20 agosto, 2012

TIRADENTES-2012

Estive em Tiradentes no último final de semana, junto com algumas amigas do Coral da Petrobras.

Logo que cheguei ao ponto de encontro para saída do ônibus, encontrei vários conhecidos de longa data: Marta e Sílvio, Sueli e Bicão, Sônia Stutz, Fátima e outros. É um bom grupo, tudo gente boa!
A primeira vez que estive nessa cidade, na década de 70, a cidade não tinha esse glamour. Era apenas uma cidade histórica, com seu casario antigo, nem sempre bem conservado.
Quanta diferença!!! Agora,  uma enxurrada de turistas, muito comércio de artesanato e carros demais prá um lugar tão pequenino.

Chegamos no início da noite e fomos direto para o hotel. Na fachada em letras bem grandes, as iniciais do nome do hotel "HPM" (Hotel Ponta do Morro) fazem-me lembrar do Hospital Municipal de Macaé que também é conhecido pelas mesmas letras iniciais. Uiiii!!! Péssima lembrança.
O hotel fica numa encosta e nosso quarto, meu e de Valdéa, fica na parte mais alta. É preciso subir muitos degraus para chegar até lá. Alguém disse que nos colocaram lá porque somos mais jovens. Que consolo! Nessa altura do campeonato ficamos contentes quando somos consideradas "jovens" mesmo que seja à custa de algum sacrifício.

Mais tarde saímos para uma caminhada pela cidade, começamos a conferir as lojinhas comparar preços, etc...Tem muita coisa interessante aqui mesmo perto do hotel, mas não estou com muita vontade de fazer compras. Encontramos algumas amigas que estão no nosso grupo e resolvemos procurar o restaurante "Atrás da Matriz". Disseram que lá tem bons pratos de bacalhau. Saímos caminhando pelas ruas estreitas, entrando nas lojinhas, tirando muitas fotos, como todo turista que se preza. Subimos a ladeira até a matriz. A noite estava bem fria e lá no alto do morro a rua estava bem deserta. Se estivéssemos em uma grande cidade provavelmente não nos arriscaríamos pela rua escura e vazia. Logo a frente encontramos uma mocinha do lugar que nos informou o local certo do restaurante "fica atrás da matriz". Óbvio!!


O restaurante é bem agradável, numa casa antiga e com iluminação bem suave. Sentamos numa varanda no quintal lateral que, apesar do frio, estava agradável. Notei que ao lado da varanda  tinha alguns aquecedores que poderiam ser colocados ao lado da mesa. Que bom! O frio tá congelando a ponta do meu nariz. 

Como não estávamos famintas nos contentamos com bolinhos de bacalhau, pastéis de angú e uma sopinha. Tomei um vinho tinto bem encorpado, que naquele momento, caiu muito bem. Bebi sozinha pois minhas amigas não bebem álcool . Que pena!!!

Descemos a ladeira deserta. Não me surpreenderia se encontrasse vagando por aquelas ruas, um "inconfidente". Ele não ia destoar da paisagem nessa madrugada fria e escura.

Próximo ao hotel passamos por um restaurante que servia chocolate quente. Não resistimos e entramos. Sentamos no interior do restaurante e tomamos aquele caldo denso e quente. Uma delícia!!!
Como tenho que me privar de doces, quando me permito sair da linha, saboreio esses momentos bem devagar e eles sempre me parecem mais gostosos do que realmente devem ser.

Na manhã seguinte fomos até uma cidadezinha próximo a Tiradentes onde há uma fábrica de objetos de estanho e o artesanato típico é mais barato que em Tiradentes. Comprei bastante coisa: tapetinhos, almofadas, artesanato em metal. Voltei com o saco cheio.


Em seguida fomos até São João del Rey. Faz uns 30 anos que estive aqui e parece que nada mudou. Almoçamos por lá (o local não era dos melhores e a comida muito sem graça). Depois fomos até a matriz que, me parece, é o principal ponto turístico da cidade. Retornamos em seguida a Tiradentes no trenzinho "Maria Fumaça". A paisagem em volta não é das mais bonitas e daí, cochilei boa parte do trajeto. Programa de índio; melhor seria ter ficado em Tiradentes, batendo perna pelas ruas, subindo as ladeiras, admirando o casario.

A noite estava muito fria e estávamos cansadas. Resolvemos jantar em um restaurante em frente ao hotel, do outro lado da praça. Na entrada, sobre uma bancada, vários tipos de sopas. Escolhi a de canjiquinha com costelinha salgada, também conhecida como "Pela ( do verbo pelar) égua". Não me arrependi, estava ótima.

Voltamos para o hotel e dormimos o sono dos anjos. Barriga cheia, friozinho gostoso, travesseiro macio, coberta quentinha. Não precisa mais nada para dormir feliz. Um pouco de sexo também não seria mau, mas....melhor dormir e não pensar nisso agora.

Acordamos por volta das 08 h. O hotel estava mergulhado na neblina. Ficamos na varanda olhando a paisagem branca e flutuante. Descemos a ladeira e fomos para o café. Esse frio dá uma fome!!!! É difícil controlar a gula.

Graça queria passar pelo shopping popular de Itaipava, mas alguns passageiros queriam ir a cidade de Bichinho. Rolou um certo stress e Graça resolveu atender o pedido dos descontentes. Ficamos esperando pela Van que nos levaria ao lugarejo, mas como o transporte custava a chegar decidimos seguir viagem e paramos no tal shopping.




















Já estive nesse lugar antes, quando vim ao casamento da minha sobrinha Paula, em Itaipava. Não tem nada nesse shopping que me interesse nesse momento.

A viagem foi legal, mas não ficamos tempo suficiente, na minha opinião. Já estou com vontade de voltar a Tiradentes.






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01 setembro, 2011

CONSERVATÓRIA-2011

26.08.2011

Passei o final de semana em Conservatória, uma cidade (ou seria um lugarejo?) do Estado do Rio, junto com um grupo de amigas.

No local de saída do nosso ônibus encontrei com um velho conhecido, o Silvio, que eu não via já há algum tempo. Ele é irmão de um grande amigo meu, já falecido. Lembrei da minha adolescência, quando frequentávamos – eu, Silvio e seu irmão Sérgio - a Igreja Batista, onde meus pais eram membros. Bateu-me uma certa melancolia. Melancolia combina com seresta e serenata; então está tudo certo, pois estou indo para a Cidade das Serestas. Já estou no clima.

Ficamos hospedadas no Hotel Vilarejo, o mesmo onde me hospedei anos atrás, e dividi o quarto com Valdéa e Janete. Nós três, mais Graça e Lina que também estão nesse grupo, cantamos em um Coral da Petrobrás, portanto estamos no lugar certo, vai rolar muita cantoria.

Chegamos no hotel por volta das 21 h depois de uma viagem cansativa. Jantamos e partimos para o centro da cidade que, segundo os locais, tem três ruas: uma que sobe, uma que desce e outra que atravessa essas duas. Logo que saímos do hotel um carro parou e ofereceu-nos uma carona. Ficamos indecisas, já não estamos acostumadas com essas delicadezas, mas a mulher que dirigia nos colocou a vontade, falou que é um costume dos moradores oferecerem carona para os visitantes, visto que a cidade não possui táxis. Acho que a hospitalidade também faz parte da imagem que os moradores querem transmitir para os turistas.

Quando chegamos na rua de pedestres o pessoal da serenata já estava cantando e preparando-se para iniciar sua caminhada. O centro estava repleto de turistas e o barulho que as pessoas provocam, mesmo quando tentam manter o silêncio, impedia que a música e as histórias que os seresteiros contavam, chegassem nitidamente até nós. Eles não usam nenhum tipo de amplificador de som pois consideram que isso descaracteriza a seresta.

Quando estive aqui tempos atrás, os seresteiros seguidos por um grupo de turistas, iam caminhando e cantando pelas ruas do centro. Cada casa possui uma plaquinha afixada na fachada com a indicação da música preferida daquele morador. O grupo parava e fazia uma serenata cantando aquela música que estava na placa e também outras músicas do repertório do grupo. Na volta à rua central, sentamos em um restaurante e ficamos ouvindo um grupo que tocou e cantou até a madrugada.
Serenata
Dessa vez, porém, a serenata não fluiu como deveria. Acho que o número de instrumentos e seresteiros não foi suficiente para sobrepor o ruído das vozes dos inúmeros turistas. É assim que quase sempre acontece quando um lugar começa a ficar muito badalado. Se não houver nenhuma ação eficaz, a cidade acaba perdendo ou alterando completamente sua vocação principal.

Conservatória segue resistindo à modernidade. Continua preservando a poesia e as canções antigas que são patrimônio da nossa cultura. Não sei até quando ela vai conseguir manter a tradição sem sucumbir ao apelo quase irresistível que transforma a cultura em puro comércio.


27.08.2011

 
 Logo cedo visitamos uma cachaçaria que faz parte do complexo turístico do hotel e em seguida voltamos ao centro da cidade. 
Ficamos admirando o casario colonial, a maioria em bom estado de conservação. De vez em quando, Janete parava em frente de uma delas e dizia – “Essa me serve. Quando me aposentar quero vir morar aqui.”

Procurei pelo grupo de chorinho que eu vi tocando num bar de uma viela na última vez que estive aqui. Não encontrei. Que pena!!! Eles eram ótimos.
No início da noite um senhor fez uma apresentação para os hóspedes do hotel. Ele já se apresenta ali há 28 anos. Como de praxe, cantou antigas canções e contou a história do surgimento da cidade. Em seguida retornamos ao centro para assistir a serenata. Novamente alguém nos ofereceu uma carona. Dessa vez um senhor com voz de “cabeceira” nos levou até ao centro e no caminho fez vários elogios a cidade. 

Estava fazendo muito frio. Sentamos em um restaurante, numa mesa ao ar livre, tomamos cerveja e papeamos. Rimos muito com Valdéa imitando “Elcinho” um doidinho da cidade de Campos, onde ela nasceu. Valdéa, com seu chapéu Panamá legítimo, estava um "escândalo". Janete ria muito, aquele tipo de sorriso bonito onde aparecem todos os dentes.

O túnel que chora
Por volta de meia-noite, retornamos ao hotel, caminhando pelas ruas vazias em direção ao “túnel que chora”. Segundo reza a lenda, esse túnel estreito e longo com calçamento em pedra moleque, foi escavado na pedra pelos escravos. Quando cruzamos com algum carro, nos posicionamos próximos à parede para evitar qualquer acidente. Em outra cidade eu não passaria por esse lugar escuro e deserto de jeito nenhum!!! Mas aqui tudo parece em paz e a violência das cidades grandes é algo distante. Pelo menos é o que parece.

Mais tarde, na cama, eu tentava dormir enquanto Janete e Valdéa conversavam. De olhos fechados, fiquei ouvindo as histórias de infância, as dores de um casamento desfeito, etc...

Pensei: - “Como eu sou antiquada. Casada com o mesmo homem há mais de 30 anos. Que horror!!!”

Pensando bem e avaliando o que elas passaram, acho que é melhor assim. Melhor, é claro, porque não tenho grandes problemas no casamento. Apenas aqueles triviais, que é possível suportar.


28.08.2011

As  Namoradeiras
Acordei mais tarde hoje. Valéria e Janete foram a Missa dos Seresteiros. Na volta disseram que a missa é bem legal. Em determinado momento do culto, os seresteiros entram na igreja cantando o repertório tradicional das serestas. Parece-me que todos os presentes cantam com eles. Deve ser uma missa diferente.

Ronaldinho do Cavaco
Passei a manhã no hotel. Tomei o meu café tranquilamente , depois me esparramei em uma cadeira e fiquei ali, tomando sol, lagarteando. Atualmente, principalmente quando viajo, sinto necessidade de algum momento assim, sem compromisso ou hora marcada.

Quando minhas parceiras chegaram da missa fomos até o salão assistir uma apresentação de chorinho de Ronaldinho do Cavaquinho (olha ele aí ao lado). O cara dá um show no cavaco!! E é comediante também, cheio de graça.

Depois do almoço retornamos a Macaé.

08 julho, 2011

MILÃO, SIRMIONE E VERONA

PLANEJAMENTO

Aeroporto de Milão

Vamos viajar para a Itália em maio. Seremos 6 pessoas nesse passeio pela região da Toscana. A etapa de planejamento dessa vez está sendo mais trabalhosa pois não compramos nenhum pacote turístico; vamos alugar um carro em Milão, percorrer a Toscana e seguir para Roma. A Fátima está cuidando da maior parte dos detalhes, como por exemplo: reserva dos hotéis, aluguel do carro, pesquisa sobre os melhores passeios, etc...Como estou mais distante fisicamente (elas no Rio e eu em Macaé) participo menos dessa etapa. Na verdade,  acho que não é a distância que me atrapalha, mas sim uma certa "lerdeza", que está se acentuando com a idade.

Quase todos os dias recebo email com atualizações sobre o planejamento e já começo a me sentir "na estrada". Alugamos uma casa em um vinhedo próximo a Siena, região dos vinhos Chianti. Fecho os olhos e me vejo sentada em uma espreguiçadeira, a paisagem dos vinhedos à frente e o sol morno esquentando meu corpo. Para completar o cenário, um belo garçom italiano servindo-me um copo de vinho branco. Ôh vidinha mais ou menos!!!


É minha segunda viagem à Itália. Vou conhecer algumas cidades e rever outras. Pela primeira vez vou viajar de carro durante todo o tempo. Acho que deve ser bem legal, embora tenha que abdicar de alguns confortos que um pacote turístico oferece. Acho que a liberdade de fazer os próprios horários e mudar roteiro quando desejar, deve compensar essas perdas.

Tomara que o grupo se entenda bem, afinal são seis mulheres, muita mala e muitas comprinhas pelo caminho.

ITÁLIA

MILÃO

25.05.2011

Catedral de Milão
Pouco depois de chegar ao aeroporto do Galeão encontrei o restante do grupo. Todas animadíssimas. Conheci a Fátima e Jussara e percebo que a imagem que fiz da Fátima corresponde a Jussara, e vice-versa. O “bonde das tigronas”, apelido que a Fátima nos deu, rima com “antigonas”. Prefiro “tigrezas” que rima com “safadeza”. Mas, olhando bem, tigronas é mais adequado.

Saímos do Rio no final da tarde e certamente terei uma noite de insônia pela frente.

26.05.2011

Tivemos uma conexão no aeroporto de Madri. Já havia esquecido como é bonito e bem organizado o aeroporto Barradas. Fico pensando em nossos aeroportos chinfrins. Desconfio que a Copa do Mundo no Brasil, será um fiasco, a começar pelos aeroportos.

Chegamos em Milão no início da tarde. O nosso hotel é bem localizado e confortável. Resolvemos ir caminhando até a Catedral de Milão. Logo na saída percebemos que as cercanias do hotel eram uma verdadeira cilada (lojinhas por todo lado). O caminho até a catedral era longo e fomos parando nas lojas. Quando chegamos ao destino já estávamos com fome e cansadas.

Fomos jantar num restaurante que era indicação de um amigo da Fátima. A vista em volta do restaurante, que fica em um terraço no 7º ou 8º e ao lado da catedral de Milão, é bem bonita. A comida foi razoável, o preço nem tanto. Na hora de pagar a conta aconteceu um problema. O garçom que estava nos atendendo era aprendiz e se atrapalhou com o cartão da Kátia. O garçom dizia que o débito não havia sido efetuado e Kátia repetia “que se passa....que se passa? ”e não entregava o cartão para uma nova tentativa. Depois de muita conversa com o gerente do restaurante, finalmente o problema foi resolvido. Desconfio que o garçom perdeu o emprego.

27.05.2011


Saímos cedo em direção ao centro da cidade e no caminho passamos na igreja Santa Maria Delle Grazie. Fizemos uma tentativa de conseguir ingressos para ver o quadro "A Última Ceia" de Leonardo Da Vince. Foi em vão. É preciso reservar com muita antecedência e pela segunda vez venho a Milão e esqueço de fazer essa reserva. Mais um motivo para voltar.

Voltamos à área central de Milão, agora para apreciar com calma a Catedral e a Galeria Vittorio Emanuele. No caminho paramos em uma loja para Andréa comprar presente para os sobrinhos. Que loja!!! Vários andares, música alta e uma penumbra na medida certa. Parece uma disco!!! Eu ainda não conhecia a Abercrombie & Fitch. Parece que no mundo todo o padrão é o mesmo. Recepcionistas masculinos escolhidos a dedo, cada um mais sarado que o outro. Tinha um negão sem camisa tirando fotos com a mulherada. Kátia não resistiu e tirou foto com o moçoilo. Achei o visual mais interessante que os produtos vendidos.

Enfim chegamos à galeria. Já estive antes aqui - nada será como antes do jeito que a gente ... - mas ainda assim o prazer de admirar essas construções tão ricas em detalhes ainda é motivo de prazer. Acho que já comentei, mas volto a repetir – que terra de homens bonitos!!!! Acho que quando inventaram o termo “deus grego” para designar um homem bonito, estavam na verdade falando dos italianos e não dos gregos.
Nossa Van - apelido "David"
Andréa e Fátima chegaram com o nosso carro de aluguel. Levamos um susto com o tamanho da Van. Deus do céu!!! Será que vamos nos sair bem com um carro desse tamanho? Eu pessoalmente não teria coragem de me aventurar pelas estradas de um país estrangeiro dirigindo um carro, muito menos uma Van. Por sorte minhas companheiras são aventureiras e algumas já têm experiência nessa área.

SIRMIONE

Partirmos para Sirmione debaixo de chuva, muita chuva. Depois de alguns quilômetros resolvemos fazer uma parada e esperar a tempestade diminuir. Vários carros estavam fazendo o mesmo. Chegamos em Sirmione por volta das 20 horas. Logo de cara gostamos da cidade. Parece uma cidade de veraneio, provavelmente cheia de casas de italianos ricos. Ela fica em um promontório que avança pelo lago de Garda, que me parece, é o maior lago da Itália. A paisagem é maravilhosa!

Restaurante Il Cascinale
Já era tarde para jantar. Aqui na Itália os restaurantes fecham cedo e por pouco não ficamos sem o jantar. O hotel nos indicou o IL Cascinale, ligou para o restaurante e fez uma reserva. Chegamos lá embaixo de chuva. O restaurante estava praticamente vazio. O garçom, parecido com “mister Bean” foi educado e esperou pacientemente pela escolha dos pratos. Pedimos os pratos, escolhemos o vinho e ficamos aguardando sem muita expectativa. Que ótima surpresa!! A comida estava deliciosa e farta, o vinho excelente e o preço melhor ainda. Começamos bem nosso tour. Demos uma boa gorjeta para o garçom e partimos. “Mister Bean” ficou acenando da porta. Acho que ele não esperava por aquele dinheirinho no final de uma noite chuvosa.


28.05.2011                            

    

Acordei um ano mais velha. Hoje faço 55 anos. Espero que o dia seja legal, afinal chegar aos 55 sem ter passado por grandes problemas é motivo suficiente para comemorar.
Eu e a Fátima pegamos uma bicicleta que o hotel disponibiliza para os hóspedes. Fomos pedalando pela margem do lago, que delícia!!! Estava um dia lindo, cheio de sol, mas não muito quente, ideal para pedalar.

Chegamos até a muralha que cerca o centro histórico. Do lado direito um castelo debruçado sobre o lago. Deve ter uma vista linda lá do alto, mas não me animei a subir. Melhor economizar minha energia para subir as inúmeras ruazinhas que sobem pela colina do centro histórico.


Uma graça de lugar! Lembrou-me Taormina, na Sicília. Restaurantes com mesas sob as árvores, vista para o lago, muito verde e muitas flores. Tudo isso é um convite, quase irresistível, para comer e beber sem pressa e sem culpa.

Gelatos
Subimos e descemos pelas ruelas, admirando as sacadas floridas e as vitrines das lojinhas. E a visão dos gelatos (sorvetes) ? Impossível sair daqui com o mesmo peso. Passamos pela casa que foi da cantora lírica Maria Callas. Ela realmente tinha bom gosto, o local é maravilhoso.

Chegamos até as Termas de Sirmione. Pensamos, a Fátima e eu, em comemorarmos meu aniversário aqui. Mais tarde resolveremos. Encontramos o restante do grupo e fomos dar um passeio de barco pelo lago. O sol já estava bem quente e a proximidade da água refletia a claridade do céu. Do lago podíamos ver, à distância, os Alpes italianos.

VERONA

29.05.2011      

À tarde fomos até a cidade de Verona, onde nasceu meu avô Pietro. Próxima a entrada da cidade passamos por uma “ótica Adami”. Será que é algum parente? Não vim aqui com a finalidade de procurar pela família do meu pai, mas seria interessante encontrar alguém da minha família.

Verona

Estátua de Giulieta
A cidade é maior do que imaginei. Hoje à noite vai acontecer um grande show na arena e a cidade está lotada, principalmente de jovens. A arena lembra muito o coliseu de Roma, um pouco menor talvez. Caminhamos rua acima a procura do principal ponto turístico de Verona, a Casa de Julieta (Giulieta em italiano). Tudo fake mas ainda assim atrai a turistada. Parece-me que algumas pessoas pensam que a história escrita por Shakespeare é verdadeira e visitam a casa como se Julieta lá tivesse morado.
Almoçamos em um restaurante ao ar livre na grande praça central e em seguida continuamos nossa caminhada pela cidade até chegarmos ao rio Adige. Nunca vi um rio tão caudaloso, acho que se alguém cair ali dentro dificilmente sobreviverá. Na outra margem, uma colina com um castelo. A vista da cidade lá de cima deve ser bem bonita. Não vi prédios nessa cidade. Acho isso ótiiiiiimo!!!!
Chegamos em Sirmione no final da tarde e resolvemos partir direto para o jantar. Eu estou cansada, não consegui dormir na noite anterior, e como sou a aniversariante do dia pude optar pela ida direto para o restaurante, sem passar no hotel para tomar banho, mudar de roupa, etc... Kátia não gostou muito e ficou com aquela cara amuada, balançando a cabeça para um lado e para outro, tão característico dela quando tem algum desejo contrariado. Mas a birra durou pouco e logo em seguida já estava curtindo a beleza do restaurante que ela mesma havia indicado.

La Speranzina
A vista do lago assim no início da noite é ainda mais bonita. As luzes em volta do lago produzem um reflexo dourado na água e as velas sobre as mesas contribuem para o clima romântico. O restaurante La Speranzina que já recebeu uma indicação do Guia Michelin, é realmente muito bonito. Acho que o jantar vai ser excelente.


La Speranzina

Que engano!!! Os pratos foram  muito bem apresentados, mas o serviço foi muito demorado e o preço salgado.
Saímos um tanto decepcionadas, mas o lugar é lindo e merece uma segunda chance.


Sirmione

Sirmione

Recomendações: La Speranzina - Via Dante, 16 - (030) 9906292
Recomendações: Restaurante Il Cascinale

PARMA, FLORENÇA, PISA, LUCA

29.05.2011                          PARMA


Fomos a Parma. Tivemos dificuldade para encontrar um lugar para estacionar. Nessas cidades históricas o acesso ao centro histórico é restrito para os carros. Apenas aqueles autorizados podem entrar. Deixamos o carro estacionado bem longe e tivemos que pegar um ônibus até o centro histórico. Caminhamos pelas ruas quase vazias procurando pelo centro, que nessas cidades medievais, tem sempre um Duomo, um Batistério e uma grande praça central. Achamos a igreja e o batistério, que estavam fechadas. Cadê a praça ? Será que não tem um outro centrinho histórico? – disse Kátia, meio decepcionada. Estranhamos a cidade vazia nessa época do ano. Como não estávamos com um guia, não ficamos sabendo muita coisa sobre a cidade.

Prosciutto di Parma
Mas vamos ao que interessa, o Prosciutto di Parma e o queijo Parmigiano-Reggiano (o conhecido parmesão) é o nosso foco nesse instante. Escolhemos um restaurante e iniciamos os trabalhos do dia. Não sei o que é melhor: o vinho, o queijo, o presunto, o azeite ou o aceto balsâmico. Passar o pão na mistura de azeite, aceto balsâmico de Modena, pimenta e sal, é para mim a melhor parte da refeição. Não sou boa conhecedora de vinhos, mas como algumas companheiras entendem do assunto, os vinhos escolhidos são sempre bons.


FLORENÇA


Continuamos viagem em direção a Florença
(Firenze em italiano). Na estrada, a paisagem em volta já indicava que estávamos chegando a Toscana. O hotel escolhido “Residenza Johanna I” fica bem próximo ao centro. É a primeira vez que fico hospedada em um hotel desse tipo. O local já foi residência (como o nome já diz) de uma família de Florença e hoje funciona no local o hotel e vários escritórios, entre eles a embaixada de um país. É muito comum por aqui esse tipo de hotel, pois uma cidade histórica como essa não permite a construção de grandes prédios. Próximo ao centro histórico então, nem pensar.

Pegamos um táxi e fomos para o festival de gelato que acontecia em frente ao palácio Pitti, do outro lado do rio Arno. Rodamos por lá admirando os sorvetes, mas como já estávamos com muita fome resolvemos jantar e deixar o sorvete para mais tarde. Depois do jantar, na volta para o hotel, nos dividimos em dois grupos e pegamos dois táxis para o hotel. Quando chegamos ao hotel não encontramos o outro grupo, Jussara, Andréa e Adélia, que havia saído bem antes de nós. Porca Miséria!!! O que será que aconteceu??? Lembrei que Andréa estava com o telefone, liguei e ela disse que estavam chegando. Tinham esquecido o nome do hotel e o endereço. Andréa disse que o nome da rua era Benvenuto, quando o correto seria Bonifácio Luppi. Resultado, ficaram batendo cabeça até lembrar o nome do hotel.
Ponte Vecchia
Há dias não durmo bem, rolo na cama para um lado e para outro e o sono não chega. Já tentei cantar uma musiquinha da igreja batista que a minha mãe me ensinou quando eu era criança e custava a pegar no sono. Ficava mentalmente repetindo a música, como se fosse um mantra, para afastar outros pensamentos e conseguir dormir. Quando criança até que dava certo, mas agora não está funcionando. Acho que tenho que apelar para um tarja preta qualquer. Vou pedir ajuda as minhas amigas que devem ter trazido algum sossega leão.

Amanhã o dia vai ser puxado e nada como uma boa noite de sono para recuperar as energias.

30.05.2011

Sonhei com a voz da Giulieta (o GPS). Acho que ela falava para mim – “entre na rotatória e vire na primeira a direita”. Essa é a frase que mais ouvimos nesse início de viagem. São muitas as rotatórias nesse país, o que elimina aqueles cruzamentos diretos de veículos. O trânsito fica muito mais organizado. Macaé, a minha cidade, precisa de muitas rotatórias.

Outras frases que escuto sempre:
 - "Hoje não vamos jantar" . Mas acabamos sempre jantando.
 - "Também quero uma (foto)" . Depois que alguém tirar uma foto legal, todas as outras querem também.

As Tigronas
Chegamos na piazza della repubblica. Logo na chegada à praça, um pombo cagou na cabeça de Andréa que usou um lenço umedecido vagisil para limpar o cabelo. Dizem que é sinal de sorte receber uma cagada de pombo. Eca!!!

Contratamos um guia para nos acompanhar hoje por três horas e mais três horas amanhã. Elizabetta, a guia, é uma mulher de meia idade muito educada, usa saltos bem altos e uma roupa formal. É professora de história da arte, o que é muito apropriado para o papel que ela vai desempenhar nas próximas horas. Fomos caminhando em direção ao Palácio Pitti que foi construído pela família Médici. No caminho ela foi contando a história da poderosa família Médici e da sua importância no desenvolvimento da cidade, tornando a cidade um centro de arte e cultura, berço do renascimento. Aliás, acho que todos os personagens mais importantes da história da Itália nasceram ou viveram aqui: Dante Allighieri, Michelangelo, Maquiavel, Leonardo da Vince. Mas, como é próprio dos poderosos, os Médicis também tinham suas fraquezas. Elizabetta nos mostrou uma galeria que começa no palácio Pitti, passa pela ponte Vecchia e vai até onde funcionavam os escritórios usados pelos Médici (hoje Galeria Uffize). Esse caminho possibilitava a família Médici ir do palácio até os escritórios sem misturar-se com a população.

Nessa ponte trabalhavam vários vendedores de carne, o que deixava o lugar malcheiroso. Os Médicis trataram de expulsá-los dali e desde então, até os dias de hoje, instalaram-se ali vários joalheiros. Já li em algum lugar que a família Médici protegia os judeus daquela região. Talvez por isso, existam tantas joalherias nessa cidade.

Duomo de Florença
Continuamos nossa caminhada. No trajeto passamos por uma loja de Salvatore Ferragamo. Suas criações (sapatos) também são obras de arte. Pelo menos para nós, mulheres. Chegamos na Piazza Della Signora, que é na verdade um museu a céu aberto, cheio de obras de arte dos melhores escultores italianos. O Palácio Vecchio, que fica nessa praça, foi residência dos Médicis antes deles construírem o Palácio Pitti.
Escultura de Netuno


Pouco mais adiante paramos em frente ao Duomo. Já estive antes em Florença, mas havia esquecido como essa igreja é bonita. A fachada em mármore verde, rosa e branco é linda talvez uma das mais bonitas que já vi. Terminamos nossa jornada em frente à porta de bronze do Batistério (Portão do Paraíso).

Bisteca Florentina
Terminada nossa jornada cultural passamos para a parte profana, os prazeres da carne, que nesse caso se resume a famosa bisteca florentina. Fomos jantar na Tratoria do Tito, um restaurante de aparência simples bem movimentado. Pedimos a dita cuja bisteca. Quando o prato chegou “caímos matando”. A carne era muita e deliciosa. E a batata? Dos deuses!!

Eu e Bobo
Um garçom muito simpático, que disse chamar-se Bobo, trouxe-nos uma bebida licorosa chamada Aranciatina. Ele disse que devíamos bebê-la de um só gole e em seguida bater duas vezes com o copo sobre a mesa. Eu não bebi, detesto bebida muito doce. Mas minhas companheiras não resistiram ao charme de Bobo e viraram o copo, ou melhor, os copos!!! No retorno para o hotel - fomos a pé porque era bem próximo – só se ouvia na rua vazia, nossas risadas. Acho que apenas Adélia e eu estávamos inteiramente sóbrias. As demais companheiras estavam em estado de graça.


01.06.2011

Acordamos bem cedo para visitarmos dois museus: a Galeria Uffize e, depois o Museu da Academia. Ficamos sentadas enquanto aguardávamos a guia. Fiquei admirando essa construção magnífica feita pelo arquiteto Vasari para ser a sede do governo dos Médicis. O prédio tem o formato em U e as colunas laterais são decoradas com várias esculturas clássicas de personagens ilustres em Florença. No nosso mundo de hoje, apressado e excessivamente prático, não há tempo a perder com minúcias. Quando vejo as construções e as roupas antigas, a riqueza dos detalhes e a delicadeza das formas, penso que estamos ficando cada vez mais pobres em beleza.

Elizabetta - a guia
Elizabetta nos acompanhará na visita. Lá vem ela com seus saltos muitos altos. Não sei como consegue se equilibrar nessas ruas de pedras irregulares. Eu já teria levado uma meia dúzia de tombos. Aliás, já levei um tombo na chegada do hotel em Sirmione, e nem estava usando saltos.

Nada como uma visita bem guiada para otimizar o tempo e adquirir conhecimentos práticos. Só nos detivemos no que era mais significativo. Se fossemos olhar tudo que tem nesses museus, levaríamos pelo menos 2 dias. Fiquei conhecendo um pouco mais sobre Botticelli, Michelangelo, Giotto Da Vince.
Elizabetta explicou-nos a evolução da arte bizantina e medieval, suas características principais e a introdução da perspectiva e da humanização dos personagens da pintura de Giotto.

Começa aí o Renascimento, e ela passa para Botticelli e suas principais obras “O nascimento da Vênus” e “Primavera”. Ela nos revelou uma curiosidade. Pediu para que reparássemos nas mãos femininas e observássemos que em algumas pinturas, as mulheres aparecem com os dedos indicador e médio separados. Esse detalhe indicava que ela não era mais virgem. 

Fomos para o Museu da Academia. Aqui o centro das atenções é, sem dúvida, Davi de Michelangelo. 

Davi - Praça Signora
Eu não tinha visitado esse museu na outra vez que estive em Florença. Só tinha visto as cópias que estão na Piazza Sginora e na Piazzale Michelangelo. Mas dentro desse museu, essa escultura enorme (mais de 5m de altura), ganha ares surreais. As pessoas circulam em volta estátua, que fica no centro de uma sala, admirando a perfeição daquele corpo retratado nos mínimos detalhes: veias, músculos, ossos. A guia fala sobre como aconteceu a encomenda dessa escultura. A igreja convidou Michelangelo para fazer uma estátua de David mas ele teria que usar um grande bloco de mármore que já havia sido trabalhado por outros dois escultores. Michelangelo olhou o bloco de mármore e disse que aceitava a encomenda, sendo que ele não permitiria que ninguém visse a obra antes que ela fosse concluída. E assim foi. Três anos depois, quando o público pôde ver a obra, o escândalo foi geral porque o David estava nu. Elizabetta nos mostrou fotos de outras esculturas de David que já existiam na época. Em todas elas o David estava vestido e explicitamente identificado na obra pela cabeça de Golias, ou seja, depois da luta que teve com o gigante. Na obra de Michelangelo, o David ainda não enfrentou Golias. Está parado, olhando atentamente para longe, como se estivesse à espera do gigante. Apenas a funda (arma feita de couro que atira pedras ao longe) jogada sobre suas costas identifica a obra. Realmente, Michelangelo faz jus à fama.

Parece-me que para a Itália o Michelangelo é o gênio maior da arte italiana. Não sei se ele é visto assim pelo resto do mundo. Parece-me que Leonardo Da Vince é muito mais reconhecido, talvez pelo seu talento que ultrapassava o campo das artes.

Ponte Vecchia vista da Galeria Ufizze
Despedimo-nos de Elizabetta e saímos do século XVI para as ruas cheias de turistas no centro de Florença.
 
Bar na Piazzale Michelangelo
Subimos até o alto da colina de San Miniato. Lá de cima dá para perceber que a cidade de Florença fica cercada de montanhas. O vale e o rio Arno que cruza a cidade, devem ter contribuído para as grandes enchentes que a cidade já enfrentou. Destacando-se na paisagem, a cúpula do Duomo paira acima de todas as outras construções, como se os cristãos estivessem a lembrar que para eles Deus deve estar acima de todas as coisas.


31.05.2011                                  PISA

Começamos o dia com um passeio a Pisa. Estacionamos perto do Campo dei Miracoli, onde ficam a famosa Torre de Pisa, a Catedral e o Batistério. A torre inclinada é a grande atração do local. A cidade é pequena e tranquila, exceto pelo número de turistas.

Torre de Pisa
Batistério de Pisa

















Dio Mio!!! O que não faz uma torre meio caída!!!! Maldade minha, a torre merece a fama que tem.

LUCCA

Seguimos para a cidade de LuccaComo acontece quase sempre, estacionamos fora da cidade e caminhamos até o centro.

A cidade é uma graça. Como quase todas as cidades medievais da Toscana, Lucca é cercada por uma muralha e, do lado de fora do muro, um lindo bosque.

Visitamos a catedral da cidade e, em seguida, fomos almoçar.

Fome saciada, pé no caminho. Fomos até o anfiteatro da cidade. Pensei em uma construção imponente, como a que vi em Verona, mas esse anfiteatro daqui é diferente. Na parte interior, a céu aberto, várias lojinhas e restaurantes. Bem legal!!!
Lucca
Retornamos para o carro caminhando por uma ciclovia que fica no alto da muralha, arvóres do lado esquerdo e do lado direito a vista do bosque. É um lugar bem apropriado para uma caminhada diária.


Fico imaginando como é viver numa cidadezinha antiga, repleta de turistas e aparentemente tão tranquila.

À noite, de volta a Florença, fomos comemorar o aniversário de Andréa no restaurante Quattro Leone, indicação da guia Elizabetta. O restaurante estava lotado. Parece que é bem frequentado pelos moradores da cidade. A garçonete Pamela nos ofereceu uma garrafa de prosecco para brindarmos pelo nosso aniversário, meu e de Andréa. Depois colocou uma velhinha acesa em nossa sobremesa. Muito simpática.
Apaguei a velhinha e fiz um pedido: saúde.


Recomendação: Restaurante Quattro Leone - Piazza della Passera, 50100 Florença, Itália 055-218562

Recomendações: guia Elizabetta - elizabetta.digiugno@hotmail.it

Recomendações: Trattoria do Tito - Via San Gallo, 112 - (055) 472475