03 junho, 2013

RIVIERA

02.05.2013                   MARSEILLE 

Vista da Colina da Notre Dame

Chegamos em Marseille antes de meio-dia. Antes, é claro, passamos pelo suplício de enfiar todas as malas no carro e depois tirar o carro da garagem do hotel Adágio. O hotel não é lá essas coisas, mas tem garagem o que não é muito comum nessas cidadezinhas. Sair dessa garagem, cheia de curvas estreitas com um carro grande, é para bons motoristas.

Prédios Modernos próximo ao porto
Marseille é uma cidade bem grande, clara, iluminada, eu diria que azulada. Caminhamos por uma via que circunda um Forte antigo, à beira mar. Olhei as pedras no fundo da água transparente e imaginei – “Será que estavam aqui há 2000 anos?”. 
É possível. Um porto cobiçado por tantos povos, com uma forte herança da ocupação de gregos e romanos, deve ser uma cidade muito interessante.

Escultura no pátio da Notre Dame
A região do porto está passando por uma obra de grande porte. Imagino que vai ficar muito linda porque o entorno já é consideravelmente belo. Tem um casario antigo, belos prédios que estão sendo revitalizados, e dois grandes prédios em estilo bem moderno que estão em fase final de construção. Um deles será o museu das Civilizações da Europa e do Mediterrâneo. E ao lado de tudo isso, um mar esplendidamente azul!
Subimos a colina mais alta onde fica a Notre Dame de la Garde (ou Basílica de Nossa Senhora da Guarda). De lá se avista toda a cidade. Acho que foi a igreja mais bonita que visitei na França, até agora.
                                                 CASSIS

Seguimos viagem para Cassis pela estrada litorânea, que vai sinuosa acompanhando o mar mediterrâneo lá embaixo. As rochas esbranquiçadas devem ser de calcário e dão um charme especial a região. De vez em quando, no alto de um penhasco, vemos alguma mansão. A paisagem é muito bonita.
A cidade de Cassis fica numa encosta e foi quase impraticável achar um lugar para estacionar. Parece que todos os franceses resolveram vir para a Riviera. Estranho, hoje é quinta-feira, ainda não é período de férias e estamos no início da primavera. De onde apareceu tanta gente? Quando já estávamos desistindo um grupo de brasileiros parou para conversar comigo e informou que um parking bem próximo tinha vagas. Até que enfim, arrumamos uma vaga.

Cassis
Descemos até a praia. Não sei se há outras praias, essa é bem pequenininha, apenas um pedacinho de areia, o resto é uma marina. Em pouco tempo percorremos toda a orla e a fome chegou. Escolhemos um restaurante e paramos para almoçar. Lá estavam os mesmos brasileiros que nos informaram sobre o parking. Aliás, encontramos brasileiros em cada esquina.
Cassis


Cassis
Enquanto almoçávamos um grupo de capoeiristas se aproximou fazendo seu show costumeiro. Fatinha se encolheu - “Meu Deus, devem ser brasileiros!”

Acertou. Falavam francês com sotaque baiano. Imagine “mérci bócu”. Rimos muito. 

NICE 

Chegamos em Nice já noite. Nosso hotel fica próximo à praia e, exceto pela escada para chegar ao hall, tudo o mais é adequado.

Uma curiosidade: na maioria dos hotéis que ficamos até agora, o vaso sanitário fica em um cômodo e a pia, chuveiro e banheira ficam em outro. Estranhei um pouco porque após usar o vaso sanitário ia lavar as mãos e... cadê a pia? Tinha que ir para o outro banheiro. Também não havia lixeira para papel higiênico, vai tudo com a descarga. Quando estive na França anteriormente, fiquei só em Paris e não me lembro se lá o costume também é esse.

03.05.2013                   SAINT TROPEZ 

Fomos conhecer o litoral sul: Cannes, Antibes, Saint Tropez. O dia estava ensolarado. Coloquei uma roupa de listas azul marinho e branco, um visual navy para atrair mais sol. Deu certo. Resolvemos ir pela estrada litorânea, mas desistimos quando chegamos a Antibes. Um engarrafamento sem fim nos obrigou a procurar a autoestrada. Estava acontecendo um encontro de motos Harley Davidson nessa região, passamos por muitas motos no caminho. Isso também dever ter contribuido para o engarrafamento. Enfrentar um trânsito desses nas férias? Ninguém merece.

Chegamos a Saint Tropez. A marina estava repleta de iates, cada um mais bonito que o outro. Muita gente bonita e rica passeando pela orla, muitas lojas de grifes famosas. Ainda assim, achei a cidade meio decadente. Será que sou uma pobre metida a besta? Acho que esperava encontrar aquele glamour da década de 60, quando Brigite Bardot vivia por aqui. Cheguei com 50 anos de atraso.
Risoto de Frutos do Mar
Almoçamos em um restaurante lindinho que cobrou sete euros pela coca-cola. Êta coca carinha!

O engarrafamento que pegamos na saída de Saint Tropez me fez lembrar o trânsito do Brasil no final do carnaval. Descobrimos que os franceses emendaram o feriado de 1º de maio, que caiu na quarta-feira. QUARTA-FEEEEEIRA!!! Emendaram a segunda e a terça e também a quinta e sexta. Já viu disso?

 CANNES

Desistimos de Cannes e Antibes, porém mais tarde no meio do caminho, já noite, resolvemos passar por Cannes. A cidade lembra Nice: orla bem movimentada, prédios baixos, muitos jovens e gente bonita desfilando pelas calçadas.
Em Nice, já no hotel, abrimos a porta do quarto que dava para uma pequena sacada. A temperatura estava agradável e ficamos deitadas, eu e Valdéa, conversando. De repente Váldea olha para fora e diz – “Ângela, acho que tem um homem olhado para o nosso quarto”. Olhei para o prédio em frente e vi na penumbra um homem com um binóculo. Quando ele viu que eu olhava, acenou com a mão. Fechei a porta. Deu vontade de dar uma “banana” pra ele, mas imaginei que aquele braço duro apontado pra cima poderia sugerir outra coisa.

04.05.2013        
               
Hoje tivermos um dia livre (como se diz nas excursões). Na 
Calçadão na Promenade Des Anglais
verdade livre do carro, que deixamos na garagem.

Quando acordei, abri a porta e fui até a sacada conferir o tempo. Quando estava ali olhando o céu, um casal no terraço do hotel em frente, olhava para baixo em minha direção. O homem acenou para mim e identifiquei o voyeur da noite passada. Um velho babão.
Olha a areia da praia!!

Fomos passear pelo calçadão da praia,    na Promenade Des Anglais. Poucas pessoas se aventuravam na água, que imagino, devia estar gelada. A maioria tomava sol deitados nas espreguiçadeiras e alguns corajosos deitavam sobre tolhas na areia pedregosa. Se é que se pode chamar aquilo de areia. Está mais para pedra brita do que areia.

Pegamos um desses ônibus de turismo com a parte de cima descoberta. Que delícia passear pela cidade, lentamente, olhando tudo assim do alto e com um solzinho morno pra completar! Só não se pode bobear com os galhos mais baixos das árvores que de vez em quando vem em nossa direção.
Nice
A cidade é bem antiga e tem lindas construções, muito bem conservadas. Descemos no museu de Matisse que é um pintor de quem gosto muito. Ele morreu aqui em Nice, onde viveu seus últimos anos. Não gostei do museu, a maior parte do que vi aqui são objetos doados pela família do pintor e alguns desenhos que parecem ser estudos para realização de alguma obra. 
Nice
Nenhuma das Odaliscas, nenhuma das janelas, nenhuma das obras mais conhecidas. De interessante, o primeiro quadro pintado por ele. Sabe aqueles rabiscos que se tornam obra de arte depois que o cara é famoso? Pois é, os rabiscos de Matisse estão aqui.


MONTE CARLO

Ronaldo
À noite fomos ao Buddha Bar, em Monte Carlo. Logo que saímos do estacionamento deparamos com Ronaldo Fenômeno e a namoradinha da vez. Estava de terno cinza com uma gravatinha borboleta esquisita; um cara simpático, sem dúvida. Parece que estava rolando uma festa no Hotel de Paris. Na escadaria algumas dançarinas vestidas de Carmem Miranda, um cara no pandeiro, outro no cavaquinho e alguém cantando música brasileira. Que festa será essa?
Galvão e a Ferrari. Será alugada?

Olhando pro alto da escada na entrada do Hotel de Paris, avistamos a promoter Liége Monteiro e o Felipe Massa com a esposa. Parece que é festa brasileira. Surge de uma rua ao lado uma linda Ferrari vermelha, e dentro dela Galvão Bueno e a esposa. Deixa o carro no meio da rua e sobe as escadas. Em seguida volta rápido, com a cara emburrada, e vai estacionar o carro. Acho que contava com um manobrista, mas despacharam o Galvão de volta para o carro. Ao contrário de Ronaldo, ele não me parece nada simpático.

De repente, no meio da pequena multidão que se formou em frente ao hotel, avisto Aureliano observando o movimento. Ele é um colega da Petrobras e está passeando com a família, passou pela Itália e agora está hospedado aqui em Mônaco. Em Avignon também encontramos na rua, um colega de trabalho de Kátia que estava hospedado no mesmo hotel que nós. Mundo pequeno!

Não pudemos esperar por outros famosos, já era hora de ir para o Buddha Bar esse famoso bar decorado com motivos orientais. No térreo onde fica o bar, grandes pilastras com, sei lá, uns seis metros de altura e um enorme Buda na sua pose tradicional. Subindo a escada passamos pelo DJ e na parte de cima, o restaurante. Lindo!!! A música está ótima. Espero que a comida seja no mesmo nível.

No cardápio tem muita comida asiática e japonesa. Pedi um prato que tinha camarão com molho de leite de coco. A comida veio dentro do próprio coco, com uma tampinha aberta para comer ali mesmo, dentro da casca. Gostei, mas achei um pouco picante demais. Comi outro prato com salada de legumes e carne, também com pimenta, mas na medida certa pra mim. Nas mesas em volta, muita gente bonita, que na penumbra fica ainda mais bonita.
E o banheiro de pastilhas douradas no piso? Parece que estou pisando em um lugar alagado, brilhante.

E o Buda, com aquele olhar disfarçado, tudo vendo.
Saí com a sensação de que ainda era cedo e que o melhor estava por vir, música animada, podíamos dançar um pouco. Estamos mesmo ficando velhas. Pelo menos estamos todas no mesmo barco e não me pareceu que alguma de nós tenha ficado frustrada por não ficar até mais tarde.

Fomos para o Cassino. Não podíamos sair de Mônaco sem conhecer o Cassino de Monte Carlo. O meu interesse é somente conhecer o prédio que é lindo, e ver as pessoas que frequentam esse lugar; o jogo não me interessa. As companheiras arriscaram alguns poucos euros nas maquininhas, mas como era de se esperar, perderam. Provavelmente em alguma outra parte do prédio deve haver uma área reservada apenas para os vips.

Cassino de Monte Carlo
Fiquei observando uma senhorinha meio careca que jogava 100 euros nas máquinas. De vez em quando ela parava, olhava o movimento em volta, e trocava de máquina. Está sozinha. Deve ser uma dessas milionárias solitárias que preferem arriscar algum dinheiro a passar a noite solitária em casa ou em um hotel.

Enquanto olhávamos o movimento, entrou um casal de meia idade. A mulher, com um vestido branco curto colado ao corpo e com um grande decote. Quando ela passou por nós, surge a bunda.... a maior bunda que já vi; redonda; pontuda; empinada; com certeza aquela bunda foi comprada!!! Andou pra lá, andou pra cá e em seguida levou a bunda pra passear em outro lugar.
                                                         
05.05.2013                SAINT PAUL DE VENCE



Começamos o dia pela cidadezinha medieval St Paul De Vence, que é bem perto de Nice, mas já subindo a serra que eles chamam de Alpes Marítimos. Parecida com as demais cidades pequenas que visitamos, mas com uma quantidade de galerias de arte impressionante. Seria muito bom passar um dia inteiro aqui e ter tempo de entrar em todas as galerias. Aqui também encontramos objetos com a assinatura de Romero Brito. Aliás, acho que em todas as cidades da França por que passamos até agora, vi algo de Romero Brito em alguma loja. É sem dúvida um artista brasileiro bem sucedido.

Objetos com a marca de Romero Brito
Muitos restaurantes simpáticos, difícil escolha para o almoço. 

Durante o almoço encontramos um casal de gaúchos que moram em Morro de São Paulo. São donos de uma pousada por lá (Pousada Solar das Artes) e a esposa está fazendo um curso de gastronomia na França.


Galeria de Arte

Galeria de Arte
















Descemos em direção ao mar. Vamos novamente a Mônaco, agora parando nas cidadezinhas pelo caminho o que não toma tanto tempo porque são coladinhas umas nas outras. Próxima parada, Cap Ferrat.
CAP FERRAT 

Parada é força de expressão, não há porquê parar, porque não é possível ver nada. Cap Ferrat fica numa península (ou seria um promontório?) mansões de um lado e outro da rua, todas com muro alto ou uma cerca viva bem alta para garantir a privacidade dos endinheirados que desfrutam sozinhos desse lugar. Sinto um pouco de raiva dos endinheirados, só um pouquinho (acho que inveja também), por privar a plebe rude da vista maravilhosa do mar que deve estar ali, logo depois dos muros altos.

VILLEFRANCHE-SUR-MER

Após algumas voltas tentando descobrir alguma passagem para o mar, descobrimos que estávamos dando volta, sem sair do lugar.
Seguimos para Villefranche-Sur-Mer, outro pequeno balneário com belas casas penduradas na encosta com o visual azul do mediterrâneo, maravilhoooooso!!! Lugar bom para bater perna, tomar sorvete, e se expor aos raios UVB e UVA que envelhecem a pele entre outros estragos. Confesso que com o frio que senti alguns dias atrás esses raios, nesse momento, são apenas belíssimos raios solares calientes que me aquecem até a alma.

Villefranche Sur Mer

Chegamos a Mônaco, que já está sendo preparada para o grande prêmio de automobilismo que acontece ainda nesse mês de maio. Pensamos em ir até o Palácio do Príncipe de Mônaco onde moram os Grimaldis há mais de 700 anos. O Palácio fica no alto de um morro e, segundo Adélia que já esteve lá, é possível ir de carro até o alto. Pelo visto isso agora não é possível, não sei se momentaneamente ou se é definitivo. O certo é que subir escadas ou ladeira até o alto não está nos nossos planos.

Será uma favela?
Olhado a cidade aqui da parte mais baixa, com seu amontoado de prédios, me lembra uma favela. Uma favela chic, é claro. Aqui não tem pobre nem carro velho, é só glamour. Mas não me atrai; prefiro as pequenas cidades de pedra, com suas ruelas estreitinhas, janelas floridas, perfume de lavanda no ar.

Depois de rodar pela cidade, subindo e descendo estas encostas, sentamos no Café de Paris para comer um doce e tomar um chocolate quente. Um dia é o suficiente para conhecer Mônaco, a não ser que você venha a bordo do seu iate e fique atracado nessa marina repleta de iates luxuosos. Aí vale pena ficar mais tempo e desfrutar dos prazeres que a cidade oferece para quem tem muito dinheiro para gastar.

Sugestão:

Restaurante Le Girelier 
Qual Jean Jaurès - 839900
Cannes
Tel 04 94 97 03 87  Legirelier@orange.fr

Restaurante Buddha Bar 
Place du Casino MC 98000
Monte Carlos Tel - (377) 98 06 19 19   buddhabar@sbm.mc

Hotel Villa Rivoli
10, Rue de Rivoli
Nice Tel 33 (0) 4 93 88 80 25   reservation@villa-rivoli.com

Restaurante Le Caruso 
Tel 04 93 24 36 47
Saint Paul de Vence
www.lecarusodesaitpaul.fr


01 junho, 2013

PARIS

06.06.2013  PARIS

Nosso voo para Paris saiu as 10:15 h. Fátima e Kátia voltaram para o Brasil a tarde. Adélia, Andrea, Valdéa e eu ficaremos mais seis dias em Paris. Saímos mais cedo porque ainda tínhamos que entregar o carro no aeroporto de Nice. Foi tranquilo e rápido.

Hotel Le Clément
Chegamos a Paris com uma chuvinha fina. Que azar, quando estive aqui da primeira vez também chovia. Nosso hotel é muito bem localizado e com razoável conforto, tecido com flores vermelhas na parede e cortina xadrez verde e vermelha na janela (quarto para torcedor do Flu, Eca!!!) Almoçamos perto do hotel e depois visitamos a igreja de Saint Sulpice que também fica perto do hotel.

A chuva deu uma trégua. Fomos para o Boulevard Saint Germain onde Adélia e Valdéa vão sacar algum dinheiro no caixa eletrônico, dessa vez num banco. Incrível, mais uma vez o cartão de Adélia ficou preso dentro do caixa! E agora era o cartão reserva. Entramos no banco e ela explicou a uma funcionária o que havia acontecido. A mulher disse que não tinham a chave do caixa e que só no dia seguinte, quando o caixa fosse reabastecido, seria possível abrir a caixa. Adélia estava ficando nervosa, não que fosse passar por algum aperto porque ainda tinha o cartão de crédito e mais cinco amigas para ajudar no que fosse preciso. Como já tínhamos programação para o dia seguinte resolvemos tentar retirar o cartão. Após algumas tentativas comecei a socar a máquina, mas fiquei com medo de ser presa por tentativa de destruição de um bem público. Sentamos numa mureta e ficamos esperando que alguém tentasse sacar para ver o que acontecia. Logo chegou um rapaz, que por acaso era um brasileiro, tentou sacar, não conseguiu e trocou de máquina. Resolvemos arriscar com o cartão de crédito de Adélia. Segurei o cartão com firmeza para que a máquina não o engolisse também. Inseri devagarinho, ele tocou no outro e a máquina expulsou os dois. Viva, conseguimos!!!!

Notre Dame
Eu e Valdéa caminhamos até a Notre Dame. Tem uma grande arquibancada armada em frente à igreja onde um monte de gente fica sentado olhando a igreja. Não sei se essa arquibancada é para algum evento ou se vai ficar aqui em definitivo. É confortável, mas a estética é um pouco estranha.

Da igreja fomos para a Torre de Montparnasse ver o pôr do sol e as luzes da cidade acenderem. Os franceses, que são muito conservadores quando se trata de arquitetura, devem ter odiado esse prédio enorme bem perto do centro antigo da cidade, mas a vista é belíssima. E é possível ter uma vista completamente diferente da Torre Eiffel. Tomamos um café no restaurante do terraço da torre e ficamos esperando anoitecer o que só aconteceu depois de 21:00h.
Quando chega a noite, no hotel, bate saudade da família e é hora de ligar para casa. Nem sempre as notícias são boas. Há poucos dias Adélia soube que sua mãe, doente já há alguns anos, estava internada. Hoje Vilson me falou da morte de Raul, colega de infância dos meus filhos, que morou na casa ao lado da nossa por algum tempo. Senti uma pena enorme dos pais dele, que já perderam uma filha anos atrás.

 07.05.2013    

Museu Dorsay
Aqui em Paris nosso grupo se dividiu. Adélia e Andréa que já vieram aqui várias vezes, farão outros programas. Eu e Valdéa faremos o roteiro básico de todo turistas. Em alguns lugares já fui, mas irei novamente porque já faz muito tempo que aqui estive e, também, para acompanhar Valdéa que vem pela primeira vez.

Fomos ao Museu Dorsay. Há dias venho sofrendo com a prisão de ventre que sempre piora quando viajo. Tomei três comprimidos de um laxante e quando cheguei ao museu, tive que correr para o banheiro. Fiz uma escultura. Pensando bem, o local é apropriado.
O museu é lindo! É tão claro, iluminado, inundado pela luz que atravessa o teto de vidro. E pensar que esse prédio era uma antiga estação de trens! Combina com as obras dos impressionistas que estão expostas aqui. Vi vários quadros conhecidos dos  pintores que eu mais gosto, e tantas outras obras que desconheço. 

Antes de partir para outro ponto turístico, paramos para comer uma sobremesa que também é típica desse país, o creme boulet. É gostoso, mas em se tratando de doces prefiro as compotas caseiras da minha terra: mamão verde, laranja cidra, batata doce, carambola, tudo com queijo minas.
Torre Eiffel


Entramos em um dos ônibus vermelhos que fazem o roteiro turístico da cidade. Quando procurei a língua espanhola para o fone de ouvido me surpreendi com a bandeirinha do Brasil. Era a 14ª bandeira e dava pra perceber que tinha sido colada recentemente. Sinal que já somos turistas em número significativo na França. Seguimos tendo uma aula de história, em português do Brasil, sobre os monumentos dessa cidade que tem muito pra contar. Descemos na Praça do Trocadero para uma foto da Torre Eiffel.

Terminamos o dia comendo uma pizza num restaurante do Marché Saint Germain, que fica em frente ao nosso hotel. Esse mercado é cercado de restaurantes e tem também lojas de marcas conhecidas. O entorno do mercado também é repleto de bares, pizzarias, restaurantes e a noite fica lotado de gente.

08.05.2013                   AUVER-SUR-OISE 

Hoje fomos a Giverny visitar o jardim de Monet. Estive lá anos atrás, mas aquele jardim merece outra visita.
O motorista que nos acompanhou chegou cedo ao hotel. Passamos por mais dois hotéis para pegar turistas e somos ao todo oito pessoas. Acho que os dois casais são americanos. Chovia bastante e logo que pegamos a estrada percebi que o motorista estava com sono. Eu estava sentada atrás dele e o retrovisor interno ficava bem na altura dos meus olhos e dos dele também. Vi que os olhos dele estavam pesados e piscavam devagar. Quando vi os olhos se fecharem totalmente, toquei o ombro dele. Os franceses não gostam de serem tocados por estranhos, mas não teve jeito. Fiquei de olho nele e quando ele percebeu que eu não desgrudava ficou enfezado, meteu a mão no retrovisor e virou-o para cima. Passei a conversar com Andréa em voz alta e a tossir. Não dei sossego ao francês.
Quadro de Van Gogh da Catedral



Catedral de Auver-Sur-Oise

Chegamos em Auver-Sur-Oise, a cidade que foi a última moradia de Van Gogh e onde ele morreu aos 37 anos. Subimos uma colina até onde fica a Igreja de Auvers pintada por ele. Adoro esse quadro que tem o céu de um azul profundo, tão característico de suas pinturas, e a igreja de paredes meio retorcidas. Subindo um pouco mais, em direção ao cemitério onde ele está enterrado, passamos pelos campos que ele também retratou. O túmulo é simples, um canteiro com flores e uma lápide no chão com seu nome. Ao lado, a lápide de seu irmão e grande amigo Theodoro, que morreu um ano depois dele. Tudo muito simples, como foi a vida dele.
Túmulo de Van Gogh e seu irmão Theo
Descemos a colina e fomos conhecer a pensão onde ele alugou um quarto no último andar da casa. Poucos metros quadrados com uma pequena janelinha, pouca mobília e pouca luz. Não há muito que ver, mas o suficiente para perceber a solidão que uma mente conturbada como a dele deve ter sentido. Imagine uma pessoa que retratava a luminosidade no seu trabalho, vivendo num cubículo escuro como esse? Devia ser deprimente.

Fomos para outra sala onde nos foi apresentado um vídeo “Seguindo os passos de Van Gogh” que fala sobre a estadia do artista nessa cidade. São imagens de quadros, fotografias e cartas escritas por ele para o irmão e alguns amigos. Alguém fala sobre o fato de sua arte não ter sido reconhecida em vida e conclui que "É muito difícil ser simples". O filme emociona e deprime.
Restaurante Le Moulin de Fourges
Deixamos para trás aquele ambiente triste e seguimos para Giverny. No caminho paramos para almoçar num lugar lindo. O restaurante Le Moulin de Fourges parece uma chácara: o riacho com um moinho, uma casa grande que deve ser um hotel e um grande restaurante mais ao fundo da propriedade. Quando o vento sopra com mais força traz pequenos flocos brancos, como se fosse neve. Alguém falou que é pólen e que na próxima semana todo o campo estará coberto de flores, inclusive as lavandas que já estarão florescendo. A comida me fez lembrar dos nossos restaurantes em hotéis fazenda, que servem uma comida mais caseira. Nosso almoço foi uma entrada de patê de salmão com creme de verduras, prato principal peito de frango com molho de champinhons e purê de batata e a sobremesa foi uma torta de maça. Muito bom!

GIVERNY
Chegamos finalmente ao Jardim de Monet. É a segunda vez que venho aqui, mas parece que é a primeira vez. A vida de Monet teve um rumo completamente diferente da de Van Gogh. Ele pôde desfrutar do sucesso e teve uma vida emocionalmente bem equilibrada. Dois casamentos, muitos filhos e um jardim como esse, cuidado por ele mesmo, deve ter sido um sujeito feliz. Valdéa, que tinha ficado meio deprimida com a visita a casa de Van Gogh ficou encantada com o jardim. Disse que vai informar ao banco Santander que não quer mais ser uma “cliente Van Gogh” que ser cliente "Monet".
Jardim de Monet


Jardim de Monet

Jardim de Monet


Bike-Taxi
Retornamos a Paris e ficamos por algum tempo no Jardim das Tulheries. Muito movimento, pessoas tomando sol sentados nas cadeiras em volta de um laguinho. Resolvemos caminhar pela Avenida Champs Elysées até o Arco do Triunfo, mas como é meio longe, pegamos uma daquelas bicicletas-táxi e ganhamos tempo. Essa avenida está mudada, quando estive aqui anos atrás ainda não estavam por aqui as grandes redes de lojas (H&M, Zara, Abercrombie). Os parisienses estão cedendo; é difícil vencer a onda da globalização.

Paramos para um lanche e, olhando pela janela, vi o modelo-ator Carlos Casagrande. É um colírio!!! Passou ao nosso lado, mochila preta nas costas e uma sacola da H&M (até tu Brutus?).

Pirâmide do Louvre

Chegamos ao hotel ao anoitecer. Na Rua Clement o maior buchicho, bares cheios, alguém tocando violão e cantando. Gostei muito dessa área aqui próxima ao mercado.

09.05.2013  

Fomos caminhando até o Museu do Louvre. O prédio do museu que já foi um palácio, por si só já vale a visita. Entramos pela pirâmide de vidro, junto com uma multidão. Gente como formiga. Procurei pelos quadros e esculturas mais conhecidos: Mona Lisa de Da Vinci, a Rendeira de Vermeer, Liberdade de Delacroix, a Vênus de Milo, a mulher alada sem cabeça Vitória de Samotrácia (não me lembro quem foi o escultor), o Beijo de Eros de Antonio Canova. Visto isto, andamos aleatoriamente e saímos do museu porque para ver tudo precisaríamos de pelo menos dois dias.

Fomos de metrô até a Basílica Sacré Couer. Caminhamos da estação até o pé do morro e subimos de bondinho até a igreja de mármore branco, imponente, que fica lá no alto. Já conhecia a igreja e fiquei com a sensação de que era maior. É assim mesmo, “nada será como antes...” Sempre que volto a um lugar que gostei muito ou que não gostei nem um pouco, tenho a sensação que o lugar já não é o mesmo. O lugar mudou, ou fui eu que mudei?
A escadaria em frente a igreja estava lotada de turistas, como sempre. E como todos, Valdéa também tirou uma foto na escadaria que tem uma das melhores vistas de Paris. Descemos por uma ladeira e paramos para almoçar. Quando Valdéa viu na mesa ao lado um prato com o sanduíche croque-madame (ovo, salada, pão, presunto, molho de queijo) quase gritou – “É isso que eu quero!!” Ela tá com saudade de um fast-food.

Caminhamos um pouco pelas ruas de Montmartre. Imaginei Tolouse-Lautrec andando por aqui, bebendo em um desses bares mais humildes. Assim durante o dia não me parece um bairro boêmio. Talvez a noite.... Valdéa avistou em uma pâtisserie, um enoooorme suspiro, não resistiu e comprou. Pelo tamanho dá pra levar uns três dias comendo.

Um grupo passou de bicicleta. O parisiense adotou mesmo a bicicleta, ainda não é como em Amsterdã, mas já é uma evolução.

Antigamente


Hoje
Fomos para a Rua de Rennes, na loja KiKo. Comprei vários produtos para maquiagem, que certamente não vou usar, mas sempre tento acostumar.






  
10.05.2013    VERSAILLES

Reservamos o dia de hoje para o Palácio de Versalhes, esse símbolo da monarquia francesa, sinônimo de glamour e pompa.  À noite, um passeio de Bateau Mouche pelo Reno.

Saímos por volta das 09:00 hora, primeiro metrô e depois o trem até a cidade de Versalhes. Foi tudo rápido e sem nenhum transtorno. Não imaginávamos o que viria pela frente.
Em frente à estação compramos o bilhete para a visita ao Palácio e ao Jardim. Dispensamos os outros pontos porque o tempo não é suficiente. Bem, essa foi a primeira fila (fila 1)que enfrentamos. Muitas outras viriam.
Valdéa, a muçulmana


Caminhamos até o Palácio, mais ou menos uns 10 minutos até a próxima fila (fila 2). Essa era enorme e fazia voltas como uma enorme sucuri. O pior é que não viemos preparadas para o frio que estava fazendo. Como o clima nos dois últimos dias foi agradável, relaxamos. Os casacos pesados ficaram no hotel e nós duas aqui tiritando de frio. Valdéa, que trouxe dois casacões, hoje veio com uma blusa leve, outra blusinha por baixo e sem a meia grossa por baixo da calça. Quando olhei pra ela com a echarpe enrolada em volta da cabeça como uma mulçumana, caí na risada.
- “Tava pensando que ia pra Búzios?” – devolvi a pergunta que ela me havia feito em uma viagem a Gramado, onde só levei blusinhas leves e fez um frio desgraçado.

A minha salvação hoje, foi a pashmina quentinha que eu estava usando, se não fosse por ela tinha congelado.

Nosso MARTÍRIO estava apenas começando.

Quando finalmente entramos, sugeri que começássemos o passeio pelos Jardins, antes que chovesse, e depois entraríamos no Palácio. Antes entramos em outra fila (fila 3) para pegarmos o áudio-guia. Quando saímos para o Jardim vimos que era inviável andar ali fora com aquele vento gelado. Quando resolvemos entrar no Palácio vimos um trenzinho que faz um tour por Versalhes. Ôba!! Dá pra ver os jardins dentro do trenzinho sem sentir frio (estou odiando trenzinhos).
Entramos na fila (fila 4) do trenzinho. Essa foi a pior fila de todas, um vento danado e uma desorganização total, uma meeeeerda!  O frio me faz perder a linha. Quando já estávamos chegando ao guichê vi um pequeno cartaz bem próximo ao caixa que dizia algo parecido com “ne passent pas par le jardin”. Como é que é? Não passa pelo Jardim? Pra onde vai esse miserável trenzinho? O dito trem já estava chegando e não dava pra procurar informação, ainda mais com minha mente congelada.

Entramos no trem. Com tanta gente nessa fila, deve ser para um lugar legal, longe do frio! Valdéa já nem falava, só tremia. Uma das laterais do trem era fechada com vidro e a outra não. Não é que tinha uma p... de um buraco entre um vidro e outro, e um ventinho miserável entrando por ali?
E lá foi o trenzinho pra longe do jardim. Na verdade, ele passa por uma parte do jardim que tem umas cercas vivas bem altas, formando alamedas. Àquela altura dos acontecimentos eu já não acharia graça nem nos Jardins Suspensos da Babilônia.

Petit Trianon
E lá vai o trem sacudindo, rumo ao desconhecido. Então ele pára, todos descem e entram num pequeno palacete (pequeno se comparado ao outro palácio). Estamos no Petit Trianon, a casa particular de Maria Antonieta. Outra fila, nãããão! E ainda por cima pagar para visitar a casa dessa piranha!!!! 
- Valdéa, vamos voltar pro trenzinho e sumir daqui!!!
Entramos no trem. No caminho passamos por um restaurante (deve ser legal almoçar por aqui se o tempo estiver bom), por uns cercados com ovelhas e umas casinhas de roça. Dizem que a Maria Antonieta gostava de se fingir de camponesa, era uma das fantasias dela. Doida!!!

Chegamos ao Palácio e tentamos sair por onde entramos. Uma francesa impedia a passagem dos que, como nós, tentavam sair por ali. Ela indicou outra saída e lá fomos nós. Depois que saímos vimos que na verdade estávamos novamente no local da segunda fila, isto é, a enorme fila pra entrar no palácio. Não é possível, isso é um pesadelo!
Um grupo de orientais falando alto e reclamando, passavam pelo mesmo problema que nós. Ninguém se entendia. Não pensamos duas vezes, furamos a fila e fomos entrando, rezando para que ninguém nos interrompesse. Ufa, deu certo!!! Nem olhamos pra trás para ver se os japas tinham conseguido também.

Passado esse aperto precisávamos ir urgente ao banheiro, minha bexiga há tempos estava reclamando. E o que era preciso fazer para aliviar minha bexiga? Enfrentar uma fila (fila 5). Quando já estávamos quase entrando na área do banheiro percebi que um apito insistente vinha do bolso do meu casaco. Enfiei a mão e encontrei o áudio-guia que apitava sem parar. Valdéa pegou o dela e viu que também estava apitando. Eles devem estar preparados para apitar quando saem da área do Palácio e como nós saímos e entramos novamente o negócio disparou.
E agora? Não dá tempo de levar o áudio-guia até o local onde foram retirados, melhor esperar. Uma mulata francesa alta e forte que cuidava daquele banheiro abriu um armário que estava ao lado da fila, para pegar uma bolsa. Era um armário de material de limpeza e eu tive a ideia de jogar os dois áudio-guias lá dentro. Puf! Enfiei os áudios lá dentro e o apitaço ficou abafado dentro do armário.

Pouco depois uma mulher tentou furar a fila entrando na fila dos homens, que era bem pequena. A mulata enfurecida mandou a mulher sair da fila, mas ela resistiu. A negona perdeu a linha e começou a gritar “:)))) KK Gfl @@ =## gluu!!! Mut Nhéqeu |\| ## Oops Pá! Pás!” Não entendemos nada, mas a furona da fila entendeu e deu no pé. A mulherada da fila vibrou. Uma oriental que estava logo atrás de mim na fila número 5, falava comigo e Valdéa como se entendêssemos sua língua, completamente excitada.
A mulata abriu novamente o armário e levou um susto com o apitaço; começou a falar muito alto, como se estivesse xingando. Gelei! Ficamos durinhas, olhando pra frente sem coragem de olhar pra ela. Se alguém nos dedurasse, estávamos fritas. Ufa! Ninguém falou nada e escapamos da negona enfurecida. A vontade de rir era muita, mas com vontade de fazer xixi era arriscado.

Finalmente entramos no palácio. Para passar de uma sala para outra tínhamos que seguir o fluxo tamanho era a quantidade de turistas, era quase uma fila (fila 6), mas sem muita organização. Vimos vários quartos, a famosa sala dos espelhos, quadros da realeza, etc. Eu já não achava muita graça, não sei se pelo cansaço ou porque achei mais bonito os palácios que vi em São Petersburgo na Rússia, na verdade inspirados no Palácio de Versalhes.

Ainda não tínhamos almoçado, a única coisa que comemos até o momento foi o que restou do suspiro que Valdéa comprou em Montmartre. Resolvemos fazer um lanche e deixar pra jantar em Paris. Outra fila (fila7), a do lanche. Comemos pensando no frio lá fora e na caminhada até a estação.

Quando saímos o frio tinha diminuído e chegamos aliviadas na estação. Outra fila (fila 8) acho que é a última do dia. Na nossa frente, um brasileiro, mineiro de Uberlândia que está em lua de mel em Paris. A esposa, lindinha, estava sentada num canto da estação com a cara emburrada. Coitada, deve ter passado por algo parecido com a nossa odisseia. Quando o mineiro tentou passar o cartão travel para pagar os bilhetes, a máquina não aceitou. Ele ficou nervoso, estava sem dinheiro. Saiu da fila para tentar sacar algum dinheiro, mas não conseguiu. Sugeri que ele passasse o cartão de crédito, mas eles já haviam saído da fila. A moça quase chorou quando viu que teria que entrar na fila novamente. Resolvi ajudar. Fui com ela até o início da fila, falei para o casal que estava na frente numa língua provavelmente incompreensível (mistura de inglês com português) dizendo que ela já tinha enfrentado essa fila. O homem não gostou muito, mas a esposa dele nos cedeu a vez.
O casal ficou super agradecido e depois, no trem, nos deu um chocolate para retribuir a ajuda recebida. Acho que ele ia apanhar da mulher se tivesse que ficar naquela fila novamente.

Chegamos ao hotel moídas, resolvemos deixar o Bateau Mouche para outra oportunidade.
Adélia resolveu antecipar seu retorno para o Brasil, preocupada que estava com a saúde de sua mãe. Foi embora hoje à tarde.

11.05.2013        

Jardim de Luxemburgo
Nosso último dia em Paris. Nada de correria, vamos caminhar aqui por perto e conhecer dois jardins: Luxemburgo e Place des Vosges.

Saímos preparadas para o frio, não vamos passar pelo tormento de ontem, de jeito nenhum.
Palácio de Luxemburgo
O Jardim de Luxemburgo é enorme. Várias pessoas fazem fitness ali. Passamos por vários corredores e grupos praticando artes marciais, crianças brincando com barquinhos no lago, e outros, como nós, apenas aproveitando o sol.

O Palácio de Luxemburgo que fica no jardim é bonito e bem conservado, pertence ao Senado da França.

Place des Vosges
Resolvemos ir caminhando até a Place des Vosges. É um pouco longe, mas a pé aproveitamos mais a cidade. Fomos parando pelo caminho, entrando nos mercadinhos atrás de uma terrine de foie gras, nas lojinhas de bijou, etc... Caminhando pela margem do Sena, passamos pelo restaurante Tour D’Argent. Ele é antigo, tem mais de 400 anos. Gostaria muito de comer um dos seus famosos pratos de patos que, segundo dizem, de sua própria criação.

Place des Vosges
Achei linda a Place des Vosges na primeira vez que estive aqui e continuo achando. Não é tão grande como o Jardim de Luxemburgo, mas muito interessante. Cercada por aqueles prédios de pedra e tijolo vermelhinho, as galerias de arte no térreo, os restaurantes, realmente uma praça muito charmosa.
Tava um solzinho gostoooso!!! Muitos jovens estavam sentados ou deitados sobre a grama. Parece-me que esse jardim é um dos poucos de Paris onde se pode fazer piquenique sobre a grama. Sentamos no gramado para tirar uma foto. Sentar não é nada, o difícil é levantar depois.

Almoçamos ali por perto e voltamos para o hotel, logo teremos que retirar a bagagem e partir para o aeroporto. Voltamos de metrô e como ainda restava algum tempo, entramos na Igreja de Saint Sulpice e ficamos sentadas, aquecidas, descansando os pés doídos de tanto andar.
As 19:00 h pegamos um táxi e fomos para o aeroporto.

Au revoir, Paris!

Sugestões:
Restaurant Le Moulin de Fourges
 38, rue du Moulin 27630 - Fourges (próximo a Giverny) 
Tel :02 32 52 12 12 - Fax : 02 32 52 92 56

Hôtel Clément
6, rue Clément - 75006 Paris 
Tel +33 (0)1 43 26 53 60 | info@hotel-clement.fr

REFLEXÕES

" Nunca Se Chega a Paris a Primeira Vez "

Li certa vez a definição que um poeta brasileiro deu para essa frase e achei interessante. Ele dizia que é impossível chegar a Paris pela primeira vez e experimentar a emoção do forasteiro diante de um lugar desconhecido.

É verdade! Tenho essa mesma sensação. Não é uma cidade desconhecida pois são tantas as referências que eu já tinha antes de chegar aqui pela primeira vez que tive a impressão que já a conhecia.

Penso na Paris da boemia que conheci através de um livro de Hemingway, dos teatros, cabarés e dançarinas de can-can das pinturas de Tolousse Lautrec, dos filmes franceses da década de 50 e 60 - Catherine Deneuve, Jean Paul Belmondo,  Alain Delon (ulalá) -, dos desfiles de moda dos grandes costureiros, dos filmes sobre a segunda grande guerra, do que aprendi na escola nos livros de história geral, da arquitetura dos prédios antigos do centro do Rio de Janeiro influenciados pela escola de arquitetura  francesa, na cidade que é considerada a capital do amor para os apaixonados....
Enfim, as referências são tantas e tão distintas que preciso encontrar a minha própria definição dessa cidade. Até agora andei pelo caminho percorrido por outras pessoas. Quem sabe numa terceira vez? Já livre das obrigações de ver in loco todos os cenários que eu já trago na memória, terei tempo para descobrir meus próprios prazeres. Assim espero.