04 junho, 2013

PROVENCE

26.04.2013                           AVIGNON

Hoje o dia foi puxado, trem para Avignon e com conexão em Lyon. Ninguém merece!!!!!

A estação de Beaune não tem rampa de acesso a plataforma, nem elevador, nem carregador de malas, nem mesmo um daqueles meninos desgarrados à espera da oportunidade de ganhar alguns trocados. Nos encarregamos dessa tarefa ingrata, escada abaixo, escada acima e finalmente nos acomodamos para esperar o trem. Ufa!!! 
Chegamos a Lyon há poucos minutos da partida do outro trem. Por conta de uma informação mal entendida, quase perdemos o trem. Foi um corre-corre para enfiar todas aquelas malas dentro vagão. Depois atravessamos vagão por vagão até encontrar o nosso, kms de distância de onde ficaram as malas. Realmente, trem é para mochileiro jovem e com pouca bagagem. A idade média das tigronas não permite grandes acrobacias.
Palácio dos Papas
Chegamos, enfim, ao hotel D'Horloge que fica  ao lado de uma grande praça com o mesmo nome, deixamos rapidamente nossas malas e fomos para a praça. Escolhemos um dos restaurantes entre os muitos que estão ao redor da praça, fizemos um lanche reforçado e saímos para nossa habitual caminhada.

Chegamos ao Palácio dos Papas e a Notre Dame daqui. Em frente a esses importantes prédios há um grande largo onde um grupo de adolescentes estava batendo uma bola, uma "pelada", fazendo uma grande algazarra. Vejo que são italianos, daí a barulho. Adolescente normalmente é agitado, barulhento, mas os italianos, e também os brasileiros, me parecem um pouco mais "alegres" que os demais.

Subimos até a parte alta onde fica a Notre Dame. Ao lado da igreja, o Palácio dos Papas e atrás da igreja um grande jardim. Lá embaixo, as muralhas que cercam a cidade e a ponte de Avignon sobre o rio Ródano. Ao longe, sobre uma colina, um castelo. A maioria das casas é de pedra e todas tem uma cor bege com telhados um pouco mais escuros. Todas as construções tem o mesmo tom, cor de areia. De vez em quando vemos uma janela lilás ou azul, pra não esquecer que estamos na Provence. E muito verde em volta, nas colinas que circundam a cidade fortificada. Uma cidade romântica, uma belezinha de lugar.

Descemos até o largo em frente à igreja e pegamos um trenzinho para passear pela cidade. O segundo trenzinho do dia. Tô legal de trem, não quero saber de outro nem tão cedo.

27.04.2013            
O dia amanheceu frio e chuvoso. Enfiei-me no casaco e na capinha de chuva e saí para a praça. Antes precisei tomar um chocolate bem quente num Café próximo ao hotel. Frequentemente tenho que pedir o adoçante porque não encontro disponível na mesa. Parece-me que os franceses não têm problemas com obesidade ou diabetes.
Tínhamos programado um passeio até o rio Ródano, mas com esse tempo, achamos melhor começarmos o dia pelo Palácio dos Papas. 

Esse Palácio foi por um século, a residência dos Papas. Depois voltaram para Roma. O áudio-guia é excelente e em português o que torna  possível fazer uma visita bem legal mesmo sem um guia local. Em algumas salas, telões exibem um filme com a história do palácio e é fácil acompanhar usando o áudio-guia. Esse palácio é enorme e percebe-se os delírios de grandeza dos antigos moradores. A cada novo Papa algo novo era acrescentado a imensa construção: uma nova torre, um novo salão, uma nova capela, etc...Tornou-se essa construção grandiosa. E visto de longe, do outro lado do rio e fora dos muros da cidade, fica ainda mais imponente. Realmente, os poderosos mesmo quando são religiosos não diferem dos demais, se comportam do mesmo modo em qualquer lugar do mundo.

Mercado de Avignon
A chuva e o frio continuavam. Fomos ao mercado que é ótimo, como é comum aqui na Europa. A vontade de levar um monte de coisas é grande. Temperos, queijos, terrines, embutidos, vinhos. Na minha mala já tem champanhe e vinho, mas aumentei um pouquinho o peso com a terrine e alguns temperos.

Tomei vários copinhos de vinho que acompanhavam uma degustação de nhoque com foie gras grelhado e molho branco. Uma delícia!!! Minhas amigas se fartaram de ostras e como dizem que é afrodisíaco vai ser um perigo, somos 6 damas e nenhum valete. Esse negócio de ficar tirando o bicho da concha não é muito minha praia. Ostra, marisco e escargot, só como se já estiver preparado sem a concha.

Carrosel na Praça L'Horloge
Do mercado fomos andar pelas lojas, na esperança que a chuva desse uma trégua. Entramos em uma pequena loja e começamos a experimentar um monte de roupas. Pensei que a dona da loja fosse perder a paciência com aquelas brasileiras faladeiras, mas ela resistiu bem. No final, todas nós compramos alguma coisa.

Eu e Valdéa nos separamos do grupo e fomos tomar um café em um lugar quentinho. Ficamos olhando o carrossel que girava com algumas crianças e o movimento de pessoas que passavam pela praça, apesar da chuva. Pelo visto todas as cidades tem um carrossel na praça. Acho que é o equivalente ao coreto nas nossas praças das pequenas cidades do interior.

De repente vimos um grupo de homens sem camisa, e com o rosto coberto como aqueles caras da Klu Klux Klan. Não identifiquei de imediato o que eles gritavam,  mas depois vi nas faixas que carregavam frases contra o casamento gay. Fiquei surpresa, embora soubesse dos protestos que tem acontecido aqui na França, não imaginava que os franceses fossem tão conservadores.
A chuva deu uma trégua e resolvemos caminhar até a ponte de Avignon. Meia ponte, na verdade, porque ela vai até a metade do rio. As sucessivas enchentes destruíram várias vezes partes da velha ponte. Resolveram construir uma nova ponte mais resistente e deixaram a antiga como estava. O rio é largo e com muita correnteza, acho que se alguém cair ali e escapar de ser tragado pela água certamente vai morrer muito rápido de hipotermia.

O vento em cima da ponte estava muito forte e o frio aumentando. Voltamos para o hotel caminhando rápido para esquentar.
À noite, criamos coragem e saímos para jantar num restaurante não muito longe do hotel. Acho que a temperatura estava perto de zero, mas a comida valeu a caminhada. O restaurante era pequeno e simples mas a comida. Ulalalá!!! Comi um foie gras com salada verde e uma tortilha de batata (Filet de bœuf Parmesan aux copeaux de bloc de Foie gras). Katia comia e fechava os olhinhos, como sempre faz quando gosta muito do prato.
Voltamos para o hotel quase correndo, tiritando de frio.

28.04.2013                       ARLES

Hoje o dia não foi produtivo. Saímos para a cidade de Arles embaixo de chuva. A vontade era ficar no hotel, embaixo da coberta quentinha, mas fazer o que, não dá para desperdiçar um dia inteiro.
Hospital onde Van Gogh foi interno
Fomos atrás do rastro de Van Gogh, queríamos ver os locais que ele retratara em quadros tão famosos: o quarto da sua casa, a cadeira, o bar com o céu estrelado. Não imaginávamos que teríamos tanta dificuldade. Estacionamos perto do centro e subimos a pé em busca de um centro de informações. Na caminhada, por acaso, deparamos com o Bar que inspirou a tela “Café La Nuit”. Assim, durante o dia, o amarelo das paredes não é tão brilhante quanto na pintura, mas está preservado como deve ser.
A partir daí, não encontramos mais nada do que queríamos ver. O centro de informações não estava aberto. Não havia nenhum tipo de sinalização, ninguém nos dava informações precisas.

Fomos até o hospital onde ele esteve internado. Vimos o jardim do pátio interno retratado por ele em uma tela, mas o restante do prédio estava fechado. Apenas algumas lojas de souvenir estavam abertas.
Não conseguimos encontrar a “casa amarela” onde ele morou e pintou três versões do seu quarto. Passamos várias vezes pela Rua Stalingrado, mas não havia nenhuma placa que indicasse qual era a casa. A Fundação Van Gogh também estava fechada. Não encontramos o hospício onde ficou por algum tempo. Depois descobrimos que o hospício não fica em Arles, mas na cidade de Saint-Remy-de-Provence.

Passamos pelas ruínas romanas. Li em uma placa que esses monumentos são tombados pela UNESCO como patrimônio da humanidade. O anfiteatro romano e as termas estão muito bem conservados, tão conservados que me pareceram meio “fake”, maquiado para atrair turistas. Bem, maquiado ou não, é um belo patrimônio e parece-me que os cidadãos de Arles valorizam mais as ruínas que a história de Van Gogh. Ele merecia um pouco mais de atenção até porque, em se tratando de turistas, talvez Van Gogh tenha maior poder de atração.
Para completar, o cartão travel card de Adélia ficou retido num caixa eletrônico. Fizemos de tudo para arrancar o cartão, mas não conseguimos. É domingo e tudo está fechado, melhor ir embora.

Durante a madrugada, acordei e por algum tempo fiquei ouvindo o ronco da minha companheira de quarto, Valdéa. De repente, entre um ronco e outro ela fala:

- Aí meu Deus do céu!!!

O que é isso, gente? Será que ouvi direito? Daí ela repetiu:

- ...rruurr ai meu deus do céu romrrr zzzzzzz...

Esse ronco é novo para mim ou, como diria a própria Valdéa, novo “prrrraaaa mim”.

No dia seguinte ela me disse que tinha sonhado que a sobrinha lhe pedira para ser barriga de aluguel para um filho que gostaria de ter. Ela aceitou, mas depois ficou preocupadíssima. Daí, o ronco desesperado.

Sugestões:
Restaurante Le Brigadier du Théâtre
17, Rue Racine – Avignon 
Tel - 04 90 82 21 19  contactlebrigadier@gmail.com

Hotel de L’Horloge
1, Rue Félicien David – Place de L”Horloge – Avignon               
Tel - 04 90 16 42 00


29.04.2013                     GORDES 

Nossas malas
Está cada dia mais difícil acomodar as malas no carro. Tivemos a ajuda de um empregado do hotel, mas foi difícil encaixar toda a tralha. Tiramos foto para não esquecer a sequência da arrumação, mas não tem jeito, em cada cidade que nos hospedamos o espaço diminui, ou melhor, a bagagem aumenta. Ocupamos seis assentos e reclinamos o sétimo para ampliar o espaço. Adélia senta no último banco, cercada de malas por todos os lados. Brinco com ela e digo que aquele assento parece um bebê conforto.

“Luz na passarela e lá vem ela!!!” Fatinha, nossa motorista baixinha e arretada chega para dirigir o possante por essas estradas maravilhosas, sem buracos, bem sinalizadas e com uma paisagem linda por todo lado.
Seguimos viagem, a paisagem é muito agradável, diria que até relaxante. Plantações de um lado e outro da estrada: maçã, pera, pêssego. E uva, é claro. Subimos a montanha por uma estrada sinuosa e chegamos a Gordes, na região do Luberon. A cidade fica plantada no alto de um morro, à beira de um penhasco. Que maravilha!!! Ruazinhas estreitas, pedras pra todo lado: no chão, nos muros, nas casas. Será que tem pedra também nos corações? Caminhamos pelo centro, entramos nas lojinhas, tiramos muitas fotos. Comprei uma bolsa de presente de aniversário para minha sobrinha. Temos encontrado algumas coisas de qualidade e com bom preço, mesmo sendo em Euro.

Restaurante em Gord
Almoçamos num restaurante já um pouco retirado da cidade. A construção bem no estilo provençal é uma graça. A comida, deliciosa. Uma das empregadas do restaurante é uma francesa que se chama Iasmin. Ela morou um ano e meio no Brasil e namora um cearense. Fala um português perfeito com um pouco de sotaque. Diz que pretende vir morar no Brasil, mas que não pretende “ter menino” tão cedo (olha o Nordeste nessa fala).

FONTAINE DE VALCLUSE
Seguimos viagem, agora em direção à cidade de Fontaine de Vaucluse. A cidade é uma vila medieval, com um rio caudaloso com águas de uma cor verde quase florescente. Ao longo do rio, árvores frondosas, alguns moinhos, algumas pessoas pescando e outros fazendo canoagem. Aqui é um ponto de esportes radicais. Subimos por uma rua estreita cheias de lojas de souvenir e, no final da rua, uma trilha que sobe pela montanha escarpada. Tem também uma visita a grutas ao lado rio. Não quis conhecer. Já me fartei desses buracos embaixo do chão nas caves de vinho e champanhe. Nas caves, a recompensa vinha no final, na hora da degustação.

Fontaine de Valcluse
Depois da caminhada, sentamos nos banquinhos em frente ao rio, embaixo da sombra das árvores. Ficamos ouvindo o barulhinho do rio e vendo alguns pescadores. Apesar de pequenina a cidade tem uma fábrica de papel, que visitamos, e alguns museus bem interessantes: museus de santos (uma coleção de 2000 santos); museu da justiça e punição (instrumentos de tortura, etc), museu geológico (uma galeria subterrânea com informações geológicas); museu de cristais. Andréa me falou de um museu sobre o período da guerra, com fotos e histórias do período entre 1939 e 1945. Parece que essa cidade foi ocupada pelos alemães nesse período. Que pena, não ter visto antes, adoro histórias da segunda guerra.
Fontaine de Valcluse

ROUSSILLON

Seguimos em frente, agora para Roussillon a cidade da cor ocre. A cidade fica numa colina com falésias de cor avermelhada. As casas também tem a mesma cor, até mesmo as pedras usadas nas casas são da mesma tonalidade ocre das falésias. É linda!!!
Roussillon
Não ficamos muito tempo em Roussillon, já estava entardecendo e minhas companheiras de viagem já estavam cansadas.
Roussillon
Roussillon
















Chegamos em Aix en Provance quase 22:00 h. Estava cansada, dormi sem jantar e sonhei com as cores da Provence.
                                                 
Sugestões:
Restaurante L’Estellan 
Montée de Gordes – Les Imberts 
Tel: 04 90 72 04 90 – reservation@restaurant-estellan.com


30.04.2013                   AIX-EN-PROVENCE

As tigronas
Andréa acordou feliz. Hoje é dia de visita a fábrica da L’Occitane que fica na cidade de Manosque, bem perto daqui. Fizemos uma visita guiada pela área de produção da fábrica, assistimos a um vídeo sobre a empresa e tivemos um momento de apresentação dos principais ingredientes utilizados na fabricação dos produtos. Foi quase um momento de “degustação”. E durante todo o tempo um perfume pairando no ar.

Saímos todas de lá com alguma sacolinha na mão. Andrea, com um sacolão. Fatinha brincou dizendo que Andréa havia comprado as lembrancinhas para os convidados de sua festa de 50 anos, que acontecerá em maio. Oh meu Deus, o aperto no carro vai aumentar!!!

Quanto queijo!!!
Retornamos a Aix e procuramos por um restaurante que nos foi indicado. Fechado. Ainda não nos acostumamos com esse costume francês de fechar para o almoço as 14 h em ponto e só reabrir para o jantar. Encontramos uma brasserie que ainda servia almoço naquele horário. Sentamos nas mesinhas sob a sombra dos plátanos, cercado por outros pequenos bares. Muito simples e muito simpático. Comi um risoto de frutos do mar e bebi um vinho rosé, por um preço justo.

Aix em Provence
Fiquei meio decepcionada com a cidade, esperava mais dela. Achei mal cuidada e sem atrativos. Em compensação as pequenas cidades nos arredores são lindas. Durante a caminhada passamos por vários bares lotados de turistas. Pelo visto muitos turistas ficam hospedados por aqui e saem para visitar as pequenas cidades próximas. Como nós. Acho que se tivesse mais tempo talvez descobrisse os encantos de Aix.

Mais tarde fizemos um passeio de trenzinho (oh céus, novamente o trenzinho). Uma chatice. O áudio em espanhol era muito ruim e mal dava para ouvir o que era dito sobre os pontos de interesse  que, na verdade, não me pareceram tão interessantes assim.

Enquanto as companheiras faziam o circuito das lojas, eu e Váldea fomos tomar um chocolate quente no Le Deux Garçons, endereço que foi frequentado por vários artistas famosos, entre eles Cezane que nasceu aqui em Aix.

Macarons - biscoitos coloridos
Voltamos mais cedo para o hotel e dispensamos o jantar. Fizemos um piquenique no quarto de Fátima e Kátia. Kátia não participou do piquenique, estava zangada porque voltamos para o hotel sem ela. Nada demais, tenho certeza que amanhã ela já desfez a cara amarrada.






Sugestões:

Pizzeria Le four sous le platane...
Rue de Couronne, 31 - Place des Tanneurs - Aix-En-Provence
Tel 04 42 26 07 71

01.05.2013                       LOURMARIN 
Lourmarin
Começamos o dia por uma feira no centro da cidade de Aix. Depois fomos subindo a rua e passamos na Catedral de Saint Sauveur. A igreja é muito antiga, o batistério é do século VI e tem também um claustro. Gostei mesmo dos dois órgãos verdes com dourado, um de cada lado da nave principal. Imaginei o som que deve ecoar pela igreja quando os dois forem tocados ao mesmo tempo.
Entradinha de Escargot

Partimos para Lourmarin, mais uma cidadezinha linda da Provence. Paramos próximo ao castelo medieval que tem uma cave para degustação. Estava fechada. Caminhamos até o centro da cidade. Estava um solzinho gostoso, propício para a caminhada. 

Lourmarin
Escolhemos para almoçar, um restaurante com uma varanda no alto. Da mesa que escolhemos pode-se ver o movimento da rua. Hoje é feriado e a cidade está cheia de gente. O vinho rosé geladinho combina com a temperatura e o clima de férias. O almoço foi ótimo, o que não é nenhuma surpresa por aqui.

Olha o nome da cidade!



                                   MENERBES 

Olha o nome da cidade!
Seguimos para Menerbes. Essa cidade também fica no topo de uma falésia e lá de cima dá pra ver várias cidadezinhas nos arredores. É pequena, mas tem vários ateliers. Sentamos em um bar, tomei uma água com gás e fui ao banheiro, ou melhor, ao toilette (na França como os franceses). A toilette parecia a caverna do Batman, dentro da rocha, mas com muito charme. É impressionante o que se pode fazer com um pouco de criatividade.
Menerbes

Fico pensando que seria maravilhoso ficar por muito tempo nessa região, passando mais tempo em algumas dessas cidades. São pequeninas, é verdade, mas com muita coisa bonita pra apreciar. Andar pelas ruelas, pelos campos, conhecer melhor os pratos que comem no dia a dia. Enfim, fazer tudo com calma, saboreando sem pressa. É verdade que algumas coisas o dinheiro compra e na falta dele fazemos assim, várias cidades em um dia. Também tá bom!

CUCURON

Menerbes
Passamos pela cidade de Cucuron. Só passamos, realmente; é muito pequenina e com algumas voltas se conhece toda a cidade. Tipo: uma rua que vai, uma rua que vem e uma terceira que cruza as duas. Têm uma praça grande com um lago quadrado no meio, cercado de plátanos e restaurantes. Apesar de pequena essa cidade tem dois restaurantes com estrelas do Guia Michelin.  Não é pouca coisa.
Em volta do lago, vários idosos aproveitavam aquele final de tarde embaixo da sombra das árvores. Tranquilidade total.

Amanhã seguiremos viagem indo mais para o sul, rumo ao Mediterrâneo. Estico-me na cama alongando as costas, os braços, as pernas um pouco cansadas das tantas ladeiras que subi hoje. Do banheiro vem um  barulho de água batendo. É Valdéa nadando de braçada na banheira do nosso quarto.


03 junho, 2013

RIVIERA

02.05.2013                   MARSEILLE 

Vista da Colina da Notre Dame

Chegamos em Marseille antes de meio-dia. Antes, é claro, passamos pelo suplício de enfiar todas as malas no carro e depois tirar o carro da garagem do hotel Adágio. O hotel não é lá essas coisas, mas tem garagem o que não é muito comum nessas cidadezinhas. Sair dessa garagem, cheia de curvas estreitas com um carro grande, é para bons motoristas.

Prédios Modernos próximo ao porto
Marseille é uma cidade bem grande, clara, iluminada, eu diria que azulada. Caminhamos por uma via que circunda um Forte antigo, à beira mar. Olhei as pedras no fundo da água transparente e imaginei – “Será que estavam aqui há 2000 anos?”. 
É possível. Um porto cobiçado por tantos povos, com uma forte herança da ocupação de gregos e romanos, deve ser uma cidade muito interessante.

Escultura no pátio da Notre Dame
A região do porto está passando por uma obra de grande porte. Imagino que vai ficar muito linda porque o entorno já é consideravelmente belo. Tem um casario antigo, belos prédios que estão sendo revitalizados, e dois grandes prédios em estilo bem moderno que estão em fase final de construção. Um deles será o museu das Civilizações da Europa e do Mediterrâneo. E ao lado de tudo isso, um mar esplendidamente azul!
Subimos a colina mais alta onde fica a Notre Dame de la Garde (ou Basílica de Nossa Senhora da Guarda). De lá se avista toda a cidade. Acho que foi a igreja mais bonita que visitei na França, até agora.
                                                 CASSIS

Seguimos viagem para Cassis pela estrada litorânea, que vai sinuosa acompanhando o mar mediterrâneo lá embaixo. As rochas esbranquiçadas devem ser de calcário e dão um charme especial a região. De vez em quando, no alto de um penhasco, vemos alguma mansão. A paisagem é muito bonita.
A cidade de Cassis fica numa encosta e foi quase impraticável achar um lugar para estacionar. Parece que todos os franceses resolveram vir para a Riviera. Estranho, hoje é quinta-feira, ainda não é período de férias e estamos no início da primavera. De onde apareceu tanta gente? Quando já estávamos desistindo um grupo de brasileiros parou para conversar comigo e informou que um parking bem próximo tinha vagas. Até que enfim, arrumamos uma vaga.

Cassis
Descemos até a praia. Não sei se há outras praias, essa é bem pequenininha, apenas um pedacinho de areia, o resto é uma marina. Em pouco tempo percorremos toda a orla e a fome chegou. Escolhemos um restaurante e paramos para almoçar. Lá estavam os mesmos brasileiros que nos informaram sobre o parking. Aliás, encontramos brasileiros em cada esquina.
Cassis


Cassis
Enquanto almoçávamos um grupo de capoeiristas se aproximou fazendo seu show costumeiro. Fatinha se encolheu - “Meu Deus, devem ser brasileiros!”

Acertou. Falavam francês com sotaque baiano. Imagine “mérci bócu”. Rimos muito. 

NICE 

Chegamos em Nice já noite. Nosso hotel fica próximo à praia e, exceto pela escada para chegar ao hall, tudo o mais é adequado.

Uma curiosidade: na maioria dos hotéis que ficamos até agora, o vaso sanitário fica em um cômodo e a pia, chuveiro e banheira ficam em outro. Estranhei um pouco porque após usar o vaso sanitário ia lavar as mãos e... cadê a pia? Tinha que ir para o outro banheiro. Também não havia lixeira para papel higiênico, vai tudo com a descarga. Quando estive na França anteriormente, fiquei só em Paris e não me lembro se lá o costume também é esse.

03.05.2013                   SAINT TROPEZ 

Fomos conhecer o litoral sul: Cannes, Antibes, Saint Tropez. O dia estava ensolarado. Coloquei uma roupa de listas azul marinho e branco, um visual navy para atrair mais sol. Deu certo. Resolvemos ir pela estrada litorânea, mas desistimos quando chegamos a Antibes. Um engarrafamento sem fim nos obrigou a procurar a autoestrada. Estava acontecendo um encontro de motos Harley Davidson nessa região, passamos por muitas motos no caminho. Isso também dever ter contribuido para o engarrafamento. Enfrentar um trânsito desses nas férias? Ninguém merece.

Chegamos a Saint Tropez. A marina estava repleta de iates, cada um mais bonito que o outro. Muita gente bonita e rica passeando pela orla, muitas lojas de grifes famosas. Ainda assim, achei a cidade meio decadente. Será que sou uma pobre metida a besta? Acho que esperava encontrar aquele glamour da década de 60, quando Brigite Bardot vivia por aqui. Cheguei com 50 anos de atraso.
Risoto de Frutos do Mar
Almoçamos em um restaurante lindinho que cobrou sete euros pela coca-cola. Êta coca carinha!

O engarrafamento que pegamos na saída de Saint Tropez me fez lembrar o trânsito do Brasil no final do carnaval. Descobrimos que os franceses emendaram o feriado de 1º de maio, que caiu na quarta-feira. QUARTA-FEEEEEIRA!!! Emendaram a segunda e a terça e também a quinta e sexta. Já viu disso?

 CANNES

Desistimos de Cannes e Antibes, porém mais tarde no meio do caminho, já noite, resolvemos passar por Cannes. A cidade lembra Nice: orla bem movimentada, prédios baixos, muitos jovens e gente bonita desfilando pelas calçadas.
Em Nice, já no hotel, abrimos a porta do quarto que dava para uma pequena sacada. A temperatura estava agradável e ficamos deitadas, eu e Valdéa, conversando. De repente Váldea olha para fora e diz – “Ângela, acho que tem um homem olhado para o nosso quarto”. Olhei para o prédio em frente e vi na penumbra um homem com um binóculo. Quando ele viu que eu olhava, acenou com a mão. Fechei a porta. Deu vontade de dar uma “banana” pra ele, mas imaginei que aquele braço duro apontado pra cima poderia sugerir outra coisa.

04.05.2013        
               
Hoje tivermos um dia livre (como se diz nas excursões). Na 
Calçadão na Promenade Des Anglais
verdade livre do carro, que deixamos na garagem.

Quando acordei, abri a porta e fui até a sacada conferir o tempo. Quando estava ali olhando o céu, um casal no terraço do hotel em frente, olhava para baixo em minha direção. O homem acenou para mim e identifiquei o voyeur da noite passada. Um velho babão.
Olha a areia da praia!!

Fomos passear pelo calçadão da praia,    na Promenade Des Anglais. Poucas pessoas se aventuravam na água, que imagino, devia estar gelada. A maioria tomava sol deitados nas espreguiçadeiras e alguns corajosos deitavam sobre tolhas na areia pedregosa. Se é que se pode chamar aquilo de areia. Está mais para pedra brita do que areia.

Pegamos um desses ônibus de turismo com a parte de cima descoberta. Que delícia passear pela cidade, lentamente, olhando tudo assim do alto e com um solzinho morno pra completar! Só não se pode bobear com os galhos mais baixos das árvores que de vez em quando vem em nossa direção.
Nice
A cidade é bem antiga e tem lindas construções, muito bem conservadas. Descemos no museu de Matisse que é um pintor de quem gosto muito. Ele morreu aqui em Nice, onde viveu seus últimos anos. Não gostei do museu, a maior parte do que vi aqui são objetos doados pela família do pintor e alguns desenhos que parecem ser estudos para realização de alguma obra. 
Nice
Nenhuma das Odaliscas, nenhuma das janelas, nenhuma das obras mais conhecidas. De interessante, o primeiro quadro pintado por ele. Sabe aqueles rabiscos que se tornam obra de arte depois que o cara é famoso? Pois é, os rabiscos de Matisse estão aqui.


MONTE CARLO

Ronaldo
À noite fomos ao Buddha Bar, em Monte Carlo. Logo que saímos do estacionamento deparamos com Ronaldo Fenômeno e a namoradinha da vez. Estava de terno cinza com uma gravatinha borboleta esquisita; um cara simpático, sem dúvida. Parece que estava rolando uma festa no Hotel de Paris. Na escadaria algumas dançarinas vestidas de Carmem Miranda, um cara no pandeiro, outro no cavaquinho e alguém cantando música brasileira. Que festa será essa?
Galvão e a Ferrari. Será alugada?

Olhando pro alto da escada na entrada do Hotel de Paris, avistamos a promoter Liége Monteiro e o Felipe Massa com a esposa. Parece que é festa brasileira. Surge de uma rua ao lado uma linda Ferrari vermelha, e dentro dela Galvão Bueno e a esposa. Deixa o carro no meio da rua e sobe as escadas. Em seguida volta rápido, com a cara emburrada, e vai estacionar o carro. Acho que contava com um manobrista, mas despacharam o Galvão de volta para o carro. Ao contrário de Ronaldo, ele não me parece nada simpático.

De repente, no meio da pequena multidão que se formou em frente ao hotel, avisto Aureliano observando o movimento. Ele é um colega da Petrobras e está passeando com a família, passou pela Itália e agora está hospedado aqui em Mônaco. Em Avignon também encontramos na rua, um colega de trabalho de Kátia que estava hospedado no mesmo hotel que nós. Mundo pequeno!

Não pudemos esperar por outros famosos, já era hora de ir para o Buddha Bar esse famoso bar decorado com motivos orientais. No térreo onde fica o bar, grandes pilastras com, sei lá, uns seis metros de altura e um enorme Buda na sua pose tradicional. Subindo a escada passamos pelo DJ e na parte de cima, o restaurante. Lindo!!! A música está ótima. Espero que a comida seja no mesmo nível.

No cardápio tem muita comida asiática e japonesa. Pedi um prato que tinha camarão com molho de leite de coco. A comida veio dentro do próprio coco, com uma tampinha aberta para comer ali mesmo, dentro da casca. Gostei, mas achei um pouco picante demais. Comi outro prato com salada de legumes e carne, também com pimenta, mas na medida certa pra mim. Nas mesas em volta, muita gente bonita, que na penumbra fica ainda mais bonita.
E o banheiro de pastilhas douradas no piso? Parece que estou pisando em um lugar alagado, brilhante.

E o Buda, com aquele olhar disfarçado, tudo vendo.
Saí com a sensação de que ainda era cedo e que o melhor estava por vir, música animada, podíamos dançar um pouco. Estamos mesmo ficando velhas. Pelo menos estamos todas no mesmo barco e não me pareceu que alguma de nós tenha ficado frustrada por não ficar até mais tarde.

Fomos para o Cassino. Não podíamos sair de Mônaco sem conhecer o Cassino de Monte Carlo. O meu interesse é somente conhecer o prédio que é lindo, e ver as pessoas que frequentam esse lugar; o jogo não me interessa. As companheiras arriscaram alguns poucos euros nas maquininhas, mas como era de se esperar, perderam. Provavelmente em alguma outra parte do prédio deve haver uma área reservada apenas para os vips.

Cassino de Monte Carlo
Fiquei observando uma senhorinha meio careca que jogava 100 euros nas máquinas. De vez em quando ela parava, olhava o movimento em volta, e trocava de máquina. Está sozinha. Deve ser uma dessas milionárias solitárias que preferem arriscar algum dinheiro a passar a noite solitária em casa ou em um hotel.

Enquanto olhávamos o movimento, entrou um casal de meia idade. A mulher, com um vestido branco curto colado ao corpo e com um grande decote. Quando ela passou por nós, surge a bunda.... a maior bunda que já vi; redonda; pontuda; empinada; com certeza aquela bunda foi comprada!!! Andou pra lá, andou pra cá e em seguida levou a bunda pra passear em outro lugar.
                                                         
05.05.2013                SAINT PAUL DE VENCE



Começamos o dia pela cidadezinha medieval St Paul De Vence, que é bem perto de Nice, mas já subindo a serra que eles chamam de Alpes Marítimos. Parecida com as demais cidades pequenas que visitamos, mas com uma quantidade de galerias de arte impressionante. Seria muito bom passar um dia inteiro aqui e ter tempo de entrar em todas as galerias. Aqui também encontramos objetos com a assinatura de Romero Brito. Aliás, acho que em todas as cidades da França por que passamos até agora, vi algo de Romero Brito em alguma loja. É sem dúvida um artista brasileiro bem sucedido.

Objetos com a marca de Romero Brito
Muitos restaurantes simpáticos, difícil escolha para o almoço. 

Durante o almoço encontramos um casal de gaúchos que moram em Morro de São Paulo. São donos de uma pousada por lá (Pousada Solar das Artes) e a esposa está fazendo um curso de gastronomia na França.


Galeria de Arte

Galeria de Arte
















Descemos em direção ao mar. Vamos novamente a Mônaco, agora parando nas cidadezinhas pelo caminho o que não toma tanto tempo porque são coladinhas umas nas outras. Próxima parada, Cap Ferrat.
CAP FERRAT 

Parada é força de expressão, não há porquê parar, porque não é possível ver nada. Cap Ferrat fica numa península (ou seria um promontório?) mansões de um lado e outro da rua, todas com muro alto ou uma cerca viva bem alta para garantir a privacidade dos endinheirados que desfrutam sozinhos desse lugar. Sinto um pouco de raiva dos endinheirados, só um pouquinho (acho que inveja também), por privar a plebe rude da vista maravilhosa do mar que deve estar ali, logo depois dos muros altos.

VILLEFRANCHE-SUR-MER

Após algumas voltas tentando descobrir alguma passagem para o mar, descobrimos que estávamos dando volta, sem sair do lugar.
Seguimos para Villefranche-Sur-Mer, outro pequeno balneário com belas casas penduradas na encosta com o visual azul do mediterrâneo, maravilhoooooso!!! Lugar bom para bater perna, tomar sorvete, e se expor aos raios UVB e UVA que envelhecem a pele entre outros estragos. Confesso que com o frio que senti alguns dias atrás esses raios, nesse momento, são apenas belíssimos raios solares calientes que me aquecem até a alma.

Villefranche Sur Mer

Chegamos a Mônaco, que já está sendo preparada para o grande prêmio de automobilismo que acontece ainda nesse mês de maio. Pensamos em ir até o Palácio do Príncipe de Mônaco onde moram os Grimaldis há mais de 700 anos. O Palácio fica no alto de um morro e, segundo Adélia que já esteve lá, é possível ir de carro até o alto. Pelo visto isso agora não é possível, não sei se momentaneamente ou se é definitivo. O certo é que subir escadas ou ladeira até o alto não está nos nossos planos.

Será uma favela?
Olhado a cidade aqui da parte mais baixa, com seu amontoado de prédios, me lembra uma favela. Uma favela chic, é claro. Aqui não tem pobre nem carro velho, é só glamour. Mas não me atrai; prefiro as pequenas cidades de pedra, com suas ruelas estreitinhas, janelas floridas, perfume de lavanda no ar.

Depois de rodar pela cidade, subindo e descendo estas encostas, sentamos no Café de Paris para comer um doce e tomar um chocolate quente. Um dia é o suficiente para conhecer Mônaco, a não ser que você venha a bordo do seu iate e fique atracado nessa marina repleta de iates luxuosos. Aí vale pena ficar mais tempo e desfrutar dos prazeres que a cidade oferece para quem tem muito dinheiro para gastar.

Sugestão:

Restaurante Le Girelier 
Qual Jean Jaurès - 839900
Cannes
Tel 04 94 97 03 87  Legirelier@orange.fr

Restaurante Buddha Bar 
Place du Casino MC 98000
Monte Carlos Tel - (377) 98 06 19 19   buddhabar@sbm.mc

Hotel Villa Rivoli
10, Rue de Rivoli
Nice Tel 33 (0) 4 93 88 80 25   reservation@villa-rivoli.com

Restaurante Le Caruso 
Tel 04 93 24 36 47
Saint Paul de Vence
www.lecarusodesaitpaul.fr