09 agosto, 2010

PALERMO, SEGESTA, SELINUNTE, AGRIGENTO, SIRACUSA, TAORMINA, MESSINA, CAPO D'ORLANDO, CEFALÚ


  09.06.2002                                  PALERMO

Catedral de Monreale
A cidade de Palermo é bem grande, para os padrões aqui da Europa. Próximo do nosso hotel podemos admirar o Mar Tirreno e sentir o vento suave que vem do mar. A Sicília, que fica ao sul da Itália, bem no pé da bota, já foi ocupada por vários povos: gregos, fenícios, romanos, árabes...até os vikings estiveram por aqui. Resultado: uma mistura de culturas, uma miscigenação bem visível. Não sei qual a maior herança cultural deixada por cada um desses povos, mas certamente criaram um povo com características únicas. Segundo nosso guia Vitório, a influência grega é mais evidente, talvez por terem estado aqui por aproximadamente 700 anos. Na verdade, se perguntarmos a algum local sobre sua nacionalidade ele se denominará "primeiro siciliano, e só depois, italiano". Aliás, a convivência com o governo italiano não é de todo pacífica, embora tenham alguma autonomia.

O Vitório é um siciliano magrelinho e hiperativo. Fala muito e eu diria que parece um anarquista, quando se trata de política. Ele disse que eles não são italianos, inclusive falam uma outra língua, o siciliano que segundo ele, não tem semelhança com o italiano. Mas todos entendem o italiano, isso não é problema.

E quanto à “Cosa Nostra”? Vitório disse que a máfia siciliana continua na ativa, porém menos violenta que há décadas atrás. É “tutti buona genti”, imagino.


Clausto de Monreale
Saímos com o grupo para um passeio pela cidade. Subimos até o alto de uma colina para visitar a Catedral e Claustro de Monreale. A vista aqui do alto é linda, dá pra ver o mar e o que parece ser, ao longe, o continente. A catedral é imponente, com um estilo que me parece, bizantino. O interior da catedral é ainda mais bonito que o exterior. É repleto de mosaicos no teto, nas paredes, nas colunas. 



Descemos para Palermo e percorremos de ônibus o Centro da cidade. Passamos pelos prédios históricos e por um cruzamento que eles chamam de Quattro Canti. É uma encruzilhada que separa os quatro bairros que originaram a cidade. Há trocentos anos atrás esses bairros eram vilarejos independentes que se juntaram e formaram a cidade de Palermo. Quatro esculturas em estilo barroco estão localizadas nos quatro cantos que formam esse cruzamento.
Quattro Canti

Saímos caminhando pelas ruas estreitas do centro da cidade. O casario é bem antigo e eles conservam o hábito de estender a roupa nos varais que cruzam a rua. Tem de tudo: cueca, calcinha, camisola de dormir. Parece que estamos no início do século passado e que vamos encontrar com “Dom Corleone” na primeira esquina. Encontramos um grupo de pessoas saindo de uma igreja. Os homens beijavam-se no rosto enquanto saíam. Kátia ficou parada com cara de espanto, olhando a beijação. Tá certo que já sabíamos que os homens italianos têm esse costume, mas para nós ainda desperta curiosidade.

Voltamos ao hotel para almoçar. Estavam todos cansados e aproveitaram para dormir. Eu resolvi sair pela cidade, meio sem rumo. Fui até ao Teatro Massimo, mas só pude visitar a parte exterior do teatro. Acho que foi na escadaria desse teatro que foi filmada a cena do assassinato da filha de Corleone do filme “O Poderoso Chefão”. Em seguida fui ao Jardim Botânico. O lugar é super agradável, sentei em um dos bancos e fiquei tomando o sol do final da tarde. Encontrei por lá um casal de brasileiros que estava fazendo um roteiro parecido com o nosso, porém de carro.

Adélia hoje conversou conosco sobre a primeira etapa da viagem, o que nós achamos das obras de Miguelangelo: Pietá, Davi, Moisés.....Moisés????? Esquecemos de Moisés.

- O que? Vocês foram a Roma e não viram o Papa e ainda me dizem que não viram Moisés !!! Então não conheceram Roma.

Ainda bem que eu joguei a moedinha na Fontana de Trevi para garantir o meu retorno.





10.06.2002                                  SEGESTA E SELINUNTE

                                   Selinunte
Partimos bem cedo em direção a Agrigento. Paramos na cidade de Segesta para visitarmos as ruínas de um Templo Grego.

Continuamos viagem até Selinunte. O Vitório vai nos embalando com as histórias sobre a máfia e outras cositas mais.

Paramos para almoçar em um restaurante, frente para o mar, brisa agradável, boa comida e um vinho para completar o clima.

Um grupo tocava e dançava uma música típica daquela região. Arrastaram-me da mesa e me enfiaram nas mãos uma espécie de pandeiro enorme. Tive que dançar com eles, mas tudo bem, já estou me acostumando a passar por esses vexames.
Selinunte

AGRIGENTO

Agrigento
Chegamos em Agrigento no final da tarde. Vitório nasceu nesta cidade e, todo entusiasmado cantou uma música italiana que fala da cidade. Jantamos no hotel e saímos em seguida para um “tour by nigth”.

Durante o dia achei a cidade meio sem graça, sem cor, ou melhor, tudo tem cor de tijolo. À noite, porém, quando passamos pelo local das ruínas todo iluminado, no alto de uma colina, achei tudo tão lindo! 
Agrigento

11.06.2002

Pela manhã visitamos o Valle del Templos. É o local que vimos todo iluminado ontem à noite. Na verdade, são cinco templos, um cemitério e um teatro. Vitório nos explicou que a Sicília tem mais ruínas da Grécia Antiga do que a própria Grécia. Isto porque a Grécia foi atacada sucessivas vezes pelos turcos, que são praticamente seus vizinhos, e que destruíram boa parte de suas construções.

Agrigento

Mosaico da Vila Romana









Seguimos viagem para Piazza Armerina onde paramos para almoçar. A cidade é medieval e linda. Fica no alto de uma colina, pra variar. Em seguida fomos conhecer as ruínas da Villa Romana del Casale. Achei superinteressante esse local, que por sinal é considerado pela Unesco como patrimônio histórico da humanidade. Não se sabe ao certo quem construiu essa vila que é composta de vários ambientes e todos eles possuem afrescos no piso. Os afrescos são maravilhosos e cada um deles traz uma imagem que tem relação com aquele local. São imagens de caçadas, crianças brincando (deveria ser os aposentos das crianças), etc... Quando entramos na parte do que seriam as termas, um dos desenhos mostrava várias mulheres, vestidas com algo que parecia um biquíni, fazendo exercícios de atletismo. Será possível que já naquela época as mulheres puxavam ferro? E já usavam biquíni?
                                            Templo da La Concórdia -Agrigento


Chegamos em Siracusa já na hora do jantar. Nessa viagem pela Sicília os jantares estão inclusos no pacote e sempre no hotel. Aliás, os jantares tem sido um caso à parte. Tomamos vinho todos os dias, quase sempre o tinto italiano Corvo, falamos muito e rimos mais ainda. A turma é animada. Acho que nunca fiz uma viagem tão divertida.

12.06.2002                                SIRACUSA

Siracusa
Siracusa é uma das cidades mais importantes da Sicília e, segundo Vitório, no período de dominação grega ela era tão importante quanto Atenas.

Depois do café saímos para visitar um parque com ruínas gregas. Quando chegamos em frente à entrada do parque eu e Adélia decidimos não entrar. A nossa cota de ruínas já estava completa. Como tínhamos que esperar o grupo e em frente ao parque havia algumas charretes, resolvemos dar um passeio. O charreteiro era um velho e o cavalo mais velho ainda. O velho gritava com o cavalo que não queria andar. Vez por outra ele empacava e nem com chicotada se mexia. O velho parava a charrete em alguns locais e insistia para que tirássemos fotos. Nós dizíamos que não, que não queríamos e mais a frente ele voltava a insistir. Acho que ele estava querendo descansar. Morríamos de rir com a cena. Quando ele parou em frente à igreja Madonna delle Lacrime (Nossa Senhora das Lágrimas) resolvemos descer e dar um 
Siracusa
descanso ao velho e ao cavalo, mais ao cavalo, certamente. A igreja tem uma arquitetura bem moderna o que não é muito comum por aqui. É muito bonita, valeu a parada. Depois das fotos voltamos à charrete que nos levou de volta ao parque. - “Grazie, grazie". - Prego!!!, disse o velho.
Siracusa

Seguimos para Taormina. Chegamos ao hotel Vila Caparena à tarde. O hotel é uma graça e fica em frente ao mar. Colocamos o biquíni e nos preparamos para um mergulho. Quem disse que conseguimos? Só a Núbia que é tarada por água. O mar estava gelado e a areia da praia e só pedregulho. A ilha da Sicília é de origem vulcânica e aí, nas praias não tem areia, só pedrinhas.

 
13.06.2002                                            TAORMINA


Que cidade linda!! Meu amigo Jorge Freitas já havia me falado sobre ela. Faz jus à fama. Ela é conhecida como cidade “terraço” porque fica no alto de um monte. E lá embaixo o mar azul, muito azul. Eles o chamam de mar Jonio. Em cada região o mar Mediterrâneo tem um nome diferente: Tirreno, Jonio, Adriático, etc... E lá atrás o vulcão Etna, o mais ativo da Europa. É uma cidade muito antiga, vários séculos antes de Cristo.

Fizemos um passeio até o vulcão Etna. Beth e Helena ficaram no hotel. Esse passeio é muito puxado para Helena. Subimos até determinada altura de ônibus. Kátia ficou na metade do caminho, num chalé onde vendem souvenirs e nós continuamos a subir num veículo mais apropriado para aquele local. Parece um caminhão do exército. Durante a subida passamos por algumas casas parcialmente cobertas de lavas e algumas torres de teleférico caídas. O guia disse que foi resultado da última erupção, no ano passado.  Ui!!! Espero que a próxima demore mais um pouco.
Vulcão Etna
Topo do Vulcão Etna
Chegando lá no alto, são 3.340 metros, continuamos o percurso a pé, junto com um guia. Chegamos até próximo à cratera do vulcão. É uma sensação muito estranha. A paisagem a nossa volta é totalmente negra, parecia que estávamos na lua. Uma névoa forte não nos deixava ver o mar lá embaixo. Só víamos o negro das larvas. Fazia muito frio lá no alto. Descobrimos que algumas pedras eram bem quentes e pegamos para aquecer as mãos. De vez em quando passávamos por algum lugar com uma fumaça com cheiro de enxofre. Será que o inferno é parecido ? Tínhamos que ficar de olho no guia porque, com a neblina, se nos afastássemos um pouco poderíamos nos perder. E naquele lugar escuro e sempre igual, é difícil encontrar a direção correta. 

Enfim retornamos ao mundo real. Antes de entramos no caminhão resolvemos tomar algo para esquentar. Entramos num bar tipo container e pedimos uma bebida para aquecer a alma. O vendedor nos aconselhou o “El fuego del Vulcano”. O “fuego” desceu queimando a garganta, quase não consegui beber o segundo gole.

Descemos até Taormina. Visitamos um teatro meio grego, meio romano que está ainda bem conservado se considerarmos a idade dele. A acústica é incrível; os gregos sabiam das coisas. Costumam realizar alguns eventos nesse teatro. Imagine como deve ser um espetáculo à noite, com uma iluminação apropriada ?

Caminhamos pelas ruelas medievais cheias de turistas, encantados como nós. Quase todas as casas têm uma jardineira cheia de flores. A toda hora parávamos para admirar as casas, as sacadas, as flores. Os restaurantes colocam mesas com velas acesas, sobre a calçada, o que reforça o clima romântico da cidade. Essa é uma boa cidade para se passar uma lua de mel.

Taormina também é uma das cidades preferidas pelo transatlânticos em cruzeiro pelo Mar Mediterrâneo.
Taormina
Taormina
Fizemos algumas comprinhas. Comprei dois anjinhos para mim, um azulejo decorado com uma mensagem para meu pai e um xale para minha mãe.

Durante o jantar, quando estamos sozinhos à mesa, a conversa quase sempre descamba para baixaria, principalmente à noite depois do vinho. Hoje dividimos nossa mesa com um casal de meia idade, bem altos e elegantes. São espanhóis do País Basco (acho que eles preferem ser chamados de bascos). Procuramos nos comportar de forma elegante, falando baixo e nada de risadas, caso contrário nossa amiga Adélia nos manda para a “Socila”. Mas foi difícil resistir quando vimos Camilo levar o guardanapo à boca, segurando na pontinha dos dedos. Parecia um nobre. Ou melhor, um fanfarrão. Quando os espanhóis saíram caímos na gargalhada. Lá se foi a finesse!!!

Vulcão Etna ao fundo

Vulcão Etna visto da cidade de Catânia

MESSINA E CAPO D'ORLANDO

14.06.2002 
Saímos cedo para Messina. Fizemos uma visita panorâmica da cidade e paramos em frente ao estreito que separa a Sicília do continente. Tiramos uma foto com Vitório, esse guia siciliano agitado, que nos acompanhou nessa viagem.
Nosso guia Vitório, de braços levantandos

Paramos na cidade de Capo D’Orlando para almoçarmos. Tivemos um belo almoço, frutos do mar deliciosos. Camilo e Kátia sentaram em outra mesa ao lado da nossa. Como sempre acontece, a medida que bebemos mais vinho o nível da conversa foi baixando, baixando e as risadas começaram. Camilo e Kátia na mesa ao lado, juntos com os espanhóis, esticavam os pescoços curiosos para saberem qual era o assunto.

Capo D'Orlando
Ficamos nos espreguiçando ao sol sentados em uma mureta em frente ao mar mediterrâneo. O mar hoje está ainda mais bonito, num tom azul escuro tão diferente do azul das nossas praias.
Descobrimos uma loja ao lado do restaurante que tem umas sandálias emborrachadas que servem para andarmos nessas praias que tem mais pedra que areia. Vamos precisar delas na Grécia.

CEFALÚ

Chegamos em Cefalú, pequena cidade de pescadores que é muito procurada por causa de suas praias. O centro histórico é medieval com ruas estreitas e tem até um pequeno riacho correndo entre as casas. Paramos por alguns minutos na Catedral Normanda e em uma fonte medieval, pontos turísticos da cidade.
Messina

Cefalú

Cefalú
No início da noite chegamos a Palermo. Amanhã cedo partimos para a Grécia.




ATENAS, MIKONOS, SANTORINI



15.06.2002
Acrópole
Atenas é completamente cinza, quando vista aqui do alto enquanto o avião se aproxima. Quase não há verde, tudo é pedra. Acho que as oliveiras e os vinhedos devem ficar longe daqui.
A cidade é bem grande, mas não possui muitos prédios altos. Segundo o motorista que nos levou ao hotel, nenhuma construção pode impedir a visão da Acrópole, que fica numa colina não muito alta. As acrópoles eram construídas na parte mais alta das cidades. A intenção era exaltar os nobres valores humanos e tinha também uma função estratégica, pois do alto era mais fácil defender a cidade em caso de invasão. Hoje o cenário mudou, mas ficou a tradição.

O Hotel President é enorme e está cheio de esportistas. Acho que está acontecendo algum evento esportivo aqui em Atenas. Saímos para um passeio pela cidade.

A noite fomos jantar com todo o grupo em um restaurante com show de dança típica. É uma dança só de homens, um deles por sinal muito bonito, que dançaram a conhecida dança grega que para nós se resume ao que vimos Anthony Quinn fazer em “Zorba, o grego”. Uma de nossas amigas se encantou com um dançarino e acabou sendo puxada para o palco. Dançou um pouquinho e depois pegou o telefone do bonitinho. Quando lemos o cartão do grego caímos na risada. O nome dele é Fodes. Coleguinha, como você irá apresentá-lo para suas amigas no Brasil?

16.06.2002
Estádio Panathinaiko

Contratamos um tour local. No centro da cidade paramos na Praça Sintagma local do antigo Palácio Real. Em frente ao Parlamento Grego assistimos a troca da guarda da Tumba do Soldado Desconhecido. A roupa dos guardas é muito interessante. Eles usam uma sainha curta com meias grossas e um sapato com um enorme pompom em cima do pé. Essa roupinha aqui no Brasil é impraticável.

Estivemos em seguida no estádio onde aconteceram os primeiros jogos olímpicos modernos. O estádio foi construído no ano 566 A.C e foi reformado para os jogos modernos de 1896.
Passamos depois pela Universidade de Atenas, Biblioteca Nacional e Academia de Artes de Atenas.

Ruínas do Parthenon
Acrópole
Em seguida fomos para a Acrópole, o maior ponto de interesse na visita a Atenas. A subida não é muito fácil, muitas pedras soltas. As mulheres que tentam subir de salto correm sério risco de rolar morro abaixo. Acho que a infraestrutura para visitar esse importante ponto turístico, poderia ser melhor. Em compensação a visão do Parthenon, que é a principal construção dessa Acrópole, vale qualquer sacrifício. Esse templo representa o melhor da arquitetura grega e foi construído em homenagem a deusa Athena. A palavra Parthenon significa “parto não” o que vale dizer que a deusa Athena era virgem. Suas esculturas são consideradas o melhor da arte da Grécia. Pena que a maioria encontra-se em museus de outros países, Inglaterra principalmente. A Grécia está reivindicando o retorno dessas obras para a Grécia. Briga de cachorro grande. Existem outras ruínas de templos aqui e também um museu com algumas peças originais e réplicas de outras peças, as tais que foram roubadas e encontram-se em outros países.
Como venta aqui em cima, estou com poeira até na alma.

Descemos à colina e seguimos para o bairro de Plaka. No caminho passamos por uma praça que tem o nome de Ágora. Era aqui que na Grécia Antiga os gregos se reuniam em uma espécie de assembleia para decidir sobre assuntos ligados a vida cotidiana da cidade de Atenas. Votavam, inclusive, e o voto era direto, nada de voto secreto. Era também um espaço público para debates. Imagino que aqui nesse lugar Sócrates tenha “corrompido” os jovens daquela época.

Almoço no bairro Plaka
Retornando ao Séc.XXI chegamos ao Bairro Plaka. Reparando bem não voltamos tanto à atualidade assim. Esse bairro parece que conserva alguma coisa do passado. São muitas ruelas com casas antigas, muitas lojas de souvenirs e restaurantes bem agradáveis. E uma “bendita” feira nos moldes da 25 de março. Paramos em um restaurante com um pátio sombreado por um pé de bouganville lindo. Almoçamos divinamente e em seguida retornamos ao hotel. No caminho passamos por uma rua cheia de lojas de ourivesaria. Minhas amiguinhas não resistiram.

Á noite fomos ao porto de Pireus. Fica um pouco distante do centro de Atenas. É um lugar bem movimentado, ponto de encontro da garotada, certamente. Durante o jantar o restaurante nos ofereceu a bebida “ouzo” típica da Grécia. Detestei, não gosto de anis. Em seguida caminhamos pelo porto aproveitando a noite que estava muito agradável, uma temperatura amena e sem o vento característico dessa região. Tomamos um sorvete enquanto aguardávamos nossa amiga que saiu para um passeio de moto com o grego Fodes. Estávamos um pouco ansiosas. Será que ela voltará intacta? Se o grego fizer jus ao nome nossa companheira deve estar virando os olhinhos. Se esse grego vier a visitar o Brasil, vai precisar de um apelido pois com esse nome vai ficar complicado.

MIKONOS

17.06.2002

Partimos para Mikonos pela manhã. Deixamos parte da nossa bagagem no hotel em Atenas e levamos só o necessário para esse período nas ilhas. Chegamos a Mikonos no início da tarde. Nosso Hotel Kalypso é uma gracinha. Em frente aos quartos tem uma pequena varanda que dá para o mar. E que mar !!! É de um azul indescritível.
Descemos a pé até “Little Venice” (pequena Veneza) o bairro mais badalado de Mikonos. Passamos pelos três moinhos que vemos nos postais e nos embrenhamos pelas ruazinhas de casas brancas e janelas coloridas, cheia de bouganvilles de todas as cores, lojinhas e bares que ficam abertos até a meia-noite. Escolhemos um restaurante para o jantar. Na mesa ao lado da nossa estava um grupo de homens, dezoito ao todo, jovens e alguns de meia idade. Depois de algum tempo começamos a notar alguns beijinhos na boca, mão na coxa, carícias entre eles, etc... Mãe Santíssima !!! Eram noooooove casais !!! Eu já tinha ouvido falar que Mikonos é o paraíso dos gays, mas ainda assim foi uma surpresa. Quanto desperdício, cada homem lindo!!! É, o sexo “forte” está cada vez mais se transformando em sexo “frágil”.

18.06.2002

Estamos realmente em ritmo de férias, sem pressa, sem horário rígido. Saboreando os dias com a maior calma. Embarcamos em um tour pela ilha. Numa das paradas para visitarmos umas ruínas eu, a Kátia e a Núbia resolvemos ficar do lado de fora assistindo ao jogo do Brasil na televisão de um quiosque. Os gregos começaram a nos dar força na torcida. Núbia comentou que depois dessas férias já está quase gostando de futebol.
Resolvi ligar para Vilson. É madrugada no Brasil, mas sei que ele está acordado assistindo ao jogo. Enquanto eu falava com ele o Brasil fez um gol. Gritei gol e ele perguntou - que gol ?. - O que o Brasil acaba de fazer. Levou ainda alguns segundos para que a TV no Brasil transmitisse o gol.

Vilson está mal humorado. Lacônico, só responde ao que eu pergunto. O mau humor é justificável, afinal falei com que a viagem seria de 15 dias, mas na verdade ela irá durar 26 dias. Nada que o tempo e a saudade não resolvam.

Saímos logo cedo para a praia. Começamos pela praia de Eliá. O mar é manso e o azul do mediterrâneo é inesquecível. A temperatura da água também não dá para esquecer: é gelada. Pode ser que em julho, já no verão realmente, a temperatura do mar seja um pouco mais alta. Mais tarde fomos conhecer a praia da balada: Super Paradise. A praia começa a encher de gente depois das 15:00 h. É que o pessoal da balada da noite anterior precisa se recuperar para daí então retornar para a balada de hoje. Escolhemos uma barraca e nos sentamos para admirar a paisagem em volta. Do lado direito ficam a maioria dos nudistas e os casais gays, alguns bem musculosos. Do lado esquerdo muita garotada e os que não tiram à roupa. Mas nada impede que todas as preferências se misturem, cada um fica onde quer. Nós ficamos no meio. Kátia disse que se ficássemos mais uns dois dias todos nós íamos tirar a roupa. Ainda bem que vamos embora daqui a dois dias. Imagine!!! Nós não íamos conseguir nos olharmos sem cair na risada. Posso imaginar os comentários: - não imaginava que você já tem cabelo branco nesse lugar; - realmente o sutiã é o melhor amigo da mulher; - Éééé, quem vê o pé não imagina o ...; - fulana já teve dias melhores. Enfim, acho melhor nos mantermos vestidos.

Saímos caminhando pela areia, se é que podemos chamar essas pedrinhas de areia. Um festival de bundas brancas ao sol. Núbia, curiosíssima, avistou um japonês pelado e queria porque queria conferir o tamanho do bilau do japa. - Vamos até a pedra e na volta conferimos, tá bem ? Na volta o japonês estava dentro d’água. - Pronto, agora ferrou. Se já estava difícil de ver antes, agora é impossível.

Íamos zarpar amanhã para Santorini, mas está acontecend
o uma greve de portoviários. Teremos que ficar mais um dia em Mikonos e seguir para Santorini de avião. Há males que vem para o bem.

Á noite resolvemos dar uma esticadinha na Boate Space Dance. Não ficamos até muito tarde, temos um passeio programado para amanhã cedo.

19.06.2002

Fomos conhecer a Praia Paradise. É tão bonita quanto as outras.

À tardinha fomos para Littre Venice encerrar o nosso dia. Quando a noite vai chegando as ruas se enchem de turista elegantes, alegres e queimados de sol. Eles vêm ávidos pelos prazeres urbanos: comer e comprar. É agora que o comércio começa a faturar. Sentamos em um restaurante a beira mar, comemos e bebemos e, em seguida, fizemos o mesmo roteiro de todos os outros turista.

Os gregos são bem tranquilos, não parecem se preocupar com muita coisa. Ficam conversando com os comerciantes da vizinhança, mantém suas casas pintadinhas de branco, o rejunte do calçamento está sempre branquinho formando um desenho geométrico bem legal. Não se parecem em nada com os antigos gregos: guerreiros, grandes pensadores, formadores da cultura que é berço da civilização ocidental. Será que regrediram ou evoluíram tanto que só se interessam pelo que realmente importa: dançar, beber vinho, conversar fiado, namorar, etc...

Os gregos é que estão certos. Ou não? Penso que essa vida tranquila não deve ser fácil de sustentar a longo prazo.
Nossos quartos ficam ao lado um do outro e uma grande varanda, que é comum a todos os quartos dessa ala do hotel, voltada para o mar azul e o infinito. Costumamos, no final do dia nos juntarmos para papear. Hoje morremos de rir com a descoberta de Adélia. Ela percebeu que há três dias vem passando o creme de cabelos nas pernas. Camilo justificou:

- É impossível não se confundir, é um creme para o pé direito, um creme para pé esquerdo um creme para o olho direito, um creme para o olho esquerdo!

Dia desses ele viu Adélia com o cabelo crespo e estranhou. Disse que achava que o cabelo dela era liso. 

- Mas como, você alisa o cabelo todo dia?
- Toda semana, praticamente. - respondeu

Ela esclareceu que fazia escova para manter o cabelo liso. Começamos a falar tudo sobre os truques que as mulheres fazem para melhorar o visual e que eles sequer percebem: depilar perna, buço, virilha, cílios postiços, tirar pelo das sobrancelhas, escova, hidratação, etc. Ele ficou espantado e disse que cada vez entende menos as mulheres.
Eu também não entendo.

Terminamos o dia admirando o famoso pôr do sol da varanda do nosso hotel.

SANTORINI

20.06.2002

Amanhecemos no aeroporto. Tem uma multidão esperando pelo voo para Santorini. Finalmente embarcamos. O piloto avisou que o voo deveria levar mais ou menos uns quarenta minutos. Olhando pela janela vimos um carrinho com a nossa bagagem. Em seguida o piloto avisou que não foi possível embarcar toda a bagagem e que uma parte iria no próximo voo. Droga!!! Será que a nossa ficou ?
O avião não é dos maiores e estava lotado. Comecei a ficar sonolenta, mas a Núbia me acordou e disse que achava que o avião estava dando voltas. Ela disse que já tinha visto o vulcão abaixo umas quatro vezes. Passado alguns minutos, novamente o vulcão. Núbia tem razão. Quando olhei a hora vi que o voo já durava uma hora e vinte. Notei que várias pessoas já esticavam o pescoço e conversavam entre si. Um japinha brasileiro disse que tinha certeza que o avião estava queimando combustível porque estava com excesso de peso. Outro falou que por causa da greve o aeroporto devia estar congestionado. Comecei a ficar nervosa. O piloto anunciou o pouso. Quando o avião começou a baixar foi um sufoco. Balançava como folha no vento, um horror !!! Quando bateu no solo apertei os dentes. Ufa!!!! Não explodiu.
Notei que o músculo da minha panturrilha estava dolorido. Acho que foi por ter ficado muito contraído durante todo o tempo que o avião levou para fazer o pouso.

Deixamos as malas no Hotel Philippion e fomos para Fira. Entramos por uma ruazinha e caminhamos para o mar que víamos lá no final da rua. Quando cheguei na mureta que fica no final da rua e vi a paisagem a minha frente, senti uma emoção estranha. Não era nem de longe o que eu imaginava; era muito mais. Todas aquelas casas branquinhas, hotéis, igrejinhas debruçadas sobre o penhasco e ao fundo o azul escuro do mar Egeu, me impactaram. É uma paisagem de tirar o fôlego. E para completar, de um restaurante logo abaixo vinha uma música ( acho que é o coro da ópera Aída) que combinava perfeitamente com aquele momento. Será que aqui tem uma fonte pra jogar a moedinha e garantir que eu volte?

Passados o primeiro impacto, tiramos fotos, andamos pelas ruas, vasculhamos as lojinhas e fomos jantar. Escolhemos um desses restaurantes que ficam na encosta, ou melhor, na cratera do vulcão extinto. Será que é extinto mesmo ?

A penumbra no pátio do restaurante, as luzes das velas, o céu cheio de estrelas. Tudo lindo e romântico, mesmo sem um homem apaixonado ao nosso lado.

21.06.2002

Saímos cedo para um passeio de barco. Paramos em um embarcadouro para um passeio até o alto de uma colina de origem vulcânica. Eu fiquei no embarcadouro, tomando sol, porque já vi o Etna e me basta. Em seguida embarcamos e paramos na praia Red Beach. Ela tem esse nome por causa dos morros avermelhados, falésias na verdade, que ficam em volta dessa praia. É um belo contraste, as falésias avermelhadas e o azul cristalino do mar. Não tive coragem de entrar na água fria. Núbia, que não perde um mergulho, disse que a água aqui não era tão fria.

Paramos em uma das inúmeras ilhas para almoçarmos. Encontramos no restaurante duas brasileiras animadérrimas. Após o almoço retornamos ao continente e tínhamos a opção de subir até Fira pela trilha com degraus ou num dos burricos que são símbolo dessa ilha. Lá foi Andréa, morro acima, montada num burrico cheio de enfeites, sininhos, penduricalhos, etc... Fiquei com vontade de subir também, mas tive medo que o burrico não aguentasse e me jogasse no chão.

Dirigimo-nos para a cidade de Oia (“Ia”) final da tarde para assistirmos ao famoso pôr do sol. Primeiro caminhamos pelas ruazinhas de Oia. A cada 30 metros descobríamos um Kodak Point. Era uma casinha com flores na varanda, uma escada com vasos de flores, um gato sobre a mureta, uma igrejinha com a cúpula azul...Êta lugar bonito!!!

Chegamos ao restaurante do moinho, procuramos um lugar para sentar que nos desse uma melhor visão e aguardamos o espetáculo do sol. Olhamos ao redor e vimos um mar de gente que se aboletava nos restaurantes, nos muros em volta do penhasco, em todos os lugares de onde se pudesse admirar o pôr do sol. E o Astro Rei foi descendo aos poucos, bem lentamente, como se soubesse que o estávamos admirando. Na hora H foi possível ver a quantidade de flashs que pipocavam e em seguida todo mundo aplaudindo. Só estando ali para entender.

Ficamos mais algum tempo saboreando um vinho grego, que eu achei muito bom (não sou especialista) e admirando a mudança de cor que a cidade adquiria à medida que a claridade ia diminuindo. Primeiro ficou tudo avermelhado, depois amarelado e finalmente tudo escuro, dourado e prata. O dourado das luzes e o prateado da lua.

Apolo, Deus do Sol, deve ter nascido aqui.

22.06.2002

Levantamos cedo, tomamos um banho na piscina do hotel e em seguida fomos a Praia de Camari, do outro lado da ilha. É uma praia de origem vulcânica e, por isso sua areia é negra. É bem bonita, como tudo por aqui. Caminhamos pela orla que é plana, com casas maiores, muitas lojas. É um pouco diferente das outras cidades da ilha, mais sofisticada e menos bucólica. Compramos algumas lembranças nesta praia. Estou levando para meu pai um “Komboloi”, cordão de contas parecido com um rosário, porém sem finalidade religiosa, que os gregos ficam rodando entre os dedos da mão, para desestressar. Encontrei aqui uma sandália branca com uma trancinha dourada atravessada sobre o pé, igual a que vi nos pés de uma turista em Mikonos. Ela é bem parecida com as sandálias que as mulheres gregas usavam na antiguidade. Comprei na hora.
Santorini
Á tarde partimos para Atenas. Amanhã bem cedo voamos para o Brasil. A saudade começa a apertar.

23.06.2002

Chegamos ao Rio no início da noite. Quando peguei minha bolsa e fui conferir o dinheiro que eu havia reservado para o táxi e o ônibus para Macaé, não encontrei nada. O dinheiro deve ter sido roubado na bagagem que deixamos em Atenas quando fomos para as ilhas. Não era muito e não precisarei dele porque Vilson virá me buscar. Se ainda fosse dólar ou euro, mas real ? O que o ladrão, provavelmente alguém que trabalha no hotel em Atenas, fará com essas notas ? Só se for colecionador.

Vilson estava me esperando. Acho que a raiva já passou; agora é só matar a saudade.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Tudo o que eu imaginei sobre a Itália se confirmou. Pude conferir pessoalmente o que eu já pressentia, afinal de contas essa é uma cultura que sempre me interessou. Foi agradável constatar que o povo brasileiro e o italiano possuem muitas características similares.

A Grécia foi uma surpresa para mim. Acho que concentrei todas as minhas expectativas na Itália, terra dos meus avós. A Grécia seria um plus nessa viagem, ou melhor, apenas um detalhe.

Mas turismo é assim, o melhor pode ser o inesperado. Nossa escolha é, na maioria das vezes, direcionada pelo orçamento e pelo nosso gosto pessoal. Se gostamos de praia, ou saborear comidas e bebidas diferentes, se gostamos de esquiar ou surfar, ou se queremos comprar, comprar..... Encontrar tudo isso em um único lugar é tarefa bem difícil. Mas acho que a Grécia tem um pouco de tudo que eu gosto.
Tem muita história, que eu adoro, a comida é ótima, tem a brisa do mar, o povo é alegre e hospitaleiro, a vida noturna também é excelente. Não fui até as montanhas, mas nos disseram que há neve no inverno. Adoraria assistir um espetáculo de dança ou canto numa dessas ruínas de antigos anfiteatros, como o Herodion na Acrópole de Atenas. A natureza aqui é linda e ainda ficou tanto por conhecer.

Quem sabe um dia eu volto. E quando achar que já vi o suficiente, gostaria de aquecer o corpo no sol e descansar a vista no azul profundo desse mar.

Essa é uma terra para se visitar muitas vezes.