10 maio, 2026

PORTA ABERTA

Parte da Família Adami



Boa parte da família do meu pai morava no interior (mais interior ainda que Macaé) e quando vinham a Macaé resolver qualquer problema (médico, compras, etc..) apareciam, sem avisar, para almoçar. Isso não era um problema, as famílias já estavam acostumadas com as visitas inesperadas, visto que nessa época os meios de comunicação eram: cartas (que demoravam dias para chegar) pombo correio e... sinais de fumaça. Telefone era para poucos privilegiados.

De repente a mesa do almoço ficava rodeada de primos e tios e o falatório era grande. Meu avô repetindo sempre as mesmas histórias (problemas da idade avançada), Tia Mafalda e Tia Mabel sorrindo discretamente, Tio Augusto e seus “causos”. E outros tantos tios, tias, primos e amigos, apareciam sem data e hora marcada.

Os que residiam em Macaé também compareciam para um café e um bate-papo. Zé Porto, Tio Pedro, Tio João Figueiró, Eutália, Zélia, Tia Fina, Tia Laura (parentes da minha mãe) chegavam quase sempre à tarde para uma conversa despretensiosa cujo único objetivo era fortalecer a amizade.

São poucas as casas que hoje mantêm a porta aberta para os parentes e amigos. Até porque temos tão pouco tempo livre, ocupados que estamos em trabalhar, nas compras, no trânsito, no facebook, etc... Convivência agora só virtual.

E quanto maior o poder aquisitivo da família, maior o seu distanciamento desse modelo antigo de relacionamento.

Que saudade do cheiro do café (de coador de pano), da broa quentinha saindo do forno e da mesa onde os adultos conversavam e eu, ainda criança, apenas ouvia e não dava pitaco.