canela. 

A noite fomos assistir ao espetáculo Natal pelo Mundo, que conta a história de uma moça que encontra seus amigos de infância e conta pra eles o que vivenciou  em suas viagens pelo mundo. Nas conversas vão sendo mostrados como os países comemoram o Natal. Os cenários vão sendo alterados de acordo com o país que está sendo apresentado. Um grupo de dançarinos, com belo figurino e ótima coreografia, mostra a dança típica daquele país. Descobri que ainda não conheço tudo sobre essa comemoração em outros países. Gostei, apesar do som que não é bom.

O espetáculo acontece no mesmo local do desfile da noite anterior. Não ficamos nas cadeiras, que são poucas e muito caras. A arquibancada é boa, mas maltrata o traseiro. Hoje fui prevenida, trouxe uma pequena almofada do hotel porque ontem saí daqui com a bunda quadrada. Alguém comentou que depois de duas horas sentada descobriu que tinha osso na bunda.

Chegamos tarde no hotel e o restaurante já estava fechado. Resolvemos fazer um pequeno lanche. Pedi um chocolate quente com um sanduíche de salada e queijo. O sanduíche era enoooorme e o chocolate tinha a consistência de uma mousse. E ainda tinha uma porção de batatas fritas. Valdea disse que certamente teríamos pesadelos depois de toda aquela comilança. Lembrou de Valéria, sua irmã, quando ambas estavam em um SPA. Durante a madrugada Valéria começou a falar dormindo:- Puliiiça!  Puliiiiça! Valdea, medrosa, ficou quietinha escutando. Pela manhã contou pra irmã o ocorrido e Valéria lembrou que sonhou com um assalto em sua casa. Nesse caso, como estavam num SPA, o problema deve ter sido a fome.

12.11.2016
Cidade das Hortênsias
 

Todos os dias depois do café Célia, Valdea e eu, sentamos em frente ao hotel e papeamos até a chegada da Van que nos leva para algum passeio. Nesse papo fazemos algumas comparações entre Macaé e Gramado. Aqui os motoristas realmente respeitam a faixa de pedestres. Você pode atravessar tranquila que todos os carros param. E são muitas faixas! Também não vi carros em alta velocidade dentro do perímetro urbano. Outra coisa que notamos foi a quantidade de enfeites natalinos distribuídos nas fachadas das casas e lojas, em árvores nas praças.... pra onde a gente olha tem enfeite. Uma árvore na calçada do nosso hotel está enfeitada desde o início de novembro com figuras de feltro, muitas e grandes. Eu disse:

-Se fosse em Macaé essa árvore ia amanhecer pelada, sem um enfeite.

Minhas amigas concordaram, infelizmente. Aliás, isso não  é privilegio da nossa cidade pois acho que o mesmo ocorre em todas as cidades do nosso Estado.
Partimos para Nova Petrópolis. A cidade é pequena, com maioria da população de descendentes de alemães, limpinha, arborizada, bucólica, como são as cidades dessa região. Em uma loja conversei um pouco com uma atendente, branquinha de olhos azuis como a maioria das pessoas daqui. Ela me disse que a maioria da população fala alemão, além do português. Todos foram para o  jardim da praça principal, conhecer o labirinto. Eu já estive aqui antes, então preferi andar pela rua principal e pegar um solzinho como o meu corpo está pedindo.
No retorno paramos em um lugar cheio de malharias. Não aguento mais ver roupas de lã, sinto calor só em olhar.

Á noite  fomos assistir ao último show, que é o melhor dessa viagem. O espetáculo "Eu sou Maria" acontece ao ar livre no lago Joaquina Bier. Imagine uma noite friiiiiia! Como eu disse anteriormente, vim preparada para a friagem porque da última vez trouxe uma mala com roupas apropriadas para um final de semana em Búzios. 

EuRosane, Sabrina e Ana, estávamos bem agasalhadas. Graça não sente frio, é isotérmica. Dayse veio com uma blusa de lã e trouxe uma blusinha de malha "para trocar de blusa se fizer calor". Kkkkkk, calor aqui nesse lago? Só calor humano. A blusinha serviu para aquecer as mãos. 

Agora, Célia pensou que ia pra Búzios realmeeeeente! Com uma blusinha fina e um casaquinho de tecido de algodão, a moça tremia mais que vara verde. Mal conseguia falar:

-Estou congelando, tenho que comprar aquela manta que a mulher tá vendendo. Tentei cobrir as costas dela com uma parte do meu casaco até que a mulher da manta aparecesse. Valdea nos viu assim agarradinhas, tirou uma foto, postou no grupo das Poderosas e disse: "Saíram do armário "Quando a vendedora chegou e ofereceu uma manta por quarenta reais, Célia pagou e se cobriu rapidamente, mas ainda demorou a parar de tremer.- Você daria sessenta reais, né não?

Daria cem reais se ela pedisse, porque do contrário eu ia acabar morrendo congelada.

Ela deu azar, porque viria com um casaco roxo todo forrado de lã por dentro e uma calça também roxa. Quando Valdea viu aquele casaco que parecia meio inflado, tudo roxo, falou:- Amiga, você está parecendo a Noelete, aquela gordinha do teatro de ontem. Aquela que quando caia no chão não conseguia levantar por causa da gordice. Lembra? Pronto! Célia preferiu encarar o frio com a roupa de Búzios do que ficar parecida com a Noelete. 

O espetáculo inicia com uma queima de fogos. É um grande musical com muitos cantores, bailarinos, atrizes e atores que contam a história de Maria e o nascimento de Jesus. Muitas músicas são conhecidas e o público acaba cantando junto. Foi emocionante, o melhor dos espetáculos que assistimos.

13.11.2016

Acordamos bem cedinho pra um passeio a Bento Gonçalves, Garibaldi, Farroupilha e Carlos Barbosa. 

Em Carlos Barbosa embarcamos na Maria Fumaça rumo a Bento Gonçalves. Logo na saída nos entregam uma pequena taça pra degustação de vinho. Durante o trajeto, que dura umas duas horas, os grupos folclóricos vão animando a viagem com muita música italiana e gaúcha. O trem faz uma parada em Garibaldi. Um grupo de músicos vestidos com roupas típicas da Itália cantava a música La Bella Polenta. Tomamos vinho, tomamos espumante e dançamos a Bela Polenta. Lembrei de meu avô, que adorava polenta e gostava de cantarolar essa música. Era desafinaaado, o meu Nono!

O dançarino parece com meu avô
Visitamos a vinícola  Peterlongo na cidade de Garibaldi, fundada há quase cem anos. Sua sede funciona num casarão bem antigo e imponente. Fizemos uma pequena visita guiada e participamos de uma degustação de champanhe e espumante. Delícia!

Estranhei que estivessem usando a denominação champanhe para a bebida, visto que só as vinícolas francesas da região da champanhe podem usá-la. O enólogo explicou que a Peterlongo utiliza o mesmo método de elaboração da bebida produzida na França desde 1915 e só alguns anos depois a França patenteou a utilização desse nome e a partir daí ninguém mais pode usar a palavra champanhe para denominar essa bebida. Exceto a Peterlongo.

Descansando  a sombra dos parreirais
Sede da Peterlongo

14.11.2016

Hoje, nosso último dia em Gramado, dormimos até mais tarde. Nós merecemos um pouco mais de descanso. Vamos conhecer o Parque dos Dinossauros. Parece mais um programa de criança, mas estamos envelhecendo e é bom ir se acostumando a ser criança novamente. Logo na entrada do parque tem uma mini fábrica de chocolates. Aonde vamos essa tentação nos persegue. Passamos pelo restaurante onde vamos almoçar e iniciamos a descida por um caminho margeado por árvores e figuras de animais esculpidos. É coisa pra criança mesmo, mas o lugar é agradável e a temperatura amena ajuda na caminhada. O problema é que a caminhada é morro abaixo e já estou pensando no retorno, morro acima. Ufa! Cansada só de pensar. À noite fomos ao centro assistir ao momento que as luzes se acendem, é tradição por aqui. Caminhamos um pouco nas ruas lotadas de turistas, paramos para apreciar a catedral iluminada, as lojas lindamente decoradas, a música que atrai e emociona...nem vi as luzes acenderem. Acho que não teve o mesmo impacto que percebi da última vez que estive aqui. Já tinha muita luz acesa então o contraste não foi tão marcante. Fomos matar a fome numa sequência de foundi num restaurante ao lado da praça da igreja. 

15.11.2016

Embarcamos para Porto Alegre, acabou minhas "férias". Fui ouvindo um sonzinho no celular para ajudar a passar o tempo. Célia e Rosane tiveram excesso de bagagem. Não é de se admirar, Célia comprou uns vinte pares de sapato e Rosane uns dez quilos de chocolate. Brincadeirinha!!!! Exagerei um pouco, mas só um pouquinho. Na conexão em São Paulo, enquanto tomávamos um cafezinho, dois rapazes sentados ao nosso lado beijavam-se e faziam carícias no rosto um do outro. A todo instante os olhares dos que passavam se voltam pra eles com jeito de espanto ou reprovação. Acho que Ana não está por perto porque se estivesse ia falar seu bordão preferido: Me poupe! Ainda vai levar um tempo para que essas manifestações de carinho sejam encaradas com naturalidade por todos. Chegamos ao Rio no final da tarde. Quando nos aproximamos do desembarque Célia avistou a neta Isadora que a esperava junto com os pais e a irmãzinha. A vovó ficou numa alegria só. No caminho paramos no "Sabor Rural" onde, pra fechar com chave de ouro esse período de comilança, devorei um caldo de mocotó dos deuses. Agora é iniciar o regime em caráter de urgência pra eliminar, chocolate, sobremesa, carne e outras coisinhas mais, porque a temporada de festinhas de confraternização está chegando e a comilança vai rolar solta.





26 novembro, 2010

GRAMADO - 2010

11.11.2010



Fui a Gramado com uma turma de amigas que fazem parte do Coral da Bacia de Campos: Inês, Valdéa, Sueli e Graça. A intenção era conhecer a cidade durante o evento Natal Luz de Gramado, que acontece todos os anos. Já visitei a cidade anteriormente, mas não durante o período dessa festa.

Chegamos no final da tarde e logo percebi que não tinha feito a melhor escolha de vestuário. Tava um frio danado. Levei algumas roupas de manga comprida, uma pashminas e meias. E nenhum casaco.

Dividi o quarto com Inês e Valdéa. Logo que chegamos no quarto Valdéa comentou com Inês que iria me pedir uma aula de como "arrumar a mala para viagem" pois minha bagagem é sempre pequena. Quando abri a mala e elas viram os vestidinhos leves e as outras roupas que eu trouxe, caíram na risada.

- Você pensou que ia para Búzios, colega? Pode cancelar a aula, disse Valdéa.

Inês, como sempre, trouxe o guarda-roupa completo. Com aquela quantidade de roupa eu passaria o mês inteiro na Europa. Sorte minha, que pude pegar emprestado com ela um dos quatro casacos que ela trouxe.

Saímos a noite para assistir ao desfile natalino na avenida principal de Gramado. Logo na chegada perdi meus óculos. Pronto! Vou passar toda a viagem espremendo o olho para conseguir ler alguma coisa. Ou pedir emprestado para minhas companheiras de viagem. Todas já passaram dos quarenta e são, certamente, dependentes desse pequeno objeto de tortura.


O desfile deve ter sido interessante, mas o frio era tão grande, tão grande, que todas nós tiritávamos de frio e o prazer de assistir ao espetáculo foi para o ralo. Uma colega disse que até sua "perereca" estava congelada. Várias vezes ela disse "sinto que o desfile está acabando" e olhava para o final da rua na esperança de avistar o final da fila de integrantes do desfile. E a fila nunca mais acabava, uma verdadeira tortura.

Quando finalmente entramos no ônibus para retornar ao hotel, encontramos nossos trêmulos companheiros de viagem tão ansiosos como nós por uma cama bem quentinha. Valter, irmão de Valdéa, estava com um gorro de papai noel que comprou para esquentar a cabeça. Se tivesse achado o saco de papai noel acho que ele também teria comprado.

Fomos a um restaurante que servia diversos tipos de sopa. Foi uma boa escolha para aquecer esses viajantes trêmulos de frio. Provei algumas que estavam saborosas. A mais tradicional por aqui é a sopa de capeletti que os italianos adoram. Acho meio sem graça aquele caldo ralo com as massinhas boiando.

Chegando no hotel tomamos um chá de abacaxi e fomos dormir.


12.11.2010

Fizemos um tour pelos principais pontos turísticos da cidade. Começamos pelo “Mundo a Vapor”. Logo na fachada tem um trem tombado como se tivesse ocorrido um acidente. No interior várias miniaturas de processos industriais, todas com movimento, mostram os detalhes da fabricação de tijolos, telhas, laminação de aço, trator movido a vapor, etc....

Entramos em uma lojinha que vendia acessórios para o frio. Saímos quase todas com gorros e luvas vermelhas, que eram as mais baratas. Acho que no próximo evento é só mandar levantar as mãos que nosso grupo será imediatamente identificado.
Em seguida fomos a um parque - não lembro o nome - próximo ao Parque do Caracol. É possível ver a Cascata do Caracol lá embaixo. No teleférico, com cadeira para duas pessoas, é possível chegar bem próximo da cascata. Dispensei o teleférico - já andei em vários e esse pequenos não me atraem - e a tirolesa. Quem não dispensou a tirolesa foi uma senhora de 73 anos que faz parte do nosso grupo. Cabelos totalmente brancos, assanhada e com uma disposição de dar inveja. Toma cerveja todos os dias, mesmo com o frio que faz aqui. Quando o frio apertou tomou uma cachacinha no jantar e, no dia seguinte vinho. Valdea costuma chamá-la de “minha sogra”, se candidatando espontaneamente para um casamento com um dos filhos solteirões (são dois).

Hollywood Dariam Car tem uma exposição de carros antigos. Poucas pessoas entraram mas eu gosto de veículos antigos e fui dar uma olhada. O meu jipe Willians 1951 poderia estar ali, só precisaria de uma bela maquiagem. É interessante verificar a riqueza de detalhes, a delicadeza dos acessórios. E as cores? Vários tons de azul, rosa, verde, vermelho, branco e preto. Daqui a cinquenta anos se visitarmos uma exposição de carros antigos (do século XXI) só veremos 3 cores: branco, preto e cinza. E modelos quase iguais!!! Esse nosso mundo automatizado e globalizado está tornando tudo muito sem graça.

Almoçamos e em seguida fomos ao “Mini Mundo”. Como já conhecia esse lugar, optei por dar uma volta pelos arredores e tirar fotos de flores e algumas fachadas. As hortênsias ainda não estão totalmente floridas, mas outras flores estão viçosas e dão um colorido especial a essa cidade. Caminhando pelas ruas quase vazias e olhando as casas com muros baixos, gramado verdinho e casas com sacadas floridas, constatei que essa cidade é um pedaço da Europa nos trópicos. São muitos ‘brasis’ dentro desse país continental.

O nosso próximo destino também já é meu conhecido. O Lago Negro lembra um pouco a região da floresta negra na Alemanha. Estive por lá no ano passado e a arquitetura daqui possui alguma semelhança com a da região da Bavária. Alguns do nosso grupo foram caminhar em volta do lago. Eu já estava cansada e preferi ficar sentada no gramado de Gramado, “lagarteando" sob o sol daquele final de tarde.

Na saída do parque cometi um desatino; comprei uma guirlanda de um camelô. Onde eu estava com a cabeça? Sair carregando esse negócio até Macaé, sem amassar!! É como transportar um bebê. Aliás, não estou me reconhecendo, já comprei várias coisas quase inúteis. Inúteis talvez não, mas completamente desnecessárias.


Encerramos o passeio na Aldeia do Papai Noel. Ainda não conhecia esse parque. Segundo reza a lenda o alemão Knorr se encantou com aquele pedaço de terra e construiu ali sua residência. Durante muito tempo recebeu pessoas famosas que visitavam a cidade e se hospedavam em sua casa. Hoje sua propriedade foi transformada em ponto turístico. O lugar tem uma bela paisagem, muito verde e uma vista do vale do Quilombo. Esqueci de perguntar a guia porque deram esse nome ao vale. Acho que escravos não eram comuns nessa região.
A casa do Knorr, em estilo Bávaro e com móveis do início do século XX, foi o que mais me interessou. As crianças certamente devem gostar das renas, que não são comuns por aqui, e da fábrica de brinquedos.

É interessante notar como uma cidade aproveita um tema e transforma esse tema em atração turística tirando dele o máximo proveito. Há poucos dias vi uma reportagem sobre a cidade mineira de Varginha que transformou a história do aparecimento de um ET, quase sempre motivo de gozação, em tema para ornamentação de praças, etc... tirando do fato o máximo de proveito possível.

Aqui em Gramado o natal tornou-se símbolo da cidade, assim como as hortênsias. Macaé poderia fazer o mesmo com o tema petróleo, começando pela criação de um museu interativo ou até mesmo uma plataforma desativada onde os visitantes pudessem ver como funciona a extração do petróleo. Estou delirando? Talvez. Só sei que com criatividade tudo é possível.

13.11.2010

Hoje descemos a serra para conhecer a parte italiana da colonização gaúcha. Antes de começarmos a parte “cultural” do nosso passeio, fizemos uma visita à loja da Tramontina na cidade de Carlos Barbosa. Terminada as compras (não resisti e também aderi a gastança) fomos para a estação de trem para o passeio turístico. Na chegada à estação, a recepção é feita por uma cantora, simpática e com ótima voz, cantando músicas italianas.

Durante o trajeto a maria fumaça faz uma parada onde desembarcamos, tomamos vinho, champanhe, comemos queijo e cantamos a tarantela com alguns músicos. Voltamos ao trem e seguimos viagem. Um grupo encena um teatrinho dentro dos vagões e um outro grupo canta músicas italiana e gaúcha.

É um agradável momento de confraternização bem ao estilo italiano.

Durante o passeio lembrei várias vezes de Alda. Ela adorou esse passeio e constantemente convidava a mim e Vilson para uma viagem ao sul. Ela já não está entre nós, mas a lembrança permanece.

Continuamos o passeio, agora o roteiro conhecido como Caminhos de Pedra. São construções em pedra e madeira semelhantes a que existem na região norte da Itália. São bem antigas e conservam a história dos italianos que chegaram aqui no final do século XIX. O meu nono Pietro Adami também chegou ao Brasil nesse período, mas sua família veio para o Estado do Rio.

Antes que todas as casas fossem demolidas, descobriram o potencial turístico da região e investiram nisso. No caminho encontramos produtos típicos dessa cultura: salame, vinhos, queijos, etc... Paramos em uma casa onde aconteceu parte da filmagem do filme “Quatrilho”. Assisti a esse filme alguns anos atrás e adorei. Foi o primeiro filme brasileiro que gostei de ver, depois de um longo período em que não assisti a nenhuma produção nacional que valesse a pena.

Uma integrante da família Strapazzon mostrou a casa, o vinhedo e nos falou um pouco sobre a vida de dificuldade e de superação da sua família, que é na verdade a história de todos os italianos que vieram para o sul. Falou sobre a filmagem do Quatrilho que deu maior visibilidade a região e destacou que o que antes era “motivo de vergonha hoje é orgulho para sua família”.

Paramos em seguida em uma Ervateira, casa onde se produz a erva mate que os gaúchos usam no chimarrão. Uma mulher nos mostrou toda a linha de produção da erva, os antigos maquinários, o forno, etc... e em seguida partimos para a degustação. Pela primeira vez provei o chimarrão. Detestei!!! É amargo demais.

Nossa guia Suzi é excelente. Ela é de origem alemã, da cidade de Carlos Barbosa, mas mora atualmente em São Paulo. É quase ruiva, bem bonita e educadíssima. Tem falado bastante sobre a história dos colonizadores italianos e alemães. Normalmente essa é a parte que mais me agrada nas viagens com guia, mas o sistema de som do nosso ônibus é péssimo e por isso aproveitei pouco do que ela falou. Na verdade, não foi só por isso, gastei boa parte do tempo conversando com Tânia.

Tânia é uma colega de trabalho que aposentou recentemente. Como eu nasci em Macaé e ela chegou na cidade ainda criança, temos muitas lembranças e amigos em comum. Papeamos por um longo tempo e demos muitas risadas. Durante essa conversa eu “matei” alguns macaenses que, segundo Tânia, ainda estão bem vivos. Realmente minha memória está cada vez menos confiável.

Á noite fomos assistir ao espetáculo “A fantástica fábrica de natal”. Agasalhei-me um pouco, bem menos que minhas colegas de viagem, e partimos para o local da apresentação. Fazia bastante frio, mas o local era coberto e não havia vento o que tornou a noite bem mais agradável que a anterior. O show, um musical no estilo da Broadway, conta a história de uma fábrica onde os brinquedos ganham vida. Tem canto, dança, acrobacias e alguns efeitos especiais. A criançada deve adorar.

14.11.2010

Novamente descemos a serra e fomos até Caxias do Sul.


Visitamos a Igreja de São Pelegrino. Eu já conhecia essa igreja, mas não me lembrava de muita coisa. As portas principais são esculpidas em bronze contando a história da imigração italiana. Logo na entrada tem uma réplica da Pietá de Miguelangelo, idêntica a que já vi na Basílica de São Pedro, no Vaticano. Nossa guia informou que a estátua foi presente do Papa João Paulo VI na comemoração dos cem anos da imigração italiana. No interior várias pinturas de Aldo Locatelli representam passagens bíblicas. É uma pintura bem acadêmica, mas algumas colocam em evidência pés e mãos. Achei que ele é especialmente bom nesse quesito, pés e mãos.

Fomos para a vinícola Zanrosso. Já estive lá anteriormente e, portanto, dispensei a história da família e parti direto para a degustação. Tomei bastante vinho. Considerando que era apenas uma degustação, bebi demais. Comprei vinho e espumante para tomarmos no Natal. Fiz mais um estrago no orçamento, que com o casamento do meu filho programado para março, está bem apertado.

Passamos na fábrica de chocolate Alpino onde comprei chocolate para meus afetos. Em seguida voltamos para Gramado. Uma outra apresentação de natal, com sopranos e tenores, está na programação para a noite.

Eu, Tânia e Alzira optamos por um passeio noturno pelo centro de Gramado. Separamo    -nos do grupo e descemos na avenida principal da cidade. A cidade à noite fica realmente linda. Entrei num caixa 24 horas para pegar algum dinheiro e quando saí percebi que algumas pessoas estavam paradas na calçada. Olhei em volta e vi que uma multidão estava ali parada, observando a rua. Perguntei o que acontecia e me disseram que estavam esperando as luzes acenderem. Vi que parte das luzes ainda não estavam acesas e, como os demais, também resolvemos aguardar. Enquanto aguardávamos entramos numa loja de chocolates Lugano e comprei dois tabletes onde estava escrito “adoro minhas noras”. Preciso agradar as meninas porque, segundo o costume, são elas que escolherão o asilo onde ficarei na velhice.


Às nove horas em ponto uma música de natal começou a tocar, alguns fogos de artifício pipocaram e as luzes foram acesas. Uma árvore de natal enorme, no meio da avenida, começou a girar e a brilhar com várias nuances de cores. De onde eu estava pude ver a luz dos flashes de inúmeras câmeras e celulares se juntando ao brilho da iluminação natalina. É bonito, e engraçado ao mesmo tempo. Não é preciso muita coisa para atrair a atenção de turistas ávidos por uma foto. Mas, verdade seja dita, a cidade ficou linda assim toda iluminada.

Notei que grande parte dos enfeites natalinos é feito de garrafas pet, e todos muito bonitos. Na maioria das vezes não gosto muito da aparência dos objetos decorativos que são feitos com material reciclado, mas esses candelabros provam que é possível fazer coisas interessantes com o material que vem do lixo. Durante a noite é possível confundi-los com vidro ou cristal.


Entramos em uma loja de enfeites natalinos com produtos de muito bom gosto para turistas mais endinheirados do que eu. As árvores de natal custam em torno do R$ 5.000,00. Vou continuar acendendo meu pisca-pisca no pinheirinho tradicional.

Comemos uma pizza na rua coberta e voltamos para o hotel. Amanhã logo cedo partiremos para Porto Alegre. O ônibus que nos levará deve ser bem maior que o que nos trouxe. Caso contrário, não haverá lugar para as malas.

Já encontrei Inês no hotel e ela me disse que o espetáculo que o grupo assistiu foi emocionante, o melhor dos três que ela viu. Disse que várias músicas do repertório do nosso coral foram apresentadas pelo grupo de cantores. Gostaria de ter assistido, mas não me perdoaria se saísse de Gramado sem ver, de perto e com calma, a decoração do Natal Luz.

15.11.2010

Chegamos ao aeroporto no horário do almoço. À medida que vou ficando mais velha, aumenta o meu medo de avião. Deveria ser o contrário, mas quanto mais velha mais medrosa.

Comemos e partimos para o Rio de Janeiro. A viagem foi bem tranquila, sem turbulência. Saímos de Macaé com chuva e encontramos chuva também no retorno.

"Melhor do que partir, é voltar". Não sei quem disse isso mas há alguma verdade nessa afirmação, pelo menos para mim.