10 maio, 2026

PRAIA DE ADOLESCENTE

Ir a praia todos os dias no período de férias, era sagrado. Era um tempo de “faça você mesmo” porque o dinheiro era pouco e a criatividade era muita. Sendo assim, costumávamos fazer nossos próIprios biquínis. Aprendi com Marília, vizinha da minha prima Lúcia, a fazer biquíni de jérsei, tecido muito usado na época. Para bronzear a pele, misturávamos óleo Johnson e urucum ou iodo. Quanto mais "queimadas" melhor. Ainda não sabíamos do buraco na camada de ozônio e o buraco que nos interessava naquele momento era aquele que fazíamos na areia para acomodar a toalha onde íamos deitar. O que queríamos era desfilar os corpos morenos pela praia e a Praia de Imbetiba era o point. Praia dos Cavaleiros era distante, deserta e brava; nem pensar.

Nessa época eu costumava ir a praia junto com minha prima Lúcia e seus amigos, a maioria vizinhos dela: Marília, Margarida, Ruza, Loloia, Fátima, Sérgio, Dica, etc.... À noite voltávamos para a Imbetiba onde os jovens se encontravam na Toca do Toti, Redondo, Varandão e 860. Os “sem grana” ficavam sentados no muro de pedra em frente á praia ou na areia, em pequenos grupos, onde uns tocavam violão e cantavam, outros namoravam. Época de hormônios a flor da pele.

Fazíamos festinhas hi-fi (festa informal onde cada pessoa leva algo para comer ou beber) na casa de alguns amigos. Bastava uma varanda ou sala espaçosa, luz negra, uma vitrola e muitos discos. Tomávamos cuba-libre, martini e batida. Cerveja não era nossa preferência naquela época. Comparando com as festinhas dos adolescentes de hoje, parecíamos um bando de idiotas. Mas que “idiotice” deliciosa era dançar de rostinho colado, coxa com coxa, e sentir o cheiro bom de loção pós barba!!