Percebi há pouco
tempo que não tenho fotos dos meus amigos de infância, nenhuma fotozinha
embaçada, desfocada, carcomida...nada. Só lembranças.
A única exceção é uma
foto com Verinha, uma amiguinha que faleceu aos oito anos de idade numa
cirurgia de garganta, retirada das amigdalas.
Esse fato influenciou
minha vida por uns cinco anos, porque minha mãe não tinha coragem de fazer essa
mesma cirurgia que os médicos recomendavam pra mim. Passei esse tempo sofrendo quando
tinha infecção de garganta, o que era frequente. Minha tia Laura esfregava em minha garganta a pena, de alguma que não sei qual é. Essa pena era besuntada com dois remédios pavorosos. Era
tão apavorante pra mim, que foi impossível esquecer o nome dos remédios: Colubiazol e Azul de Metileno.
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| Eu e Verinha na Rua da Praia |
Se tivéssemos fotografado
aqueles momentos eu teria uma foto com Cacilda colocando barquinhos de papel na
enxurrada e tomando banho de mar na praia da Pedras. Fotos com Rosângela,
Penha, Regina, Lena, jogando Queimado no poeirão em frente à casa de Seu
Waldimiro. Uma foto minha e de Elisa sentada no meio-fio conversando sobre sua
paixão por Toninho. Eu teria várias fotos com Alcione, sentadas no murinho em
frente à igreja Presbiteriana, dançando no quarto com piso de madeira no andar
de cima da casa dela, cantado no Coral da Igreja Batista.
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| Eu e Paulinho, neto de Seu Arnulfo |
Reza a lenda que o primeiro beijo a gente nunca esquece. Se não fosse pela foto eu já teria esquecido.
No início da nossa
juventude surgiram as máquinas fotográficas com aqueles rolinhos de filme. Algumas
fotos foram aparecendo, mas ainda eram poucas e raras. A maioria ‘’queimava’’.
Sem as fotos, só
mesmo o que a memória registrou, esse equipamento poderoso que guarda mais
imagens do que a “nuvem”, e que agora,
na melhor idade, só funciona quando quer.