Sentei-me no tronco que fica atravessado na parte alta do terreiro, um pouco abaixo do morrinho que fica por trás da nossa casa no sítio. Estou esperando chegar a chuva que se anuncia no horizonte. Adoro ficar olhando a tempestade assim de longe. Sinto-me segura nessa distância.
Resolvi adotar um blog como diário. Não pretendo fazer um guia de viagem, recomendar lugares, onde comer, onde se hospedar, muito menos relatar grandes aventuras, até porque não sou Marco Polo nem Amir Klink, esses sim, grandes aventureiros. Esse blog é uma forma de não perder essa memória que é um recurso para viajar de novo, pelos mesmos lugares, com os olhos da alma. Trago na bagagem muitas lembranças e pouquíssimo souvenir. São os detalhes que fazem cada viagem ser diferente da anterior.
10 maio, 2026
TEMPESTADE
- “Vem prá dentro “mulhe”. Vai “acaba” caindo um raio na sua cabeça!!!
Meu marido tem medo de tempestade. Enfurna-se dentro de casa, desliga a televisão, veste a camisa e mantem distância de espelho.
Lá longe um monte de relâmpagos clareia o céu. E os raios? São lindos os raios. Perigosos mas lindos. Um vento frio bate no meu rosto levando prá longe o calor desse final de um dia de verão. A chuva chega e os pingos batem forte no chão de terra fazendo pequenos buracos e enlameando tudo. Resolvo entrar na casa.
É gostoso ficar aqui, enroscada no sofá, tomando um café quentinho com leite e canela, ouvindo o barulho da chuva que bate no telhado com força. Lá fora já é noite e a chuva lava tudo.
Quando cheguei aqui no sítio hoje pela manhã estava me sentindo aborrecida, angustiada. As horas foram passando e o meu espírito foi ficando mais sossegado, como se o tempo fosse levando as contrariedades, da mesma forma que a chuva vai arrastando as folhas que estão espalhadas pelo terreiro.
O quintal está lavado e minha alma também.