19 março, 2014

CRUZEIRO MSC


MSC Precioza

07.02.2014

Em maio algumas amigas resolveram ir ao “cruzeiro emoções”,  projeto de Roberto Carlos que comemora 10 anos em 2014. Não sou exatamente uma fã do “Rei”, mas o convite foi irresistível. Já fiz um cruzeiro na mesma companhia de navegação, o MSC, e as amigas que irão são ótimas companheiras, portanto, não vou perder esse passeio.
Quando descobri que o embarque seria em Santos, quase desisti, mas já havia pago a primeira parcela e minha desistência iria afetar minhas duas amigas, que teriam que dividir o camarote apenas entre elas. Ainda bem que resolvi continuar!

Na ida para Santos tivemos que optar pela viagem de ônibus. Tínhamos que estar bem cedo em São Paulo e, para chegar no horário indo de avião, teríamos que ir para o Rio na sexta-feira, dormir lá e viajar pela manhã bem cedo. Optamos por um ônibus leito que saía de Macaé para São Paulo na noite de sexta e chegaria a São Paulo às 06:00 h da manhã.
Logo na saída de Macaé, cometemos a primeira distração. A empresa de ônibus para São Paulo seria a Itapemirim que estava ao lado de um ônibus da Auto Viação 1001. Resultado: pelo hábito de viajar sempre pela 1001, pra lá me dirigi e coloquei minha mala no bagageiro. Minhas amigas, tão distraídas quanto eu, fizeram o mesmo. Quando entreguei a passagem ao motorista, ele me olhou e falou:
- Senhora, esta passagem é da Itapemirim, o ônibus aqui ao lado.
- Socorro!!! Temos que tirar nossas malas do bagageiro.

Pegamos nossas malas e fomos correndo para o outro ônibus. Quando passamos pelo motorista da 1001 ele nos olhou com um sorrisinho sem vergonha. Deve ter pensado: “essas coroas já estão caducas”


08.02.2014
A viagem foi tranquila e por volta do meio-dia chegávamos ao porto de Santos. Já parei nesse porto em outro cruzeiro, mas como não desci a terra, não conheci o porto que, se não me engano, é o maior do Brasil.
Logo no chek-in tivemos um probleminha. Rosani esqueceu que deveria levar uma identidade que estivesse dentro do prazo de validade. Se não tivesse uma identidade com validade definida, deveria apresentar a carteira de motorista ou passaporte. Ela não trouxe nem uma coisa nem outra, só aquela identidade com uma foto de quando tinha uns 18 anos. Resultado: o atendente disse que ela não poderia embarcar. Rosani deve ter sido uma criança rebelde, ela não aceita um NÃO como resposta. Com cara de furiosa, foi jogando sobre o balcão todos os cartões que tinha na bolsa: cartão de crédito, de débito, da AMS, de supermercado, lojas renner, etc...
-Veja se não sou eu mesma! O que mais precisa para provar que eu sou Rosani Helena?
- Não é possível senhora, só esses três documentos são permitidos.
- Chame o seu chefe , eu quero falar com ele.

O rapaz, super paciente, saiu com os documentos. Voltou e disse que tinha conseguido autorização para ela embarcar. Ufa! Respiramos aliviadas.
Um ônibus nos levou até ao local onde o navio estava atracado. Informaram que o navio é muito grande para ficar próximo ao prédio de embarque de passageiros.

Quando fiquei em pé ao lado do MSC Preziosa e olhei para cima, é que percebi o quanto ele é realmente grande. Putz, como é enorme!!! Sinto um pouco de medo desses lugares lotados de gente. Quando soube que seríamos a bordo, contando com a tripulação, mais de 4.500 pessoas, gelei! Seja o que Deus quiser!!!
Ficamos em uma cabine com varanda. Uma delícia sentar ali, tomando uma cervejinha gelada e olhando o continente lá adiante, em um ângulo que não estamos acostumados a ver no dia a dia.  Nosso quarto é pequeno, como é de se esperar em navio, mas o tamanho é suficiente e confortável.

O navio tem 18 andares, tudo é superlativo: os corredores parecem um labirinto, são vários bares, várias piscinas, alguns restaurantes, várias lojas, cassino, discoteca, Spa, parque temático infantil, etc.... E tudo decorado com muito bom gosto. É muito brilho, gente!!! Duas escadas que saem do 5° para o 6° andar, no vão central, têm os degraus cheios de cristais Swarovisk. Acho que todas as mulheres que estão aqui vão tirar uma foto nessa escada.
Fomos almoçar no restaurante que fica no mesmo andar da piscina principal. Tava muito cheio!!! Tivemos que enfrentar fila para pegar a comida. Ainda bem que meu marido não está aqui, ele não tem bom humor suficiente para enfrentar esses pequenos contratempos.

O navio saiu de Santos em direção a Búzios. Ficamos no convés assistindo a partida do navio até que ele se afastou da costa. Começamos a caminhada pelo navio para um reconhecimento da área. Pelo tamanho do navio, vamos ter que nos apressar se quisermos ver tudo em cinco dias.

No 15 ° andar passamos por uma piscina menor que a piscina principal, menos frequentada e bem agradável. Estava ventando um pouco e resolvemos não tomar banho. Pedimos uma piña colada e ficamos ouvindo um músico que se apresentava no bar da piscina. Só música boa.

Hoje à noite fomos ao baile do “Azul e Branco”. Uma banda bem legal e o repertório do "nosso tempo". Sempre acho que o "meu tempo" é o dia de hoje, mas gosto de ouvir o "som" de qualquer tempo. Porém, de vez em quando, é bom demais ouvir as músicas da década de 70 e 80 e reviver um pouco a sentimento que nos impregnava o corpo e o coração naqueles tempos. Dançamos um pouco (cadê a disposição dos anos 70??? ) e mais tarde fomos descansar o corpinho que o dia foi puxado. Amanhã será o nosso dia de show de RC.
RC fará três shows: sábado, domingo e terça. Na segunda é o show de Tom Cavalcante. Suponho que o teatro tenha por volta de mil e poucos lugares, por isso o show tem que acontecer em três dias diferentes.  

Durante o dia, na piscina principal, tem show todo dia. Amanhã Carlinhos de Jesus dará aulas de dança para quem estiver nessa piscina. Na terça tem carnaval com Neguinho da Beija Flor e passistas da escola e tem também palestra com a sexóloga Laura Muller, aquela que responde as perguntas sobre sexo no programa Altas Horas da Globo. Miéle é o mestre de cerimônia das apresentações de Roberto, do Karaokê, da coletiva com a imprensa, e ainda dá uma “canja” no piano bar próximo ao teatro, cantando bossa nova e contando causos de gente famosa. Enfim, é pau pra toda obra!!!
São tantas emoções!!!

09.02.2014
Quando saí na varanda para olhar como estava o tempo, avistei lá longe a Pedra do Frade e o morro que fica entre Rio das Ostras e Barra de São João. Estamos tão perto de casa e vamos ter que navegar até Santos, pra depois voltar.
Já chegamos a Búzios, mas decidimos não descer. Há muito que se fazer no navio e Búzios é nossa velha conhecida.
Valdea e Rosani foram assistir a missa do padre Antonio Maria (ou José Maria...?) É aquele padre que gosta de cantar e é amigo de RC.
Eu fui pra piscina. Trouxe um livro pra reler. Quando gosto muito de um livro costumo lê-lo novamente. Trouxe “Morte em Veneza” de Thomas Mann, que é bem fininho, próprio para essa viagem onde não vai sobrar muito tempo para leitura. Fico ali, meio no sol meio na sombra, lendo meu livro e observando as pessoas que passam. Gosto dessa parte, a observação. Muitas figuras interessantes. Dois sósias de RC circulam o tempo todo. Um deles, muito parecido com RC, tira fotos com os passageiros e acho que até dá autógrafo. Admiro a disposição de algumas senhoras, já bem velhinhas, dispostas a encarar as dificuldades de locomoção num navio com tanta gente. 
Noto algumas mulheres com o rosto já bem esticado pelas plásticas, na esperança de eternizar uma juventude que já vai longe no tempo. Interessante que nesse momento estou justamente lendo uma parte do livro que fala sobre a figura de um homem que está em um navio, indo pra Veneza. O escritor, enquanto descansa em uma espreguiçadeira (assim como eu nesse momento), observa um homem vestido com roupas joviais, conversando com outros jovens. Ele ri de forma exagerada e demasiadamente alegre. Quando o homem vira o rosto em sua direção, o escritor nota que trata-se de um velho vestido como um jovem. Rosto flácido, rugas em volta dos olhos e da boca, uma leve maquiagem que tenta esconder as marcas da idade. É uma figura grotesca e ridícula, segundo o escritor.
Às vezes me sinto tentada a cometer esse mesmo erro, mas o medo de cirurgias não me permite. Ainda bem, pois quando vejo essas mulheres esticadas e com a boca e as maçãs do rosto infladas, tenho a mesma sensação que o autor – são figuras grotescas.













Houve um sorteio para que alguns passageiros assistissem a coletiva de imprensa com Roberto Carlos, ou RC para os mais íntimos. Valdéa foi sorteada e foi com Rosani assistir à coletiva. A entrevista seria transmitida pelo canal 24 e seria possível assisti-la no camarote.
Enquanto as companheiras assistiam a coletiva de imprensa, fiz um tour pelo navio. Passei pela área do parque temático infantil onde tem, entre outras coisas, um imenso toboágua. Continuei o tour por uma outra área que tem um estilo bem relax, com duas jacuzzis grandes e várias espreguiçadeiras (não sei se esse é o nome correto) todas de vime, arredondadas e com um enorme colchão redondo. Um convite à preguiça. São três piscinas no navio, ou melhor, acho que são quatro porque tem uma área restrita na proa do navio, só para associados. RC e os outros famosos devem estar lá. E tem várias jacuzzis, mais de dez. Descubro uma piscina, numa área fechada, coberta por uma estrutura transparente, linda!!!! Vale um mergulho.
Quando retornei ao camarote, liguei a TV no canal 24 e ainda assisti o finalzinho da coletiva. Imagino que a maioria das perguntas tenha sido sobre a questão das biografias e, pra variar, RC deve ter ficado em cima do muro.


A noite chega rápida e vamos para o show do “Rei”. Confesso que prefiro suas músicas cantadas por outros cantores. Já assisti a alguns shows dele, mas há muito tempo atrás, quando ele ainda vestia terno “rosa choque”.
Acho que aquele show anual na rede Globo foi desgastando a imagem dele, pelo menos pra mim. Aquele cabelinho ralo e comprido também não ajuda. Mas, qual mulher da minha idade não tem pelo menos uma música dele que tenha marcado algum momento da sua vida?

O show me surpreendeu, foi bem melhor do que eu esperava. Ele estava mais solto do que normalmente está na televisão. Contou histórias de algumas músicas, inclusive a do cão Uachacha, que inspirou aquela frase “meu cachorro me sorriu latindo”...interessante. E o sentimento que transmite quando canta, parece que não envelhece. Sempre achei que ele não se renovava, era sempre o mesmo, repetitivo. Pensando bem, ele deve estar mais do que certo, conseguir fazer sucesso durante tantos anos, já é motivo suficiente para admirá-lo.

Já próximo ao final do show ele canta a música “Champanhe” e vários garçons entram no teatro trazendo bandejas repletas de taças de champanhe. Todos recebem uma taça, nos servimos e brindamos ao Rei. Ao final, como sempre faz, ele distribui rosas vermelhas para o público. As rosas são disputadíssimas pela plateia, coisa de fãs ardorosos. Acho que não sou fã de ninguém, apenas gosto de alguns, mas sem idolatria. Devo ter algum defeito de fábrica.

10.02.2014

Chegamos a Angra dos Reis, mas também não vamos descer aqui. Temos que aproveitar melhor o que o navio tem a nos oferecer. Fomos para a piscina que tem horizonte infinito, ou seja, a água transborda e escorre até a borda do navio, e aí retorna pela grelha que fica paralela a borda. E como as laterais do navio, nessa área, são de vidro, se estamos na piscina temos a impressão que o mar e a piscina são uma coisa só. Sem contar que a água da piscina é água do mar, gelada por sinal. Todos os dias esvaziam completamente as piscinas e no dia seguinte, bem cedo, as enchem novamente.
De repente o comandante avisa que a cabine de comando havia recebido a informação de um passageiro que avistara um "homem ao mar" (termo usado para qualquer pessoa que caia na água), avisaram que o navio faria uma manobra e um pequeno retorno para verificar a informação. Muitas pessoas se debruçaram nas bordas do navio na esperança de ver quem havia caído no mar. 

Passado algum tempo, o comandante pediu que todos verificassem se os companheiros de cabine se encontravam no navio. Caso dessem pela falta de alguém, deveriam comunicar pelo ramal de emergência.

Fiquei imaginando o sofrimento de alguém que descobrisse que seu parente ou amigo, tivesse caído no mar.

Alarme falso! Pouco depois o autofalante anuncia que não era um corpo humano.

Dei um mergulho na água gelada. A água fria dá uma sensação ótima depois que acostumamos com ela. Que delícia esquentar o corpo no sol! Mas não aguento por muito tempo, procuro uma sombra enquanto Váldea e Rosani ficam tostando no sol. Sento ao lado de uma senhora e puxo conversa. Ela está acompanhada do neto, que é funcionário do City Bank. Esse banco sorteou 30 passagens entre os funcionários, cada um com direito a um acompanhante. Ele optou por levar a avó que é fã de RC. Outros dois jovens que estão no camarote ao lado do nosso, também estão acompanhando a mãe e o avô. Encontramos, ainda no porto, uma macaense que presentou a mãe pelos 70 anos, com o cruzeiro de RC. Acredito que a maioria dos jovens vem para acompanhar os pais.
 

Conhecemos muita gente interessante. Algumas pessoas já vieram a vários cruzeiros do projeto “Emoções”. Uma mulher que dividiu a mesa do almoço conosco, estava vindo pela nona vez. Ufa! Isso já é um pouco demais!

À tarde, um dos programas preferidos é o Karaokê de músicas de RC. Os interessados se inscrevem e escolhem uma música de RC. Todos vão para o teatro e aguardam o sorteio. Apenas os sorteados se apresentam. Miele é o apresentador e RC entrega os troféus aos três primeiros colocados. Rosani e Valdéa adoram um karaokê. Eu detesto. Somos boas companheiras, cada qual com seu gosto particular e isso não é problema, somos amigas.

Lembro-me que fiz uma reserva para a degustação de massas italianas num dos restaurantes do navio. Além da degustação haveria uma aula de como preparar as massas e os molhos. Perdi a hora da degustação, não me perdoo por isso.
Fui descansar um pouco, não tinha dormido bem na véspera. Tomei um banho morno e, em seguida, dormi por duas horas. Que delícia dormir depois da praia, o corpo fica morno, relaxado. Acordei 5 anos mais jovem. Fui para o teatro para assistir o final do Karaokê. O teatro estava lotado, procurei pelas companheiras e estava difícil encontrar. De repente elas surgem na minha frente, já de saída do teatro. Não tinham sido sorteadas, o que foi uma sorte, segundo Valdéa. Ela disse que se fosse sorteada ficaria quietinha, encolhidinha no seu lugar. Corria o risco de Rosani, que é levada, entregar nossa amiga. Aliás, acho que Rosani estava com muita vontade de cantar para aquela plateia com mais de 1000 pessoas. 

Fomos jantar no restaurante italiano. O cardápio tem sido bom e o atendimento excelente. O garçom indonésio Abdul, que serve nossa mesa, fala um português capenga, mas é uma gracinha. Boa parte da tripulação é oriental. Acho que os italianos ficam com os melhores postos de trabalho.
Conversamos, hoje à tarde, com uma brasileira que estava limpando um dos muitos banheiros do navio. Ela nos disse que é enfermeira e mora numa cidade do nordeste. Não tem conseguido encontrar emprego na sua área, mas tem esperança de um dia trabalhar na sua profissão. Enquanto isso não acontece, se sujeita a limpar banheiro nesses cruzeiros. Disse que não se importa, que é um trabalho como outro qualquer e bem remunerado. Só mostrou revolta com a carga horária excessiva e ao tratamento que os italianos dão aos brasileiros. Disse que eles falam que somos preguiçosos.  
Por falar em banheiro, nossa amiga Rosani pagou um mico hoje cedo. Foi a um dos banheiros numa área coletiva e quando entrou encontrou um rapaz que ia fazer a limpeza. Ela avisou que ia usar o banheiro e não ia demorar. Fez um número um, rapidinho, levantou e ficou tentando dar descarga sem conseguir. Como estava demorando, saiu e justificou para o rapaz que demorou porque não queria sair e deixar o vaso sujo. O rapaz da limpeza, falou:
- A descarga é automática, minha senhora, só tem que sair da frente do vaso.
- Aaaahhhh! Então tá, fui.
Rimos muito quando ela contou que ficou procurando o botão da descarga.
Saímos do restaurante e fomos para o teatro assistir à peça de Tom Cavalcante. RC estava na plateia. Um prestigia à apresentação do outro. Rimos muito, muito. Rimos de chorar. Como o Tom só se apresenta uma noite, não dá para todos que estão a bordo assistirem a apresentação. Os que chegam mais cedo se acomodam, os que chegam mais tarde sentam pelo chão e, acredito que muitos não consigam entrar. Sempre tenho o cuidado de sentar numa cadeira de corredor nesses locais lotados de gente. Olho em volta e fico pensando qual será a melhor alternativa se tiver que sair rápido. Seguro morreu de velho!!
Sempre que voltamos para o camarote, no final da noite, sentamos um pouco na varanda e ficamos olhando o mar escuro, o rastro de espuma branca que o navio deixa por onde passa, o céu cheio de estrelas. Nosso momento zem.
11.02.2014
Chegamos a Ilhabela pela manhã. Não contratamos nenhum dos pacotes terrestres que o cruzeiro oferece. Decidimos pegar um taxi ou outro transporte até alguma praia. Sugeri que fossemos a praia do Curral. Andamos um pouco pelo pequeno centro da ilha e retornamos ao cais onde desembarcamos. Ali mesmo contratamos uma Van para nos levar até a praia. O preço é bem mais barato e ficamos livres para voltar à hora que quisermos.
A água estava morninha, uma delícia. Uma água morna como essa, em Macaé, ocorre uma vez por ano e olhe lá! Acho que quero voltar a Ilhabela, mas para passar alguns dias.
No final da tarde voltamos para o navio. Hoje à noite acontece o jantar com o comandante. Nessa noite todos se vestem com as melhores roupas para conhecerem os oficiais que comandam o navio.
Antes de começar a apresentação, sentamos no piano bar do 5° andar e ficamos admirando os modelitos usados para a festa. Alguns exageram no brilho, mas a maioria estava muito bem vestida.
Pedimos um drink. A bebida veio num daqueles copos com uma luzinha no fundo, que pisca o tempo todo. Compramos os copos, que são bem bonitinhos. Em seguida ficamos pensando sobre o que fazer com os copos. Estávamos com preguiça de subir ao camarote pra deixar os copos e no teatro é proibido entrar com esses objetos. Pensei em escondê-los numa mesinha que ficava próxima ao local onde estávamos sentadas. No final voltaríamos para pegá-los. Rosani decidiu por nós: vamos levar para o teatro. Na entrada do teatro o pessoal da recepção conferia nosso cartão e liberava a entrada. Eu e Valdéa colocamos, disfarçadamente, a mão com o copo atrás do corpo e entramos tranquilamente. Rosani, menina rebelde, fez questão de deixar o copo bem à vista. A recepcionista impediu a entrada e disse que ela não poderia entrar com o copo. O que ela fez? Perguntou por que ela não poderia entrar se nós duas (e apontou para onde estávamos) já havíamos entrado com o copo? Resultado: tivemos que voltar e entregar o copo para a recepcionista.  Ô vergonha!!!
Na verdade, não foi um jantar com o comandante. No outro cruzeiro que fiz anos atrás, num navio um pouco menor, o comandante ficava na entrada do teatro, cumprimentava os convidados um a um e tirávamos uma foto com ele, se desejássemos. No palco do teatro aconteceu a apresentação dos oficiais, acho que algum cantor se apresentou (não me lembro muito bem) e foi servido champanhe para os passageiros.
Nesse cruzeiro foi diferente. O comandante não nos esperava na porta do teatro, até porque, com essa quantidade de passageiros seria inviável. O mestre de cerimônia fez a apresentação de praxe: os oficiais uniformizados eram apresentados pela sua patente e função a bordo, e iam entrando pelas laterais do teatro, passando por todo o público e subindo no palco. Eles têm que ser um pouco modelos, além de oficiais. Ao final entra o comandante que é recebido com muitos aplausos, é quase um artista. Aliás, esse senhor parece bastante com Al Pacino.
O comandante falou do Brasil com muita propriedade. Pelo que disse, conhece muito bem nossa terra. Citou até parte do poema Canção do Exílio, de Gonçalves Dias – “Minha terra tem palmeiras onde canta o sabiá...” Pode ser conversa de quem quer vender seu peixe (combina com marinheiro), puro comércio. O comandante reforça o modelo do italiano sedutor.

Colocamos nosso alarme do telefone para tocar as 06:30 h.

Valdéa vira para o lado e dorme imediatamente. Morro de inveja! Eu sempre demoro a pegar no sono. Pouco depois o telefone de Váldea toca, ela levanta, olha o telefone e fala :

-Pessoal, já tá na hora.

Ué, eu nem dormi ainda e já tá na hora? Peguei meu telefone e vi que ainda era 01:15 h.

Váldea olhou para a varanda, viu  que estava tudo escuro e voltou para a cama. Em menos de cinco minutos já estava roncando.

12.02.2014
Acordamos bem cedo para o desembarque que, diga-se de passagem, foi muito organizado. No porto, um ônibus contratado pelo MSC nos levou até o aeroporto de Guarulhos. No porto e no aeroporto cruzamos várias vezes com Miele e sua esposa. Rosani fez uma brincadeira com ele que respondeu cordialmente. Pareceu-me um pouco cansado, mas é de se esperar, ele já é quase um ancião.
Fizemos uma conexão no Rio e no início da noite chegamos a Macaé. A aterrisagem não foi das melhores, mas estamos vivas e já pensando em embarcar no próximo cruzeiro.






15 outubro, 2013

RIO DE JANEIRO - 2013

13.09.2013

Ultimamente só tenho ido ao Rio a trabalho. Abri uma exceção no último final de semana e fui junto com minhas amigas Conceição e Cláudia, para um passeio ao Rio sem compromisso, sem nada programado, sem obrigações a cumprir.
Ficamos hospedadas na casa de Jackie, amiga de Conceição, que mora na Tijuca com o filho e dois cachorrinhos. Não a conhecia, mas de cara me senti à vontade com ela. Jackie é desencanada, amorosa e sem frescura. E temos algo em comum: a tendência a “pagar mico”.  Diz que o filho fala com os amigos que “minha mãe não paga mico, paga king kong”. Ela me contou que um dia desses, passando ao lado do Teatro Municipal, viu que uma grande fila se formava. Pensou: – com tanta gente assim na fila deve ser um espetáculo interessante e barato...

Resolveu entrar na fila. Em seguida perguntou a alguém qual era o espetáculo que estava sendo vendido. A mulher fez uma cara de espanto e disse:
- Minha senhora, essa fila é para o velório de Chico Anísio.

Essa é a Jackie.
Deixamos nossas malas no Sindicato onde Jackie trabalha e fomos para Santa Teresa. Já vim tantas vezes ao Rio e ainda não conheço o Bairro de Santa Tereza. É imperdoável.

Pensávamos que o Bondinho estava funcionando, mas que pena ele ainda está fora de combate, fomos de ônibus mesmo. Quando entramos no ônibus o motorista estava discutindo aos gritos com uma passageira. Durante todo o trajeto ele rosnou, estava pra lá de mal humorado. Quando a passageira desceu do ônibus, ele jogou beijinhos. Puro deboche!
Largo dos Guimarães
Subindo a colina tenho a impressão que estou em outra cidade, mais antiga, mais bucólica. Tantas casas antigas, algumas bem conservadas e outras nem tanto. E fomos subindo, subindo, esperando surgir um local interessante para descer. De repente entramos pelo meio da mata atlântica e logo em seguida vi uma placa escrita UPP do Morro dos Prazeres e do Escondidinho. Uai! Se tem uma UPP isso aqui é uma favela!
- Conceição, acho que já passamos de Santa Teresa.
- Deus do Céu, onde fomos parar?

Olhei para trás e vi que já não havia ninguém no ônibus, só nós e o motorista raivoso. Perguntamos ao carcará se já tínhamos passado de Santa Teresa. Ele disse que sim e que já estávamos chegando ao ponto final. Olhamos em frente e vimos que o ponto final ficava na favela de Dna Marta. Olhamos pra cara uma da outra e caímos na risada.
- Ceição, já pensou se Vilson e Val souberem que vimos parar na favela?

- Do jeito que Val tem medo de entrar por engano em uma favela, imagine?
Esperamos por algum tempo no ponto final e retornamos para o ônibus. Quando o motorista entrou resolvemos indagar sobre o melhor lugar para descermos em Santa Teresa.

- Tem lugar bom lá não, é tudo uma merda. Só tem gente ruim, blá, blá, blá.....
A criatura descarregou toda sua revolta. Falou que a passageira que brigou com ele provavelmente ia contar para o marido e provavelmente o marido viria tomar satisfação com ele. Mas que ele não tinha medo porque é da baixada e já fez muito serviço sujo para o bicheiro Anísio Abraão.

Deduzi que ele era de Nilópolis. Cláudia perguntou qual era o nome dele:
- Gabriel.
- Ah! O anjo Gabriel!
- Anjo? Que anjo dona, eu einh?

Melhor ficar calada, ele não está pra conversa.

Quando chegamos ao Largo dos Guimarães ele nos disse que era melhor descer ali. Escolhemos um bar simpático e fomos logo tomar uma cerveja por que o calor estava demais. Aliás, cerveja só para mim e Cláudia. Conceição tem um grave defeito: não bebe cerveja, apenas um vinhozinho e olhe lá.
Passamos por vários bares, restaurantes e alguns ateliês, mas já estava anoitecendo e sobrou pouco tempo para conhecer o bairro. O tour pelas favelas nos atrapalhou.


Voltamos para o centro e junto com Jackie passamos no PT para cumprimentar o Vereador Reimont, amigo de Jackie e Conceição. Em seguida paramos num bar para um merecido happy hour.



14.09.2013

Madureeeeeira, lá lá laiá, Madureiraaaaa....
Hoje fomos conhecer o bairro que Arlindo Cruz canta em verso e prosa. O visual é feio, mas com tanta escola de samba, em cada esquina um bar, mercadão e agora o parque, digamos que Madureira tem os seus encantos.
Parque de Madureira
É gente demais andando pra cima e pra baixo. Se o falecido avô do meu marido visse aquela gente toda provavelmente diria – “Essa gente não tem o que fazer não? É só batendo perna o dia inteiro?”

Eu imaginava o mercadão como um lugar quente, desconfortável e tumultuado. Enganei-me. O mercadão é organizado e a temperatura é agradável. Agora, vir aqui em véspera de Natal, nem morta! Só mesmo para quem gosta muito de aperto e multidão.
Saímos do mercadão e fomos almoçar no Shopping Madureira. Em seguida fomos conhecer o Parque Madureira que fica ao lado do shopping. Cláudia estava cansada, resolveu ficar num barzinho na entrada do parque, tomando uma gelada. Eu, Conceição e Jackie seguimos em frente.
Parque de Madureira
Paramos para ver um casal que fazia uma apresentação de dança moderna, tipo dança de rua. Mais a frente um palco com uma concha acústica de concreto, enorme. Em volta do palco, um grande largo rodeado por alguns degraus formando uma pequena arquibancada. Um espaço excelente para shows e hoje estava sendo usado para transmitir ao vivo os shows do Rock in Rio. Andamos um pouco mais e vimos uma cascata onde as crianças tomavam banho e na parte alta, uma pista de skate. Achamos que o parque terminava ali, mas quando vimos um quadro com a nossa localização, descobrimos que não tínhamos percorrido nem um terço do parque.
Alugamos uma bicicleta de três lugares e fomos pedalar pelo resto do parque. Senti-me voltando a infância quando andava de bicicleta sem freio. Ela tinha freio, mas era um pouco difícil de manobrar. O movimento de gente a pé, de bicicleta e de skate, era grande. Gritávamos com que estivesse na frente para sair e por pouco não atropelamos alguns.

Quando chegamos ao final do parque, no teatro Fernando Torres, fizemos uma curva e quase capotamos. Pedalamos de volta até ao ponto de entrega das bicicletas, cansadas e felizes.
Não encontramos Cláudia. Ligamos e ela informou que cansou de esperar e foi a um shopping popular que fica em frente ao parque. Estava fazendo umas tranças afro no cabelo. Fomos até lá e conhecemos duas moças do Congo que fazem as tranças com muita habilidade. Uma delas se chama Hula e é uma negra linda. Disse que veio para trabalhar no Brasil há três anos. No início tinha muito medo da violência do Rio, mas agora já se sentia tranquila.

Tínhamos ingresso para uma peça de teatro, o musical Casa Grande e Senzala que está sendo exibido no Teatro Ziembinsk, na Tijuca.  Pretendíamos passar em casa, tomar um banho e em seguida ir ao teatro e depois encerrar a noite em algum bar da Lapa.
Quando descemos do ônibus estranhamos o local. Perguntamos a Jackie e ela nos respondeu que como já estávamos atrasadas achou melhor irmos direto para o teatro.

Deus do céu! Estávamos suadas, descabeladas e Jackie estava de bermuda e chinelo. Que jeito! Não dava pra voltar atrás agora e lá fomos nós. Ainda bem, não me perdoaria se perdesse um espetáculo daqueles por causa de um desejado banho. Adorei a peça Casa Grande e Senzala. Os atores-cantores do grupo de teatro Os Ciclomáticos fizeram um musical de excelente qualidade.
Caffecito Bar
15.09.2013


Voltamos a Santa Teresa pra trocar um sapato que Cláudia comprou e o os pés foram trocados. Aproveitamos para passear com mais calma pelas ruas do bairro. Paramos em uma feirinha de artesanato ao lado de uma igreja antiga que infelizmente está mal conservada. O interior é bem bonito, mas o exterior precisa de uma restauração. Paramos no Bar do Mineiro que serve uma feijoada famosa. Seguimos em frente entrando em algumas lojas de artesanato e ateliers.

A fome apertou, paramos em um restaurante simpático e optamos pela feijoada, afinal hoje é sábado, dia de feijoada. 
Parque das Ruínas
Continuamos nosso passeio, dessa vez pelo Parque das Ruínas, um casarão antigo em ruínas, mas o que restou do palacete está sendo muito bem utilizado. Na parte interna poucas paredes e escadas de ferro fazem a ligação entre os andares. Ficou uma combinação bonita, o tijolo aparente e o ferro preto. Lembrei-me de quando assisti na televisão uma entrevista com o ator Osmar Prado, que foi filmada nesse local. Achei tão lindo o lugar, fiquei com vontade de conhecer, mas depois esqueci. Só agora, quando cheguei aqui, reconheci o local da entrevista.

Na entrada do parque tem um jardim e na parte alta um largo com uma lanchonete e algumas mesas ao ar livre. Um grupo afinava os instrumentos para uma apresentação. Tem um violoncelo, que eu adoro. Acho que vai ser agradável ouvir música de qualidade, cercada de verde e lá embaixo a vista da enseada de Botafogo, que é linda.
Fomos até ao Museu da Chácara do Céu, que fica ao lado do parque. Uma casa antiga, mas com uma arquitetura que ainda me parece moderna. Em volta da casa, um jardim de Burle Max. Estranhei a quantidade de guardas no museu, em todas as salas onde entramos tinha sempre um guarda por perto. Um deles nos falou que esse museu já foi roubado algumas vezes e os bandidos levaram várias obras de arte.

Esse palacete pertenceu a um milionário que amava as artes. Era muito amigo de Portinari e por isso tinha um grande número de quadros do nosso pintor mais famoso. O museu tem móveis antigos, louças, uma biblioteca e várias obras de arte que pertenciam ao milionário. É uma viagem pelo Rio antigo. Uma das salas possui um grande armário de gavetas fininhas com gravuras de Debret e Taunay. Todos aqueles desenhos que estavam nos livros de História do Brasil dos meus tempos de escola, estão aqui, nessas gavetas. Gostaria de ver todos, mas o tempo, esse inimigo cruel, não vai permitir. Temos que voltar para Macaé.

Voltamos à casa de Jackie, pegamos nossas malas e partimos para Macaé.

Acho que quero passar as férias no Rio. Nada de trabalho, nada de visitar a família, casamento, formatura, enterro, aniversário de amigas, etc. Quero só passear, como qualquer turista.


28 agosto, 2013

TIRADENTES-2013


16.08.2013
Consegui convencer meu marido a fazer uma viagem de final de semana a Tiradentes/MG. Isso merece uma comemoração, pois conseguir tirá-lo da sua rotina cotidiana é coisa rara. Meu filho mais velho e sua esposa resolveram nos acompanhar.
Na sexta-feira, bem cedinho, pegamos a estrada. Levei o GPS de uma amiga para que meu marido se familiarizasse com o aparelho e, quem sabe, se animasse a comprar um. Sei não, do jeito que ele é resistente a novidades tecnológicas vai colocar mil defeitos. Já fomos outras vezes a Petrópolis e Itaipava de carro, que é parte do trajeto para Tiradentes, mas acho que não fizemos a configuração mais adequada do GPS e na ida ele nos indicou um atalho errado.

Embrenhamo-nos pelo interior de Magé e pegamos uma estradinha sinuosa serra acima até chegar a Petrópolis. Haja braço para manobrar aquela caminhonete por tantas e tantas curvas. Passamos por alguns vilarejos que parecem perdidos no tempo, ou melhor, com uma calma que se perdeu nas cidades um pouco maiores. E tome subida!!! Lá se vai minha esperança que ele aceite o GPS.
Atrasou um pouco a viagem, mas tudo bem, esses enganos fazem parte. Até que o “véio” foi bem, chegamos a Tiradentes no início da tarde e Vilson não me parecia cansado.

Sempre que chego a Tiradentes lembro-me da primeira vez que aqui estive há mais de 30 anos atrás. Quanta coisa mudou! Eu fiquei mais velha e Tiradentes....mais nova. Naquela época encontrei uma cidade antiga e histórica, mas com uma aparência decadente. Hoje tudo é muito diferente. O turismo, que é a fonte principal de renda da cidade, depende da boa conservação do seu casario e da preservação de suas características de cidade colonial.
O ouro que deu origem a cidade, acabou. Hoje o “ouro” é o turismo e não parece que vai acabar tão cedo.

Depois do almoço e de um cochilo pra descansar da viagem fomos, eu e Lívia, caminhar pela cidade. Subimos até a igrejinha Nossa Senhora das Mercês que foi construída pelos negros e pertence a irmandade dos pretos, segundo informação da funcionária pouco simpática que estava na entrada da igreja. É bem pequena e simples, mas tem a sua graça.
A cidade está lotada e é assim em todos os finais de semana do inverno. Viemos preparados para muito frio, mas nos surpreendemos com uma temperatura bem amena. Meu marido, com seu mau humor costumeiro, reclamou das ruas de pedra:
- Isso aqui tem mais pedra do que a rua das pedras de Búzios. Será que foi Dom Pedro que mandou colocar? Deve ter sido pra sacanear os escravos.

Subimos até a Matriz de Santo Antônio. A subida cansou, mas a igreja vale a pena, mesmo estando já fechada. É pena que os três não a vejam por dentro, eu me lembro de como é bonita e quanto há de ouro nos seus ornamentos. A maior parte do ouro que saía daqui foi enfeitar igrejas da Europa e é mais do que justo que a Matriz de Tiradentes possa ostentar o ouro que estava tão próximo, na Serra de São José. 
Percorremos as ruelas, subimos e descemos ladeira, entramos nas lojinhas e nos rendemos ao mais agradável dos pecados capitais: a gula. Descemos a ladeira e fomos passando por vários restaurantes. O que não falta nessa cidadezinha é restaurante, alguns bem convidativos. Fomos caminhando e ouvindo o som das músicas que tocavam nos bares: Bossa Nova, MPB, Música Latina. Até música gospel, porém um gospel mais atual sem aquela influência do gospel americano.
Paramos no restaurante Mandalum, no Largo das Forras onde também fica nosso hotel. Tem várias sopas no cardápio. Lembrei da que comi na última vez que estive aqui e resolvi repetir a dose. Pedi um prato que minha mãe chamava de "péla égua": uma canjiquinha bem cozida com costelinha de porco.  Pra acompanhar, uma caipirinha deliciosa.

À noite a temperatura caiu um pouco mais. Ótima noite para dormir enroladinho.

17.08.2013
Fomos a Bichinho comprar algum artesanato. Espero que o preço esteja melhor do que em Tiradentes. Os dois impacientes, Vilson e Vicente, já queriam parar na entrada do lugar e ficar por ali mesmo. Ô falta de curiosidade!






Eu e Lívia fizemos pressão e obrigamos pai e filho a seguir em frente. Entramos em alguns ateliês e outras tantas lojas. Comprei pouca coisa, meu lado consumista está bem controlado. Vilson comprou mais do que eu, quem diria!!!
Na última loja da estrada encontrei os tapetinhos que eu queria. Almoçamos no restaurante Tutu na Gamela, comida caseira com preço justo.

No final da tarde pensei em ir ao Museu da Liturgia, mas cheguei tarde, o museu fecha às 17 h. Fica para a próxima.
À noite fomos assistir a uma apresentação musical chamada “Alma Brasileira”. O evento faz parte de um projeto cultural na área da música que leva essas apresentações a cidades do interior de Minas Gerais. É um grupo legal: violão, violoncelo, piano, flauta, clarineta e uma cantora lírica. O teatro do SESI não é grande, mas é confortável e tem acústica excelente.

Notei que Vilson estava virando a cabeça para um lado e outro com frequência. Não é que ele está gostando!!! Estranho...essa não é a “praia” dele. Perguntei:
- Porque você está se mexendo tanto?

- Estou fazendo uma fisioterapia musical para minha artrose na cervical. Tá funcionando...
Ehhhh, logo vi.

Terminamos a noite comendo uma pizza feita no forno de pedra no restaurante "Jardins de Santo Antônio". Hummmm, muito boa!!!

18.08.2013

Pensamos em sair mais cedo de Tiradentes, mas dormimos demais. Passei boa parte da viagem pegando no pé de Vilson para que ele não corresse demais. Sou medrosa quando se trata de velocidade e ele exagera um pouco. Pra mim, entrar numa curva a 120 Km ou mais, é impensável.

Ao passar por Barbacena avistei o restaurante "Cabana da Mantiqueira" e me dei conta que nunca mais voltei a essa cidade onde passei bons momentos da minha juventude. As vezes sinto vontade de entrar até a cidade, mas acho que vou achar tudo muito estranho. Sabe aquela música de Lulu Santos "....nada do que foi será, de novo do jeito que já foi um dia, tudo passa tudo sempre passará...". Pois é, acho que não vou encontrar a mesma cidade que está na minha memória. Melhor não ir.

A viagem seguiu tranquila e chegamos em Macaé no início da noite. Foi um fim de semana legal.


08 junho, 2013

CHAMPAGNE

INFO INICIAL
Vou a França em abril. Fui a Paris há alguns anos, mas fiquei menos tempo do que gostaria. Dessa vez faremos um passeio por três regiões da França e depois retornaremos a Paris onde ficarei alguns dias.
Planejar uma viagem de férias é uma delícia, mas como tenho pouquíssimo tempo livre e como confio demais na habilidade de minhas amigas, me senti liberada dessa etapa. Espero que elas me perdoem.
O nosso grupo  quase o mesmo da viagem a Toscana em 2011. Jussara não irá dessa vez e uma nova integrante fará parte do nosso grupo, minha amiga Valdéa. Espero que ela goste da turma e que minhas antigas companheiras também gostem dela.
Uh, uh, férias!!!! Tem coisa melhor?

19.04.2013
Eu e Valdéa saímos de Macaé por volta do meio-dia. Nosso voo é a noite, mas com o trânsito infernal da BR-101, melhor não bobear. Logo que chegamos ao aeroporto, encontramos com o restante da turma. Espero que Valdéa goste das “tigronas”. É sempre mais confortável viajar com velhos conhecidos, mas isso não garante que essa será sua melhor companhia para uma viagem. Eu, particularmente, prefiro viajar com pessoas com interesses iguais aos meus ou, pelo menos, parecidos. Nesse grupo tenho a sorte de ter bons amigos e ótimas companheiras de viagem.
Seremos seis nessa viagem: Andréa, Adélia, Kátia, Fatima, Váldea e eu - as tigronas. Pensando bem, seremos sete mulheres porque a Juliete (nosso GPS que tem voz feminina) é praticamente uma companheira de viagem. Dizemos que ela é irmã de sangue de Andréa porque o GPS pertence ao pai dela. Mete-nos em algumas roubadas, como por exemplo, ruas estreitas demais para o nosso carro. Adora uma estrada “bianca” (estrada branca para os italianos) e às vezes parece que está na TPM, fica muda por um tempo ou então repete seguidamente a mesma informação. Reclamamos dela, mas sentimos sua falta quando se mantem calada por muito tempo. E sejamos justas, ela está sempre certa.

20.04.2013 
    ETÓGES

Chegamos a Paris as 12 h. A mala de Valdéa custou a chegar. Temi que tivesse extraviado, seria muito azar. Enquanto esperávamos pela mala, Kátia ofereceu alguns ovinhos que sobraram da Páscoa. Andréa mais que depressa comeu um deles. Sentiu um gosto meio estranho e só então percebeu que Kátia estava descascando os ovinhos. Tinha comido o ovinho com papel e tudo. Ô fome!!! É compreensível depois de tantas horas de voo e uma noite mal dormida.
Pegamos o carro alugado lá mesmo, no aeroporto, e seguimos para o sul, em direção à cidade de Etoges onde nos hospedaremos em um castelo, o Chateau D’Etoges, na região de Champagne.
Chateaux D'Etóges
No caminho passamos por várias cidadezinhas. Todas lindas, floridas, limpas e...vazias. Parecem cidades fantasmas, nem um cachorro vadio encontramos pelas ruas, nem uma janela aberta. Será que os franceses dormem o sábado inteiro?
Resolvemos parar num lugarejo e fazer um lanche antes de chegarmos a Etoges. Não encontramos nada aberto, só uma pequena boulangerie (padaria). Arrematamos os poucos pães que estavam na vitrine e deixamos para trás a cidade fantasma.
Chateaux D'Etóges







Chegamos ao hotel no finalzinho da tarde. O Chateau, que já foi residência dos reis da França, fica numa cidadezinha pequena e antiga. É imponente, uma bela construção.
Tínhamos feito uma reserva para o nosso primeiro jantar nesse hotel e o jantar foi exceleeeeente! Começamos bem.




21.04.2013   
REIMS
Chateaux D'Etóges
O dia estava frio, por volta de 8 graus. Nos agasalhamos e saímos para iniciar nossa peregrinação pelos "caminhos santos", as caves. Adélia caprichou no chapéu, uma graça. Adoro chapéu, mas fico parecendo um abajur.
Reservamos o dia para conhecer duas cidades próximas: Epernay e Reims. No caminho avistamos uma pequena multidão. Pensamos – “é domingo, podem ser fiéis que estão saindo de uma igreja”.  Alguém sugeriu que poderia ser um enterro. Por via das dúvidas, paramos para conferir. Era uma feirinha de antiguidades. Acho que a cidadezinha inteira, por falta de algo melhor para fazer naquela manhã de pouco sol, foi passear na feirinha. 

Olha o modelito para ir a Feira!

Procurávamos um lugar para tomar o café da manhã. Compramos alguns pães numa boulangerie, que não serve café, atravessamos a rua e fomos para um bar. É difícil achar algum lugar aberto num domingo nessas pequenas cidades. Acredito que na alta temporada mais estabelecimentos fiquem aberto, mas agora... O café quente e gostoso me aqueceu a alma. Não me dou bem com o frio, fico meio travada.
Reims

Reims

Chegamos a Reims e fomos conhecer a Catedral de Notre Dame de lá. Antigamente os reis da França eram consagrados aqui nessa cidade. Por isso, essa catedral tão grande e tão bonita. Rodamos pela cidade vazia olhando as construções e as praças com alguns canteiros já bem floridos. Seguimos para a Maison Pommery, uma das mais famosas produtoras de champanhe da França. Visitamos as caves subterrâneas, quilômetros de corredores escuros e úmidos. Um lugar meio lúgubre.

Jardim da Maison Pommery

A guia que nos acompanhou só falava inglês e, sendo assim perdi parte da história, mas entendi que a viúva Madame Pommery depois da morte do marido, foi  a grande responsável pelo sucesso dessa casa. Depois de beber algumas doses do     champanhe fica fácil de entender porque essa bebida é sinônimo de luxo e sofisticação.

Já era noite quando chegamos em Epernay. Caminhamos pelo centro da cidade a procura de um restaurante. Essa tarefa é fácil por aqui, não tivemos dificuldade. Amanhã retornaremos, a peregrinação está só começando.

22.04.2013   REIMS

Antes de ir para Epernay fizemos nosso petit dejeuner (café da manhã) num pequeno restaurante em Etóges, lugar aconchegante com um grande fogão a lenha.
 
Nessa região existem várias caves de marcas importantes, escolhemos a mais famosa delas, a Maison Moet Chandon. A produção dessa casa começou em 1743 com a família Moet que mais tarde juntou a marca o nome Chandon, nome do marido de uma das herdeiras Moet. A parceria prosperou e tornou-se o sucesso que é hoje. Um de seus produtos mais conhecido é a champanhe Dom Perignon.
Lembrei-me de quando criança lia livros de bolso que eram do meu irmão, com a história de “Gisele, a espiã nua que abalou Paris”. Eram histórias de espionagem do pós-guerra e a bebida predileta da belíssima espiã Gisele era a champanhe Dom Perignon. Não resisti e comprei uma garrafa de Moet Chandon para rechear a minha mala.


Notre Dame de Reims
Fomos passar o resto do dia em Reims. A cidade hoje estava animada, nem parecia a mesma que visitamos ontem. A praça central é cercada por bares e restaurantes, todos cheios de gente. Jantamos por ali, no centro do buchicho.
Sugestões:

Restaurante ‘Le Saint Julien” Rue Eugène Desteuque - Tel 03 26 88 32 38 – Reims