01 janeiro, 2019

Caixa de Memórias



Ganhei uma caixa, ou melhor, um caixotinho de madeira pintado de lilás e coberto de selos de vários lugares do mundo. Nele armazenei o "material excedente"  das viagens, que não tem uma aplicação específica, mas por motivos inexplicáveis não tenho coragem de eliminá-los. Agora eles encontraram um lugar apropriado.

A caixa foi um presente especial que recebi dos meus amigos Carlos e Thaiz, feito por eles e, tenho certeza, com muito carinho. E ela não veio sozinha. Em sua companhia, um "Poema da Ângela" escrito por Carlos.

"Uma caixa. Tão hermética, tão fechada. Quadro lados limitantes.
Prá recordações das viagens guardar. Contra-senso. Liberdade aprisionada?
Nada disso!Apenas um lugar para a saudade deixar e vez por outra visitar."

Essa é uma pequena parte do poema, que já encontrou seu espaço dentro da caixa.

21 junho, 2018

PORQUE UM DIÁRIO


Procurei por um diário de viagem pequenino como o que já possuo. Não encontrei. Resolvi adotar um blog como diário. Dessa forma não corro o risco de perder essa memória que é um recurso para viajar de novo, pelos mesmos lugares, com os olhos da alma.Trago na bagagem muitas lembranças e pouquíssimo souvenir. Presentes só para os filhos e alguns amigos. São os detalhes que fazem cada viagem ser diferente da anterior. Quando registro minhas impressões no papel guardo também na memória. E quando a memória já não for tão boa, ainda me restará o diário.Não pretendo fazer um guia de viagem, recomendar lugares, onde comer, onde se hospedar, etc... Muito menos relatar grandes aventuras, até porque não sou Marco Pólo nem Amir Klink, esses sim, grandes aventureiros. Quero apenas guardar a lembrança de momentos, de cheiros, do espírito dos lugares. Quer fazer essa viagem comigo?


Memória

Existe um outro tipo de viagem que também acho interessante preservar. A viagem para dentro da minha própria memória ou, como disse o poeta Drumond "a dificílima viagem de si para si mesmo"(ver em marcadores A-Memória)

Nunca pensei antes em passar para o papel, e muito menos para um blog, fatos da minha vida pessoal. Nem mesmo sabia que gosto de escrever. Perdoem-me se não tenho conhecimentos gramaticais suficiente para produzir um texto decente.
Minha mãe viveu até os 95 anos. A partir dos 90 anos , em decorrência do Alzheimer, a memória dela foi ficando mais e mais comprometida.


Ao ver que ela havia perdido praticamente todo o “arquivo” do seu cérebro comecei a me preocupar com o assunto.


- Será que o mesmo pode acontecer comigo? Só após os 90 ou bem antes?


Tenho visto casos de pessoas por volta dos 60 anos já completamente desmemoriadas por causa dessa doença.

Procurei uma geriatra e também uma psicóloga e resolvi tomar algumas medidas que elas me recomendaram. Fazer exercícios físicos (que eu odeio) foi um deles. Escrever também é uma forma de exercitar os neurônios, uma espécie de ginástica mental. Se não servir para mais nada, pelo menos poderei ler sobre minhas lembranças quando meu arquivo mental estiver se apagando. Isso, é claro, se eu estiver enxergando.



Oh meu Deus!!! uma coisa puxa outra, vou ter que procurar o oftalmologista.

19 junho, 2018

CALIFORNIA, ARIZONA, NEVADA E NOVA YORQUE

15.05.2018

No ano passado minha amiga Thayz me convidou para uma viagem à costa oeste dos Estados Unidos. É um grupo pequeno, no máximo dez pessoas, que será acompanhado por Daniel, dono da Agência de Viagens Sky Trips. Pensei um pouco, mais um pouco...Topei. A Petros, fundo de pensão que complementa minha aposentadoria, passa por uma situação difícil, achei que não era a melhor hora para gastar com futilidades, mas a vontade de viajar falou mais alto.Daniel fez algumas reuniões preliminares com o grupo e na semana passada nos encontramos todos: eu, Vera, Dayse, Tânia, Claudete, Moscon, Mário, Sávia, Thays, Carlos e Daniel. Conheço a maioria, trabalhamos todos na Petrobras, exceto Sávia.Partimos para dezessete dias de puro lazer e nenhum descanso, não dá para descansar pagando em dólar, euro, libra...


SAN FRANCISCO

San Francisco

 16.05.2018

A viagem foi muiiiiiito cansativa, mas tranquila. Somente Dayse teve um contratempo, foi barrada na fiscalização porque no passaporte o seu nome é diferente do nome na passagem aérea. É que na emissão do passaporte ainda era casada e agora voltou a usar o nome de solteira. Esse é um dos motivos, entre outros, porque sou contra a acrescentar o nome do marido. É uma aporrinhação a menos. Dayse também quebrou os óculos e por duas vezes esqueceu a mala. Vamos parar por aí, hein Dayse, deixa alguma “distração” pra seus outros colegas.

Chegamos a São Francisco por volta do meio-dia e fazia frio. Escolhemos um restaurante perto do hotel para almoçamos. O Cesário’s é pequeno, aconchegante e a comida é gostosa. Comi uma massa com lagosta (lobster ravióli) dos deuses.  Retornamos ao hotel descansamos um pouco e partimos para o Pier 39, primeiro ponto turístico que vamos visitar. De cara encontramos uma escultura de um Crab gigante (caranguejo), um dos símbolos da cidade.O Pier 39 é uma estrutura de madeira bem arrumadinha, cheia de lojinhas e restaurantes, uma pequena feirinha com frutas e os famosos leões marinhos que habitam esse lugar. Começamos pelas frutas, que são as mais lindas e gostosas: morango e cereja. Huummm! A cereja está perfeita, é quase melhor que sexo.

Leões Marinhos
O lugar é bem agradável, não fosse pelo vento gelado que não dá trégua. Detesto frio com vento, dupla insuportável!

Chegamos até o local onde ficam os leões marinhos. Procurei um lugar abrigado do vento para apreciar os bichinhos, ou melhor, bichões. Ficam amontoados em cima do deck e se estapeando para conseguir um lugar ao sol. Fiquei observando os leões por pouco tempo, eles fedem, melhor vê-los à distância.

Padaria Boudin

Têm alguns restaurantes bem conhecidos, o Hard Rock Café e Bubba Gump, mas escolhemos jantar na famosa padaria Boudin que fica um pouco afastada do Pier 39. No piso superior da padaria fica o Bistrô e um pequeno museu que conta a história da família que imigrou pra São Francisco e criou a padaria Boudin. Subimos ao piso superior e ficamos aguardando uma mesa. Enquanto isso, visitamos o museu. Logo na entrada tem uma foto de São Francisco antes e depois do terremoto de 1906. A cidade foi quase totalmente destruída pelos incêndios provocados pelo terremoto. É emocionante verificar que em cento e poucos anos a cidade foi completamente restaurada e se transformou numa cidade moderna e um dos centros financeiros mais importantes do país. Queria não fazer comparações com o Brasil, mas é inevitável. Quanto tempo levaria no Brasil, para reconstruir uma cidade devastada pelo fogo?  Vixe! Nem é bom pensar. Daqui de cima dá pra ver a produção do pão na padaria que fica no térreo. Têm pãezinhos artesanais em formato de ursinhos, tartarugas e um enorme crocodilo que fica na vitrine que dá para a rua. Eles usam o mesmo fermento há mais de cento e cinquenta anos. Isso é que é tradição! E o cheirinho de pão? É delicioso. Escolhemos para o jantar a tradicional sopa Clam Chowder, um creme com frutos do mar servida quentíssima dentro de um pão italiano. Não achei lá essas coisas. Prefiro nosso camarão na moranga.


17.05.2018


Hoje faremos um tour pela cidade. Nosso guia Márcio é um moço alto muito simpático. Começamos nosso passeio pelo Pier 39 onde já estivemos ontem, mas com o sol de hoje tudo é muito mais agradável. Tirei algumas fotos, entrei nas lojinhas, comprei mais cerejas, parei para admirar a baía de São Francisco. Daqui é possível avistar, bem pertinho, a ilha de Alcatraz onde fica o presídio desativado que inspirou o filme A Rocha, com Sean Connery. Temos vontade de ir até lá, mas acho que não vai dar, é preciso reservar a balsa com bastante antecedência. Até que não seria mal um passeio de barco pela baía, mas só se o sol ajudar.

Continuamos nosso roteiro e paramos num grande parque onde está o Palace of Fine Arts. O guia Márcio nos falou que essa estrutura foi construída para uma exposição em 1915 e que em seguida seria destruída (não lembro porque), mas isso não aconteceu. Ainda bem, porque o Palácio é lindo e o parque com um lago cheio de peixes, muitas plantas e flores, também é espetacular. Muitos turistas por aqui e muitos flashs, o local é propício para uma foto.

A caminho da cidade de Salsalito passamos pelo bairro da Marina, onde fica esse parque que acabamos de visitar, localizado entre Fisherman’s Wharf e a Golden Gate. Muitas casas de até três andares com estilos arquitetônicos diferentes, mas com um conjunto de requisitos que lhes confere certa semelhança, uma elegância eu diria. Parece um lugar muito legal pra se morar.
Atravessamos a ponte Golden Gate que é vermelha e não dourada como se poderia supor. Thays, Mário e Sávia estão planejando fazer esse mesmo percurso de bicicleta. Eu gostaria de acompanhá-los, mas uma tendinite que me atormenta há meses pode piorar...melhor não arriscar, estamos só no início da viagem.

Salsalito

De longe já dá pra ver que a cidade de Salsalito tem belas casas na encosta. Deve ter uma linda vista da cidade de São Francisco. Nessa cidadezinha tranquila e agradável, o que há de melhor a se fazer por aqui deve ser apreciar a vista da baía e a cidade do outro lado, velejar, caminhar pela orla e comer o melhor hambúrguer da cidade. A hamburgueria é pequenina, o que chamaríamos no Brasil de birosquinha, mas o hambúrguer é maravilhoso, segundo nosso especialista Carlos. Eu sou fraca para esses sanduiches, como de garfo e faca porque detesto abrir aquele bocão enorme para morder o sanduiche enquanto molho, salada, maionese, escorrem pelos cantos da boca e me sujam a cara e as mãos. 

Ah! Que lugar agradável, quero morar aqui. Encontramos um casal que fez o percurso até aqui de bike e vai retornar de balsa. Acho que o percurso deve ter uns sete quilômetros mais ou menos. Não é muito, mas tem muita subida, acho que estou sem preparo físico pra tanto. Vou tentar um passeio de bike com Thayz, pelo Central Park em Nova Iorque. Lá tem uns passeios guiados que devem ser bem legais. 

  

Parque Golden Gate

Cruzamos novamente a Ponte Golden Gate e seguimos para o Parque Golden Gate que nada tem a ver com a famosa Ponte. O guia nos informou que esse parque é maior que o Central Park. Vixe! Então é preciso um dia inteiro pra visitá-lo. Tem lagos, jardins floridos, dois museus, um jardim japonês, quadras para esporte, parquinhos para crianças, jardim botânico e mais algumas coisas que a memória não fixou. Não descemos, já é hora de almoçar e esse parque merece mais tempo do que dispomos.

Muito legal ver quantas medidas aparentemente simples, podem contribuir pra acabar com os problemas de mobilidade urbana. Aqui eles usam aplicativos para tudo e no transporte não é diferente. Encontramos várias pessoas andando de patinetes elétricos (ou scooters) que atingem em média 24 km/hora na cidade. Quem quer usar um, localiza o patinete mais próximo no aplicativo, alugam e podem deixá-lo depois em qualquer calçada. E ainda tem as bicicletas, muito usadas por aqui, e os bondes elétricos que cruzam a cidade. É um sistema muito eficiente que garante boa mobilidade para todos.


Depois do almoço me deu um sono incontrolável, acho que é efeito colateral do remédio pra dor. Vou parar de tomá-lo, está me arrumando mais um problema, o sono, e não está acabando com a dor. Dormi por duas horas o sono dos justos, acordei outra.  A turma foi andar de bonde, visitar a Fábrica Ghirardelli e conhecer a sinuosa rua das flores, a Lombard Street. Acho que não vai dar para alcançá-los. Então vou conhecer a Union Square, que fica aqui perto do hotel.


Caminhando até a praça passei por várias galerias de arte, se houver tempo volto aqui amanhã para visitar as galerias. Em volta da praça estão várias lojas de marcas famosas:  Macy’s, Bloomingdale, Dior, Gucci, Louis Vuitton, Chanel, Armani, Levi’s, Prada, Lacoste, Tiffany e muitas outras. Tudo loja museu, só pra visitar. Com o dólar valendo perto de quatro reais comprar nessas lojas nem pensar. No máximo umas comprinhas em algum outlet e avaliando bem o custo x utilidade. 

Resolvi entrar na Macy’s. O prédio dessa loja deve ter uns sete ou oito andares e eu não tenho muita paciência para ficar olhando roupas, calçados, maquiagem, a não ser que eu esteja procurando por alguma coisa específica. Então fui direto a parte de eletrodomésticos pra saber se tem uma batedeira de bolo da marca KitchenAid. Quero dar uma de presente a minha nora que tem uma Brigaderia e quer ampliar sua produção com bolos e outros doces. Achei a batedeira, mas custa mais de trezentos dólares e pesa mais de nove quilos. Tô quase desistindo. Subi para o último andar onde fica o restaurante Cheesecake Factory. Está cheio, nem uma mesa liberada na parte interna e fila grande de espera. Desisti do jantar e pedi apenas um cheesecake de framboesa com trufa de chocolate branco. Sentei no terraço que dá para a praça e tem uma bela vista. Tive receio de sentar lá fora por causa da ventania, mas tem aquecedor perto das mesas e uma amurada em torno do terraço ameniza a intensidade do vento. O doce está ótimo, só ficou faltando uma taça de vinho pra tomar depois de comer. Ia dar uma aquecida legal, mas não quero enfrentar outra fila. Fechei o casaco, enrolei bem o cachecol em volta do pescoço e saí pra rua. Brrrr….que friaca! Andei rápido até o hotel.


18.05.2018


Tânia, minha companheira de quarto, é doidinha. Gosto de gente doidinha, doido manso, desencanado, sem frescura. Já viajamos juntas uma vez, para Gramado, mas não dividimos quarto. Estamos nos conhecendo melhor agora e tá tudo certo. Roncamos moderadamente, não perdemos muito tempo escolhendo roupa e outros apetrechos, uma passadinha de pente no cabelo, um batom e estamos prontas. Gostamos de tomar o café com calma, sem correria, de preferência no quarto. Depois disso estamos prontas para encarar a jornada que é cansativa para turistas que, como nós, já passou dos sessenta anos. Parte da turma foi pra Napa Vale conhecer as vinícolas. Não escolhi fazer esse passeio porque já visitei tantas vinícolas em tantos lugares que preferi ficar e conhecer um pouco mais a cidade, mas com o tempo frio e ameaçando uma chuva, estou na dúvida  se fiz a escolha certa.

Na galeria de arte
No bonde
No Pier 39

Saímos eu, Thayz, Carlos, Dayse e Vera em direção a Union Square. No caminho decidimos ir ao shopping  Westfield San Francisco Centre. Em frente ao shopping fica uma estação do Cable Car, o bondinho de São Francisco. A fila é enoooorme! Esse pessoal deve ficar em pé na friagem por mais de uma hora, com certeza. É claro que gosto de experimentar tudo que é atração turística numa cidade, por alguma boa razão isso se tornou uma atração, porém, com o passar dos anos, minha cota de sacrifício está cada vez mais reduzida. Fila pra bondinho no frio? Nãããão. Valha-me Santo Uber, um carro pelo amor de Deus! Entramos no Shopping, Dayse e Vera resolveram tomar um café, eu e Thayz fomos olhar as lojas e Carlos ficou sentadinho nos esperando. Acho que Carlos não vai aguentar essa roubada de acompanhar quatro mulheres num shopping. Não andamos muito, há pouco que se fazer por aqui porque compras não é nosso objetivo. Voltamos até onde Carlos estava e, como pensei, ela já estava decidido a voltar pro hotel. E foi!


Fomos conhecer as galerias de arte, são várias em uma mesma rua e tem muita coisa interessante. Adoramos a exposição do pintor Tom Everhart. Ele usa o personagem de um cartunista como inspiração pra sua obra. Nessa exposição todos os quadros tem o Snoopy como tema. Eu compraria qualquer uma dessas telas, se eu tivesse muiiiiiito dinheiro.

À noite Thayz me convidou para tomar um vinho no quarto dela e Carlos. Eu sabia que era aniversário de Carlos e embora ele não quisesse comemorar, aproveitei para parabenizá-lo. Bebemos e rimos e curtimos e confraternizamos. Ótimo final de noite.

CARMEL e MONTERREY


19.05.2018


Saímos cedo de São Francisco pela Pacific Coast, a caminho da famosa Big Sur. Acomodamo-nos na Van e, pra variar estou com as pernas pressionadas pelo banco da frente. Já estou acostumada, é assim no avião, no ônibus, não seria diferente numa Van. Faremos um rodízio das duas cadeiras mais espaçosas, que Daniel chamou de Classe Executiva. Nosso guia nesse trecho é o Eliseu, brasileiro que reside nesse país há mais de vinte anos. É casado, tem um filho e sua esposa também dirige uma Van. Ele é um caso de sucesso, já tem dupla cidadania e percebi que fala do país com certo orgulho.  Acho que já é um cidadão americano de alma, não apenas no papel.

A estrada é de matar de raiva de tão boa. Nem um buraco, bem sinalizada, nem um pedágio, no máximo alguma trinca fininha no asfalto decorrente de pequenos terremotos que acontecem diariamente. Também não tem pardal, um luxo! Aqui o infrator é perseguido por carros da polícia, que para o carro e multa o motorista, e aí dele se tentar subornar o policial.

Ao lado da estrada, plantações a perder de vista. Toda hora vejo os ”chuveirinhos” de irrigação. Acho que eles usam a água de degelo das montanhas aqui de perto. Não deve chover muito por aqui, sempre vejo notícias de grandes incêndios na Califórnia provocadas pela seca. Mesmo assim os Estados Unidos se transformaram na maior potência agrícola do planeta e, sem dúvida essas estradas muitíssimo bem conservadas contribuem pra esse resultado. Nada de buracos, assaltos,  filas nos portos... nada que atrapalhe o escoamento da produção. Eliseu falou que se a Califórnia fosse um país, seria o oitavo PIB do mundo. Será? Deve ser verdade mesmo. Paramos pra comprar morangos e cerejas (repito que a cereja é quase tão boa quanto sexo) e Claudete lembrou que saiu de São Francisco frustrada porque não comeu “Crab”, o famoso caranguejo gigante.

Chegamos ao litoral. É uma costa rochosa, muito mar e pouca ou nenhuma areia. A cor do mar é de um azul forte, lembra a cor do mar mediterrâneo. Chega de comparações, todo lugar é único e tem uma identidade própria. Tá difícil tirar fotos, muito vento e frio. Não dá pra aproveitar o melhor ângulo, é tirar o cabelo da frente e botar um sorriso no rosto. Piscou o flash, parti pra Van que é lugar quentinho.

Em Carmel, nossa segunda parada, vamos almoçar e curtir um pouco essa cidade lindinha. Dizem que tem bons restaurantes por aqui, tomara que nossa escolha seja acertada. Eu gostaria mesmo é de almoçar no restaurante de Clint Eastwood, se possível com ele presente. Gosto de homem sério com cara de mau, tipo ele. Pensando bem, é melhor que ele não esteja lá, tá velhinho, a cara de mau já suavizou.

Escolhemos o restaurante Porta Bella que é muito simpático. Pedi um King Salmon Grelhado com espinafre refogado, purê de batatas Yukon, molho cebolinha Beurre Blanc. Será que é bom? Com a fome que estou, não serei nada exigente. Acertei na escolha, muito bom.

Falei do meu ídolo com cara de mau e Claudete disse que esperava encontrar aqui o Príncipe Encantado das histórias de romance dos livros Sabrina. Algumas histórias se passavam em Carmel e o galã era sempre o mais alto, mais loiro, mais lindo, mais, mais... Ainda bem que ela trouxe o rei Moscon, porque príncipe com essas características, minha amiga, tá difícil.

Caminhamos um pouco pela rua principal, cheia de lojinhas charmosas, muitas flores, um clima gostoso que torna a caminhada muito mais agradável. Essa cidade parece Campos do Jordão com praia.
Desisti de morar em Salsalito. Acho que prefiro essa cidade que é linda e preferida também pelo meu cawboy favorito.

Campos de Golfe

Próximo destino, Monterrey. Antes, porém, passaremos por uma estrada particular, a “17 mile drive”. Pagamos pra passar por ela, tomara que valha a pena. Do lado esquerdo o mar, do lado direito campos de golfe. São muitos os campos de golfe, termina um, começa outro. Então, deduzo que são muitos ricos frequentando esse litoral. Alguns trechos da estrada são cercadas por ciprestes, a maioria meio inclinada para um lado, acho que pela força do vento. Essas árvores todas retorcidas, dariam um bom cenário pra filme de terror. 

Paramos em alguns pontos estratégicos para fotos.

Chegamos a Monterrey por volta das 16:00h. Eu gostaria de conhecer o aquário, que dizem, é muito bom. Já é tarde, fecha daqui a pouco. Estou louca pra tomar um café. Paramos numa Starbucks, mas não gostamos da aparência do lugar e fomos em frente. No caminho pedi a Sávia para tirar uma foto minha na entrada de uma loja bem colorida, de produtos da Turquia. Foi rápido, mas quando procuramos nossos companheiros, haviam sumido. Procuramos, telefonamos e nada. Sumiram.
Caminhamos pela Cannery Wharf, a principal rua dessa região. É aqui que ficam as antigas fábricas de sardinha que agora foram transformadas em lojas, hotéis, restaurantes. São coloridas e combinam com o clima de praia.
A aparência do lugar parece que não foge muito do padrão das cidades litorâneas dessa região: um grande deck de madeira com lojinhas e restaurantes tudo limpo e bem organizado.

Monterrey


Sentei pra tomar um sol na pracinha em frente a um monumento com vários homens sentados sobre pedras. Pensei em ver o significado daquele monumento, mas a preguiça não permitiu. Lembrei que essa é a terra do Zorro e do Sargento Garcia. Eu adorava aquela carinha de tonto do Sargento Garcia.


O hotel onde vamos passar a noite é ótimo, mas um pouco distante do centro da cidade. Reunimo-nos no bar pra beber, comer alguma coisa e papear. Esses momentos são uns dos melhores das viagens em grupo, em minha opinião, hora de se falar muita bobagem e dar boas risadas. Quase sempre, bebemos um pouco a mais e vamos dormir leves e felizes. 


LOS ANGELES, SOLVANG e SANTA BÁRBARA


20.05.2018


Saímos bem cedinho para Los Angeles e logo no inicio da viagem paramos numa vinícola. Sentamos na área externa da Sede da Vinícola, um solzinho morno muito bem-vindo e a paisagem bucólica em volta, dá uma vontade de ficar por aqui. Compramos uma degustação de seis vinhos (oi foi oito?). É tão pouco vinho no fundo da taça que caímos na risada. Não dá nem pra sentir se o buquê é de frutas vermelhas, se é um blend de diferentes uvas. Brincadeirinha... nem com copo cheio eu consigo identificar nada disso. Quando já estava no último vinho senti a bancada tremer. Vixe! Será terremoto? Nada disso. Fui eu que empurrei a bancada com meus oitenta e sete quilos mal distribuídos.









Claudete disse que vai passar a beber muiiito em 2019. Está cansada de conviver com pessoas que bebem muito, então é melhor ficar embriagada pra aguentar melhor os bêbados chatos. Acho que ela tem razão, só um bêbado para suportar a chatice de outro bêbado. Eu perguntava a Claudete e Moscon sobre a dupla cidadania italiana, quem fez os trâmites burocráticos pra eles, etc. Tânia falou:

-Eu também tenho dupla cidadania...nordestina.

Nós rimos muito da Tânia, que com uma toquinha enfiada na cabeça parecia mais uma trombadinha carioca do que um calango do nordeste.
E segue viagem. Passamos por vários “Cavalos de Pau”, usados na indústria do petróleo. Êta terra abençoada! Já teve o ciclo do ouro, ainda tem petróleo e esbanja eficiência na agricultura. Senti uma pontinha de inveja!
De vez em quando surge um muro margeando a estrada, e por trás do muro algum condomínio de ótimas casas. Mario falou, com sua voz grave de locutor:
-Esse é o projeto social “My life, my house”. Kkkkkk
Brasileiro não perde a piada.

Solvang

Paramos numa cidade de colonização dinamarquesa chamada Solvang. É bem pequena, tipo uma rua que sobe e outra que desce. Parece uma cidade cenográfica, casinhas de madeira no estilo dinamarquês, muitas lojinhas decoradas sem muito luxo, com simplicidade, mais bem graciosas. Tem até loja de enfeites de Natal abertas o ano inteiro, como é costume nos países da Escandinávia e que agora parece estar se espalhado para outros lugares. Estacionamos perto de um moinho de vento, outro símbolo bem dinamarquês, e fomos caminhando pela avenida. Olhando o horizonte é possível ver uma cadeia de montanhas azuladas, porque o céu está claro e as elas estão distantes. É uma bela vista.


Pouco depois estamos em Santa Bárbara. Gostei de cara desse lugar, esse jeito de cidade pra lazer, praia, coquetel colorido, sandália havaiana. A herança mexicana está presente na arquitetura, mas de uma forma clássica e elegante. Telhados vermelhos, arcos nas varandas e janelas, paredes caiadas que lembram um pouco as cidades do sul da Espanha. É uma cidade que pra mim tem um bom tamanho, menor que São Francisco e maior que Carmel, e ainda tem boas vinícolas na região.

Santa Bárbara

Chegamos no momento que acontece um encontro de carros antigos e deixamos nossa Van perto da rua onde estão os carros, cada um mais lindo que o outro. Adoro carro antigo, o meu Jipe Willians 1951 não faria feio aqui.
O grupo se espalhou a procura de lugar para almoçar. Fiquei com o grupo que escolheu um restaurante mexicano. O lugar é simpático, mas a comida não me agradou.
Fomos para o píer, que segue o padrão dos outros piers dessa região. Aqui a praia tem bastante areia e muitos coqueiros, e nas praias muitas pessoas tomam sol totalmente vestidas, o que pra nós parece meio estranho.
Olhando para mais longe, novamente as montanhas.
Estou na dúvida se desejo morar em Salsalito, Carmel ou Santa Bárbara. Tá difícil. Ah, se eu tivesse vinte anos, teria menos raízes, mas facilidade pra me adaptar a uma nova cultura e a distância da família. Agora, nem pensar.

As Poderosas - Faltou Sávia, acho que tava namorando.

Voltamos à estrada. No caminho fizemos uma pequena parada e alguns foram ao banheiro. Tânia entrou no banheiro individual, que era bem grande, e não viu o vaso sanitário que ficava num cantinho. Como havia uma outra porta ela deduziu que aquela fosse a porta do banheiro e começou a bater na porta e falar alto pedindo que abrissem. Urubu devia estar bicando o rabinho. Acontece que essa porta dava para a parte comercial, atrás do balcão de atendimento. Claudete estava na fila para pagamento e ouviu a voz de Tânia e o dono do estabelecimento que gritava para Tânia:
- Take it easy, take it easy.
Ela só se acalmou porque enfim encontrou o vaso sanitário.

Chegamos em Los Angeles no início da noite.


21.05.2018

O tour pela cidade começou cedo, com o auxilio luxuoso do nosso guia Eliseu, que é morador dessa cidade. Foi nos mostrando os prédios mais importantes e falou um pouco sobre as características dessas construções que estão preparadas para os abalos sísmicos tão comuns nessa região. Ele disse que o custo fica até três vezes maior do que uma construção normal.  O prédio que mais me chamou a atenção foi à casa de espetáculos Walt Disney. É lindo! Cheio de curvas, todo em aço, imponente. Ele teve que ser modificado porque o aço era tão brilhante que refletia o sol e aumentava muito a temperatura do entorno. Dizem que derretia os caixotes de lixo dos vizinhos. Tiveram que lhe tirar o brilho com jatos de areia.
Teatro Walt Disney

Alguém perguntou a Eliseu se ocorriam assaltos a pedestre em Los Angeles.

- De jeito nenhum. Aqui tem tolerância zero e pena de morte. O policial aqui é muito bem pago, o salário para um iniciante fica em torno de 9.000 a 11.000 dólares. A gente quase não vê policiais na rua, mas a cidade é toda monitorada por câmeras e se acontece qualquer fato inusitado a polícia chega imediatamente.

Marina Del Rey

Fomos para o píer da Marina Del Rey. Daniel avisou que aqui só os gays usam sunga, os heteros usam bermuda. O mar aqui é bem calmo, ruim pra turma do surf, mas pra velejar deve ser ótimo. Muitos iates na marina, lugar de gente rica, com certeza. Em seguida fomos ao bairro Venice, que tem esse nome por ter vários canais que lembram Veneza. Há tempos vi uma matéria no programa Destinos Improváveis que recomendava um passeio por esses canais. Fiquei com água na boca, só vi um canalzinho....é pouco tempo pra conhecer tanta coisa. Venice Beach é uma praia muito bonita. Grande extensão de areia, um calçadão cheio de gente e artistas populares, muito agito. Eliseu falou que tem uma grande área para musculação onde Arnold Schwarzenegger faz exercício. Mais adiante fica a praia de Malibu, dessa eu já ouvi falar muitas vezes em seriados de televisão.

Ultima praia: Santa Mônica. Almoçamos no Bubba Gump. Parece que todo prato vem acompanhado de muiiiita batata frita. Claudete brincou:
- Aqui a gente compra um brinco e vem junto um saquinho de batata frita.


Deixamos a praia e partimos para Beverly Hills, cidade de ricos e famosos. Não tem como não lembrar do filme Uma Linda Mulher. Passamos em frente ao hotel Beverly Wilshire, onde o casal do filme se hospedou. Perto dali estão as lojas luxuosas da Rodeo Drive onde Julia Roberts se esbaldou com o cartão sem limites de Richard Gere. Ah! Aquele cartão...sonho de toda mulher. Richard Gere é detalhe.


Fomos visitar a casa dos famosos. Visitar é força de expressão, é claro que não passamos da calçada. Aliás, foi só o que vimos na maioria das vezes, os portões e a vegetação que garante a privacidade do proprietário. Passamos pela casa onde Michel Jackson viveu e morreu e também pela casa de Carmen Miranda que também morreu aqui aos quarenta e seis anos. A cidade fez uma homenagem a ela dando o seu nome a uma rua: Carmelita Street.O bairro é muito bonito, com muitas palmeiras e as figueiras com seus troncos claros, conferem uma elegância ao bairro. No entanto, quando era possível vislumbrar alguma mansão não víamos ninguém, nem mesmo um cachorro. O lugar é lindo, mas parece um bairro fantasma. Nem um barzinho, um churrasquinho na esquina, o ronco do cano de escape de um carro... um tédio. Ronco aqui só se for do motor de uma Ferrari. Eu saí do bairro Cajueiros, mas o Cajueiros não sai de mim.

O mais odiado dos famosos: Donald Trump

Próxima parada: Holywood. 

Chegamos a tão famosa Calçada da Fama. Eu não imaginava que a “Calçada” é literalmente uma calçada onde todos passam o dia todo por cima dessas estrelas. Sei lá o que imaginei, mas não pensei em estrelas douradas em uma rua qualquer. Mas até que é legal, colocam os artistas num nível mais próximo dos simples mortais. Só um artista brasileiro está ali representado: a brasileira/portuguesa Carmem Miranda. Eliseu, nosso consultor para assuntos turísticos nos informa que três brasileiros têm chance de estrelar nessa calçada: Rodrigo Santoro, Wagner Moura e Alice Braga. 


O Teatro Chinês é um símbolo de Hollywood, várias cerimônias do Oscar ocorreram aqui. Não tem estrelas no chão, mas tem os pés, mãos e assinaturas de vários artistas famosos. A fachada em estilo oriental é bem exótica. Não entramos no teatro, acho que não fica aberto pra visitantes. Ao lado do Teatro Chinês fica a Highland Center, um lugar cheio de lojas, restaurantes e uma praça circular com várias palmeiras onde artistas populares se apresentam. O Dolby Theatre, onde acontece atualmente a cerimônia do Oscar, também fica aqui nesse local. 

Esta faltando a famozérrima placa HOLLYWOOD no alto da colina. Daqui de baixo não dá pra aparecer bem na foto com a placa ao fundo, fica muito distante. Então fizemos o que todos fazem: subimos o morro onde fica o Observatório Griffith. Pelo que vi, o Observatório é o que menos importa, o que interessa mesmo é a bendita foto com o letreiro, que nem fica tão perto assim. Hoje em dia grades impedem que alguém chegue perto do letreiro, porque alguns suicidas escolhiam o local do letreiro pra se atirar morro a baixo. Porque será, minha Nossa Senhora do Oscar, que alguém resolve se matar exatamente nesse local?

Teatro Chinês
Highland Center

O dia foi puxado. Então, depois do jantar, eu e minha companheira de quarto resolvemos relaxar e tomar um dos vinhos  que compramos numa vinícola na estrada. Não temos saca-rolha, como abrir a garrafa? Tânia lembrou que Moscon sempre toma vinho no quarto.- Moscon, você tem abridor de garrafa de vinho? 
- Tenho sim, vem cá Trombadinha, que eu abro pra você.
Moscon na maior boa vontade tentou abrir, mas tava difícil. Até que o abridor atravessou a TAMPA. Não era rolha, era tampa!
- Puta que Pariu, você me traz uma garrafa de tampa pra abrir! Agora pega essa rolha e enfia...na garrafa.
Eu também não vi que era tampa. As véias tontas.









22.02.2018

Hoje é dia de conhecer a Universal Studios.  Lembrei-me de uma história que Dr. Marcelo Rizzo me contou dias antes dessa viagem. Perguntou-me se eu ia pra Disney. Respondi que não, mas que iria a Universal Studios em Los Angeles. Então ele me contou sobre a primeira vez que foi com os filhos e a mulher na Disney e que passou por maus pedaços:

"No dia que chegamos em Orlando já aproveitamos pra ir no parque mais próximo. Alguém disse pra mim que nesse parque os brinquedos são bem tranquilos. Partimos pra lá e logo que chegamos fomos os quatro num brinquedo chamado de Mantra. Que legal, com esse nome deve ser bem tranquilo mesmo. Chegando lá um rapaz perguntou a idade do meu garoto mais novo.

- Nove anos.

- Não pode ir.

- Mas por quê? Não é bem tranquilo?

- Sim, mas ele não tem altura pra cadeira.

Falei pra minha esposa que ela poderia ir com o menino de onze e eu ficaria com o caçula. Ela achou que era melhor eu ir porque ela estava com muita fome, ia aproveitar pra comer um sanduíche. Ah, uma batatinha frita e uma cerveja cairiam muito bem agora, mas discutir com a mulher logo no primeiro dia? Não, deixa pra depois. Sentei na cadeira e automaticamente duas braçadeiras prenderam minhas pernas.

- O que é isso?

Antes que eu entendesse o que se passava, uma moça puxou acima da minha cabeça outra geringonça que prendeu meu tronco, meus braços e minha cabeça. Fiquei apavorado! De repente a cadeira deu um tranco e partiiiiiiiiuuuuuu! Meu Deus, eu vou me borrar todo! A cadeira emborcou pra frente e eu abri os braços. Ou as asas, sei lá. Olhei pro meu filho e vi que ele gritava:

-Urru! Que manero!

Não posso deixa-lo perceber que eu estou quase enfartando. Nesse momento a cadeira diabólica deu uma guinada pra cima e eu vi o céu azul:

-Jesuuuus, me leva! Eu estou pronto Senhor!

Perdi a noção do tempo, só sei que eu vi a morte de perto umas três vezes. Quando chegamos à lanchonete minha mulher me perguntou:

- Como foi?

- Foi legal, muito tranquilo.

E aí o moleque enquasquetou que tinha que ir novamente no Mantra. Eu tirei meu corpo fora:

- Vai tu com o menino, agora eu vou tomar minha cerveja.

E lá foram eles. Quando retornaram minha mulher tava verde. Ou melhor, roxa de raiva. Partiu pra cima de mim. Eu me defendi:

- Você não me obrigou a ir? Agora estamos quites, o jogo tá empatado.”


Morri de rir e falei pra ele que se eu fosse a esposa dele, eu hoje estaria viúva. 

Nunca me interessei por montanha-russa, nada que desafie a gravidade ou rode em alta velocidade, mas como é um estúdio cinematográfico, e eu adoro cinema, acho que vou gostar.  Chegando lá encontramos  uma fila já bem grande, mas andou bem rápido. É tudo bem organizado, muito limpo e parece seguro. Embarcamos numa espécie de trem com vários vagões e iniciamos um passeio pelo parque, ou estúdio, ou sei lá o nome correto. Passamos por cenários de vários filmes conhecidos e então entramos em um local fechado, colocamos óculos 3D e nos deparamos com dinossauros, tiranossauros, pteurossauros  e toda sua prole brigando entre si. Do outro lado do vagão é o Planeta dos Macacos. E eles voam em cima da gente, jogam carros, e sacodem nosso vagão.  Achei legal. Em seguida fomos a uma apresentação numa arena, parecida com um circo sem tenda e uma grande área alagada. Parece cenário do filme Waterworld – O Segredo das Águas. Antes de começar o espetáculo alguns rapazes interagem com o público e de vez em quando jogam água sobre nós. Quem está nos primeiros degraus acaba se molhando. É o meu caso, mas me cobri com um casaco e deu pra escapar. Depois começa o show com muita acrobacia, jet-ski  e barcos velozes. Cada vez parece mais com o filme. 

Depois desse show fomos para outro simulador, o Castelo do Harry Poter. Entramos na fila, depois nos dividíamos em grupos de quatro. Logo que sentei, Dayse do meu lado, uma braçadeira fechou em torno dos meus pés. Lembrei-me da história de Dr. Marcelo, o que foi ótimo porque assim não fui pega de surpresa. Até que gostei desses simuladores.
Ainda fui num show com cachorros e aves (já vi melhores). Alguns ainda foram no simulador dos Milions, mas eu já estava cansada, só queria tomar uma cerveja e relaxar.


23.05.2018

Antes de ir para Las Vegas fomos ao Museu de Ciências de Los Angeles.  Tínhamos duas exposições temporárias pra escolher: Os tesouros de Tutankamon  e Endeavour, o ônibus espacial.
Eu, Mário e Sávia escolhemos ver Os Tesouros de Tutankamon. Há muitos anos atrás, quando li o livro Eram Os Deuses Astronautas, fiquei surpreendida com a teoria que explica, ou tenta explicar, os fatos inexplicáveis que encontramos na cultura Maia (México), os Incas (Peru) e no Egito dos Faraós. Como explicar as semelhanças entre as pirâmides do Egito e a dos Maias no México? Os Moais da ilha de Páscoa? As linhas de Nazca no Peru? Enfim, acho que deve ser fascinante esse tipo de pesquisa. Posso imaginar a emoção que o famoso arqueólogo inglês Carter sentiu quando, depois de anos de pesquisa, encontrou quase intacta a tumba do Faraó Tutankamom. Então, como surgiu essa oportunidade de ver parte dos tesouros encontrados na tumba, não vou deixar passar, afinal não sei se terei oportunidade de ir ao Egito.
Amei a exposição e cada vez mais me sinto propensa a acreditar na tese de Van Daniken,  autor do livro. Em seguida, como ainda tínhamos tempo, fomos a  exposição do  Endeavour - Ônibus Espacial, mas essa não tem nenhum mistério, não me empolguei.


 Tutankamon - o Faraó Menino 
O egípcios antigos já usavam havaianas

















LAS VEGAS


Partimos para Las Vegas. A estrada cruza um deserto durante todo o tempo. Estamos atravessando o Vale da Morte. No verão algumas estradas menos movimentadas são fechadas porque se alguém ficar parado por falta de gasolina ou outro problema qualquer, corre o risco de morrer já que a temperatura pode chegar a 70º graus. Tem muita cobra venenosa também. – informou Eliseu.

A paisagem é interessante pra quem nunca atravessou um deserto, mas acho que pra quem passa aqui com frequência, deve ser muito monótona.

Chegamos ao hotel no final da tarde. O Venice Hotel, onde ficaremos hospedadas, é um Resort com toda estrutura para que o hóspede possa, caso queira, ter muita diversão à sua disposição sem precisar sair do hotel. Os hotéis aqui em Las Vegas costumam ser temáticos e esse aqui, como o nome já indica, se inspirou em Veneza. O hall do hotel, enorme e suntuoso está cheio de hóspedes aguardando o check-in. Muito bonita a decoração e já se percebe aqui o clima dos palacetes de Veneza. Quando chegamos ao quarto enoorme, com duas camas de casal Queen, área de estar rebaixada com mesa para refeições,  duas TVs LCD,  banheiro luxuoso com TV, box com chuveiro, banheira de imersão, balcão de mármore  com duas pias e produtos de banhos excelentes. Um luxo! Tânia se apavorou, começou a me puxar pra sair do quarto:

- Ângela, esse pessoal nos colocou por engano na suíte Master. Vamos lá embaixo devolver esse negócio, é meu cartão que está registrado lá e eu não tenho dinheiro pra pagar suíte Master não!

- Que suíte Master nada! Onde já se viu suíte Master no final de um corredor que parece ter um quilômetro de distância, parece o corredor da morte. Relaxa!

Tânia não ficou convencida, só relaxou quando falou com outros colegas que disseram que o quarto era semelhante. Pra chegar aos quartos atravessamos toda a extensão do Cassino. Os restaurantes também ficam no entorno do Cassino, ou seja, tudo ajuda a induzir o hóspede a fazer uma fezinha. Não é o meu caso, jogo não me atrai, alguns até me irritam como por exemplo, o Bingo. Não sei como alguém aguenta uma pessoa repetindo números duas, três vezes e quase sempre, com uma voz chata e monocórdia. 

Aqui no Cassino as pessoas fumam e bebem muito e a roupa das mulheres é um caso a parte. Parecem garotas de programa. Não, não parecem garotas de programa, elas se vestem melhor que essas. As que frequentam o cassino e muitas que são hóspedes do hotel parecem mais com as quengas que fazem ponto na Rua da Praia. Minha Nossa Senhora dos Resorts, é o luxo e o lixo num mesmo local!


24.05.2018

Os hotéis americanos não costuma oferecer café incluso na diária. Nos hotéis que nos hospedamos até agora tinham cafeteira e toda estrutura pra se fazer um café ou chá. Nesse hotel não temos essa estrutura, mas tem cafeterias aqui dentro, o que facilita nossa vida. Aliás, encontrar um café como gosto é tarefa muito difícil.

Saímos cedo para o Grand Cannyon. São duas horas e meia até lá. Logo que entrou na Van Tânia avisou que chegando ao Brasil vai começar a vender quentinhas, porque essa viagem deixou-a a beira da falência. Kkkkk! Só você? No caminho paramos para conhecer a represa de Hoover. São muitos degraus até chegar à represa, desisti de ir até lá, tenho que poupar a tendinite no quadril. Será que é mais bonita que Itaipu? Duvido. Tânia disse que já viu Itaipu e a represa de Tapera, já tá legal de represa.

Chegando lá no Cannyon o grupo se dividiu. Claudete e Thayz optaram por fazer um passeio de helicóptero sobre o Cannyon com direito a descer e fazer um pequeno passeio de barco no rio Colorado. Acho que esse deve ser o melhor passeio aqui, mas não quero saber de helicóptero. Não gosto de viajar de avião, mas como não tenho opção melhor para viajar em grandes distâncias, encaro o sacrifício. Mas helicóptero só quando sou obrigada, como aconteceu várias vezes que precisei embarcar à trabalho.

Entramos num ônibus pequeno que circula pelo parque e faz algumas paradas. Na primeira tem uma reprodução de um pequeno vilarejo do Velho Oeste, onde alguns índios fazem apresentação de danças e outras coisas que não me lembro. Não achei nada de interessante por aqui e as índias estão parecendo mais com ciganas do que com índias. Talvez leiam a sorte nas mãos.

Fomos para o segundo ponto, dessa vez bem perto da borda da montanha. Tem muita pedra solta ou algumas maiores, mas escorregadias. É meio perigoso, não tem nada que te proteja. Bom lugar para suicidas, mas creio que aqui os responsáveis pelo parque devem abafar o caso. Tem um local com uma passarela de vidro (skywalk) que se projeta além da borda, dando uma visão maior do fundo do Cannyon. Também não fui à skywalk, estou ficando velha e chata. Já não me sinto empolgada para algumas coisas. Seguimos para a última parada onde também almoçaremos. Aqui é possível ver melhor a formação rochosa, com mais detalhes e também a parte do chão do desfiladeiro e parte do rio Colorado. 


 

A paisagem é toda marrom claro, cor de terra. Nenhum verde, nenhum colorido de arvores, flores, animais. É meio monótono, marrom da terra e azul do céu. É claro que eu não esperava nada muito diferente disso, mas como já disse, estou chata.  É uma maravilha da natureza, mas acho que eu estaria mais feliz mergulhando na piscina do hotel, pegando um solzinho e tomando um drink gelado. Acho que o que está acontecendo no Brasil está me deixando preocupada. Tenho falado com meu marido e meu filhos sobre uma greve de caminhoneiros que parou o país. Já dura uma semana e já começa a faltar alguns alimentos nos supermercados. No Whatzap tenho recebido informações e as piadinhas costumeiras, a coisa tá feia. Nem postei foto alguma no Face, o maior furdunço no Brasil e nós aqui flanando pela Califórnia com dólar a quatro reais. 

Restaurante Giratório

À noite fomos ao restaurante giratório Top of The World que fica na centésimo oitavo andar da torre de observação do hotel Stratosphere. O giro não é tão rápido que atrapalhe, mas preferi ficar de costas para parede envidraçada. Não acho agradável estar comendo e olhando para algo que está girando. A vista é linda, é possível ver toda a cidade. Deve ser bem legal ver o por do sol daqui dessa torre.
Acima do restaurante fica um parque de diversão com montanha-russa e outros brinquedos bem radicais. É estranho estar comendo e saber que tem uma montanha-russa que passa por cima da minha cabeça. E o mais estranho é que você está comendo, apreciando a vista e de repente alguém se joga lá de cima e despenca na sua frente. Se eu não tivesse sido avisada anteriormente com certeza levaria o maior susto. No parque que fica um andar acima, tem uma estrutura para pularem de sky jump, pagando é claro. São esses malucos que despencam em frente ao restaurante.


25.05.2018

Hoje é aniversário do meu filho mais novo. Acordei e já liguei pra ele e como o fuso horário aqui é de quatro horas a menos, lá no Brasil já é hora do churrasco na casa de Victor. Ele falou que o churrasco hoje não tem molho a campanha porque não encontrou tomate, cebola e nem pimentão. Mas a carne tá garantida. Aproveitei pra falar com minha neta e achei que ela estava com uma vozinha triste. Eu sinto falta dela quando viajo e acho que ela também sente.

Hoje é dia de compras. Achou que o preço do dólar ia nos espantar? Só um pouquinho. Fomos a um outlet não muito distante e fizemos a festa, ou melhor, festinha. De volta ao hotel deitei e descansei um pouco, em seguida resolvi ir andar pelo hotel para conhecê-lo melhor. No quarto andar tem várias piscinas, não contei quantas, e todos os deques estavam lotados. O espaço é muito bonito. Tem piscinas no décimo andar também e vou lá dar um mergulho amanhã mais cedo, acho que estará mais vazio.

Réplicas do Canais de Veneza

Desci para o segundo andar onde ficam as lojas, restaurantes, galerias de arte, boate, etc... Me surpreendi quando entrei numa praça com as fachadas em volta que copiavam os prédio em volta da Piazza San Marco em Veneza. Tem até o Campanille, a ponte Rialto e os canais com gôndolas. Que maravilha! E durante o passeio os gondoleiros cantam, como em Veneza. O teto meio arqueado é pintado de azul com nuvens, o que transmite a sensação que é um final de tarde a qualquer hora do dia ou da noite. Num pequeno palco uma mulher, cantora lírica, se apresenta acompanhada de um pianista. Amei, me senti na Itália! Saí da grande praça e entrei pelas vielas. Lojas de marcas famosas, restaurantes charmosos e muita gente bonita passeando. Tem também as meninas da Rua da Praia que vêm exibir sua beleza vulgar aqui na Veneza do deserto.


Voltei ao quarto para tomar um banho, mudar de roupa e voltar para Veneza. Dayse, Claudete e Thays foram assistir um espetáculo do Cirque de Soleil. Carlos me ligou convidando para tomarmos umas cervejas junto com Moscom. Carlos não bebe álcool, mas vai nos acompanhar. Vera também foi conosco. Convidei-os para subirmos ao segundo andar e notei que eles ficaram surpreendidos, como eu também fiquei, quando viram a Veneza recriada com muita competência. Logo na chegada paramos em frente a um bar onde um saxofonista tocava jazz. Sentamos num dos bancos em frente ao bar ouvindo a música. Moscom falou “Descobri o prazer de viver”. Ele gosta muito de jazz.  Quase ficamos por ali mesmo, mas tem muita coisa ainda pra ver. Toda vez que cruzávamos com alguma menina da Rua da Praia, Carlos dizia “Segura essa marimba”.

Mais tarde encontramos com a turma que foi assistir ao show no Cirque de Soleil e elas voltaram encantadas.


26.05.2018

Hoje o dia é livre, quero aproveitar melhor o hotel. Após o café voltamos ao segundo andar porque a maioria ainda não tinha ido lá. Mais tarde eu e Tânia fomos à piscina do décimo andar. Aqui também tem várias piscinas, umas grandes outras menores. Dei um mergulho e a água está deliciosa, o dia está quente e o céu muito claro. É hora de almoçar e, são tantos restaurantes. Tem asiáticos, italianos, tailandeses...opções não faltam para nosso almoço.

Fremont Street

À noite resolvemos conhecer a rua mais antiga da cidade, a Fremont Street ou a Velha Las Vegas. É uma rua totalmente coberta, e no teto um jogo de luzes que muda o tempo todo. É muito comum andar de limusine em Las Vegas, pelo menos uma vez. Escolhemos uma que estava na frente do hotel e lá fomos nós naquela barcaça. Na rua Fremont, fechada para o trânsito de veículos, muita gente assiste aos shows que acontecem em dois palcos. Acima das nossas cabeças uma tirolesa cruza toda extensão da rua. Aqui ficam os mais antigos Cassinos e os primeiros hotéis da cidade. Não é tão luxuosa, mas tem valor histórico. Alguns homens quase nus tentavam atrair os turistas para algum programa. Lá no Brasil acho que seriam detidos por atentado ao pudor, mas aqui pode tudo, só não pode falar que tem uma bomba na bolsa, nem de brincadeira.












Combinamos de assistir ao show das águas em frente ao hotel Bellagio. Fomos em dois carros e nos desencontramos. Chegando lá esperamos um pouco e logo começou o show das águas, que não é lá essas coisas. Resolvemos voltar a pé para nosso hotel porque Daniel havia dito que era perto. A Avenida Las Vegas Strip e as ruas adjacentes são um tumulto só, um inferno de gente andando de um lado pro outro. Fomos caminhando através daquele mar de gente em direção ao nosso hotel e nada de avistar aquela fachada imponente. Claudete, que estava com sapato de salto, já estava fazendo um calo no dedo. Eu sentindo dor no quadril, Moscon já parecia irritado e Tânia...nem te falo. Pensamos em pegar um táxi, mas nos informaram que já estávamos muito perto. Acho que não escolhemos o caminho mais curto.  Chegamos enfim, sobrevivemos.


NEW YORK



27.05.2018

Tive insônia e não dormi a noite. Saímos as 5:30h para o aeroporto e pensei: “Já conheço Nova Iorque, poderia estar indo agora para o Rio de Janeiro, como farão Sávia e Mário”. Já estou com saudade de casa, principalmente da minha neta. Dormi um pouco no voo e o desânimo passou, fiquei feliz em estar novamente em NY.
As notícias que chegam do Brasil informam que a greve dos caminhoneiros continua. No caminho do aeroporto para o hotel, passamos por uma feira de rua e vimos uma banca cheia de legumes. Tânia teve uma ideia:
- Vocês já compraram todas as lembrancinhas? Tenho uma sugestão. Comprem cebolas, tomates, batatas... acho que o pessoal vai adorar.
Nosso hotel é bem básico, mas fica pertinho da Times  Square o que facilita a vida do turista. Saímos pra jantar e depois demos uma voltinha ali por perto.


28.05.2018

“Parabéns prá você, nesta data querida...”
Levei um susto, quase rolei da cama! Hoje é meu aniversário de 62 anos e Tânia me acordou aos berros cantando essa música. Se eu levar outro susto desses corro risco de não emplacar os 63.
O Daniel programou para hoje um passeio no ônibus Hop-on-Hop-off para turistas. Acho que é um bom programa para quem ainda não conhece a cidade e, principalmente, pra quem não vai ficar muitos dias. Eu pensei em aproveitar esses dias para ir aos lugares que ainda não visitei. Aqui em Manhattan não fui aos Museus, o Memorial de 11 de setembro, não fiz o passeio de bike pelo Central Park porque vim no inverno, não conheci o Brooklyn, mas como são poucos dias e deixei algumas compras pra fazer aqui, duvido que dê tempo de fazer o que eu gostaria.

Depois do passeio de ônibus vamos caminhando até ao hotel. Passamos por um restaurante simpático e a fome despertou, entramos e a atmosfera retro do Lilli”s Victorian nos conquistou de cara. Foi uma boa surpresa esse restaurante e bar em estilo vitoriano, com um aparência bem inglesa. Depois do lunch trouxeram um bolinho com uma vela enorme, dessas que soltam faíscas, e cantaram parabéns pelo meu aniversário. 


 

              Apagando a velinha

Está sendo bom passar essa data com velhos e novos amigos. Depois de 15 dias de convivência já é possível formar um perfil dos meus novos companheiros de viagem. Moscon parece ser uma pessoa doce, calma, um típico bom companheiro. Claudete é enérgica, explosiva, mas carinhosa e solidária. Daniel é um menino ainda, esperto e determinado. Sávia, que já voltou para o Brasil, é muito simpática e animada. É só uma primeira impressão, levamos uma vida inteira pra conhecer uma pessoa. O ser humano é complexo e as vezes difícil, mas gosto de conhecer novas pessoas.

Titanic

Vamos jantar no Carmine´s, que fica perto do nosso hotel. É um restaurante de comida italiana, tradicional aqui na cidade, com bom preço e pratos fartos. O falatório também é bem italiano. Pedimos três pratos de massas com camarão e comemos bem. O vinho ajudou a esquentar; tem feito frio apesar da proximidade do verão. Eu já tinha ficado feliz com a comemoração do meu aniversário no almoço, e não é que tem mais? Trouxeram um Titanic, nome de uma sobremesa enoooorme: chantilly, sorvete, brownie, morango, gomos de laranja, cerejas e tubinhos crocantes  de wafer. Cantamos novamente os parabéns e caímos de colher naquela delícia. O Titanic foi ao fundo rapidamente. Amei tudo!


29.05.2018

Central Park

Vamos caminhando na direção do Central Park. Na altura do Rockefeller Center alguém disse que precisava ir ao banheiro. Tânia usou a expressão que já virou bordão entre nós:
- É urubu bicando o cu de alguém.
Fizemos uma parada técnica e seguimos em frente. Aproveitamos para conhecer a Catedral de Saint Patrick. É uma igreja em estilo gótico e muita escura no seu interior, como costumam serem todas as igrejas construídas nesse estilo. Todos saíram e nada de Dayse aparecer. Cadê Dayse? Daniel foi até lá dentro chamá-la. Vai que ela resolveu confessar todos os seus pecados, não vamos sair daqui hoje. Nada disso, ela está preocupada com o filho e foi acender uma vela pra ele. É pra ele ou por ele? Nunca acendi vela pra ninguém, então não sei qual a expressão correta.

Chegamos ao Central Park. Eu e Thayz queremos fazer o passeio de bike. Marcamos com o pessoal que vai ficar caminhando pelo parque, que retornaremos em uma hora. Alugamos a bike e fomos, mas já começamos com alguma dificuldade, as entradas para o park tinham sempre uma placa proibindo transitar de bike. Pedi informação a um charreteiro que nos indicou o caminho, uma via de mão única que percorre todo o entorno do parque. E lá fomos nós!

Mapa do pecurso de bike 

Acho que essa é a melhor forma de conhecer o parque, a ciclovia é espaçosa, o terreno é quase todo plano com algumas subidas suaves o que facilita muito pra pessoas como eu, que não andam de bicicleta com muita frequência. A pé levaríamos muito tempo, um dia seria pouco.
Porém, como não tínhamos noção da extensão e se havia algum retorno próximo, ficamos preocupadas. Paramos num pequeno quiosque de informação e a atendente nos indicou um retorno logo à frente e nos deu um mapinha. Bom mesmo seria um passeio guiado e eles têm guia em português ou espanhol. Era o que eu pretendia fazer, mas por causa da tendinite no quadril não me programei com antecedência.
A vista é maravilhosa, os gramados verdes convidam para uma paradinha, encostar a bike e tomar um sol. Se trouxer os apetrechos para um piquenique, melhor ainda. É uma pena estarmos presas ao horário de encontro com o restante do grupo, poderíamos aproveitar mais um pouco.
Depois da bike, um barco. Passeio de barco pelo Rio Hudson, sentamos no convés para ter uma visão melhor, mas o sol nos castigou. Pensamos que passaríamos próximo a Estátua da Liberdade e na verdade passamos, só que estávamos sentadas de frente para a margem do rio e de costas para o centro do rio onde está a Miss Liberty. Não perdemos grande coisa, mas o passeio foi inútil.
Descemos no píer mais próximo do prédio do Observatório, o One World Observatory, que foi construído no local onde ficavam as torres gêmeas. É um prédio de 104 andares, o mais alto dos Estados Unidos. Entramos no elevador e eu esperei a arrancada. Foi suave e logo em seguida é projetado nas paredes do elevador um vídeo sobre como a cidade de nova Iorque evoluiu através dos anos, onde os prédios são a melhor referência dessa evolução. A exibição é rápida porque o elevador leva menos de dois minutos para chegar ao topo. Saindo do elevador, uma nova apresentação de um vídeo sobre a construção do prédio. E quando o filme termina a tela sobe e a luz invade a sala, a cidade está aos nossos pés. É lindo!

Saímos do Observatório e fizemos uma pequena parada no Memorial 11 de setembro, o espelho d’agua que tem gravado em sua borda o nome de todos os que morreram no atentado as torre gêmeas. O lugar é bem arborizado e apesar da tragédia ocorrida ali, é um lugar agradável.
Observatório

Atravessamos a estação do metro que também faz parte do complexo do memorial, assim como o museu que não visitamos. É um prédio que externamente lembra uma ave levantando voo e internamente tem um grande salão, comprido e oval nas extremidades. É muito diferente e bonito. Chegamos a loja Century 21. Eu estava muito cansada, afinal pedalei alguns quilometros e meu condicionamento físico não é lá grandes coisas. Não olhei nada na loja e quando os primeiros manifestaram a vontade de ir embora, juntei-me a eles e pegamos o primeiro táxi que apareceu. Perto do hotel tem um restaurante brasileiro e resolvemos almoçar lá. Pedi uma picanha na chapa, aipim frito, molho a campanha, farofinha, arroz e feijão. Mais brasileiro que isso, só uma feijoada. Pra completar uma cerveja nacional, a Proibida.


30.05.2018

Hoje é o meu dia para concluir as compras. Quero comprar uma batedeira de bolos pra minha nora, tablet pros netos, GPS de bike para meu filho mais velho. Fomos para a Target iniciar a via crucis (pelo menos para mim) que é o dia das compras. Já procurei a batedeira antes, mas tá difícil encontrar o modelo que ela precisa. O anjo Daniel vai me ajudar nessa busca. Errado, o anjo é Gabriel e Daniel é profeta. Não, não é profeta é discípulo. Bem, finalmente encontramos a batedeira e ela pesa 10 kg. Daniel negociou a entrega da pesadinha no hotel ainda hoje. Com o meu inglês minúsculo eu teria que pegar um táxi e levá-la para o hotel, o que me faria perder muito tempo. Estou quase promovendo o discípulo a santo, tamanha a paciência que ele tem em acompanhar essa mulherada nas compras.

À tarde, quando retornei pro hotel encontrei Moscon e Carlos papeando no hall do hotel. Juntei-me a eles e depois foram se juntando outras pessoas do grupo. Moscon está com vinho, mas é proibido beber ou comer aqui no hall. Achamos que se colocarmos o vinho e os copos no chão, ninguém vai perceber porque aqui é meio escuro e são muitos sofás, que acabam escondendo um pouco o balcão da recepção. Só falta arrumar uns copos. Vimos que tinha uma porta aberta próxima à entrada dos banheiros, parecia uma despensa ou uma cozinha. Carlos foi até lá e afanou alguns copos.

Caímos na risada quando falamos sobre a nossa decadência. Deixamos o luxuoso Venecian e caímos no escuro e meio lúgubre Paramount, bebendo com copos roubados e colocados no chão. Foi uma queda e tanto. E o nivel da conversa? Outra derrota. Começamos com Carlos contando sua pior experiência com a bicada do urubu e outros foram falando de suas experiências com essas bicadas no rabinho. Depois emendamos em algumas esquisitices de alguns conhecidos. Um deles é especialista em remédios, laboratórios farmacêuticos e afins. Os amigos costumam consultá-lo, mas não é médico nem farmacêutico, é engenheiro. Uma outra história sobre nossa amiga Tânia que solicitou a instalação de um alarme em sua casa no Trapóleo. O rapaz que foi fazer a instalação contou que estava desesperado porque tinha quatro filhos e estava desconfiado que a esposa estivesse grávida novamente. Tânia ficou com pena e se ofereceu pra conseguir uma vasectomia no hospital do Trapiche. Conseguiu, e o rapaz fez a cirurgia. Passada uma semana após a cirurgia o rapaz ligou desesperado pra ela porque não tinha tomado o antibiótico nem feito o resguardo que o médico recomendou. Resultado: os pontos rebentaram e o saco dele estava ficando preto. Perguntou se ela poderia falar com o médico porque ele não conseguia andar, doía muito. Ela concordou e ele mandou pelo ZAP uma foto do saco inchado e preto. Coisa horrorosa!!! E não é que ela foi ao médico e mostrou a foto pra ele, que desconfiado olhava pra foto, olhava pra ela? Deve ter pensado: “que mulher maluca”.

Hora de arrumar as malas. Descansamos um pouco e iniciamos essa árdua tarefa. Normalmente não desfaço minha mala, ela está sempre pronta pra partir. Como nessa viagem comprei outra mala e tenho que acomodar a batedeira da melhor forma possível, tenho que desarrumar e arrumar tudo. Quando já passava da meia noite Daniel viu que estava com fome e eu também.  Daniel fez uma proposta:
- Tânia, você seria capaz de comprar uma pizza prá nós? Tem um pizzaria aqui perto que fica aberta 24 horas.

- E o que eu ganho com isso?

- Duas cervejas Heineken.

- Eu topo.

E lá foi ela a pé comprar pizza na maior friaca, quase uma da manhã. Levou escrito num papel o nome da pizza que queríamos, porque em inglês ela só fala “I love You”.
Voltou com a pizza quentinha, coca e as Heineken.

- Você pediu pra esquentar a pizza?

- Sim. Olhei pra pizza e falei: fire, fire, fire.

Socorro! Ainda bem que ninguém chamou o corpo de bombeiros.


31.05.2018

Ainda restaram algumas comprinhas, está chovendo e vou me molhar. Fazer o quê, quem mandou deixar para o ultimo dia. 

Nosso transfer estava marcado para 16:40h. Deu 18h e nada do carro chegar. Daniel desistiu e começou a procurar dois táxis pra nos levar ao aeroporto. A situação não estava boa não. Claudete ofereceu Rivotril pra quem quisesse, o clima tava tenso. Chegaram os táxis e saímos acelerados. Chegamos no aeroporto a tempo, e fomos correndo fazer o chek-ín na máquina. E nada de conseguir, pedimos ajuda de uma atendente e enfim conseguimos. Peguei as etiquetas,minha e de Tânia, e fui correndo para o guichê que a atendente me indicou. Na pressa esqueci de retirar a passagem. A atendente foi até a máquina e encontrou as passagens no chão. Deve ter me xingado, com certeza. Para completar Tânia, na imigração entregou o passaporte velho e deixou o novo na bolsa. Ufa!!! 

De volta a cidade maravilhosa, tão bela e tão castigada, 


HOTÉIS
Wyndham Cantebury - San Francisco
Hilton Garden - Monterrey
Doubletree By Hilton - Los Angeles
Venecian Resort - Las Vegas
Paramount Hotel - New York

RESTAURANTES
Cesário's - 601 Sutter St, San Francisco
Restaurante Porta Bella - Ocean Ave, Carmel-By-The-Sea, 
Restaurante Bond 45 - West 221 46th St, New York 
Lillie's Victorian Establishment 249 W 49th St, Nova York
Brazil Brazil 330 West 46th St, New York
Carmine's - West 200 44 th St, New York 

OS TRAJES DAS  MENINAS DO HOTEL VENECIAN



 

BONS COMPANHEIROS