09 abril, 2016

As Poderosas - Memórias de Tolito

08.04.2016

Tempos atrás Mariza criou um grupo no WhatsApp com antigas companheiras de trabalho, a turma da geologia: Mara, Valdea, Sonia, Suraia, Célia. Depois foi incorporando a mulherada de outras áreas:  Samira, Deyse, Rosani, Ângela, Graça, Alzira, Joselene e Eleuza. Pelo visto esse número vai continuar crescendo. Já tem gente querendo pagar "jóia" para entrar nesse seleto grupo.

Já rolou almoço, café, amigo oculto. Agora reservamos um final de semana inteiro só pra nós. Marcamos um encontro do grupo na casa de Mara. A Casa da Roça ou a Roça do Bem ou a Casa de Pepa, Anja, Sofia Loren, Stella Artois, Beethovem, Naomie e outras meninas de quatro patas que não lembro o nome.

A casa ferveu!!!! Ô turma boa.

Turma que chegou na sexta-feira
Eu, Valdea, Joselene, Graça e Dayse, fomos as primeiras a chegar. Logo na entrada fomos recebidas pelas donas da casa: as cachorras. Ficamos com medo de descer do carro e elas nos estranharem. Valdea saiu e foi logo avisando:

"Amiguinhas, olha aqui, somos todas amigas da sua mãe. Olha o respeito, hein?"

Parece que elas entenderam e nos deixaram entrar tranquilamente. Mara, baixinha arretada, e sua fiel escudeira Jô, já estavam nos esperando com um cafezinho e bolo e todas aquelas calorias proibidas e deliciosas. Começamos bem nosso final de semana light.

Mal saímos do café e já engatamos na cerveja. A vida é curta e a Sapucaí é longa, não dá pra perder tempo. Partimos pra piscina e iniciamos nossa vida de "mulheres ricas" (se fui pobre não me lembro). Cerveja super gelada, piscina na temperatura ideal, boa companhia e muitas histórias pra relembrar. O final de semana promete.
Essa turma gosta de ficar de perna pro ar
Valdéa, com sua memória de elefante, se encarrega de relembrar antigos causos, alguns impossíveis de registrar:

1.Todo dia se formava uma fila no relógio de ponto, na hora de registro da entrada. Esse é um momento propício para conversa fiada, contar o que aconteceu na noite anterior e outras coisinhas mais. Uma colega que gostava de contar vantagem declarou:

- Ontem transei em cima da máquina de lavar. Enquanto a máquina batia a gente gemia. Tô tremendo até agora.
   
Outra colega da fila, que passava por sérios problemas com o marido, descompensou. Voou pra cima da foguenta e atacou aos gritos:

- Puta que pariu, todo mundo tem problemas menos você?       Não é possíiiiivel!

O chefe Domingos vinha passando e viu o furdunço. Mandou o povo se comportar e chamou Valdea na sala dele.

- O que tá acontecendo? Que zona é essa?
- Fulana falou que ontem transou em cima da máquina de lavar - informou Valdéa.
- Fulana? Aquela sem graça, duvido! É mentira, tá querendo aparecer.

2. Mara confessa que é meio desorientada, mesmo sóbria. Num dia de carnaval, depois de sair atrás do Geriboi em Búzios, resolveu voltar pra casa em Geribá a pé, junto com o filho que também herdou dela a desorientação. Vira pra direita, pra esquerda e torna virar e nada da casa aparecer. Procura uma caixa d'água de um condomínio ao lado e.... nada da casa. Onde foi parar essa casa, gente?
Já noite, nem um táxi prá remédio, uma vontade danada de fazer xixi e a casa não aparecia. O filho a mandava aguentar, mas tava difícil. Já estava andando com as pernas apertadinhas igual corredor de Marcha Atlética. Por fim, encostou-se num muro e deixou rolar, sentindo uma quenturinha gostosa se esvaindo. Agora, já aliviada, retornou calmamente a perseguição.

3. Valdea anunciou que ia à feira da madrugada em Itaipava fazer umas comprinhas. Essa é a famosa feira onde compramos uma roupa preta e no dia seguinte descobrimos que a roupa é marrom claro. Uma colega, que tem fama de folgada, perguntou a ela se podia encomendar uma coisinha. Valdéa respondeu que sim. A colega trouxe uma folha escrita, FRENTE E VERSO, e disse que era para uma amiga que queria revender umas roupinhas.

A contadora de histórias
 - Cê tá me achando com cara de trouxa, né? Vai passando!

4. A moça dizia que tinha parte da herança de uma casa. Como o inventário tava enrolado e ela não queria sair no prejuízo, pegou um monte de colheres de pau como parte do que lhe cabia na partilha. E começou a oferecer colher de pau pra todo mundo, e ia mostrando com as mãos na horizontal o tamanho do pau, digo, das colheres de pau (se fosse com as mãos na vertical seria o tamanho do santinho). Parece que essa foi a única coisa que "herdou".

5. Outra companheira de trabalho, lourinha magrinha fogosa, dizia que transava com um colega de trabalho na antena parabólica. O dito cujo transava pelado de sapato e meia (eu teria uma crise de riso e certamente o tesão iria pro brejo). Segunda a lourinha o pingulin do rapaz era fininho, entrava com folga.

6. Valdea estava no supermercado e uma velha chegou perto dela, parou, encarou-a e gritou:
     
 - Puuuuta, piranha, vagabunda!!!! 

Valdea tomou um susto danado e correu pro lado das bancas de frutas. A velha foi atrás gritando "puta, piranha, vagabunda".

- A senhora tá me confundindo com outra pessoa. Eu não sou nada disso.
- Se você não é sua família é. Puuuuuuta, piranha.....

Valdea partiu pro lado do caixa com uma lata de óleo na mão, a única coisa que conseguiu pegar. O caixa avisou que a velha era doida e sempre fazia isso. Valdea pagou e foi correndo pro carro com medo da velha doida sair atrás e ela acabar com fama de puta, piranha, vagaba.

7. Uma colega comia só pão com ovo e tomate, todos os dias. E peidava tanto que todos os que trabalhavam na mesma sala já não sentiam mais o mau cheiro. Um dia Tardim chamou Valdéa e contou que a sala fedia tanto que ninguém aguentava passar por lá. O pior é que ninguém sabia mais quem era o "cheiroso", todos eram suspeitos.

8. Quando Suraia chegava do Parque de Tubos, onde coordenava cursos de operadores, estava tão furiosa que dizia que ia pegar o revolver de Evandro e sair matando todos os operadores. 
O DESUD tinha de tudo, né? Até matadores.

9. A faxineira do prédio de Valdea era muito boazinha, ia trabalhar levando a filha mocinha para passear. A moça ficava todo tempo sentada na salão de festa e não ajudava a mãe em nada. Um morador se irritou com a folga da moça e comentou com a faxineira:

- Porque a sua filha não te ajuda? Passa o dia inteiro sentada sem fazer nada!
- É porque eu trago ela pra passear. Bem que eu gostaria de uma ajuda porque limpar cinco elevadores cansa muito.

Como assim, cinco elevadores? Só tem um elevador! Pensando um pouco melhor....o prédio tem cinco andares....será que?....não acredito....JESUS DESCE PRA TERRA. A criatura subia os andares pela escada e em cada andar chamava o elevador, limpava, subia para o outro andar.....e limpava o mesmo elevador cinco vezes.

Entenderam? Alguém quer que explique novamente?

Jô e Stella
E assim passou a manhã, a tarde e entramos pela noite adentro, bebendo e rindo de chorar. Algumas vezes chorando literalmente. As meninas de quatro patas foram se chegando e ficando, buscando um carinho aqui e ali. Stella Artois passou o dia deitada no tapetinho, toda lânguida. Alguém falou que ela parecia com Luciane Sodré, folgaaaada. Sofia Loren vez em quando dava uma olhada cá pra baixo conferindo o ambiente. Diz Mara que elas estão tranquilas porque a energia dos convidados é muito boa. Grata pela parte que me toca.

Sentamos a mesa embaixo do pé de cajá e continuamos os trabalhos noite a dentro. A noite estava morna, céu estrelado, uma trilha sonora excelente produzida pelo filho de Mara. O pen drive está espetado tocando sem repetir desde o início da manhã e nada de acabar. Como cabe tanta música dentro daquele toquinho?

E papo vai papo vem, quando vimos já era duas horas da manhã. Melhor ir dormir para aproveitar ainda mais o dia de amanhã.












09.04.2016

Levantamos as 9 horas. Valdea dormiu quase sem roncar e eu dormi bem, mas fiquei meio cansada porque passei a noite ocupada fazendo um parto junto com meu pai. Tive que cortar o cordão umbilical com uma tesoura preta que minha mãe usava pra cortar peixe. Êta sonho esquisito!

Café da manhã sob o pé de cajá
O café da manhã, na mesa embaixo do pé de cajá, já estava arrumadinho. Jô acordou cedinho e deixou tudo pronto pra gente. Essa moça merece muitos beijos. Começamos o dia fazendo o que mais gostamos - comer. Nessa idade, geralmente sexo já perdeu o primeiro lugar na preferência feminina.

Logo em seguida, chegou o dono da casa - Mister Fernando - que encontrou o território já ocupado, com sua autorização, é claro.

Outras companheiras começaram a chegar. A primeira foi Suraia, bem mais magra, sorridente, vestida num macacão elegante. Logo descobrimos que os quilos foram detonados na base de algum sacrifício: um pozinho caro e comida racionada. A desgraça de sempre, perder esse excesso de gostosura não é mole não.

Lá vem vindo Samira e Eleuza. Fran, marido de Samira será nosso churrasqueiro. Que bom que Eleuza veio, não vejo essa maluquete há tempos.  

E vem também Rosani, com seu andar tranquilo, sua cervejinha de devoção - Itaipava, franguinho, etc...

Mais tarde juntou-se a turma, a família de Valdea: a filha Laurinha e o namorado, a irmã Valéria com a filha e o genro. Só gente boa.

O dia está quente e a melhor saída para diminuir o calor é mesmo piscina e cerveja gelada. E lá fomos nós pra água e pro copo.

Logo Eleuza começou a dar show. Chegou com o sutiã do biquíni de cabeça para baixo, ou seja, a parte de baixo que ficaria amarrada nas costas, foi parar amarrada no pescoço. Por isso o negócio não dava conta de segurar os peitos. Depois começou a elogiar o padre Favo de Mel (Fábio de Melo). Diz ela que o padre falou que "Deus não gosta do pecado mas gosta dos pecadores".

Ainda bem, senão ela tava fu......zilada!

Disse que está tomando um remédio que uma médica homeopata receita que é um estouro. Ela andava meio desanimada, libido em baixa. Tomou o remédio e agora tá tinindo. Um dia desses chegou a atrasar o ônibus numa parada, só pra esfriar a fogueira.
E seguimos nos entregando ao pecado da gula. É muita comilança!

Mais tarde chegou o homem do Karaokê e a mulherada começou a cantar. Muita canção de corna e de dor de cotovelo. Samira pulou pra pista, adora dançar. Eleusa dança até o chão (o joelho nem dói, ai que inveja) e se sacode pra frente e pra trás, parece que incorporou a Pombagira. Já bem animada, ameaça arrancar o sutiã pela cabeça. Mara mais que depressa enfia uma blusa nela. Não teve jeito, Eleusa arrancou o sutiã e jogou pro alto. Como já estava com a blusa, escapamos de um strip-tease grátis.

Sofia Loren
E a festa continua animada. Quando apareceram alguns mosquitos, Mara pegou um repelente em spray e foi borrifando pelo corpo de Eleusa que se torcia toda. 

  - Se eu resolver me casar de novo vai ser com uma mulher. Quando que um homem ia se preocupar em me passar repelente? Nuuuunca! - disse Eleusa

No ranking das doidas Eleusa é a primeira colocada, com folga. Em segundo vem Valdéa (louca mansa) e em terceiro Mara (louca perigosa). Mara foi classificada como perigosa porque acompanhada de nove cães, é um risco mexer com ela.

O sol já esta sumindo, é hora de ir embora. Vou pegar uma carona com Rosani porque minhas companheiras Joselene e Valdea resolveram ficar até amanhã. Vou com vontade de ficar, a farra está muito boa, mas tenho um compromisso com meu marido e me convém conservar o crédito com ele.

Temos que agradecer muito a Mara pela acolhida, foi tudo perfeito. Outra poderosa do nosso grupo, Graça, também merece beijinhos pela recepção que faz ao grupo do Coral, lá no Frade. São duas ótimas anfitriãs, nos deixam à vontade e felizes.

Partimos, e na curvinha da saída do condomínio vi que as luzes da casa já estavam acesas. Tomara que a noite seja agradável e que as poderosas aproveitem esse últimos momentos. Como diz a canção:

"Vamos Viver tudo que há pra viver, vamos nos permitir"   Lulu Santos



07 janeiro, 2016

CRUZEIRO DE ANO NOVO - 2015


27.12.2015

No início do ano, conversando com algumas amigas que gostam de viajar, decidimos fazer um cruzeiro no Reveillon que permitisse assistir à queima de fogos na praia de Copacabana. Todas toparam e formamos um grupo.

Rosani, Valdea, Marcia e Graça, são minhas velhas conhecidas. Acho que elas não gostariam desse “velhas”, então substituo por “amigas de longa data”. Dayse é amiga mais recente, mas já parece “velha amiga”. Maria Luiza é neta de Graça e adolescente, 16 anos, o que é bom para dar um equilíbrio ao grupo. Uma dose extra de juventude pode ser muito interessante. O oitavo integrante, é também o mais imprevisível. O mais velho do grupo (esse é velho mesmo) é mal humorado por natureza, avesso a novidades, impaciente, não gosta de viagens, ranzinza. Porém, tem algumas qualidades e dentre elas está o fato de ter acertado na escolha da esposa. Nesse caso, eu.😂😂

Como somos um grupo de oito pessoas resolvemos alugar uma Van que nos levasse direto ao Porto do Rio de Janeiro.
A viagem até o Rio foi tranquila exceto por um acidente que envolveu três carros e que teve pelo menos um óbito. Essa é a rotina nas nossas estradas, infelizmente. Não costumo olhar quando acho que há vítimas, mas inadvertidamente olhei para um dos carros e vi que havia uma pessoa morta no interior do veículo. Foi uma imagem rápida visto que nosso carro não parou.  Mas para Dayse o tempo foi suficiente:

- Gente! Um homem jovem, de camiseta de malha verde claro está morto!

 Cruzes! Como deu tempo pra ver tudo isso: sexo, cor da camisa, tecido da camisa e que estava morto. A causa mortis é previsivel. Ela é atenta aos detalhes, vixe!

Tivemos um pouco de dificuldade na chegada ao porto, o trânsito estava meio caótico naquela área e as obras que ainda não terminaram sacrificam os turistas que tem que arrastar malas no meio da poeira.

O MSC Lírica ou Larica, como Márcia carinhosamente apelidou o navio, é bem menor que os outros navios em que eu já viajei, todos da MSC. O Precioza e o Harmonia são navios bem melhores que esse, mas o Lírica era o único dessa Companhia que o porto de embarque seria no Rio. Tudo bem, vamos aproveitar ao máximo o que nos for oferecido.

À noite eu e Vilson fomos assistir ao primeiro show da viagem. Nossas companheiras resolveram ir ao show depois do jantar. Achei meio arriscado esse último horário porque nosso turno de jantar começa às 22:00 h e o show inicia às 22:45 h.

O espetáculo foi certamente inspirado nos musicais da Broadway. Músicas do grupo ABBA que fazem parte do musical “Mamma Mia” e outras do “Fantasma da Ópera”. Os cantores, uma moça e um rapaz, são muito bons. O rapaz parece um cantor lírico com uma voz de barítono, acho eu.

28.12.2015

Vilson está se comportando bem, ainda não colocou defeito em nada. Vamos ver como se comporta no teste da piscina.
Fomos para o restaurante tomar o café da manhã já com roupa de banho. Enquanto tomávamos o café reparei numa senhora que estava sentada próxima a nós. A saída de praia ficou presa no braço da cadeira o que deixou a perna descoberta e parte do biquíni ou maiô também ficaram à mostra.

Pensei em ir avisá-la, mas qual o problema em mostrar uma perna flácida cheia de varizes? Ora bolas, nós também podemos! Deixei pra lá.
Devia ter avisado. Quando ela levantou a roupa ficou agarrada no braço da cadeira e ela quase ficou pelada. Vilson brincou:

- Coitada, parece uma traíra presa na rede!

Chegando à piscina enfrentamos a primeira dificuldade, todas as mesas e cadeiras já estavam ocupadas. Graça, Luisa e Valdea estavam tomando sol e Rosani, Marcia e Dayse conseguiram uma mesa num cantinho próximo ao bar. Demorou um pouquinho, mas conseguimos duas cadeiras. A música estava muito alta e imaginei que Vilson não aguentaria ficar ali, mas ele resistiu bravamente. Quando o pessoal parou de dançar e começaram as competições, notei que ele ficou atento e percebi que estava gostando de acompanhar as brincadeiras. Ufa, que alívio!!! Aguentar mau humor na minha viagem eu não mereço.

Pensamos em almoçar no Buffet Restaurante que fica no mesmo andar da piscina, mas decidimos descer ao quinto andar e almoçar no restaurante. Achei que não nos deixariam entrar com roupa de banho embora eu estivesse com a roupa seca. Parece que nesse navio não são muito exigentes porque todo mundo entra e eles não fazem uma verificação mais rigorosa. Não acho legal, porque as cadeiras são de tecido e certamente muita gente vem com a roupa molhada de água salgada. Bom senso nem todos têm.

Após o almoço fomos para o quarto descansar. Dormi muiiito! O sono dos justos.

No jantar eu Vilson ficamos separados das nossas amigas, numa mesa um pouco mais distante. Quando chegamos à nossa mesa já encontramos nossos companheiros de jantar. Um casal simpático, interessante. O homem aparenta ter mais de setenta anos e a mulher é bem mais jovem. Bonita, loura e rabuda. Ou pra ser politicamente correta, quadril largo e nádegas grandes.

Durante o jantar não prestei muita atenção ao que conversavam, mas Vilson ficou atento (tipo Dayse). Depois ele falou no meu ouvido:

- Essa mulher é mercadoria sem nota.

Isso significa, na linguagem dos motoristas de caminhão que trabalham com ele, que ela era amante daquele homem.

Percebi que o homem procurava passar pra ela uma imagem de grande entendedor de vinhos. Eu não sou expert no assunto, mas logo vi que ele não entendia era nada.
Ele fez logo questão de informar que tomara uma garrafa no almoço e agora tomava outra no jantar. Eu olhei rapidamente a carta de vinho e a garrafa mais barata que vi custa quarenta dólares. Preferimos tomar uma taça, são sete dias de viagem e uma garrafa em cada jantar com o dólar nesse preço, vai pesar no bolso. Trouxe na mala umas garrafinhas de uísque que comprei na destilaria do Chivas Regal na Escócia. Passou facilmente pelo check-in do navio, talvez por estar misturado as embalagens de xampu, hidratante, etc.

Enfim, ou o coroa tem muito dinheiro ou tá querendo impressionar a loura. Para segurar uma loura dessas um velho babão tem que tirar o escorpião do bolso.

29.12.2015       SALVADOR

Farol da Barra
O navio tem balançado bastante, tornando vez por outra o nosso andar cambaleante. Tudo bem, não chega a amedrontar e é divertido. Brinco com Vilson:

- Você que bebe e eu que fico tonta!

E Vilson mexe com Rosani, que cambaleia na caminhada para o restaurante:

- Rosani, não sabia que você bebia tanto!

Alguém alerta Graça quando ela vai ao banheiro:

- Cuidado com o balanço, o vaso sanitário está sujo.
- Não tem problema, vou entrar de ré e sair de frente, nem vou ver a sujeira.

Na hora de dormir o balanço ajuda a ninar. 

Chegamos a Salvador no início da tarde. O dia estava quente, mas um ventinho agradável amenizava o calor. Ainda bem! Com o passar do tempo minha tolerância para o calor diminuiu ou então foi a temperatura que aumentou muito nos últimos anos.

A maioria de nós já conhece a cidade, menos Vilson e Luisa. Rosani morou aqui alguns meses e no trajeto fica procurando pelos lugares conhecidos. Optamos por fazer um roteiro curto pelos principais pontos turísticos da cidade. Começamos pelo Farol da Barra, tiramos  algumas fotos, admiramos o mar da praia da Barra, comemos cocada e partimos. Quando estava a caminho da Van vi um baiano típico tentando vender algo para Rosani e Graça.

- A senhora é muito parecida com a Ivete Zangalo – ele falou pra Rosani.

- E eu, também pareço com a Ivete?– perguntou Graça

- Não. A senhora não parece, a senhora é a própria Ivete!

 Eita!! Cabra enrolador! Sinto uma atração por essa cidade, pelo sotaque do povo, seu jeito malemolente, sua alegria. Pena estar situada tão longe da minha cidade. Continuamos em direção a Igreja do Bonfim e sua famosa escadaria de quatro degraus. As companheiras compraram as tradicionais fitinhas e visitaram a igreja. Próxima parada: Pelourinho.

Descemos na praça próxima da Biblioteca da Faculdade de Medicina da Bahia e descemos até o Largo do Pelourinho. Sentamos em frente a Fundação Casa de Jorge Amado e ficamos admirando o movimento. Logo se aproximou uma baiana toda paramentada e se ofereceu para uma foto.

- Vamos tirar uma foto com a baiana minha gente. E falou pra Valdéa – Me dá aí dez reais que eu lhe volto cinco.

Vilson também se aproximou para tirar uma foto e lá se foram mais cinco reais pra sacola da baiana.

Subimos a ladeira retornando pra Van. No caminho encontramos com um bloco de carnaval com algumas pessoas fantasiadas e uns vestindo roupa do Bloco Filhos de Gandi. O batuque atrai e a vontade é de seguir atrás do Bloco. Pena que não dá tempo. No tempinho que sobrou fomos ao Mercado Modelo. Depois de comprar algumas lembrancinhas e mais cocada e castanha de caju, eu e Vilson encerramos o passeio tomando uma cerveja hiper gelada no Restaurante Maria de São Pedro no segundo piso do Mercado Modelo. Aqui o ventinho deixa essa tarde ainda mais gostosa.


Voltamos ao navio. Agora é descansar um pouquinho, depois teatro, depois jantar.

Hoje eu soube que Rosani aprontou com o garçom no jantar de ontem. Ele estava paparicando os hóspedes de duas mesas ao lado da delas, talvez porque estavam tomando champanhe e vinho. Enfim, gastando mais dólares. O garçom fez pouco caso da reclamação e então ela chamou o maitre. Essa é a nossa Rosani, a Juíza. Adora uma encrenca. Valdea disse que vai chamá-la quando tiver que ir a Ampla resolver algum problema.

O jantar é sempre um momento de prazer, pelo menos para mim. O ambiente é mais calmo, o serviço é melhor, existe sempre um pouco de curiosidade pelo que virá no cardápio daquela noite, etc. Gosto também de observar as pessoas que estão nas mesas mais próximas. Não é um interesse pela vida alheia, de  jeito algum. Sinto um certo deleite em imaginar quem são essas pessoas, o que estão fazendo aqui. Um casal de meia idade parece estar comemorando alguma data, talvez bodas de prata.  Uma senhora idosa com a filha me faz supor que a jovem tenha pago o cruzeiro para a mãe como um presente de Natal. Um casal vestido de forma bem modesta, talvez tenha economizado por muito tempo para realizar o sonho de férias em um cruzeiro. Esse é meu lado voyeur.

Nesse momento de observação notei que quatro homens sentados na mesa ao lado deveriam ser gays, talvez dois casais. Um deles cumprimentou Vilson quando sentou à mesa. Comentei com Vilson que eu achava se tratar de dois casais.

- Que nada, aquele gordinho ali tem jeito de homem!
- Olha o tênis dele.

Era um tênis exuberante, coral florescente.

- Eh, pensando bem, tem que ser muito bichona pra usar um troço desse – concluiu Vilson.

30.12.2015

Navegação o dia inteiro, mas agora o mar está calmo. Mar de Almirante.

Vilson até agora não se animou a entrar na piscina. Água pra ele só no copo e no chuveiro.

Passamos a manhã na piscina aproveitando a água do mar do Nordeste, bem quentinha, uma delícia. Amanhã já estaremos no Estado do Rio e aí a água será gelada.

Encontrei com um amigo e colega de trabalho na Petrobras, Olivar e a esposa Conceição. Há tempos não o via e foi ótimo matar a saudade. Depois encontrei outro colega de trabalho, o André. Aliás, vários conhecidos de Macaé estão aqui.

Durante o almoço Márcia nos falou sobre um final de semana que passou no Rio hospedada no Copacabana Palace. Rosani gostou do programa e eu também. Vamos combinar com as demais companheiras e em 2016 vamos conhecer o Copa por dentro.

Antes do show desta noite o comandante Ferdinando Ponti compareceu ao teatro e apresentou sua equipe de Oficiais, como é de praxe nesses navios. Vilson perguntou:

- Se o comandante e todos os seus oficiais estão aqui, quem é que tá dirigindo esse barco? Fiquei preocupado.

Os shows que acontecem todas as noites no teatro têm sido bons, mas o de hoje foi excelente. Só música italiana, algumas bem antigas como Il Mondo e outras que ouvi muito na minha infância. Na minha casa se ouvia muita música esse tipo de música, já que somos de família italiana e também porque na década de sessenta essa música era moda por aqui. Ao final do show os cantores foram aplaudidos de pé.

Sempre que retornamos do jantar, antes de entrarmos no quarto, damos uma paradinha numa grande varanda que fica na popa do navio, bem próximo da nossa cabine. Vilson vai fumar seu cachimbo e eu fico olhando o mar. Um rastro de espuma branca vai se formando por onde passa a hélice de propulsão do navio. Parece uma estrada envolta na noite escura. Não sinto medo do mar durante o dia, mas a noite ele me parece tenebroso.  

31.12.2015

Último dia do ano de 2015, esse ano que parece não querer acabar. A situação do nosso país piora a cada dia e nada do ano terminar pra ver se estanca essa maré de azar. Lembrei-me daquele poema de Carlos Drumond de Andrade que fala na ideia de cortar o tempo em pedaços que chamamos de ano. É uma boa ideia mesmo, nos traz a ilusão de que no novo ano tudo vai melhorar.

Chegamos a Cabo Frio pela manhã e parte do nosso grupo desceu a terra para comprar biquíni. Fiquei para aproveitar a piscina que vai estar menos concorrida. Sentamos no nosso cantinho predileto e aproveitamos para dançar, fazer alongamento, etc. Rosani gosta de participar das competições e nós ficamos na torcida.

Vilson enfim criou coragem de dar um mergulho. A água está gelada, mas o sofrimento é curto, logo acostumamos com a temperatura.

Por volta das 18:30 h o navio chegou próximo a praia de Copacabana e se posicionou. Subi para o convés para verificar se seria possível ver a queima de fogos da varanda perto da nossa cabine. Acho que vai dar. Contei dez transatlânticos em volta do nosso, mas pode ser que chegue mais algum. Acredito que a Marinha deve definir a posição de cada um, caso contrário ia ser uma briga pelo melhor lugar.

O sol se pondo atrás dos morros, as luzes da cidade, o brilho refletindo na água do mar; tudo isso junto forma uma paisagem imbatível. O Rio de Janeiro continua lindo... apesar dos bandidos e dos governantes, também bandidos.

Depois do show e do jantar, nos juntamos na varanda, sentamos nas espreguiçadeiras e ficamos aguardando tranquilamente a virada do ano. Algumas pessoas também optaram pela varanda. Lá em cima, no convés, cada espaço deve estar sendo muito disputado.

Quando começou a contagem regressiva preparamos nossas câmeras, ou melhor, nossos celulares, para registrarmos esse momento único para todos nós. É a primeira vez que assistimos a queima de fogos de Copacabana e de um ângulo privilegiado. São dezesseis minutos de olhos fixos no céu. É lindo, emocionante.

Pronto, chegou o momento que nos levou a fazer essa viagem. Valeu a pena. 

                                             


FELIZ 2016!!!!

Subimos para o convés porque a festa vai começar. Arrumamos algumas cadeiras porque nessa turma ninguém tem gás para pular a noite inteira. Dança um pouquinho, senta, dança mais um pouquinho, bebe um pouco, dança novamente. Enquanto isso a turma mais jovem se joga na balada. Já fui boa nisso....mas como diz a mãe de Rosani “bom,bom, não tá não, mas tá bom assim mesmo”.

Agora, bom mesmo foi ver Dayse fazendo a coreografia da música de Anita “show das Poderosas". Fica louca-aaa (e girava o dedinho perto do ouvido).

Por volta das 02:00 horas fomos dormir e Graça ficou de plantão tomando conta da neta.

01.01.2016        UBATUBA
Ubatuba
Por volta de 10:00 chegamos em Ubatuba. A paisagem me faz lembrar Angra dos Reis. Vendo daqui a cidade me parece bem pequena. Achei que fosse maior tipo Cabo Frio, mas não vejo nenhum prédio mais alto. Deve ser mais parecida com Búzios.

Logo que chegamos ao píer fui notando a diferença. No balcão de informações turísticas, só uma moça e totalmente despreparada. Não havia um táxi sequer. Perguntei a moça sobre uma Van já que éramos oito pessoas. Ela disse que Van era impossível, só se já tivesse sido agendado com antecedência. Eu, Vilson, Márcia e Valdea resolvemos ir a pé até a praia do Tenório que, segundo ela, fica a 800m do píer. Rosani, Graça, Dayse e Luisa ficaram esperando por um táxi. Graça está sentido dor na perna e desde ontem está com piriri.

Não encontramos uma placa sequer que indicasse a direção da praia, tivemos que ir perguntando aos transeuntes até chegar lá. Os 800m me pareceram 2 km tamanho o calor, a poeira, as calçadas quebradas, etc. Quando chegamos de cara percebi que teríamos problema. Nenhuma estrutura, mínima que fosse, para atender o turista. Não havia um bar, apenas ambulantes e um pequeno boteco. A areia estava apinhada de gente e não víamos uma mesa sequer desocupada. Perguntei a um rapaz que aluga cadeiras se havia alguma disponível e ele disse que não.

Voltar para o píer sem dar um mergulho para se refrescar? Impossível. Márcia sugeriu que procurássemos uma sombra perto das pedras, estendêssemos as cangas para descansarmos um pouco e então voltarmos ao navio.

Mais à frente avistei uma mesa vazia com a barraca fechada apoiada em cima dela. Aproximei-me e sentei, cheguei a duvidar que a mesa não tivesse dono. Pedi mais uma cadeira emprestada a um grupo que estava próximo. Que alívio! Valdea ligou para Rosani e informou nossa localização. Elas estão vindo a pé porque esperaram por um táxi mais de trinta minutos e nada apareceu. Deus do céu, estou imaginando como chegarão até aqui.

Fomos para água tirar aquela urucubaca e para lavar tudo de ruim que restou de 2015. Essa é a crença. A água estava delicioooooosa! Márcia, Valdea e eu ficamos de molho saboreando aquele momento de relax depois de todo sacrifício para chegar até aqui. Vilson, avesso a banho, ficou na areia tomando conta das bolsas. Ainda bem que ele não tem medo do chuveiro.

Logo que saímos da água chegaram nossas companheiras. Furiosas é o mínimo que posso dizer sobre o estado de ânimo delas. Já chegaram querendo voltar. Deram um mergulho e partiram. Rosani perguntou a um cara se queria ganhar um trocado para levá-las ao píer. Ele topou.

Nós ficamos um pouco mais, tomamos uma cerveja e água de coco e entramos novamente naquele mar delicioso. Dessa vez Vilson se animou e acho que ficou surpreendido com a temperatura da água.

De repente não mais que de repente, caiu um pé d'água. Pegamos o caminho de volta, embaixo de chuva. Vilson foi caminhando até o pier todo enrolado na minha canga de oncinha, parecia uma muçulmana arrependida. Estava hilário.

Faz tanto tempo que não ando na chuva. Quando isso acontece lembro-me do tempo de criança quando soltava barquinhos de papel na enxurrada. Eu, Márcia e Valdéa viemos conversando sobre esse dia tão tumultuado e concluímos que nós só lembraremos a parte boa: o mergulho na água morna e pisar nas poças de chuva. Coisas de quem não faz drama e procura aproveitar tudo de bom que a vida oferece. Márcia sabe fazer isso muitíssimo bem.

Nesse último jantar, eu e Vilson sentamos com o grupo porque Graça e Maria Luisa resolveram não jantar. Graça ainda não se recuperou totalmente.
Logo notei a delicadeza do garçom com minhas amigas. Colocou o guardanapo no colo de cada uma delas, jogou beijinho, cheio de amor pra dar. A bronca de Rosani deu resultado.
O cardápio do restaurante não era muito extenso, trazia três ou quatro opções para Entrada, Prato Principal e Sobremesa, em três idiomas, em páginas separadas: Espanhol, Português e Inglês, nessa ordem. Daisy, escolheu o cardápio em espanhol, talvez por ser o primeiro, e ficou perguntando ao garçon o que significava determinados nomes e se tinha esse ou aquele ingrediente, e por aí vai. É claro que demorou mais a ser atendida.

- Ainda bem que são poucas opções pra escolher, hein Daisy? Se fosse maior seu prato só ía chegar quando o barco atracasse lá no porto do Rio - Falou Vilson.

- Fica quieto, Vilson! - eu falei rápido. Já começou a botar as manguinhas de fora, pensei com meus botões, ainda bem que falta pouco tempo pra terminar o passeio

Jantamos muito bem e fomos dormir felizes e saciadas.

02.01.2016

Abri a cortina da minha janela por volta de 06:00 h. Estávamos chegando ao Rio. Novamente me encantei com aquele visual do mar, a cidade, os morros ao fundo e a luminosidade do dia que começa.

Lembrei da música de Guilherme Arantes que homenageia o Rio de Janeiro.

''Coisas do Brasil, Coisas do amor, 
  Luzes da cidade acendendo, O fogo das paixões
  Num bar à beira-mar, No verde-azul do Rio"

Dentro de algumas horas pisaremos em terra firme.


CONSIDERAÇÕES:

É sempre bom viajar com um grupo coeso. Não se perde tempo com atritos desnecessários. Já estamos acostumadas a viajar juntas e é sempre prazeroso e divertido.

Assistir a queima de fogos, objetivo principal da nossa viagem, foi genial. Não teria coragem de assistir da areia, não gosto de multidão.

Só tem uma coisa que deixei de fazer e não me perdoo. Não me lembrei de tirar uma foto de Vilson todo molhado de chuva, enrolado na canga de oncinha. Parecia uma bichinha velha, magricela e encolhida. Eu poderia chantageá-lo e seria muito divertido. Arreee, eu bobeei!!!

28 outubro, 2015

POÇOS DE CALDAS - MG


Meses atrás Graça e Valdéa me convidaram para ir a em encontro da “Feliz Idade” em Poços de Caldas. 

Recusei. Não me vejo participando de bailes da terceira idade, onde boa parte das pessoas andam arrastando os pés pesados, meio desequilibrados. Ou então dançando ao som de músicas mais atuais, tentando acompanhar as coreografias como se jovens fossem, numa alegria meio senil.

Oh céus!!! Como é difícil envelhecer. Já estou mais pra lá do que pra cá, mas ainda resistindo em entrar para o grupo dos “idosos”.

Agora, depois que soube que Rolando Boldrim fará um show no evento decidi: vou ao encontro da Feliz Idade (eu chamaria de Pior Idade). Gosto dele, dos causos e das músicas.

POÇOS DE CALDAS

28.09.2015
Estou sofrendo há dias com um furúnculo. Ontem à noite resolvi ir à emergência do hospital da Unimed para tentar resolver esses problemas porque esse companheiro inoportuno só aparece em local impróprio: nádegas, virilha, sovaco.... Viajar assim é um suplício.
Quase desisti da viagem, as 23:00 h ainda estava arrumando minha mala para viajar hoje, bem cedinho.

Tive febre durante quase todo o dia. Por um lado, foi bom, dormi quase que a viagem inteira, coisa que nunca acontece. 

À noite, no show de abertura do evento, já me sentia melhor.
Ricardo Bombarda, o cantor dessa noite, é um gato com voz de cantor erudito. Fez uma apresentação com um excelente repertório, vários ritmos, ótimos recursos áudio visuais (um painel de LED com excelente definição, canhões de iluminação, equipamentos de som perfeitos). Só não dança muito bem, mais quem se importa? Com aquela estampa e a linda voz, dançar é o de menos.
Quando ele descia do palco e andava entre o público, era atacado pela mulherada. É muita velhinha tarada querendo tirar foto abraçada, passando a mão nas suas costas suadas, querendo beijá-lo. Foi hilário.
Entre uma apresentação e outra, o cantor trocava de roupa conforme o personagem que ia interpretar. Numa dessas trocas, uma senhora foi atrás dele tentando alcançá-lo para abraçar ou agarrar, sabe-se lá. Não alcançou, ele foi mais rápido e entrou no camarim.

São muitos idosos, ou melhor, idosas. A mulherada domina quando se trata de lazer e diversão. As mulheres de hoje se jogam na vida, não ficam em casa chorando as mazelas da idade.
Os homens, ao contrário das mulheres, vestem logo o pijama e ficam arrastando as chinelas pela casa, vendo televisão, dormindo durante a tarde toda. É assim que meu marido se comporta quando não está no sítio. Em casa passa o dia na frente da TV ou dormindo. Já falei com ele que vai acabar criando raízes como o personagem Tibério da novela Saramandaia. Só abre exceção para a ida ao boteco nos Cajueiros para tomar uma “birita” no início da noite. 

Chegamos ao hotel por volta das 23:30 h e resolvemos esticar a noite num bar perto do hotel, o Boteco Dom Pedro. Quando chegamos o garçom avisou que a cozinha já estava fechada, só poderia servir bebidas. Estranhei, depois lembrei que é uma segunda-feira e que talvez aqui a noite termine mais cedo. Bebemos e rimos, somente.

 29.09.2015
Essa é a terceira vez que venho a Poços. Na primeira vez eu era bem jovem, vinte e um anos. Na segunda vim com meu marido e um casal de amigos, numa excursão. Coincidentemente esse mesmo casal, Penha e Brasil, também vieram agora; uma agradável surpresa. Várias amigas estão nesse grupo: Valdea, Graça, Vilma, Deise, Sueli. Estamos entre as mais jovens do grupo e, por isso, um senhor do nosso grupo nos chama de “bebê”. Parece querer agradar, mas não consegue. Um chato!













A praça principal da cidade está linda, toda florida. A cidade toda é bem arborizada, os ipês roxos estão por toda parte. O casario antigo muito bem conservado contribui para embelezar a cidade. Nas vezes anteriores que aqui estive não tive essa mesma sensação. Acho que dessa vez, com mais tempo livre para caminhar pela cidade, estou podendo aproveitar melhor a tranquilidade e o clima agradável desse lugar.


Os eventos durante o dia acontecem no Palace Hotel e no Cassino. Fomos caminhando até lá. Na programação temos: Ginástica na cadeira, biodança, ginástica cerebral, yoga e meditação, dança de salão e zumba, caminhada e oficina do corpo e várias palestras.

Pelo luxo dessas duas construções, o Hotel e o Cassino, percebe-se que essa cidade já teve seus dias de muita prosperidade. Tempos de jogos liberados e muitos bailes devem ter ocorrido nesses salões. Dizem que Getúlio Vargas tinha uma suíte especial no Hotel Palace. Imagino o gordinho Getúlio mergulhando naquela piscina térmica circundada por colunas de mármore de Carrara. Que maraviiiiilha!!!! 

Hoje assistimos à palestra Renovar o Corpo e, em seguida, levamos nosso corpo renovado para curtir melhor a cidade.

Depois do almoço fomos junto com o grupo ao Jardim Japonês e depois a cachoeira Véu de Noiva. Já conhecia esses locais, mas nada é igual “do jeito que já foi um dia”, então sempre há algo de novo a ver ou fazer. No jardim japonês pagamos o aluguel de alguns quimonos japoneses para tirar fotos. Fiquei uma japonesa bem estranha, acho que porque estou loura. Como diz uma amiga a vida das mulheres é difícil porque além de dar conta da dupla jornada, ainda temos que estar todo tempo “linda, loura e japonesa”.

 À noite a programação é o Baile da Primavera. Resolvi ficar no hotel e dar um descanso ao meu furúnculo que ainda me incomoda muito.

30.09.2015

Chegamos no Hotel Palace e fomos direto para as massagens. Eu e Váldea fizemos massagens nos pés, ou melhor, fomos massageadas. Deise preferiu a massagem nas costas.Uma delícia!!!

Voltamos para almoçar no hotel. No caminho paramos no prédio Thermas Antônio Carlos que oferece vários tratamentos corporais a base de águas termais. O prédio é imponente e as águas curativas e o jogo foram certamente fatores preponderantes para o progresso dessa cidade. Ainda hoje o turismo deve ser uma das principais fontes de renda de Poços, mesmo sem jogo e sem a utilização das águas sulfurosas como tratamento de doenças.

Acho que hoje os idosos gostam do clima, das águas mornas, da tranquilidade e dos jardins floridos. Mudou o público, sumiram os ricos e chegaram os turistas da classe média. Vi no hotel alguns casais que pareciam em viagem de lua de mel. Deve ser outro público que frequenta a cidade.


O show de hoje é com Rolando Boldrim. Cantor, ator, poeta, escritor e um contador de causos. Gosto dele desde os tempos do programa Som Brasil na rede Globo. Um programa de músicas regionais que era bem interessante.
O show foi razoável. Gostei dos causos, ele sabe contá-los com competência.

01.10.2015












Começamos o dia participando da ginástica na cadeira. O enorme salão estava lotado. No alto de um tablado, uma mulher alta e fortinha ensinava os movimentos. Maria Alice Corazza, a professora de ginástica de setenta e um anos com aparência de cinquenta, é muito simpática e cheia de disposição e logo conquistou a todos. E fomos seguindo os comandos delas ao ritmo da música. Diga-se de passagem, a trilha sonora era muito boa e bem apropriada. E íamos alongando, quase dançando. Não gosto de ginástica, principalmente porque acho difícil acompanhar as coreografias. Nesse caso, não tive dificuldade, e gostei.

Muitos fotógrafos estão presentes nesse evento, vendendo o material produzido durante os eventos. No meio dessa turma de fotógrafos um  se destaca pela simpatia e bom humor. Na ginástica das cadeiras ele dançava e fotografava. Um palhaço!!! Já estava íntimo de um monte de gente. 

Assistimos outra palestra, Ginástica Cerebral. Depois fomos bater perna. Fui procurar uma bolsinha de fumo para Vilson no Mercado Municipal. Não achei a bolsinha mas gostei muito do mercado.

Temos tomado café a tarde em alguns cafés próximos aqui do hotel. São muitos por aqui e alguns bem bonitinhos. Aproveito para comer bastante pão de queijo. Nada como comer pão de queijo na terra do queijo, e se for acompanho por café com leite, melhor ainda. Mais mineirin do que isso só uma dosezinha de purinha (cachaça).

À tarde fomos visitar uma fábrica dos famosos cristais de Poços. São lindos, mas não são para o meu bolso.

Na última noite, pra fechar muito bem, um baile de gala com a Big Band Tupy Orquestra. A mulherada caprichou no figurino: renda, longos, salto alto, muita biju. Eu destoei do grupo: vestido Jeans e bota. Estou mais para festa sertaneja do que para baile com orquestra. É que arrumei minha mala na última hora, ainda na dúvida se poderia viajar.  
A banda é animadérrima. Tem três cantores que revezam no vocal. Um deles, uma biba de topete arrepiado, parece um calopsita. Como o número de homens é muito inferior ao número de mulheres, alguns rapazes foram contratados para dançar com a mulherada. Só fica na cadeira quem quer. O que me convidou para dançar é uma graça de rapaz, bem alto e cheiroso. 

Quando retornamos ao hotel, resolvemos conhecer o bar em frente.
Bem bonitinho, algumas árvores não foram retiradas e atravessam o telhado. Dão uma aparência bem rústica ao bar. Penha e Brasil também nos acompanharam. Brasil de terno e Penha com um longo rendado, de muito bom gosto. Ela se veste muito bem.

A noite foi muito boa e a caipirinha estava óóóótima!

02.10.2015
Após o café parte do grupo voltou ao Centro de Convenções para uma missa de Ação de Graças.
Eu e Sueli preferimos passear pelo bairro. Passamos primeiro pela igreja Matriz Nossa Senhora da Saúde. Uma grande construção de paredes avermelhadas, austera e simples. Várias colunas em arco circundam toda a nave e o púlpito. O teto em madeira com entalhes bem trabalhados e os lustres, também de madeira, reforçam o estilo despojado da construção. Achei linda essa igreja. Não sou católica, mas se eu morasse aqui e tivesse cantos gregorianos na missa dessa igreja, eu assistiria algumas missas, com certeza.
Partimos para Macaé após o almoço. São mais ou menos 12 h de estrada. Como eu gostaria de dormir e não ver o tempo passar.